Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 184 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Anticoagulantes para Uso Clínico

 

Em algumas condições tromboembólicas, é desejável retardo no processo

de coagulação. Vários anticoagulantes foram desenvolvidos para esse

propósito. Os mais utilizados na clínica são a heparina e os cumarínicos.

 

HEPARINA COMO ANTICOAGULANTE INTRAVENOSO

A heparina comercial é extraída de vários tecidos animais diferentes e

preparada em forma quase pura. A injeção de quantidades relativamente

pequenas, em torno de 0,5 a 1 mg/kg do peso corporal, faz com que o

tempo de coagulação sanguínea aumente do valor normal de 6 minutos para

30 ou mais minutos. Além disso, essa variação do tempo de coagulação

ocorre instantaneamente, impedindo de imediato ou diminuindo a

continuidade do desenvolvimento da condição tromboembólica.

A ação da heparina dura cerca de 1,5 a 4 horas. A heparina injetada é

destruída pela enzima no sangue, conhecida como heparinase.

 

CUMARÍNICOS COMO ANTICOAGULANTES

 

Quando um cumarínico como a varfarina é dado ao paciente, a quantidade

de protrombina e dos Fatores VII, IX, e X, todos formados no fígado,

começa a diminuir. A varfarina produz esse efeito ao inibir a enzima VKOR

c1. Como discutido anteriormente, essa enzima converte a forma oxidase da

vitamina K à sua forma reduzida, que é ativa. Ao inibir a VKOR c1, a

varfarina reduz a disponibilidade da forma ativa da vitamina K nos tecidos.

Quando há essa redução, os fatores da coagulação deixam de ser

carboxilados, ficando biologicamente inativos. Durante os dias seguintes, os

fatores da coagulação ativos nos reservatórios corporais são degradados e

substituídos por fatores inativos. Embora os fatores da coagulação

continuem a ser produzidos, eles têm atividade coagulante muito reduzida.

Após a administração de dose efetiva de varfarina, a atividade

anticoagulante do sangue diminui para cerca de 50% da normal após 12

horas, e para cerca de 20% da normal após 24 horas. Em outras palavras, o

processo de coagulação não é bloqueado imediatamente, mas deve esperar

pela degradação da protrombina ativa e dos outros fatores da coagulação

afetados que já estão no plasma. A coagulação normal retorna, em geral,

entre 1 e 3 dias após a suspensão da terapia com cumarínicos.

 

PREVENÇÃO DA COAGULAÇÃO SANGUÍNEA FORA DO

CORPO

Embora o sangue removido do corpo e colocado em tubo de ensaio de vidro

coagule, normalmente em cerca de 6 minutos o sangue coletado em bolsas

siliconizadas não coagula antes de 1 hora ou mais. O motivo para essa

diferença de tempo é que a preparação das superfícies das bolsas com

silicone impede a ativação pelo contato das plaquetas e do Fator XII, os

dois principais fatores que desencadeiam o mecanismo intrínseco da

coagulação. Inversamente, os recipientes de vidro não tratado permitem a

ativação por contato das plaque tas e do Fator XII com o rápido

desenvolvimento de coágulos.

A heparina pode ser utilizada para a prevenção da coagulação do sangue

fora do corpo, da mesma forma como é utilizada no corpo. A heparina é

especialmente útil em procedimentos cirúrgicos, nos quais o sangue deve

passar por máquina coração-pulmão ou por rim artificial, circulando de

volta para a pessoa.

Diversas substâncias que diminuem a concentração dos íons cálcio no

sangue também podem ser utilizadas para a prevenção da coagulação do

sangue fora do corpo. Por exemplo, composto solúvel de oxalato, misturado

em pequenas quantidades com amostra de sangue, causa precipitação de oxalato de cálcio do plasma, diminuindo a concentração do íon cálcio até o