Tratado de Fisiologia Médica
Regulação da Temperatura Corporal — o Papel do Hipotálamo
mucosas respiratórias, como resultado da evaporação do ar nas superfícies
mucosas, em especial a evaporação da saliva da língua. Ainda assim, o arquejo
não aumenta a ventilação alveolar acima do necessário para o controle adequado
dos gases sanguíneos, uma vez que cada ciclo respiratório é muito superficial;
portanto, grande parte do ar que entra nos alvéolos é ar do espaço morto oriundo,
em sua maior parte da traqueia e não da atmosfera.
REGULAÇÃO DA TEMPERATURA CORPORAL — O
PAPEL DO HIPOTÁLAMO
A Figura 74-6 mostra o que acontece com a temperatura “central” em
pessoa desnuda após% algumas horas de exposição a ar seco, variando de
30 a 160°F (−1 a 71°C). As dimensões precisas dessa curva dependem do
movimento do ar causado pelo vento, da quantidade de umidade do ar e
mesmo da natureza do meio ambiente. Em geral, a pessoa desnuda no ar
seco com temperatura entre 55 e 130°F (13 e 54,5°C) é capaz de manter a
temperatura central normal entre 97 e 100°F (36,1 e 37,8°C).
A temperatura do corpo é regulada quase inteiramente por mecanismos de
feedback neurais e quase todos esses mecanismos operam por meio de
centros regulatórios da temperatura, localizados no hipotálamo. Para que
esses mecanismos de feedback operem, deve haver detectores de
temperatura para determinar quando a temperatura do corpo está muito alta
ou muito baixa.
Figura 74-6. Efeito das temperaturas atmosféricas altas e baixas de várias horas de duração sobre a temperatura corporal “central”. Observe que a temperatura corporal interna permanece estável a despeito de amplas alterações na temperatura atmosférica.
O PAPEL DA ÁREA PRÉ-ÓPTICA-HIPOTALÂMICA
ANTERIOR NA DETECÇÃO TERMOSTÁTICA DA
TEMPERATURA
A área hipotalâmica anterior pré-óptica contém grande número de
neurônios sensíveis ao calor, bem como cerca de um terço de neurônios
sensíveis ao frio. Acredita-se que esses neurônios atuem como sensores de
temperatura para o controle da temperatura corporal. Os neurônios sensíveis
ao calor aumentam sua atividade por duas e 10 vezes, em resposta a
aumento de 10°C da temperatura corporal. Os neurônios sensíveis ao frio,
por sua vez, aumentam sua atividade quando a temperatura corporal cai.
Quando a área pré-óptica é aquecida, a pele de todo o corpo
imediatamente produz sudorese profusa, enquanto os vasos sanguíneos da
pele de todo o corpo ficam muito dilatados. Essa resposta é uma reação
imediata que causa perda de calor, ajudando a temperatura corporal a retornar aos níveis normais. Além disso, qualquer excesso de produção de
calor pelo corpo é inibido. Portanto, está claro que a área hipotalâmica
anterior pré-óptica tem a capacidade de funcionar como centro de controle
termostático da temperatura corporal.
DETECÇÃO DA TEMPERATURA POR RECEPTORES NA
PELE E NOS TECIDOS CORPORAIS PROFUNDOS
Apesar de os sinais gerados pelos receptores de temperatura do hipotálamo
serem extremamente potentes no controle da temperatura corporal, os
receptores em outras partes do corpo desempenham papéis adicionais na
regulação da temperatura. Isso é especialmente verdadeiro quando se trata
dos receptores de temperatura na pele e em alguns tecidos profundos
específicos do corpo.
Também deverá ser lembrado da discussão sobre receptores sensoriais
no Capítulo 49 que a pele é dotada de receptores para o frio e para o calor.
A pele apresenta muito mais receptores para o frio do que para o calor — de
fato, 10 vezes mais, em várias partes da pele. Portanto, a detecção periférica
da temperatura diz respeito principalmente à detecção de temperaturas mais
frias, ao invés das temperaturas quentes.
Embora os mecanismos moleculares para detectar mudanças na
temperatura não sejam bem compreendidos, os estudos experimentais
sugerem que a família de receptores de potencial transitório de canais
catiônicos, presentes nos neurônios somatossensoriais e nas células
epidérmicas, pode mediar na sensação térmica em um amplo intervalo de
temperaturas cutâneas.
Quando a pele é resfriada em todo o corpo, efeitos reflexos imediatos são
evocados e começam a aumentar a temperatura corporal de várias formas:
(1) gerando forte estímulo para causar calafrios com aumento resultante da
produção de calor corporal; (2) pela inibição do processo da sudorese, se este estiver ocorrendo; (3) promovendo a vasoconstrição da pele para
diminuir a perda de calor corporal pela pele.
Os receptores corporais profundos são encontrados principalmente na
medula espinal, nas vísceras abdominais e dentro ou ao redor das grandes
veias na região superior do abdome e do tórax. Esses receptores profundos
atuam diferentemente dos receptores da pele, pois eles são expostos à
temperatura central do corpo, em vez da temperatura da superfície corporal.
Além disso, como os receptores de temperatura da pele, eles detectam, em
sua maior parte, o frio ao invés do calor. É provável que tanto os receptores
da pele como os receptores profundos do corpo se destinem à prevenção da
hipotermia, ou seja, impedir a baixa temperatura corporal.
O HIPOTÁLAMO POSTERIOR INTEGRA OS SINAIS
SENSORIAIS DA TEMPERATURA CENTRAL E
PERIFÉRICA
Mesmo que muitos dos sinais sensoriais para a temperatura surjam nos
receptores periféricos, esses sinais contribuem para o controle da
temperatura corporal, principalmente por meio do hipotálamo. A área do
hipotálamo que eles estimulam está localizada bilateralmente no hipotálamo
posterior, aproximadamente no nível dos corpos mamilares. Os sinais
sensoriais de temperatura da área hipotalâmica anterior pré-óptica também
são transmitidos para essa área no hipotálamo posterior. Aí, os sinais da
área pré-óptica e os sinais de outros locais do corpo são combinados e
integrados para controlar as reações de produção e de conservação de calor
do corpo.
MECANISMOS EFETORES NEURONAIS QUE DIMINUEM
OU AUMENTAM A TEMPERATURA CORPORAL
Quando os centros hipotalâmicos de temperatura detectam que a
temperatura do organismo está muito alta ou muito baixa, eles instituem os
procedimentos apropriados para a diminuição ou para a elevação da
temperatura. O leitor provavelmente está familiarizado com a maioria
desses procedimentos devido à sua experiência pessoal. Nas seções
seguintes descrevem-se algumas das características especiais.
Mecanismos de Diminuição da Temperatura Quando o
Corpo Está Muito Quente
O sistema de controle da temperatura utiliza três mecanismos importantes
para reduzir o calor do corpo, quando a temperatura corporal é muito
elevada:
1. Vasodilatação dos vasos sanguíneos cutâneos. Em quase todas as áreas
do corpo, os vasos sanguíneos da pele se dilatam intensamente. Essa
dilatação é causada pela inibição dos centros simpáticos no hipotálamo
posterior que causam vasoconstrição. A dilatação total pode aumentar a
transferência de calor para a pele por até oito vezes.
2. Sudorese. O efeito do aumento da temperatura corporal sobre a
sudorese é demonstrado pela curva azul na Figura 74-7, que mostra
elevação súbita da perda de calor evaporativo, resultante da sudorese,
quando a temperatura central do corpo se eleva acima do nível crítico de
37°C (98,6ºF). Aumento adicional de 1°C na temperatura corporal causa
sudorese suficiente para remover por 10 vezes a intensidade basal da
produção de calor pelo corpo.
3. Diminuição da produção de calor. Os mecanismos que causam o
excesso de produção de calor, como os calafrios e a termogênese
química, são intensamente inibidos.
Figura 74-7. Efeito da temperatura hipotalâmica sobre a perda de calor evaporativa do corpo e sobre a produção de calor causada primariamente pela atividade muscular e pelos calafrios. Esta figura demonstra o nível de temperatura extremamente crítico no qual se inicia uma perda elevada de calor e a produção de calor atinge um nível mínimo estável.
Mecanismos de Elevação da Temperatura Quando o
Corpo Está Muito Frio
Quando o corpo está muito frio, o sistema de controle de temperatura
institui procedimentos exatamente opostos. São eles:
1. Vasoconstrição da pele por todo o corpo. Essa vasoconstrição é causada
pela estimulação dos centros simpáticos hipotalâmicos posteriores.
2. Piloereção. Piloereção significa “pelos eriçados”. O estímulo simpático
faz com que os músculos eretores dos pelos presos aos folículos pilosos
se contraiam, colocando os pelos na posição vertical. Esse mecanis mo
não é importante em seres humanos, mas em muitos animais a projeção
vertical dos pelos permite que eles retenham uma espessa camada de “ar
isolan te” próximo à pele, de modo que a transferência de calor para o
meio ambiente diminua significativamente.
3. Aumento na termogênese (produção de calor). A produ ção de calor
pelos sistemas metabólicos é aumentada pela promoção de calafrios,
excitação simpática da produção de calor e secreção de tiroxina. Esses
métodos de elevação da temperatura necessitam de mais explicações,
que são abordados nas seguintes seções.
Estimulação Hipotalâmica dos Calafrios. Localizada na porção
dorsomedial do hipotálamo posterior, próximo à parede do terceiro
ventrículo, encontra-se a área chamada centro motor primário para os
calafrios. Essa área normalmente é inibida pelos sinais oriundos do centro
de calor na área hipotalâmica anterior pré-óptica, mas é excitada por sinais
de frios, oriundos da pele e da medula espinal. Portanto, como mostrado
pela elevação súbita da “produção de calor” (ver a curva vermelha
na Figura 74-7), esse centro fica ativado quando a temperatura corporal cai
mesmo por fração de grau, abaixo do nível crítico. A seguir, ele transmite
sinais que causam os calafrios por tratos bilaterais pelo tronco encefálico,
na direção das colunas laterais da medula espinal e, finalmente, para os
neurônios motores. Esses sinais não são rítmicos e não causam real
contração muscular. Em vez disso, eles aumentam o tônus dos músculos
esqueléticos por todo o corpo, pela facilitação da atividade dos neurônios
motores. Quando o tônus se eleva acima de certo nível crítico, os calafrios
começam. Essa reação provavelmente resulta da oscilação por feedback do
mecanismo reflexo de estiramento dos fusos musculares, discutido
no Capítulo 55. Durante o calafrio máximo, a produção de calor pelo corpo
pode se elevar por quatro a cinco vezes o normal.
Excitação “Química” Simpática de Produção de Calor. Como
destacado no Capítulo 73, um aumento na estimulação simpática ou na
circulação de norepinefrina e epinefrina no sangue pode causar elevação
imediata do metabolismo celular. Esse efeito é chamado termogênese
química ou termogênese sem calafrios. Ele resulta, pelo menos em parte, da
capacidade da norepinefrina e da epinefrina de desacoplar a fosforilação
oxidativa, que significa a oxidação do excesso de alimentos liberando
energia em forma de calor, mas não causa a formação de trifosfato de
adenosina.
O grau da termogênese química que ocorre no animal é quase diretamente
proporcional à quantidade de gordura marrom existente nos tecidos
animais. Esse tipo de tecido adiposo contém grande número de
mitocôndrias especiais, onde ocorre o desacoplamento dos processos
oxidativos, como descrito no Capítulo 73. A gordura marrom é ricamente
inervada por fibras simpáticas que liberam norepinefrina, a qual estimula a
expressão tecidual da proteína desacopladora das mitocôndrias (também
chamada thermogenin) e aumenta a termogênese.
A aclimatação afeta bastante a intensidade da termogênese química;
alguns animais, como os ratos, expostos ao ambiente frio durante várias
semanas, apresentaram aumento de 100% a 500% da produção de calor
quando expostos agudamente ao frio, em contraste com o animal não
aclimatado, que responde com elevação de um terço, no máximo. Essa
termogênese elevada também leva ao aumento correspondente da ingestão
de alimentos.
No ser humano adulto, que quase não tem qualquer gordura marrom, é
raro que a termogênese química aumente a produção de calor por mais de
10% a 15%. Entretanto, em lactentes que têm pequena quantidade de
gordura marrom no espaço interescapular, a termogênese química pode aumentar a produção de calor por 100%, o que provavelmente é fator
importante na manutenção da temperatura normal nos neonatos.
Aumento da Secreção de Tiroxina como Causa da Produção
Elevada de Calor de Longa Duração. O resfriamento da área
hipotalâmica anterior pré-óptica também aumenta a produção do hormônio
liberador de tireotropina pelo hipotálamo. Esse hormônio é levado pelas
veias portas hipotalâmicas para a hipófise anterior, onde estimula a secreção
do hormônio estimulador da tireoide.
O hormônio estimulador da tireoide, por sua vez, estimula o aumento da
secreção de tiroxina pela glândula tireoide, como explicado noCapítulo 77.
A elevação dos níveis de tiroxina ativa a proteína desacopladora e aumenta
o metabolismo celular em todo o corpo, que é outro mecanismo da
termogênese química. Essa elevação do metabolismo não ocorre
imediatamente, mas requer exposição de várias semanas ao frio para causar
hipertrofia da glândula tireoide e para que ela atinja seu novo nível de
secreção de tiroxina.
A exposição de animais ao frio extremo, durante várias semanas, pode
causar aumento de suas glândulas tireoides por até 20% a 40%. Entretanto,
seres humanos raramente se permitem exposição ao mesmo grau de frio a
que muitos animais são submetidos. Portanto, ainda não sabemos
quantitativamente a importância do mecanismo da tireoide de adaptação ao
frio nos seres humanos.
Medidas isoladas demonstraram que a intensidade metabólica aumenta
nos militares que residem durante vários meses no ártico; alguns dos Inuit,
povos indígenas que vivem nas regiões árticas do Alasca, Canadá e
Groenlândia, também apresentam índices metabólicos basais anormalmente
altos. Além disso, o efeito estimulatório contínuo do frio sobre a tireoide,
pode explicar a incidência mais elevada de bócio tireotóxico em pessoas que vivem em climas frios do que em pessoas que vivem em locais mais
quentes.
“PONTO DE AJUSTE” PARA O CONTROLE DA
TEMPERATURA
No exemplo da Figura 74-7, fica claro que na temperatura corporal central
crítica de, aproximadamente, 37,1°C (98,8ºF), ocorrem alterações drásticas,
tanto nos índices de perda de calor como nos de produção de calor. Em
temperaturas acima desse nível, o índice de perda de calor é mais elevado
que o da produção de calor, de modo que a temperatura do corpo cai e se
aproxima do nível de 37,1°C. Em temperaturas abaixo desse nível, a
produção de calor é maior que a de perda de calor, de modo que a
temperatura se eleva novamente e se aproxima dos 37,1°C. Esse nível
crítico de temperatura é chamado “ponto de ajuste” (ou ponto fixo) do
mecanismo de controle da temperatura, isto é, todos os mecanismos de
controle da temperatura tentam continuamente trazer a temperatura corporal
para o nível desse ponto crítico de ajuste.
Ganho do Feedback para o Controle da Temperatura Corporal.
Como exposto no Capítulo 1, o ganho do feedback é a medida da eficácia
do sistema de controle. No caso do controle da temperatura corporal, é
importante para a temperatura central interna que ela se altere o mínimo
possível, mesmo que a temperatura do ambiente se altere a cada dia, ou
mesmo a cada hora. O ganho do feedback do sistema de controle da
temperatura é igual à proporção da alteração na temperatura ambiental em
relação à alteração da temperatura central menos 1,0 (procure por essa
fórmula no Capítulo 1). Experimentos demonstraram que a temperatura
corporal em humanos varia por 1°C para cada alteração de 25 a 30°C na
temperatura ambiental. Portanto, o ganho do feedback do mecanismo total para o controle da temperatura corporal é, em média, 27 (28/1,0 − 1,0 = 27),
que é o ganho extremamente elevado para um sistema de controle biológico
(o sistema barorreceptor para o controle da pressão arterial, por exemplo,
tem um ganho do feedback inferior a 2).
A Temperatura Cutânea Pode Alterar Ligeiramente o
Ponto de Ajuste para o Controle da Temperatura Central
O ponto de ajuste da temperatura no hipotálamo, acima do qual a sudorese
se inicia e abaixo do qual são desencadeados os calafrios, é determinado
principalmente pelo grau de atividade dos receptores de calor na área
hipotalâmica anterior pré-óptica. Entretanto, os sinais de temperatura das
áreas periféricas do corpo, especialmente da pele e de certos tecidos
corporais profundos (medula espinal e vísceras abdominais), também
contribuem de modo discreto para a regulação da temperatura corporal. Mas
como eles contribuem? A resposta é que eles alteram o ponto de ajuste do
centro de controle da temperatura no hipotálamo. Esse efeito é demonstrado
nas Figuras 74-8 e 74-9.
A Figura 74-8 demonstra o efeito de diferentes temperaturas da pele sobre
o ponto de ajuste para a sudorese, demonstrando que esse ponto crítico
aumenta conforme a temperatura diminui. Assim, para a pessoa
representada nessa figura, o ponto de ajuste hipotalâmico se elevou de
36,7°C, quando a temperatura da pele era superior a 33°C, para o ponto de
ajuste de 37,4°C, quando a temperatura da pele caiu para 29°C. Portanto,
assim que a temperatura da pele estava alta, a sudorese começou em
temperatura hipotalâmica mais baixa do que no momento em que a
temperatura da pele estava baixa. Pode-se compreender pron tamente o valor
desse sistema, pois é importante que a sudorese seja inibida quando a
temperatura da pele é baixa; caso contrário, o efeito combinado da baixa
temperatura da pele e da sudorese pode causar perda ainda maior de calor.
Efeito similar ocorre com os calafrios, como mostrado na Figura 74-9. Ou
seja, quando a pele fica fria, ela estimula os centros hipotalâmicos para o
limiar dos calafrios, mesmo que a temperatura hipotalâmica permaneça no
lado quente da normalidade. Aqui novamente se pode compreender o valor
do sistema de controle, pois a temperatura fria da pele logo levaria à
depressão profunda da temperatura, a menos que a produção de calor se
elevasse. Assim, a temperatura fria da pele na verdade “antecipa” a queda
na temperatura interna e impede a queda real da temperatura.
Figura 74-8. Efeito das alterações na temperatura interna da cabeça sobre o índice de perda de calor evaporativa pelo corpo. Observe que a temperatura da pele determina o nível do ponto de ajuste que desencadeia a sudorese. (Cortesia do Dr. T. H. Benzinger.)
Figura 74-9. Efeito das alterações na temperatura interna da cabeça sobre o índice de produção de calor pelo corpo. Observe que a temperatura da pele determina o nível de ponto de ajuste que desencadeia os calafrios. (Cortesia do Dr. T.H. Benzinger.)
CONTROLE COMPORTAMENTAL DA TEMPERATURA
CORPORAL
Além dos mecanismos subconscientes para o controle da temperatura
corporal, o corpo tem outro mecanismo de controle da temperatura ainda
mais potente: o controle comportamental da temperatura. Quando a
temperatura corporal interna se eleva em excesso, sinais oriundos das áreas
de controle da temperatura no cérebro dão à pessoa sensação física de
hiperaquecimento. Inversamente, sempre que o corpo se esfria, sinais da pele e, provavelmente, também de receptores corporais profundos
desencadeiam a sensação de desconforto pelo frio. Portanto, a pessoa faz os
ajustes ambientais apropriados para restabelecer o conforto, como sair de
ambiente quente ou o uso de roupas bem isoladas em tempos frios. O
controle comportamental da temperatura é um sistema muito mais poderoso
para o controle da temperatura corporal do que qualquer outro sistema
conhecido pelos fisiologistas no passado. Na verdade, esse é o único
mecanismo realmente eficaz para manter o calor corporal em ambientes
extremamente frios.
Reflexos Cutâneos Locais Causados pela Temperatura
Quando a pessoa coloca seu pé sob uma lâmpada quente, deixando-o lá por
algum tempo, ocorrem vasodilatação local e sudorese local leve. Inversamente, a colocação do pé na água fria causa vasoconstrição local e cessação local da
sudorese. Essas reações são causadas pelos efeitos locais da temperatura diretamente sobre os vasos sanguíneos, assim como por reflexos medulares conduzidos pelos receptores cutâneos para a medula espinal e de volta para a
mesma área da pele e suas glândulas sudoríparas. A intensidade desses efeitos
locais é, além disso, controlada pelos centros hipotalâmicos controladores da temperatura, de modo que o efeito total seja proporcional ao sinal hipotalâmico de controle de calor, multiplicado pelo sinal local. Tais reflexos podem ajudar na
prevenção de troca excessiva de calor quando locais específicos do corpo são
resfriados ou aquecidos.
A Regulação da Temperatura Interna do Corpo É Prejudicada pela Secção
da Medula Espinal. Após a lesão da medula espinal nas regiões cervicais, ou seja, acima da emergência dos neurônios pré-ganglionares simpáticos na medula
espinal, a regulação da temperatura corporal fica extremamente deficiente, porque o hipotálamo não mais consegue controlar o fluxo sanguíneo para a pele ou o
grau de sudorese, em qualquer local do corpo. Esse fato é verdadeiro mesmo com a permanência dos reflexos locais da temperatura na pele, medula espinal e nos receptores intra-abdominais. Esses reflexos são extremamente fracos, em
comparação ao controle hipotalâmico da temperatura corporal.
Nas pessoas com essa condição, a temperatura corporal deve ser regulada,
principalmente pela resposta psíquica do paciente às sensações de frio e calor na região da cabeça — ou seja, pelo controle comportamental sinalizado pelo tipo de roupas e pela procura por ambiente apropriadamente quente ou frio. ANORMALIDADES DA REGULAÇÃO DA TEMPERATURA