Tratado de Fisiologia Médica
Métodos de Medida do Débito Cardíaco
Outras Análises da Regulação do Débito Cardíaco. No Capítulo
21, é apresentada a análise da regulação do débito cardíaco durante o
exercício; no Capítulo 22 são mostradas as análises da regulação do débito
cardíaco em vários estágios da insuficiência cardíaca congestiva.
MÉTODOS DE MEDIDA DO DÉBITO CARDÍACO
Nos experimentos em animais, pode-se canular a aorta, a artéria pulmonar
ou as grandes veias que entram no coração e medir o débito cardíaco
utilizando um fluxômetro. Um fluxômetro eletromagnético ou ultrassônico
também pode ser colocado na aorta ou na artéria pulmonar para medir o
débito cardíaco.
No ser humano, exceto em raros casos, o débito cardíaco é medido por
métodos indiretos que não requerem cirurgia. Dois dos métodos utilizados
em estudos experimentais são o método de oxigênio de Fick e o método de
diluição de indicador.
O débito cardíaco também pode ser estimado por ecocardiografia, um
método que usa ondas de ultrassom de um transdutor colocado na parede
torácica ou passando pelo esôfago do paciente para medir o tamanho das
câmaras cardíacas, assim como a velocidade do fluxo sanguíneo do
ventrículo até a aorta. O débito sistólico é calculado a partir da velocidade
do fluxo sanguíneo até a aorta e a área transversal da aorta, determinada
pelo diâmetro que é medido pela imagem de ultrassom. O débito cardíaco é
então calculado como o produto do débito sistólico pela frequência
cardíaca.
Débito Pulsátil do Coração Medido por Fluxômetro
Eletromagnético ou Ultrassônico
A Figura 20-18 mostra um registro do fluxo sanguíneo na raiz da aorta de
cão; esse registro foi realizado usando-se fluxômetro eletromagnético.
Demonstra-se que o fluxo sanguíneo se eleva rapidamente até um pico
durante a sístole e então ao seu final reverte por fração de segundo. Essa
reversão do fluxo faz com que a valva aórtica se feche e o fluxo retorne a
zero.
Figura 20-18. Fluxo sanguíneo pulsátil na raiz da aorta registrado com fluxômetro eletromagnético.
Medida do Débito Cardíaco Utilizando o Princípio do
Oxigênio de Fick
O princípio de Fick é explicado pela Figura 20-19. Essa figura mostra que
200 mililitros de oxigênio estão sendo absorvidos nos pulmões pelo sangue
pulmonar a cada minuto. Mostra também que o sangue, que chega ao lado
direito do coração, tem concentração de oxigênio de 160 mililitros por litro
de sangue, enquanto o que sai do lado esquerdo do coração tem
concentração de 200 mililitros por litro de sangue. Por esses dados, pode-se
calcular que cada litro de sangue, ao passar pelos pulmões, absorve 40
mililitros de oxigênio.
Como a quantidade total de oxigênio absorvido pelo sangue, nos pulmões,
a cada minuto é de 200 mililitros, dividindo-se 200 por 40, obtém-se o total de cinco frações de 1 litro de sangue que devem passar pela circulação
pulmonar a cada minuto para absorver essa quantidade de oxigênio.
Portanto, a quantidade de sangue que flui pelos pulmões a cada minuto é de
5 litros, o que é também medida do débito cardíaco. Assim, o débito
cardíaco pode ser calculado pela seguinte equação:
Aplicando-se esse método de Fick à medida do débito cardíaco no ser
humano, o sangue venoso misto é obtido em geral por meio de cateter
introduzido na veia braquial do antebraço, subindo pela veia subclávia,
descendo pelo átrio direito e por fim chegando ao ventrículo direito ou à
artéria pulmonar. O sangue arterial sistêmico pode ser, portanto, obtido de
qualquer artéria sistêmica do corpo. A intensidade da absorção do oxigênio
pelos pulmões é dada pela velocidade de desaparecimento do oxigênio do ar
respirado, utilizando qualquer tipo de medidor de oxigênio.
Figura 20-19. Princípio de Fick na determinação do débito cardíaco. Método de Diluição de Indicador para a Medida do
Débito Cardíaco
Para medir o débito cardíaco pelo denominado “método de diluição de
indicador”, pequena quantidade de indicador como um corante é injetada
em veia sistêmica grande ou preferivelmente no átrio direito. Esse indicador
passa rapidamente pelo lado direito do coração e, em seguida, pelos vasos
sanguíneos pulmonares e pelo lado esquerdo do coração, para finalmente
ser distribuído pelo sistema arterial sistêmico. A concentração do corante é
registrada enquanto o sangue passa pelas artérias periféricas, produzindo
curva como a mostrada na Figura 20-20. Em cada um desses exemplos, 5
miligramas de corante Cardio-Green foram injetados no momento zero. No
registro superior, nenhum corante entrou na árvore arterial até cerca de 3
segundos após a injeção, porém a concentração arterial do corante
aumentou rapidamente para atingir seu máximo após cerca de 6 a 7
segundos. Em seguida, a concentração diminuiu com certa rapidez, mas,
antes que alcançasse zero, parte do corante já tinha circulado por todo o
trajeto por alguns dos vasos periféricos sistêmicos e voltado ao coração pela
segunda vez. Consequentemente, a concentração do corante na artéria
recomeçou a subir. Para as finalidades do cálculo, é necessário extrapolar a
inclinação inicial da curva até o ponto zero, como mostrado pela porção
tracejada de cada curva. Desse modo, a curva tempo-concentração
extrapolada do corante na artéria sistêmica, sem recirculação do corante,
pode ser medida em sua primeira porção e razoavelmente estimada, com
precisão relativa, em sua última porção.
Uma vez determinada a curva tempo-concentração extrapolada, calcula-se
a seguir a concentração média de corante no sangue arterial, em função da
duração da curva. Assim, no exemplo superior da Figura 20-20, isso foi
feito pela medida da área sob toda a curva inicial e sob a extrapolada,
calculando-se, então, a concentração média de corante para a duração da curva; pode-se ver pelo retângulo sombreado, atrás da curva, no painel
superior da figura, que a concentração média de corante foi de 0,25 mg/dL
de sangue e que a duração desse valor médio foi de 12 segundos. Um total
de 5 miligramas de corante tinha sido injetado no início do experimento.
Para que o sangue transporte apenas 0,25 miligrama de corante em cada 100
mililitros, para transportar o total de 5 miligramas de corante pelo coração e
pelos pulmões em 12 segundos, um total de 20 frações para cada 100
mililitros de sangue teriam de passar pelo coração durante os 12 segundos,
o que seria o mesmo que um débito cardíaco de 2 L/12 s, ou 10 L/min.
Deixamos para o leitor calcular o débito cardíaco da curva extrapolada no
painel inferior da Figura 20-20. Para resumir, o débito cardíaco pode ser
determinado utilizando-se a seguinte equação:
Figura 20-20. Curvas de concentração do corante, com extrapolação, utilizadas para calcular dois débitos cardíacos distintos pelo método de diluição. (As áreas retangulares são as concentrações médias calculadas do corante no sangue arterial nas durações das respectivas curvas extrapoladas.)
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CAPÍTULO 21
Fluxo Sanguíneo nos Músculos e
o Débito Cardíaco durante o
Exercício; a Circulação
Coronariana e a Doença
Cardíaca Isquêmica
Neste Capítulo, discutiremos (1) o fluxo sanguíneo para os músculos
esqueléticos; e (2) o fluxo sanguíneo das artérias coronárias para o coração.
A regulação de cada um desses tipos de fluxo sanguíneo é feita, em sua
maior parte, pelo controle local da resistência vascular em resposta às
necessidades metabólicas do tecido muscular.
Também discutiremos a fisiologia de temas relacionados, como (1) o
controle do débito cardíaco durante o exercício; (2) as características dos
ataques cardíacos; e (3) a dor da angina pectoris. REGULAÇÃO DO FLUXO SANGUÍNEO NO MÚSCULO