Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 76 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Controle Local do Fluxo Sanguíneo em Resposta às Necessidades Teciduais

CAPÍTULO 17

 

Controle Local e Humoral do

 

Fluxo Sanguíneo dos Tecidos

 

CONTROLE LOCAL DO FLUXO SANGUÍNEO EM

RESPOSTA ÀS NECESSIDADES TECIDUAIS

 

Um princípio fundamental da função circulatória é que a maioria dos

tecidos apresenta a capacidade de controlar seu próprio fluxo sanguíneo, em

proporção às suas necessidades metabólicas específicas.

Algumas das necessidades específicas dos tecidos em relação ao fluxo

sanguíneo incluem as seguintes:

1. O suprimento de oxigênio aos tecidos.

2. O suprimento de outros nutrientes, como glicose, aminoácidos e ácidos

graxos.

3. A remoção de dióxido de carbono dos tecidos.

4. A remoção de íons hidrogênio dos tecidos.

5. A manutenção de concentrações apropriadas de íons nos tecidos.

6. O transporte de vários hormônios e outras substâncias para os diferentes

tecidos.

Certos órgãos apresentam necessidades especiais. Por exemplo, o fluxo

sanguíneo para a pele determina a perda de calor do corpo, ajudando, assim,

a controlar a temperatura corporal. Já o fornecimento de quantidades

adequadas de plasma sanguíneo aos rins permite que eles filtrem e excretem

os produtos do metabolismo corporal e regulem os volumes e eletrólitos do

líquido corporal.

Veremos que a maioria desses fatores exerce graus extremos de controle

local do fluxo sanguíneo e que diferentes tecidos exercem variados níveis

de importância nesses fatores no controle do fluxo sanguíneo.

 

Variações no Fluxo Sanguíneo em Diferentes Tecidos e Órgãos.

Note na Tabela 17-1 o enorme fluxo sanguíneo em alguns órgãos — por

exemplo, muitas centenas mL/min, por 100 g de tecido, na tireoide ou nas

suprarrenais e o fluxo sanguíneo total de 1.350 mL/min pelo fígado, o que

representa 95 mL/min/100 g de tecido hepático.

Note também o fluxo sanguíneo extremamente volumoso pelos rins —

1.100 mL/min. Esse fluxo extremo é necessário para que os rins realizem

sua função de eliminar do sangue os produtos do metabolismo e regulem,

com precisão, a composição dos líquidos corporais.

Por sua vez, é surpreendente o baixo fluxo sanguíneo para todos os

músculos inativos do corpo, perfazendo o total de apenas 750 mL/min,

embora os músculos constituam entre 30% e 40% da massa corporal total.

No estado de repouso, a atividade metabólica dos músculos é muito baixa,

bem como de seu fluxo sanguíneo de apenas 4 mL/min/100 g. Entretanto,

durante o exercício intenso, a atividade metabólica dos músculos pode

aumentar por mais de 60 vezes, e o fluxo sanguíneo por 20 vezes, até valores muito altos de até 16.000 mL/min no leito vascular muscular total

(ou 80 mL/min/100 g de músculo).

 

Tabela 17-1 Fluxo Sanguíneo em Diferentes Órgãos e Tecidos sob Condições Basais

Porcentagem de Débito mL/min/100 g de Peso

Cardíaco mL/min Tecidual

Cérebro 14 700 50

Coração 4 200 70

Brônquios 2 100 25

Rins 22 1.100 360

Fígado 27 1.350 95

Porta (21) (1.050)

Arterial (6) (300)

Músculo (estado 15 750 4

inativo)

Osso 5 250 3

Pele (tempo frio) 6 300 3

Tireoide 1 50 160

Suprarrenais 0,5 25 300

Outros tecidos 3,5 175 1,3

Total 100,0 5.000

 

Importância do Controle do Fluxo Sanguíneo pelos Tecidos

Locais. Pode-se fazer a pergunta simples: por que não se proporciona um

fluxo sanguíneo muito grande através de todos os tecidos do corpo, que

fosse sempre suficiente para suprir as necessidades teciduais, inde pen‐

dentemente do nível de atividade do tecido? A resposta é igualmente

simples: esse mecanismo requisitaria um fluxo sanguíneo muitas vezes

maior do que o coração pode bombear.