Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 16 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Apoptose — Morte Programada das Células

comece, em determinado estágio da diferenciação celular, a produzir

proteína reguladora que reprime para sempre dado grupo de genes. Os

genes reprimidos nunca mais funcionam. Independentemente do

mecanismo, células humanas maduras produzem de 8.000 a 10.000

proteínas, em vez das possíveis 30.000 ou mais se todos os genes

estivessem ativos.

Experimentos embriológicos mostram que certas células do embrião

controlam a diferenciação de células adjacentes. Por exemplo, o mesoderma

córdico primordial é chamado organizador primário do embrião por formar

foco ao redor do qual o embrião se desenvolve. Ela se diferencia em eixo

mesoderma axial, que contém somitos segmentalmente organizados e, como

resultado de induções nos tecidos circundantes, causa a formação de

essencialmente todos os órgãos do corpo.

Outro exemplo de indução ocorre quando as vesículas do olho em

desenvolvimento entram em contato com o ectoderma da cabeça e fazem

com que o ectoderma se espesse em uma placa do cristalino, que se dobra

para dentro para formar o cristalino ocular. Assim, grande parte do embrião

se desenvolve em decorrência de tais induções, uma parte do corpo

afetando outra.

Assim, embora nosso entendimento da diferenciação de células ainda seja

incompleto, conhecemos muitos dos mecanismos de controle pelos quais a

diferenciação pode ocorrer.

 

APOPTOSE — MORTE PROGRAMADA DAS CÉLULAS

 

Os 100 trilhões de células do corpo são membros de uma comunidade

altamente organizada, na qual o número total de células é regulado, não

apenas pelo controle da intensidade da divisão celular, mas também pelo

controle da intensidade da morte celular. Quando as células não são mais necessárias ou se tornam ameaça para o organismo, elas cometem algo

como suicídio, que é a morte celular programada ou apoptose. Esse

processo envolve cascata proteolítica específica que faz com que a célula

murche e condense, desmontando seu citoesqueleto e alterando sua

superfície celular de forma que célula fagocítica ao seu redor, um

macrófago, por exemplo, possa aderir à membrana celular e digerir a célula.

Em contraste com a morte programada, as células que morrem em

consequência de uma lesão aguda geralmente incham e se rompem, devido

à perda de integridade da membrana celular, processo chamado necrose

celular. As células necróticas espalham seu conteúdo, causando inflamação

e lesão das células ao seu redor. A apoptose, entretanto, é a morte ordenada

da célula que resulta da desmontagem e fagocitose da célula antes que

ocorra qualquer vazamento de seu conteúdo, e as células ao redor

normalmente permanecem saudáveis.

A apoptose é iniciada pela ativação da família de proteases chamada

caspases que são enzimas sintetizadas e armazenadas na célula como pró-

caspases inativas. Os me ca nismos de ativação das caspases são complexos,

mas, uma vez ativadas, as enzimas clivam e ativam outras pró-caspases,

deflagrando a cascata que rapidamente quebra as proteínas da célula. A

célula então se desmonta, e seus restos são rapidamente digeridos pelas

células fagocíticas na região.

Quantidade imensa de apoptose ocorre em tecidos que estão sendo

remodelados durante o desenvolvimento. Mesmo nos humanos adultos,

bilhões de células morrem a cada hora em tecidos como o intestino e a

medula óssea e são substituídas por novas células. A morte programada das

células, entretanto, é normalmente equilibrada pela formação de células

novas em adultos saudáveis. Do contrário, os tecidos do corpo encolheriam

ou cresceriam excessivamente. Estudos recentes sugerem que

anormalidades na apoptose podem desempenhar papel-chave em doenças neurodegenerativas, tais como o mal de Alzheimer, bem como no câncer e