Tratado de Fisiologia Médica
Testes de Coagulação Sanguínea
ponto que leve ao bloqueio da coagulação.
Qualquer substância que desioniza o cálcio sanguíneo impedirá a
coagulação. O íon citrato com carga negativa é especialmente valioso para
esse propósito quando misturado ao sangue na forma de citrato de sódio, de
amônia ou de citrato de potássio. O íon citrato se combina com o cálcio no
sangue gerando composto de cálcio não ionizado, e a falta de cálcio iônico
impede a coagulação. Os anticoagulantes citratados apresentam vantagem
importante sobre os anticoagulantes oxalatados, pois o oxalato é tóxico ao
organismo, enquanto quantidades moderadas de citrato podem ser injetadas
por via intravenosa. Após a injeção, o íon citrato é removido do sangue em
minutos pelo fígado, sendo polimerizado na glicose ou metabolizado
diretamente para a produção de energia. Consequentemente, 500 mililitros
de sangue que ficaram incoaguláveis pela presença de citrato podem,
ordinariamente, ser transfundidos para o receptor, em alguns minutos, sem
grandes consequências. Entretanto, em presença de doença hepática ou se
grandes quantidades de sangue ou plasma com citrato forem administradas,
muito rapidamente (em frações de minuto) o íon citrato pode não ser
removido com a velocidade necessária, e o citrato pode nessas condições
deprimir muito o nível de íons cálcio no sangue, o que pode levar à tetania e
à morte por convulsões.
TESTES DE COAGULAÇÃO SANGUÍNEA
TEMPO DE SANGRAMENTO
Quando um instrumento pontiagudo é utilizado para perfurar a ponta do
dedo ou o lóbulo da orelha, o sangramento, em geral, dura entre 1 e 6
minutos. O tempo depende, em grande parte, da profundidade da incisão e
do grau de hiper emia no dedo ou no lóbulo da orelha no momento do teste. A ausência de qualquer um dos fatores da coagulação pode prolongar o
tempo de sangramento, mas esse tempo está, de forma especial, prolongado
na ausência de plaquetas.
TEMPO DE COAGULAÇÃO
Muitos métodos foram criados para a determinação dos tempos de
coagulação do sangue. O mais utilizado é feito pela coleta de sangue em
tubo de ensaio de vidro quimicamente limpo, e sacudindo-se a ponta do
tubo para frente e para trás a cada 30 segundos até que o sangue tenha
coagulado. Por esse método, o tempo normal de coagulação é de 6 a 10
minutos. Procedimentos que utilizam vários tubos de ensaio também foram
criados para a determinação mais precisa do tempo de coagulação.
Infelizmente o tempo de coagulação varia muito, dependendo do método
utilizado para sua medida, de modo que esse teste não é mais utilizado em
muitos serviços. Em vez dele, é feita a dosagem dos próprios fatores da
coagulação por sofisticados procedimentos químicos.
TEMPO DE PROTROMBINA E PROPORÇÃO
NORMALIZADA INTERNACIONAL
O tempo de protrombina dá uma indicação da concentração de protrombina
no sangue. A Figura 37-5 mostra a relação da concentração de protrombina
com o tempo de protrombi na. O método para a determinação do tempo de
pro trombi na é o seguinte.
O sangue removido do paciente é imediatamente oxalatado, de modo que
a protrombina não possa se transformar em trombina. A seguir, grandes
quantidades de íons cálcio e de fator tecidual são rapidamente misturadas ao
sangue oxalatado. O excesso de íons cálcio anula o efeito do oxalato, e o
fator tecidual ativa a reação protrombina-trombina por meio da via extrínseca da coagulação. O tempo necessário para a coagulação é
conhecido como tempo de protrombina. A duração desse tempo é
determinada principalmente pela concentração de protrombina. O tempo de
protrombina normal é cerca de 12 segundos. Em cada laboratório, curva-
padrão, relacionando com a concentração de protrombina com o tempo de
protrombina, como a mostrada na Figura 37-5, é traçada para o método
utilizado, de modo que a protrombina no sangue possa ser quantificada.
Figura 37-5. Relação da concentração de protrombina no sangue com o “tempo de protrombina”.
Os valores obtidos para o tempo de protrombina podem variar muito,
mesmo em uma mesma pessoa, se ocorrerem diferenças na atividade do
fator tecidual e no sistema analítico usado para realizar essa medida. O fator
tecidual é isolado de tecidos humanos como o placentário, e diferentes amostras podem apresentar níveis distintos de atividade. A proporção
normalizada internacional (PNI) foi desenvolvida como meio de
padronizar as medidas do empo de protrombina. Para cada amostra de fator
tecidual o produtor estabelece um índice internacional de sensibilidade
(IIS), indicativo da atividade do fator tecidual, em relação a uma amostra-
padrão. O IIS varia entre 1,0 e 2,0. O PNI é a proporção entre o tempo de
protrombina (TP) da pessoa e o da amostra de controle normal elevado à
potência do IIS.
A faixa normal de variação do PNI fica entre 0,9 e 1,3. Nível alto do PNI
(p. ex., 4 ou 5) indica elevado risco de sangramento, enquanto o baixo PNI
sugere a existência de coágulo. Os pacientes, sob tratamento com varfarina
têm, usualmente, PNI entre 2,0 e 3,0.
Testes semelhantes ao do tempo de protrombina foram criados para
determinar as quantidades de outros fatores da coagulação do sangue. Em
cada um desses testes, excessos de íons cálcio e de todos os outros fatores,
além do fator que está sendo testado, são acrescentados ao sangue
oxalatado de uma só vez. A seguir, o tempo necessário para a coagulação é
determinado da mesma forma utilizada para o tempo de protrombina. Se o
fator testado for deficiente, o tempo de coagulação será prolongado. O
tempo pode ser utilizado para quantificar a concentração do fator.
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UNIDADE VII
Respiração
RESUMO DA UNIDADE
CAPÍTULO 38 - Ventilação Pulmonar
Mecânica da Ventilação Pulmonar
Volumes e Capacidades Pulmonares
Ventilação Alveolar
CAPÍTULO 39 - Circulação Pulmonar, Edema
Pulmonar, Líquido Pleural
Anatomia Fisiológica do Sistema Circulatório Pulmonar
Pressões no Sistema Pulmonar
Volume Sanguíneo dos Pulmões
O Fluxo de Sangue pelos Pulmões e sua Distribuição
Efeito dos Gradientes de Pressão Hidrostática nos Pulmões
Sobre o Fluxo Sanguíneo Regional Pulmonar
Dinâmica Capilar Pulmonar
Líquido na Cavidade Pleural
CAPÍTULO 40 - Princípios Físicos da Troca Gasosa;
Difusão de Oxigênio e Dióxido de Carbono Através da
Membrana Respiratória
As Composições de Ares Alveolar e Atmosférico são
Diferentes
Difusão de Gases Através da Membrana Respiratória
CAPÍTULO 41 - Transporte de Oxigênio e Dióxido de
Carbono no Sangue e nos Líquidos Teciduais
Transporte de Oxigênio dos Pulmões para os Tecidos
Corporais
Transporte de Dióxido de Carbono no Sangue
Proporção das Trocas Respiratórias
CAPÍTULO 42 - Regulação da Respiração
Centro Respiratório
Controle Químico da Respiração
Sistema Quimiorreceptor Periférico para o Controle da
Atividade Respiratória — o Papel do Oxigênio no Controle
Respiratório
Regulação da Respiração Durante o Exercício
CAPÍTULO 43 - Insuficiência Respiratória —
Fisiopatologia, Diagnóstico, Terapia com Oxigênio
Métodos Úteis para o Estudo das Anormalidades
Respiratórias
Fisiopatologias de Anormalidades Pulmonares Específicas
Hipoxia e Terapia com Oxigênio
Hipercapnia — Excesso de Dióxido de Carbono nos
Líquidos Corporais
Respiração Artificial
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