Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 185 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Testes de Coagulação Sanguínea

ponto que leve ao bloqueio da coagulação.

Qualquer substância que desioniza o cálcio sanguíneo impedirá a

coagulação. O íon citrato com carga negativa é especialmente valioso para

esse propósito quando misturado ao sangue na forma de citrato de sódio, de

amônia ou de citrato de potássio. O íon citrato se combina com o cálcio no

sangue gerando composto de cálcio não ionizado, e a falta de cálcio iônico

impede a coagulação. Os anticoagulantes citratados apresentam vantagem

importante sobre os anticoagulantes oxalatados, pois o oxalato é tóxico ao

organismo, enquanto quantidades moderadas de citrato podem ser injetadas

por via intravenosa. Após a injeção, o íon citrato é removido do sangue em

minutos pelo fígado, sendo polimerizado na glicose ou metabolizado

diretamente para a produção de energia. Consequentemente, 500 mililitros

de sangue que ficaram incoaguláveis pela presença de citrato podem,

ordinariamente, ser transfundidos para o receptor, em alguns minutos, sem

grandes consequências. Entretanto, em presença de doença hepática ou se

grandes quantidades de sangue ou plasma com citrato forem administradas,

muito rapidamente (em frações de minuto) o íon citrato pode não ser

removido com a velocidade necessária, e o citrato pode nessas condições

deprimir muito o nível de íons cálcio no sangue, o que pode levar à tetania e

à morte por convulsões.

 

TESTES DE COAGULAÇÃO SANGUÍNEA

 

TEMPO DE SANGRAMENTO

 

Quando um instrumento pontiagudo é utilizado para perfurar a ponta do

dedo ou o lóbulo da orelha, o sangramento, em geral, dura entre 1 e 6

minutos. O tempo depende, em grande parte, da profundidade da incisão e

do grau de hiper emia no dedo ou no lóbulo da orelha no momento do teste. A ausência de qualquer um dos fatores da coagulação pode prolongar o

tempo de sangramento, mas esse tempo está, de forma especial, prolongado

na ausência de plaquetas.

 

TEMPO DE COAGULAÇÃO

Muitos métodos foram criados para a determinação dos tempos de

coagulação do sangue. O mais utilizado é feito pela coleta de sangue em

tubo de ensaio de vidro quimicamente limpo, e sacudindo-se a ponta do

tubo para frente e para trás a cada 30 segundos até que o sangue tenha

coagulado. Por esse método, o tempo normal de coagulação é de 6 a 10

minutos. Procedimentos que utilizam vários tubos de ensaio também foram

criados para a determinação mais precisa do tempo de coagulação.

Infelizmente o tempo de coagulação varia muito, dependendo do método

utilizado para sua medida, de modo que esse teste não é mais utilizado em

muitos serviços. Em vez dele, é feita a dosagem dos próprios fatores da

coagulação por sofisticados procedimentos químicos.

 

TEMPO DE PROTROMBINA E PROPORÇÃO

NORMALIZADA INTERNACIONAL

 

O tempo de protrombina dá uma indicação da concentração de protrombina

no sangue. A Figura 37-5 mostra a relação da concentração de protrombina

com o tempo de protrombi na. O método para a determinação do tempo de

pro trombi na é o seguinte.

O sangue removido do paciente é imediatamente oxalatado, de modo que

a protrombina não possa se transformar em trombina. A seguir, grandes

quantidades de íons cálcio e de fator tecidual são rapidamente misturadas ao

sangue oxalatado. O excesso de íons cálcio anula o efeito do oxalato, e o

fator tecidual ativa a reação protrombina-trombina por meio da via extrínseca da coagulação. O tempo necessário para a coagulação é

conhecido como tempo de protrombina. A duração desse tempo é

determinada principalmente pela concentração de protrombina. O tempo de

protrombina normal é cerca de 12 segundos. Em cada laboratório, curva-

padrão, relacionando com a concentração de protrombina com o tempo de

protrombina, como a mostrada na Figura 37-5, é traçada para o método

utilizado, de modo que a protrombina no sangue possa ser quantificada.

 

Figura 37-5. Relação da concentração de protrombina no sangue com o “tempo de protrombina”.

 

Os valores obtidos para o tempo de protrombina podem variar muito,

mesmo em uma mesma pessoa, se ocorrerem diferenças na atividade do

fator tecidual e no sistema analítico usado para realizar essa medida. O fator

tecidual é isolado de tecidos humanos como o placentário, e diferentes amostras podem apresentar níveis distintos de atividade. A proporção

normalizada internacional (PNI) foi desenvolvida como meio de

padronizar as medidas do empo de protrombina. Para cada amostra de fator

tecidual o produtor estabelece um índice internacional de sensibilidade

(IIS), indicativo da atividade do fator tecidual, em relação a uma amostra-

padrão. O IIS varia entre 1,0 e 2,0. O PNI é a proporção entre o tempo de

protrombina (TP) da pessoa e o da amostra de controle normal elevado à

potência do IIS.

 

A faixa normal de variação do PNI fica entre 0,9 e 1,3. Nível alto do PNI

(p. ex., 4 ou 5) indica elevado risco de sangramento, enquanto o baixo PNI

sugere a existência de coágulo. Os pacientes, sob tratamento com varfarina

têm, usualmente, PNI entre 2,0 e 3,0.

Testes semelhantes ao do tempo de protrombina foram criados para

determinar as quantidades de outros fatores da coagulação do sangue. Em

cada um desses testes, excessos de íons cálcio e de todos os outros fatores,

além do fator que está sendo testado, são acrescentados ao sangue

oxalatado de uma só vez. A seguir, o tempo necessário para a coagulação é

determinado da mesma forma utilizada para o tempo de protrombina. Se o

fator testado for deficiente, o tempo de coagulação será prolongado. O

tempo pode ser utilizado para quantificar a concentração do fator.

 

Bibliografia

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2014.

 

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UNIDADE VII 

 

Respiração

 

RESUMO DA UNIDADE

 

CAPÍTULO 38 - Ventilação Pulmonar

Mecânica da Ventilação Pulmonar

Volumes e Capacidades Pulmonares

Ventilação Alveolar

CAPÍTULO 39 - Circulação Pulmonar, Edema

Pulmonar, Líquido Pleural

Anatomia Fisiológica do Sistema Circulatório Pulmonar

Pressões no Sistema Pulmonar

Volume Sanguíneo dos Pulmões

O Fluxo de Sangue pelos Pulmões e sua Distribuição

Efeito dos Gradientes de Pressão Hidrostática nos Pulmões

Sobre o Fluxo Sanguíneo Regional Pulmonar

Dinâmica Capilar Pulmonar

Líquido na Cavidade Pleural

CAPÍTULO 40 - Princípios Físicos da Troca Gasosa;

Difusão de Oxigênio e Dióxido de Carbono Através da

Membrana Respiratória

As Composições de Ares Alveolar e Atmosférico são

Diferentes

Difusão de Gases Através da Membrana Respiratória

CAPÍTULO 41 - Transporte de Oxigênio e Dióxido de

Carbono no Sangue e nos Líquidos Teciduais

Transporte de Oxigênio dos Pulmões para os Tecidos

Corporais

Transporte de Dióxido de Carbono no Sangue

Proporção das Trocas Respiratórias

CAPÍTULO 42 - Regulação da Respiração

Centro Respiratório

Controle Químico da Respiração

Sistema Quimiorreceptor Periférico para o Controle da

Atividade Respiratória — o Papel do Oxigênio no Controle

Respiratório

Regulação da Respiração Durante o Exercício

CAPÍTULO 43 - Insuficiência Respiratória —

Fisiopatologia, Diagnóstico, Terapia com Oxigênio

Métodos Úteis para o Estudo das Anormalidades

Respiratórias

Fisiopatologias de Anormalidades Pulmonares Específicas

Hipoxia e Terapia com Oxigênio

Hipercapnia — Excesso de Dióxido de Carbono nos

Líquidos Corporais

Respiração Artificial

 

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