Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 116 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Líquidos nos “Espaços em Potencial” do Corpo

seguinte:

1. O fator de segurança, devido à baixa complacência do tecido, com valor

negativo de pressão intersticial é em torno de 3 mmHg.

2. O fator de segurança, devido ao aumento do fluxo linfático, fica

aproximadamente 7 mmHg.

3. O fator de segurança, causado pela lavagem de proteí nas dos espaços

intersticiais, está em cerca de 7 mmHg.

Logo, o fator de segurança total contra o edema gira em torno de 17

mmHg. Isto significa que a pressão capilar no tecido periférico pode

teoricamente aumentar para 17 mmHg ou aproximadamente o dobro do

valor normal, antes que ocorra edema acentuado.

 

LÍQUIDOS NOS “ESPAÇOS EM POTENCIAL” DO CORPO

 

Alguns exemplos de “espaços em potencial” são: cavidade pleural,

cavidade pericárdica, cavidade peritoneal e cavidades sinoviais, incluindo

as cavidades das articulações e as bolsas. Na prática, quase todos os espaços

em potencial têm superfícies que quase tocam umas nas outras, com apenas

fina camada de líquido entre elas, e as superfícies deslizam umas sobre as

outras. Para facilitar o deslizamento, líquido viscoso proteico lubrifica as

superfícies.

 

O Líquido É Trocado Entre os Capilares e os Espaços em

Potencial. A membrana da superfície do espaço em potencial geralmente

não oferece resistência significativa à passagem de líquidos, eletrólitos, ou

até mesmo das proteí nas, podendo se mover com relativa facilidade em

ambos os sentidos entre o espaço e o líquido intersticial no tecido

circundante. Portanto, cada espaço em potencial é na realidade grande

espaço tecidual. Consequentemente, os líquidos dos capilares, adjacentes ao espaço em potencial se difundem não somente para o líquido intersticial,

mas também para o espaço em potencial.

 

Os Vasos Linfáticos Drenam as Proteínas dos Espaços em

Potencial. Proteínas se acumulam nos espaços em potencial, tal qual

ocorre com o líquido intersticial, quando acontece vazamento de proteína

dos capilares para o interstício. A proteína deve ser removida pelos

linfáticos ou por outras vias e retornar para a circulação. Cada espaço em

potencial está direta ou indiretamente ligado aos vasos linfáticos. Em alguns

casos, como na cavidade pleural ou na cavidade peritoneal, grandes vasos

linfáticos saem diretamente da própria cavidade.

 

O Líquido do Edema no Espaço em Potencial é Chamado

“Efusão”. Quando ocorre edema no tecido subcutâneo adjacente ao

espaço em potencial, o líquido do edema geralmente também se acumula no

espaço em potencial, e esse líquido é chamado efusão. Dessa maneira, o

bloqueio dos linfáticos ou qualquer das várias anormalidades, que podem

resultar em filtração capilar excessiva podem causar efusão. A cavidade

abdominal é especialmente propensa a acumular líquidos de efusão. Nesse

caso, a efusão é chamada ascite. Em casos graves, 20 litros ou mais de

líquido ascítico podem ser acumulados.

Os outros espaços em potencial, como a cavidade pleural, cavidade

pericárdica e as articulações, podem ficar seriamente inchados

(edemaciados), quando existe edema generalizado. Também, ferimento ou

infecção local, em uma dessas cavidades, geralmente bloqueia a drenagem

linfática, causando inchaço (edema) isolado na cavidade.

A dinâmica da troca de líquido na cavidade pleural é discutida, em

detalhes, no Capítulo 39. Essa dinâmica é bastante representativa, assim

como a de todas as outras referentes aos espaços em potencial. A pressão

normal do líquido, em todos ou quase todos os espaços em potencial no estado não edematoso, vem a ser negativa da mesma maneira que a pressão

é negativa (subatmosférica) no tecido subcutâneo frouxo. Por exemplo, a

pressão hidrostática do líquido intersticial fica normalmente em torno de −7

a −8 mmHg na cavidade pleural, de −3 a −5 mmHg nos espaços das

articulações e de −5 a −6 mmHg na cavidade pericárdica.

 

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