Tratado de Fisiologia Médica
Líquidos nos “Espaços em Potencial” do Corpo
seguinte:
1. O fator de segurança, devido à baixa complacência do tecido, com valor
negativo de pressão intersticial é em torno de 3 mmHg.
2. O fator de segurança, devido ao aumento do fluxo linfático, fica
aproximadamente 7 mmHg.
3. O fator de segurança, causado pela lavagem de proteí nas dos espaços
intersticiais, está em cerca de 7 mmHg.
Logo, o fator de segurança total contra o edema gira em torno de 17
mmHg. Isto significa que a pressão capilar no tecido periférico pode
teoricamente aumentar para 17 mmHg ou aproximadamente o dobro do
valor normal, antes que ocorra edema acentuado.
LÍQUIDOS NOS “ESPAÇOS EM POTENCIAL” DO CORPO
Alguns exemplos de “espaços em potencial” são: cavidade pleural,
cavidade pericárdica, cavidade peritoneal e cavidades sinoviais, incluindo
as cavidades das articulações e as bolsas. Na prática, quase todos os espaços
em potencial têm superfícies que quase tocam umas nas outras, com apenas
fina camada de líquido entre elas, e as superfícies deslizam umas sobre as
outras. Para facilitar o deslizamento, líquido viscoso proteico lubrifica as
superfícies.
O Líquido É Trocado Entre os Capilares e os Espaços em
Potencial. A membrana da superfície do espaço em potencial geralmente
não oferece resistência significativa à passagem de líquidos, eletrólitos, ou
até mesmo das proteí nas, podendo se mover com relativa facilidade em
ambos os sentidos entre o espaço e o líquido intersticial no tecido
circundante. Portanto, cada espaço em potencial é na realidade grande
espaço tecidual. Consequentemente, os líquidos dos capilares, adjacentes ao espaço em potencial se difundem não somente para o líquido intersticial,
mas também para o espaço em potencial.
Os Vasos Linfáticos Drenam as Proteínas dos Espaços em
Potencial. Proteínas se acumulam nos espaços em potencial, tal qual
ocorre com o líquido intersticial, quando acontece vazamento de proteína
dos capilares para o interstício. A proteína deve ser removida pelos
linfáticos ou por outras vias e retornar para a circulação. Cada espaço em
potencial está direta ou indiretamente ligado aos vasos linfáticos. Em alguns
casos, como na cavidade pleural ou na cavidade peritoneal, grandes vasos
linfáticos saem diretamente da própria cavidade.
O Líquido do Edema no Espaço em Potencial é Chamado
“Efusão”. Quando ocorre edema no tecido subcutâneo adjacente ao
espaço em potencial, o líquido do edema geralmente também se acumula no
espaço em potencial, e esse líquido é chamado efusão. Dessa maneira, o
bloqueio dos linfáticos ou qualquer das várias anormalidades, que podem
resultar em filtração capilar excessiva podem causar efusão. A cavidade
abdominal é especialmente propensa a acumular líquidos de efusão. Nesse
caso, a efusão é chamada ascite. Em casos graves, 20 litros ou mais de
líquido ascítico podem ser acumulados.
Os outros espaços em potencial, como a cavidade pleural, cavidade
pericárdica e as articulações, podem ficar seriamente inchados
(edemaciados), quando existe edema generalizado. Também, ferimento ou
infecção local, em uma dessas cavidades, geralmente bloqueia a drenagem
linfática, causando inchaço (edema) isolado na cavidade.
A dinâmica da troca de líquido na cavidade pleural é discutida, em
detalhes, no Capítulo 39. Essa dinâmica é bastante representativa, assim
como a de todas as outras referentes aos espaços em potencial. A pressão
normal do líquido, em todos ou quase todos os espaços em potencial no estado não edematoso, vem a ser negativa da mesma maneira que a pressão
é negativa (subatmosférica) no tecido subcutâneo frouxo. Por exemplo, a
pressão hidrostática do líquido intersticial fica normalmente em torno de −7
a −8 mmHg na cavidade pleural, de −3 a −5 mmHg nos espaços das
articulações e de −5 a −6 mmHg na cavidade pericárdica.
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