Tratado de Fisiologia Médica
Comparação da Célula Animal com Formas Pré‑celulares de Vida
nanômetros de diâmetro. Esse tamanho é suficientemente grande para
permitir que moléculas de peso molecular de até 44.000 passem através
deles com razoável facilidade.
Nucléolos e Formação de Ribossomos. Os núcleos da maioria das
células contêm uma ou mais estruturas com afinidade pelos corantes usados
em microscopia, chamadas nucléolos. O nucléolo, diferentemente da
maioria das outras organelas discutidas aqui, não tem membrana
delimitadora. Ele é, simplesmente, um acúmulo de grande quantidade de
RNA e proteínas dos tipos encontrados nos ribossomos. O nucléolo fica
consideravelmente maior quando a célula está ativa, sintetizando proteínas.
A formação dos nucléolos (e dos ribossomos, no citoplasma fora do
núcleo) começa no núcleo. Primeiro, genes específicos de DNA, nos
cromossomos, promovem a síntese de RNA. Parte desse RNA sintetizado é
armazenada nos nucléolos, mas a maior parte é transportada para o
citoplasma, pelos poros nucleares. No citoplasma, o RNA, em conjunto
com proteínas específicas, forma ribossomos “maduros” que desempenham
papel essencial na formação das proteínas citoplasmáticas, como
discutiremos mais profundamente no Capítulo 3.
COMPARAÇÃO DA CÉLULA ANIMAL COM FORMAS
PRÉ-CELULARES DE VIDA
A célula é organismo muito complexo que se desenvolveu por centenas de
milhões de anos, depois que a primeira forma de vida, um organismo
similar ao dos vírus atuais, apareceu na Terra. A Figura 2-10 mostra os
tamanhos relativos de (1) o menor vírus conhecido; (2) um vírus grande; (3)
uma Rickettsia; (4) uma bactéria; e (5) uma célula nuclea da, indicando que
a célula tem diâmetro de aproximadamente 1.000 vezes o do menor vírus e, portanto, volume de cerca de um bilhão de vezes o do menor vírus. Da
mesma forma, as funções e a organização anatômica da célula são também
muito mais complexas do que as do vírus.
O constituinte essencial que confere vida ao pequeno vírus é um ácido
nucleico revestido por uma camada de proteí na. Esse ácido nucleico é
composto dos mesmos constituintes do ácido nucleico básico (DNA ou
RNA), encontrados nas células de mamíferos e ele é capaz de se
autorreproduzir sob condições adequadas. Assim, o vírus propaga sua
linhagem de geração para geração e é, portanto, estrutura viva da mesma
forma que a célula e o ser humano são estruturas vivas.
Com a evolução da vida, outras substâncias químicas, além do ácido
nucleico e das proteínas, se tornaram partes integrantes do organismo, e
funções especializadas começaram a se desenvolver em diferentes partes do
vírus. Formou-se membrana ao redor do vírus e, dentro da membrana,
apareceu matriz fluida. Substâncias químicas especializadas se
desenvolveram no líquido para realizar funções especiais; muitas enzimas
proteicas pareciam ser capazes de catalisar reações químicas e, assim,
determinar as atividades do organismo.
Em estágios ainda mais recentes da vida, especialmente nos estágios
riquetsiais e bacterianos, desenvolveram-se organelas no interior do
organismo, representando estruturas físicas com agregados químicos, que
realizam funções mais eficientemente do que as mesmas substâncias
químicas dispersas na matriz fluida.
Por fim, na célula nucleada, desenvolveram-se organelas ainda mais
complexas, sendo a mais importante delas o núcleo. O núcleo distingue esse
tipo de célula de todas as formas inferiores de vida; o núcleo proporciona
um centro de controle para todas as atividades celulares e assegura a
reprodução exata de novas células, geração após geração, cada nova célula
exatamente com a mesma estrutura de sua progenitora.