Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 8 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Comparação da Célula Animal com Formas Pré‑celulares de Vida

nanômetros de diâmetro. Esse tamanho é suficientemente grande para

permitir que moléculas de peso molecular de até 44.000 passem através

deles com razoável facilidade.

 

Nucléolos e Formação de Ribossomos. Os núcleos da maioria das

células contêm uma ou mais estruturas com afinidade pelos corantes usados

em microscopia, chamadas nucléolos. O nucléolo, diferentemente da

maioria das outras organelas discutidas aqui, não tem membrana

delimitadora. Ele é, simplesmente, um acúmulo de grande quantidade de

RNA e proteínas dos tipos encontrados nos ribossomos. O nucléolo fica

consideravelmente maior quando a célula está ativa, sintetizando proteínas.

A formação dos nucléolos (e dos ribossomos, no citoplasma fora do

núcleo) começa no núcleo. Primeiro, genes específicos de DNA, nos

cromossomos, promovem a síntese de RNA. Parte desse RNA sintetizado é

armazenada nos nucléolos, mas a maior parte é transportada para o

citoplasma, pelos poros nucleares. No citoplasma, o RNA, em conjunto

com proteínas específicas, forma ribossomos “maduros” que desempenham

papel essencial na formação das proteínas citoplasmáticas, como

discutiremos mais profundamente no Capítulo 3.

 

COMPARAÇÃO DA CÉLULA ANIMAL COM FORMAS

PRÉ-CELULARES DE VIDA

 

A célula é organismo muito complexo que se desenvolveu por centenas de

milhões de anos, depois que a primeira forma de vida, um organismo

similar ao dos vírus atuais, apareceu na Terra. A Figura 2-10 mostra os

tamanhos relativos de (1) o menor vírus conhecido; (2) um vírus grande; (3)

uma Rickettsia; (4) uma bactéria; e (5) uma célula nuclea da, indicando que

a célula tem diâmetro de aproximadamente 1.000 vezes o do menor vírus e, portanto, volume de cerca de um bilhão de vezes o do menor vírus. Da

mesma forma, as funções e a organização anatômica da célula são também

muito mais complexas do que as do vírus.

O constituinte essencial que confere vida ao pequeno vírus é um ácido

nucleico revestido por uma camada de proteí na. Esse ácido nucleico é

composto dos mesmos constituintes do ácido nucleico básico (DNA ou

RNA), encontrados nas células de mamíferos e ele é capaz de se

autorreproduzir sob condições adequadas. Assim, o vírus propaga sua

linhagem de geração para geração e é, portanto, estrutura viva da mesma

forma que a célula e o ser humano são estruturas vivas.

Com a evolução da vida, outras substâncias químicas, além do ácido

nucleico e das proteínas, se tornaram partes integrantes do organismo, e

funções especializadas começaram a se desenvolver em diferentes partes do

vírus. Formou-se membrana ao redor do vírus e, dentro da membrana,

apareceu matriz fluida. Substâncias químicas especializadas se

desenvolveram no líquido para realizar funções especiais; muitas enzimas

proteicas pareciam ser capazes de catalisar reações químicas e, assim,

determinar as atividades do organismo.

Em estágios ainda mais recentes da vida, especialmente nos estágios

riquetsiais e bacterianos, desenvolveram-se organelas no interior do

organismo, representando estruturas físicas com agregados químicos, que

realizam funções mais eficientemente do que as mesmas substâncias

químicas dispersas na matriz fluida.

Por fim, na célula nucleada, desenvolveram-se organelas ainda mais

complexas, sendo a mais importante delas o núcleo. O núcleo distingue esse

tipo de célula de todas as formas inferiores de vida; o núcleo proporciona

um centro de controle para todas as atividades celulares e assegura a

reprodução exata de novas células, geração após geração, cada nova célula

exatamente com a mesma estrutura de sua progenitora.