Tratado de Fisiologia Médica
Funções dos Mineralocorticoides — Aldosterona
especialmente uma globulina chamada globulina ligadora de cortisol ou transcortina, e, em menor quantidade, à albumina. Esse alto grau de ligação às proteínas plasmáticas reduz a velocidade de eliminação do cortisol do plasma; portanto, o cortisol apresenta uma meia-vida relativamente longa, de 60 a 90 minutos. Somente cerca de 60% da aldosterona circulante combina-se às proteí nas plasmáticas, de modo que apenas cerca de 40% estão em forma livre; por isso, a aldosterona tem meia-vida relativamente curta em torno de 20 minutos. Esses hormônios são transportados pelos líquidos do compartimento extracelular na forma combinada e na forma livre.
A ligação dos esteroides adrenais às proteínas plasmáticas pode servir como
reservatório para diminuir as rápidas flutuações nas concentrações de hormônios livres, como ocorreria, por exemplo, com o cortisol durante breves períodos de estresse e secreção episódica de ACTH. A função de reservatório também pode ajudar a garantir uma distribuição relativamente uniforme dos hormônios adrenais aos tecidos.
Os Hormônios Adrenocorticais São Metabolizados no Fígado. Os esteroides
adrenais são degradados, principalmente, pelo fígado e conjugados, formando, especialmente, ácido glicurônico e, em menor quantidade, sulfatos. Essas substâncias são inativas, sem apresentar atividades mineralocorticoides ou glicocorticoides. Cerca de 25% desses conjugados são excretados na bile e, em seguida, nas fezes. Os conjugados restantes formados pelo fígado entram na circulação, mas não são ligados a proteínas plasmáticas, sendo muito solúveis no plasma e, portanto, rapidamente filtrados pelos rins e excretados na urina. Doenças hepáticas reduzem acentuadamente a inativação dos hormônios adrenocorticais, e doenças renais reduzem a excreção dos conjugados inativos.
A concentração normal de aldosterona no sangue é de aproximadamente 6
nanogramas (6 bilionésimos de grama) por 100 mililitros, e a secretora média é de cerca de 150 mg/dia (0,15 mg/dia). A concentração sanguínea de aldosterona, no entanto, depende muito de vários fatores, incluindo a ingestão de sódio e potássio.
A concentração média de cortisol no sangue é de 12 mg/100 mL, e sua intensidade
secretora média é de 15 a 20 mg/dia. No entanto, a concentração de sangue e a secreção de cortisol flutuam ao longo do dia, aumentando no início da manhã e em declínio durante a noite, como será discutido adiante.
FUNÇÕES DOS MINERALOCORTICOIDES —
ALDOSTERONA
A Deficiência de Mineralocorticoides Provoca Intensa Depleção
Renal de Cloreto de Sódio e Hipercalemia. A perda total da secreção adrenocortical pode provocar a morte em 3 dias a 2 semanas, a menos que a
pessoa receba reposição considerável de sal ou injeção de mineralocorticoides.
Sem os mineralocorticoides, a concentração de íons potássio, no líquido
extracelular, eleva-se acentuadamente, sódio e cloreto são rapidamente
eliminados do organismo, e os volumes totais do líquido extracelular e do sangue
são muito reduzidos. Rapidamente se desenvolve redução do débito cardíaco,
que evolui para um estado semelhante ao choque, seguido de morte. Toda essa
sequência pode ser impedida pela administração de aldosterona ou algum outro
mineralocorticoide. Portanto, diz-se que os mineralocorticoides são a parte
aguda, “salvadora de vida”, dos hormônios adrenocorticais. Contudo, os
glicocorticoides são igualmente necessários, já que permitem que a pessoa resista
aos efeitos destrutivos dos “estresses” físicos e mentais intermitentes durante a
vida, como está discutido adiante neste Capítulo.
A Aldosterona É o Principal Mineralocorticoide Secretado pelas
Adrenais. No ser humano, a aldosterona exerce cerca de 90% de toda a
atividade mineralocorticoide das secreções adrenocorticais, mas o cortisol, o
principal glicocorticoide secretado pelo córtex adrenal, também contribui
significativamente para a atividade mineralocorticoide. A atividade
mineralocorticoide da aldosterona é aproximadamente 3.000 vezes maior que a
do cortisol, mas a concentração plasmática do cortisol é por volta de 2.000 vezes
maior que a de aldosterona.
O cortisol também pode ligar-se a receptores de mineralocorticoides. Porém, as
células do epitélio renal expressam a enzima 11b-hidroxiesteroide desidrogenase
do tipo 2 (11b-HSD2), que tem ações que evitam que o cortisol ative os
receptores mineralocorticoides. Uma ação da 11b-HSD2 consiste em converter o
cortisol em cortisona, que não se liga tão avidamente aos receptores
mineralocorticoides. Existem também evidências de que a 11b-HSD2 pode ter
efeitos no estado redox (redução e oxidação) intracelular que evitam a ativação
dos receptores mineralocorticoides pelo cortisol. Em pacientes com deficiência
genética da atividade de 11b-HSD2, o cortisol pode ter efeitos
mineralocorticoides substanciais. Essa condição é chamada síndrome do excesso aparente de mineralocorticoide (AME), porque o paciente tem, essencialmente,
as mesmas alterações patofisiológicas de um paciente com excesso de secreção
de aldosterona, exceto pelos níveis plasmáticos muito baixos de aldosterona no
doente com AME. A ingestão de grandes quantidades de alcaçuz, que contém
ácido glicirretínico, pode causar AME, devido à sua capacidade de bloquear a
atividade enzimática da 11b-HSD2.
EFEITOS RENAIS E CIRCULATÓRIOS DA ALDOSTERONA
A Aldosterona Aumenta a Reabsorção Tubular Renal de Sódio e a
Secreção de Potássio. Como descrito no Capítulo 28, a aldosterona aumenta
a reabsorção de sódio e, simultaneamente, a secreção de potássio pelas células
epiteliais tubulares renais, especialmente nas células principais dos túbulos
renais e, em menor quantidade, nos túbulos distais e ductos coletores. Sendo
assim, a aldosterona faz com que o sódio seja conservado no líquido extracelular,
enquanto o potássio é excretado na urina.
Uma alta concentração de aldosterona no plasma pode reduzir, transitoriamente,
a perda de sódio na urina para níveis muito baixos, como alguns poucos
miliequivalentes por dia. Ao mesmo tempo, a perda urinária de potássio aumenta
por muitas vezes. Portanto, o efeito final do excesso de aldosterona no plasma é
o aumento da quantidade total de sódio e a redução da quantidade de potássio no
líquido extracelular.
Ao contrário, a ausência total de secreção de aldosterona provoca a perda
transitória de 10 a 20 gramas de sódio na urina por dia, uma quantidade
semelhante de um décimo a um quinto de todo o sódio no organismo. Ao mesmo
tempo, o potássio é rigorosamente conservado no líquido extracelular.
O Excesso de Aldosterona Aumenta o Volume do Líquido
Extracelular e a Pressão Arterial, mas Apresenta Apenas Pequeno
Efeito na Concentração Plasmática de Sódio. Embora a aldosterona
provoque um potente efeito na redução da excreção renal de íon sódio, a
concentração desse elemento no líquido extracelular, frequentemente, eleva-se apenas por alguns miliequivalentes. Isso acontece porque, quando o sódio é
reabsorvido pelos túbulos, ocorre a absorção osmótica simultânea de quantidade
quase equivalente de água. De igual modo, pequenos aumentos da concentração
de sódio no líquido extracelular estimulam a sede e o aumento de ingestão
hídrica, se houver disponibilidade de água, além de favorecer a secreção do
hormônio antidiurético, que estimula a reabsorção de água pelos túbulos distais e
coletores dos rins. Portanto, o volume do líquido extracelular aumenta tanto
quanto a quantidade do sódio retido, sem grande alteração na concentração desse
íon.
Embora a aldosterona seja um dos mais potentes hormônios retentores de sódio,
a liberação excessiva desse hormônio provoca apenas retenção transitória de
sódio. O aumento do volume do líquido extracelular mediado por aldosterona,
que dure mais que 1 a 2 dias, leva também a aumento da pressão arterial, como
explicado no Capítulo 19. A elevação da pressão arterial, então, aumenta a
excreção renal de sódio e água, o que é chamado natriurese de pressão e de
diurese de pressão, respectivamente. Assim, após o aumento do volume do
líquido extracelular de 5% a 15% acima do normal, a pressão arterial também se
eleva em 15 a 25 mmHg, o que normaliza o débito renal de sódio e água, apesar
do excesso de aldosterona (Figura 78-3).
Essa normalização da excreção de sódio e água pelos rins como um resultado
de natriurese e diurese de pressão é chamada escape de aldosterona. Desse
momento em diante, a incorporação de sódio e água pelo organismo é nula, e é
mantido o equilíbrio entre a ingestão e a eliminação de sódio e água pelos rins,
apesar do excesso contínuo de aldosterona. Ao mesmo tempo, entretanto,
desenvolve-se a hipertensão, que se mantém enquanto a pessoa estiver exposta a
altos níveis de aldosterona.
Ao contrário, quando a secreção de aldosterona é completamente interrompida,
perde-se grande quantidade de sódio na urina, o que não apenas diminui a
quantidade de cloreto de sódio no líquido extracelular, como também reduz o
volume do líquido extracelular. O resultado é a desidratação extracelular grave e
o baixo volume sanguíneo, levando ao choque circulatório. Sem tratamento, a morte, geralmente, ocorre poucos dias após a interrupção repentina da secreção
de aldosterona pelas adrenais.
Figura 78-3. Efeito da infusão de aldosterona na pressão arterial, volume de líquido extracelular e excreção de sódio em cães. Embora a aldosterona tenha sido infundida em uma taxa que elevou as concentrações plasmáticas para cerca de 20 vezes o normal, note o “escape” da retenção de sódio no segundo dia de infusão à medida que a pressão arterial aumentou e a excreção urinária de sódio retornou ao normal. (Dados de Hall JE, Granger JP, Smith MJ Jr, et al Role of hemodynamics and arterial pressure in aldosterone “escape”. Hypertension 6[suppl I]:I183 192, 1984.)
O Excesso de Aldosterona Provoca Hipocalemia e Fraqueza
Muscular; a Deficiência de Aldosterona Provoca Hipercalemia e
Toxicidade Cardíaca. O excesso de aldosterona não causa apenas perda de íons potássio do líquido extracelular na urina, mas também estimula o transporte
de potássio do líquido extracelular para a maioria das células do organismo.
Portanto, a secreção excessiva de aldosterona, como ocorre em alguns tipos de
tumores adrenais, pode causar intensa redução da concentração plasmática de
potássio, que, às vezes, altera-se do valor normal de 4,5 mEq/L para apenas 2
mEq/L. Essa condição é chamada hipocalemia. Quando a concentração do íon
potássio cai abaixo da metade da normal, frequentemente ocorre fraqueza
muscular grave. Essa fraqueza muscular é causada pela alteração da
excitabilidade elétrica das membranas das fibras nervosas e musculares
( Capítulo 5), impedindo a transmissão normal dos potenciais de ação.
Ao contrário, quando há deficiência de aldosterona, a concentração de íon
potássio no líquido extracelular pode se elevar muito acima do normal. Quando
essa elevação é de 60% a 100%, evidencia-se grave toxicidade cardíaca,
incluindo diminuição da força de contração e desenvolvimento de arritmias, e
concentrações progressivamente maiores de potássio levam, inevitavelmente, à
insuficiência cardíaca.
O Excesso de Aldosterona Aumenta a Secreção Tubular de Íon
Hidrogênio e Provoca Alcalose. A aldosterona não apenas provoca a
secreção de potássio para os túbulos em troca da reabsorção de sódio pelas
células principais dos túbulos renais, como também provoca a secreção de íons
hidrogênio em troca por potássio nas células intercaladas dos túbulos corticais,
como discutido nos Capítulos 28e 31. Isso diminui a concentração de íon
hidrogênio no líquido extracelular, causando alcalose metabólica.
A ALDOSTERONA ESTIMULA O TRANSPORTE DE SÓDIO E
POTÁSSIO NAS GLÂNDULAS SUDORÍPARAS E SALIVARES
E NAS CÉLULAS EPITELIAIS INTESTINAIS
A aldosterona apresenta praticamente os mesmos efeitos nas glândulas
sudoríparas e salivares como nos túbulos renais. Ambas as glândulas formam
uma secreção primária que contém grande quantidade de cloreto de sódio; entretanto, boa parte desse sal, ao passar pelos ductos excretores, é reabsorvida,
enquanto os íons potássio e o bicarbonato são secretados. A aldosterona aumenta
muito a reabsorção de cloreto de sódio e a secreção de potássio pelos ductos. O
efeito nas glândulas sudoríparas é importante para conservar o sal corporal em
ambientes quentes, e o efeito nas glândulas salivares é necessário para conservar
o sal, quando se perde grande quantidade de saliva.
A aldosterona também estimula intensamente a absorção intestinal de sódio,
especialmente no cólon, o que impede a perda de sódio nas fezes. Ao contrário,
na ausência de aldosterona, a absorção de sódio pode ser insuficiente, levando à
incapacidade de absorver cloreto e outros ânions além da água. O cloreto de
sódio e a água não absorvidos geram, então, diarreia, resultando em perda ainda
maior de sal pelo organismo.
MECANISMO CELULAR DE AÇÃO DA ALDOSTERONA
Embora os efeitos gerais dos mineralocorticoides no organismo sejam
conhecidos há muito tempo, os mecanismos moleculares das ações da
aldosterona nas células tubulares, aumentando o transporte de sódio, ainda não
são completamente compreendidos. Contudo, a sequência celular de eventos que
levam ao aumento da reabsorção de sódio parece ser a seguinte.
Primeiro, devido à lipossolubilidade nas membranas celulares, a aldosterona se
difunde facilmente para o interior das células epiteliais tubulares.
Segundo, no citoplasma dessas células, a aldosterona se combina a receptores
mineralocorticoides (MR) proteicos citoplasmáticos muito específicos (Figura
78-4), que consistem em proteína com configuração terciária que só se combina à
aldosterona ou a outros compostos muito semelhantes. Apesar de os receptores
MR das células epiteliais do túbulo renal também terem alta afinidade com
cortisol, a enzima 11b-HSD2 normalmente converte a maior parte do cortisol em
cortisona, que não se liga prontamente aos receptores MR, como discutido antes.
Terceiro, o complexo aldosterona-receptor ou um produto desse complexo se
difunde para o núcleo, onde pode passar por mais alterações, induzindo, finalmente, uma ou mais porções do DNA a formar um ou mais tipos de RNA
mensageiro (mRNA), relacionados ao processo de transporte de sódio e potássio.
Quarto, o mRNA difunde-se de volta ao citoplasma, onde, agindo em conjunto
com os ribossomos, provoca a formação de proteínas. As proteínas formadas são
mistura de (1) uma ou mais enzimas; e (2) proteínas de transporte de membrana,
que, agindo em conjunto, são necessárias para o transporte de sódio, potássio e
hidrogênio, através da membrana celular (Figura 78-4). Uma das enzimas
especialmente produzidas é a adenosina trifosfatase de sódio-potássio, que serve
como a parte principal da bomba de troca de sódio e potássio nas membranas
basolaterais das células tubulares renais. Outras proteínas, talvez igualmente
importantes, são as proteínas dos canais epiteliais de sódio inseridos na
membrana luminal das mesmas células tubulares que permitem a rápida difusão
de íons sódio do lúmen tubular para o interior da célula; então, o íon sódio é
bombeado para fora da célula pelas bombas de sódio-potássio, localizadas em
suas membranas basolaterais.
Assim, a aldosterona não apresenta efeito imediato importante no transporte de
sódio; ao contrário, esse efeito somente ocorre após a sequência de eventos que
leva à formação de substâncias intracelulares específicas necessárias para o
transporte. Cerca de 30 minutos são necessários para a produção de novo RNA
nas células e cerca de 45 minutos para que o transporte de sódio comece a
aumentar; o efeito atinge o máximo somente após várias horas.
Figura 78-4. Vias de sinalização da célula epitelial responsiva à aldosterona. A ativação do receptor mineralocorticoide (MR) pela aldosterona pode ser antagonizada com espironolactona. A amilorida é um fármaco que pode ser usado para bloquear as proteínas do canal de sódio epitelial (ENaC).
POSSÍVEIS AÇÕES NÃO GENÔMICAS DA ALDOSTERONA E
OUTROS HORMÔNIOS ESTEROIDES
Alguns estudos sugerem que muitos esteroides, incluindo a aldosterona, não
provocam apenas efeitos genômicos de desenvolvimento lento com latência de
45 a 60 minutos e que necessitam da transcrição e da síntese de novas proteí nas,
mas também mais efeitos não genômicos rápidos, que ocorrem em alguns
segundos ou minutos.
Acredita-se que essas ações não genômicas sejam mediadas pela ligação de
esteroides a receptores de membrana celular, conjugados a sistemas de segundo
mensageiro, semelhantes aos usados para a transdução de sinal dos hormônios
peptídicos. Por exemplo, demonstrou-se que a aldosterona aumenta a formação
de monofosfato de adenosina cíclico (AMPc) nas células musculares lisas
vasculares e nas células epiteliais dos túbulos renais em menos de 2 minutos,
período de tempo evidentemente muito curto para a transcrição gênica e a síntese
de novas proteínas. Em outros tipos celulares, foi demonstrado que a aldosterona
estimula rapidamente o sistema de segundo mensageiro do fosfatidilinositol.
Contudo, a estrutura precisa dos receptores responsáveis pelos efeitos rápidos da
aldosterona não foi determinada, e o significado fisiológico dessas ações não
genômicas ainda não foi bem compreendido.
REGULAÇÃO DA SECREÇÃO DE ALDOSTERONA
A regulação da secreção de aldosterona está tão profundamente interligada à
regulação das concentrações de eletrólitos no líquido extracelular, volume do
líquido extracelular, volume sanguíneo, pressão arterial e muitos aspectos
especiais da função renal, que é difícil discuti-la, independentemente de todos
esses fatores. Esse assunto é apresentado, em mais detalhes, nos
Capítulos 29 e 30, que indicamos ao leitor. Entretanto, é importante listar alguns
dos aspectos mais relevantes do controle da secreção de aldosterona.
A regulação da secreção de aldosterona pelas células da zona glomerulosa é
quase inteiramente independente da regulação do cortisol e dos androgênios
pelas zonas fasciculada e reticular.
São conhecidos os seguintes quatro fatores que desempenham papéis essenciais
na regulação da aldosterona:
1. A elevação da concentração de íons potássio no líquido extracelular aumenta
muito a secreção de aldosterona.
2. A elevação da concentração de angiotensina II no líquido extracelular
também aumenta acentuadamente a secreção de aldosterona.
3. A elevação da concentração de íons sódio no líquido extracelular reduz muito
pouco a secreção de aldosterona.
4. O ACTH formado pela hipófise anterior é necessário para a secreção de
aldosterona, mas tem pequeno efeito no controle da secreção.
Desses fatores, a concentração de íons potássio e o sistema renina-
angiotensina são, evidentemente, os mais importantes na regulação da secreção
de aldosterona. Uma pequena elevação percentual na concentração de íons
potássio pode provocar um aumento de várias vezes na referida secreção. Da
mesma forma, a ativação do sistema renina-angiotensina, geralmente em resposta
ao menor fluxo sanguíneo renal ou à perda de sódio, pode aumentá-la em muitas
vezes. Por sua vez, a aldosterona age nos rins (1) para auxiliá-los na excreção do
excesso de íons potássio; e (2) para aumentar o volume sanguíneo e a pressão
arterial, normalizando, assim, o nível de atividade do sistema renina-
angiotensina. Esses mecanismos de controle por feedback são essenciais para a
manutenção da vida; indicamos novamente os Capítulos 28 e 30 para uma
descrição mais completa de suas funções.
A Figura 78-5 mostra os efeitos na concentração plasmática de aldosterona,
causados pelo bloqueio da formação de angiotensina II por inibidor da enzima
conversora de angiotensina, após várias semanas de dieta com pouco sódio que
aumenta a concentração plasmática de aldosterona. Note que o bloqueio da
formação de angiotensina II reduz, acentuadamente, a concentração plasmática
de aldosterona, sem alterar significativamente a concentração de cortisol; isso
indica o importante papel da angiotensina II no estímulo da secreção de
aldosterona, quando a ingestão de sódio e o volume do líquido extracelular são
reduzidos.
Por outro lado, os efeitos da própria concentração de íons sódio e do ACTH no
controle da secreção de aldosterona são, em geral, secundários. Contudo, uma
redução de 10% a 20% da concentração de íons sódio no líquido extracelular,
que ocorre em raras ocasiões, pode talvez aumentar a secreção de aldosterona em
cerca de 50%. No caso do ACTH, até mesmo uma pequena quantidade desse
hormônio, secretada pela hipófise anterior, é geralmente suficiente para permitir que as adrenais secretem qualquer quantidade necessária de aldosterona, mas a