Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 246 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Vias Visuais

CAPÍTULO 52

 

O Olho: III. Neurofisiologia

 

Central da Visão

 

VIAS VISUAIS

 

A Figura 52-1 mostra as principais vias visuais das duas retinas para o

córtex visual. Os sinais visuais saem das retinas pelos nervos ópticos. No

quiasma óptico, as fibras do nervo óptico das metades nasais das retinas

cruzam para o lado oposto, onde se unem a fibras das retinas temporais

opostas, para formar os tratos ópticos. As fibras de cada trato óptico, por

sua vez, fazem sinapse no núcleo geniculado dorsolateral do tálamo e, daí,

as fibras geniculo calcarinas se projetam, por meio da radiação óptica

(também chamada trato geniculocalcarino) para o córtex visual primário na

área da fissura calcarina do lobo occipital medial.

As fibras visuais também se projetam para várias áreas mais antigas do

cérebro: (1) da região do quiasma óptico para os núcleos supraquiasmáticos do hipotálamo, com a função de controlar os ritmos circadianos que

sincronizam as várias funções fisiológicas do organismo, com a noite e o

dia; (2) para os núcleos pré-tectais no mesencéfalo para desencadear

movimentos reflexos dos olhos para focalizar objetos de importância e para

ativar o reflexo fotomotor; (3) para o colículo superior, para controlar

movimentos direcionais rápidos dos dois olhos; e (4) para o núcleo

geniculado ventrolateral do tálamo e regiões adjacentes, presumivelmente

para ajudar a controlar algumas das funções comportamentais do corpo.

Desse modo, as vias visuais podem ser divididas, de forma grosseira, no

sistema antigo, para o mesencéfalo e áreas prosencefálicas basais, e no

sistema novo, para a transmissão direta dos sinais visuais, para o córtex

visual, localizado nos lobos occipitais. Em seres humanos, o novo sistema é

responsável pela percepção praticamente de todos os aspectos da forma

visual, cores, e outras visões conscientes. Como contraste, em muitos

animais primitivos, até mesmo a forma visual é detectada pelo sistema mais

antigo, usando o colículo superior da mesma maneira como o córtex visual

é usado nos mamíferos.

Figura 52-1. Principais vias visuais dos olhos para o córtex visual. (Modificada de Polyak SL: The Retina. Chicago: University of Chicago, 1941.)

 

FUNÇÃO DO NÚCLEO GENICULADO DORSOLATERAL

DO TÁLAMO

As fibras do nervo óptico do novo sistema visual terminam no núcleo

geniculado dorsolateral, localizado na extremidade dorsal do tálamo,

também chamado corpo geniculado lateral, como mostrado na Figura 52-

1. O núcleo geni culado dorsolateral exerce duas funções principais:

primeira, retransmite informações visuais do trato óptico para o córtex

visual, por meio da radiação óptica (também chamada trato

geniculocalcarino). Essa função de retransmissão é tão precisa que ocorre

transmissão ponto a ponto, com alto grau de fidelidade espacial em todo o

trajeto da retina ao córtex visual.

Metade das fibras em cada trato óptico, depois de passar pelo quiasma

óptico, é derivada de um olho e metade do outro olho, representando pontos

correspondentes nas duas retinas. No entanto, os sinais dos dois olhos são

mantidos separados no núcleo geniculado dorsolateral. Esse núcleo é

composto por seis camadas nucleares. As camadas II, III e V (de ventral a

dorsal) recebem sinais da metade lateral da retina ipsilateral, enquanto as

camadas I, IV e VI recebem sinais da metade medial da retina do olho

contralateral. As áreas correspondentes das retinas dos dois olhos se

conectam a neurônios que estão sobrepostos uns aos outros, nas camadas

pares, e a transmissão paralela similar é preservada em todo o trajeto até o

córtex visual.

A segunda principal função do núcleo geniculado dorsolateral é a de

regular por meio de “comportas” a transmissão dos sinais para o córtex

visual — isto é, controlar quanto do sinal é permitido passar para o córtex.

O núcleo recebe sinais de controle das comportas (gates) de duas fontes

principais: (1) fibras corticofugais de projeção direta, do córtex visual

primário para o núcleo geniculado lateral; e (2) áreas reticulares do

mesencéfalo. Essas duas fontes são inibitórias e, quando estimuladas,

podem desligar a transmissão por partes selecionadas do núcleo geniculado

dorsolateral. Esses dois circuitos de controle de comportas ajudam a

destacar a informação visual, que é permitida passar.

Por fim, o núcleo geniculado dorsolateral se divide de outro modo:

1. Camadas I e II são chamadas camadas magnoce lulares, por conterem

neurônios grandes. Esses neurônios recebem aferências quase

inteiramente das grandes células ganglionares M da retina. Esse sistema

magnocelular forma a via de condução rápida para o córtex visual. No

entanto, esse sistema é cego para cores, transmitindo somente‐

informações em preto e branco. Igualmente, sua transmissão ponto a