Tratado de Fisiologia Médica
Vias Visuais
CAPÍTULO 52
O Olho: III. Neurofisiologia
Central da Visão
VIAS VISUAIS
A Figura 52-1 mostra as principais vias visuais das duas retinas para o
córtex visual. Os sinais visuais saem das retinas pelos nervos ópticos. No
quiasma óptico, as fibras do nervo óptico das metades nasais das retinas
cruzam para o lado oposto, onde se unem a fibras das retinas temporais
opostas, para formar os tratos ópticos. As fibras de cada trato óptico, por
sua vez, fazem sinapse no núcleo geniculado dorsolateral do tálamo e, daí,
as fibras geniculo calcarinas se projetam, por meio da radiação óptica
(também chamada trato geniculocalcarino) para o córtex visual primário na
área da fissura calcarina do lobo occipital medial.
As fibras visuais também se projetam para várias áreas mais antigas do
cérebro: (1) da região do quiasma óptico para os núcleos supraquiasmáticos do hipotálamo, com a função de controlar os ritmos circadianos que
sincronizam as várias funções fisiológicas do organismo, com a noite e o
dia; (2) para os núcleos pré-tectais no mesencéfalo para desencadear
movimentos reflexos dos olhos para focalizar objetos de importância e para
ativar o reflexo fotomotor; (3) para o colículo superior, para controlar
movimentos direcionais rápidos dos dois olhos; e (4) para o núcleo
geniculado ventrolateral do tálamo e regiões adjacentes, presumivelmente
para ajudar a controlar algumas das funções comportamentais do corpo.
Desse modo, as vias visuais podem ser divididas, de forma grosseira, no
sistema antigo, para o mesencéfalo e áreas prosencefálicas basais, e no
sistema novo, para a transmissão direta dos sinais visuais, para o córtex
visual, localizado nos lobos occipitais. Em seres humanos, o novo sistema é
responsável pela percepção praticamente de todos os aspectos da forma
visual, cores, e outras visões conscientes. Como contraste, em muitos
animais primitivos, até mesmo a forma visual é detectada pelo sistema mais
antigo, usando o colículo superior da mesma maneira como o córtex visual
é usado nos mamíferos.
Figura 52-1. Principais vias visuais dos olhos para o córtex visual. (Modificada de Polyak SL: The Retina. Chicago: University of Chicago, 1941.)
FUNÇÃO DO NÚCLEO GENICULADO DORSOLATERAL
DO TÁLAMO
As fibras do nervo óptico do novo sistema visual terminam no núcleo
geniculado dorsolateral, localizado na extremidade dorsal do tálamo,
também chamado corpo geniculado lateral, como mostrado na Figura 52-
1. O núcleo geni culado dorsolateral exerce duas funções principais:
primeira, retransmite informações visuais do trato óptico para o córtex
visual, por meio da radiação óptica (também chamada trato
geniculocalcarino). Essa função de retransmissão é tão precisa que ocorre
transmissão ponto a ponto, com alto grau de fidelidade espacial em todo o
trajeto da retina ao córtex visual.
Metade das fibras em cada trato óptico, depois de passar pelo quiasma
óptico, é derivada de um olho e metade do outro olho, representando pontos
correspondentes nas duas retinas. No entanto, os sinais dos dois olhos são
mantidos separados no núcleo geniculado dorsolateral. Esse núcleo é
composto por seis camadas nucleares. As camadas II, III e V (de ventral a
dorsal) recebem sinais da metade lateral da retina ipsilateral, enquanto as
camadas I, IV e VI recebem sinais da metade medial da retina do olho
contralateral. As áreas correspondentes das retinas dos dois olhos se
conectam a neurônios que estão sobrepostos uns aos outros, nas camadas
pares, e a transmissão paralela similar é preservada em todo o trajeto até o
córtex visual.
A segunda principal função do núcleo geniculado dorsolateral é a de
regular por meio de “comportas” a transmissão dos sinais para o córtex
visual — isto é, controlar quanto do sinal é permitido passar para o córtex.
O núcleo recebe sinais de controle das comportas (gates) de duas fontes
principais: (1) fibras corticofugais de projeção direta, do córtex visual
primário para o núcleo geniculado lateral; e (2) áreas reticulares do
mesencéfalo. Essas duas fontes são inibitórias e, quando estimuladas,
podem desligar a transmissão por partes selecionadas do núcleo geniculado
dorsolateral. Esses dois circuitos de controle de comportas ajudam a
destacar a informação visual, que é permitida passar.
Por fim, o núcleo geniculado dorsolateral se divide de outro modo:
1. Camadas I e II são chamadas camadas magnoce lulares, por conterem
neurônios grandes. Esses neurônios recebem aferências quase
inteiramente das grandes células ganglionares M da retina. Esse sistema
magnocelular forma a via de condução rápida para o córtex visual. No
entanto, esse sistema é cego para cores, transmitindo somente‐
informações em preto e branco. Igualmente, sua transmissão ponto a