Tratado de Fisiologia Médica
Sinapses do Sistema Nervoso Central
unidade é análoga aos mecanismos de controle encefálicos que direcionam
nossa atenção em primeiro lugar para o pensamento, a sensação ou a
atividade motora e depois para outro, e assim por diante, até que ocorram
sequências complexas de pensamentos ou ações.
A Figura 46-4 é um diagrama de bloco simples que esquematiza o
sistema de computador. Mesmo rápido estudo desse diagrama demonstra
sua similaridade com o sistema nervoso. O fato de que os componentes
básicos do computador de uso geral são análogos aos do sistema nervoso
humano demonstra que o encéfalo apresenta muitas características
semelhantes a um computador que, continuamente, coleta informações
sensoriais e as utiliza com as informações armazenadas para computar o
curso diário da atividade corporal.
Figura 46-4. Esquema geral de computador mostrando os componentes básicos e suas inter-relações.
SINAPSES DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
A informação é transmitida para o sistema nervoso central, em sua maior
parte, na forma de potenciais de ação, chamados simplesmente impulsos
nervosos que se propagam por sucessão de neurônios, um após o outro.
Entretanto, além disso, cada impulso (1) pode ser bloqueado, na sua
transmissão de um neurônio para o outro; (2) pode ser transformado de
impulso único em impulsos repetitivos; ou (3) pode ainda ser integrado a
impulsos vindos de outros neurônios, para gerar padrões de impulsos muito
complexos em neurônios sucessivos. Todas essas funções podem ser
classificadas como funções sinápticas dos neurônios.
TIPOS DE SINAPSES — QUÍMICAS E ELÉTRICAS
Há dois tipos principais de sinapses (Figura 46-5): (1) quími cas; e (2)
elétricas.
A maioria das sinapses utilizadas para a transmissão de sinais no sistema
nervoso central da espécie humana são si napses químicas. Nessas sinapses,
o primeiro neurônio secreta por seu terminal a substância química chamada
neurotransmis sor (frequentemente, chamada substância transmissora), e
esse neurotransmissor, por sua vez, vai atuar em proteínas receptoras,
presentes na membrana do neurônio subsequente, para promover excitação,
inibição ou ainda modificar de outro modo a sensibilidade dessa célula.
Mais de 40 neurotransmissores importantes foram descobertos nos últimos
anos. Alguns dos mais conhecidos são: acetilcolina, norepinefrina,
epinefrina, histamina, ácido gama-aminobutírico (GABA), glicina,
serotonina e glutamato.
Nas sinapses elétricas, os citoplasmas das células adjacen tes estão
conectados diretamente por aglomerados de canais de íons chamados
junções comunicantes (gap junctions), que permitem o movimento livre dos
íons de uma célula para outra. Tais junções são discutidas noCapítulo 4, e é
por meio dessas junções comunicantes e de outras junções similares que os potenciais de ação são transmitidos de fibra mus cular lisa para a próxima no
músculo liso visceral ( Capítulo 8), e de célula muscular cardíaca para a
próxima no músculo cardíaco (Capítulo 10).
Embora a maioria das sinapses no cérebro seja química, no sistema
nervoso central podem coexistir e interagir sinapses químicas e elétricas. A
transmissão bidirecional das sinapses elétricas permite-lhes colaborar na
coordenação das atividades de grandes grupos de neurônios
interconectados. Por exemplo, as sinapses elétricas são úteis para detectar a
coincidência de despolarizações subliminares simultâneas dentro de um
grupo de neurônios interconectados; isso permite aumentar a sensibilidade
neural e promover o disparo sincronizado de um grupo de neurônios
interconectados.
Figura 46-5. Anatomia fisiológica de uma sinapse química (A) e de uma sinapse elétrica (B).
Condução “Unidirecional” nas Sinapses Químicas. As sinapses
químicas têm característica extremamente importante, que as torna muito adequadas para transmitir a maioria dos sinais do sistema nervoso. Essa
característica é tal que os sinais sejam sempre transmitidos em uma única
direção, ou seja, do neurônio que secreta o neurotransmissor, chamado
neurônio pré-sináptico, para o neurônio no qual o neurotransmissor age, o
neurônio pós-sináptico. Esse fenômeno é o princípio da condução
unidirecional que ocorre nas sinapses químicas, e é muito diferente da
condução pelas sinapses elétricas que, em geral, transmitem os sinais em
ambas as direções.
Um mecanismo de condução unidirecional permite que os sinais sejam
direcionados para alvos específicos. Na verdade, é essa transmissão
específica dos sinais, para áreas discretas e extremamente focalizadas, tanto
do sistema nervoso quanto nos terminais dos nervos periféricos, que
permite ao sistema nervoso executar sua miríade de funções sensoriais,
motoras, de memorização e muitas outras.
ANATOMIA FISIOLÓGICA DA SINAPSE
A Figura 46-6 mostra um esquema de neurônio motor anterior típico
encontrado no corno anterior da medula espinal. Esse neurônio é composto
por três partes principais: o corpo celular ou soma que constitui a maior
parte do neurônio; o axônio único que se estende do corpo celular, deixa a
medula espinal e se incorpora a nervos periféricos; e os dendritos, inúmeras
projeções ramificadas do soma, que se estendem, quando muito, por 1
milímetro para as áreas adjacentes da medula.
Encontram-se de 10.000 a 200.000 pequenos botões sinápticos, chamados
terminais pré-sinápticos, nas superfícies dos dendritos e do corpo celular do
neurônio motor: cerca de 80% a 95% estão situados nos dendritos e apenas
de 5% a 20% no corpo celular. Esses terminais pré-sinápticos são as
porções terminais de ramificações de axônios de diversos outros neurônios.
Muitos desses terminais pré-sinápticos são excitatórios — ou seja, secretam um neurotransmissor que estimula o neurônio pós-sináptico. Entretanto,
outros terminais pré-sinápticos são inibitórios — ou seja secretam um
neurotransmissor que inibe o neurônio pós-sináptico.
Neurônios localizados em outras partes da medula e do encéfalo diferem
do neurônio motor no (1) tamanho do corpo celular; (2) no comprimento,
tamanho e número de dendritos, tendo comprimento de quase zero a muitos
centímetros; (3) no comprimento e calibre do axônio; e (4) no número de
terminais pré-sinápticos, que pode variar de alguns poucos até cerca de
200.000. Essas diferenças fazem os neurônios de partes diversas do sistema
nervoso reagirem de modo diferente dos sinais sinápticos aferentes e, assim,
executarem muitas funções distintas.
Figura 46-6. Neurônio motor anterior típico exibindo terminações pré-sinápticas no corpo celular e nos dendritos. Note também o axônio único.
Terminais Pré-sinápticos. Estudos dos terminais pré-sináp ticos, com o
auxílio do microscópio eletrônico, demonstram que esses terminais têm
formas anatômicas variadas, mas a maioria se assemelha a pequenos botões
redondos ou ovalados e, assim, são por vezes chamados botões terminais,
pés terminais ou botões sinápticos.
A Figura 46-5A ilustra a estrutura básica de uma sinapse química ao
mostrar um terminal pré-sináptico único na superfície da membrana de
neurônio pós-sináptico. O terminal pré-sináptico é separado do corpo
celular do neurônio pós-sináptico pela fenda sináptica, cuja largura fica na
faixa de 200 a 300 angstroms. O terminal tem dois tipos de estruturas
internas importantes para a função excitatória ou inibitória da sinapse: as
vesículas transmissoras e as mitocôndrias. As vesículas transmissoras
contêm o neurotransmissor que, quando liberada na fenda sináptica, excita
ou inibe o neurônio pós-sináptico. Excita o neurônio pós-sináptico se a
membrana neuronal contiver receptores excitatórios, e inibe o neurônio se a
membrana tiver receptores inibitórios. As mitocôndrias fornecem o
trifosfato de adenosina (ATP), que, por sua vez, supre a energia necessária
para sintetizar novas moléculas da substância transmissora.
Quando o potencial de ação chega ao terminal pré-sináptico, a
despolarização de sua membrana faz com que pequeno número de vesículas
libere moléculas de neurotransmissores na fenda sináptica. A liberação
dessas moléculas, por sua vez, provoca alterações imediatas nas
características de permeabilidade da membrana neuronal pós-sináptica, o
que leva à excitação ou à inibição do neurônio pós-sináptico, dependendo
das características do receptor neuronal.
Mecanismo pelo Qual o Potencial de Ação Provoca a
Liberação do Neurotransmissor pelos Terminais Pré-
sinápticos — o Papel dos Íons Cálcio
A membrana do terminal pré-sináptico é chamada membra na pré-sináptica.
Essa membrana tem grande número de canais de cálcio dependentes de
voltagem. Quando o potencial de ação despolariza a membrana pré-
sináptica, esses canais de cálcio se abrem e permitem a passagem de
inúmeros íons cálcio para o terminal pré-sináptico. A quanti da de de neurotransmissor que é, então, liberada na fenda sináptica é diretamente
proporcional ao número de íons cálcio que entram. O mecanismo preciso,
pelo qual os íons cálcio provocam essa liberação, não é conhecido em sua
totalidade, mas pensa-se que seja o apresentado a seguir.
Quando os íons cálcio entram no terminal pré-sináptico, se ligam a
moléculas de proteínas especiais, presentes na superfície interna da
membrana pré-sináptica, chamadas sítios de liberação. Essa ligação, por
sua vez, provoca a abertura dos sítios de liberação através da membrana,
permi tindo que algumas vesículas, contendo os neurotransmissores , liberem
seu conteúdo na fenda sináptica, após cada potencial de ação. No caso das
vesículas que armazenam acetilcolina, de 2.000 a 10.000 moléculas do
neurotransmissor estão em cada vesícula, havendo vesículas suficientes no
terminal pré-sináptico para manter a neurotransmissão, promovida por
poucas centenas a 10.000 potenciais de ação.
Ação da Substância Transmissora sobre o Neurônio
Pós-sináptico — Função das “Proteínas Receptoras”
A membrana do neurônio pós-sináptico contém grande número de proteínas
receptoras também mostradas na Figura 46-5A. As moléculas desses
receptores têm dois componentes importantes: (1) o componente de ligação,
que se exterioriza da membrana na fenda sináptica — local onde se liga o
neurotransmissor, vindo do terminal pré-sináptico —; e (2) o componente
intracelular, que atravessa toda a membrana pós-sináptica até alcançar o
interior do neurônio pós-sináptico. A ativação dos receptores controla a
abertura dos canais iônicos na célula pós-sináptica segundo uma de duas
formas seguintes: (1) por controle direto dos canais iônicos para permitir a
passagem de tipos específicos de íons, através da membrana; ou (2)
mediante a ativação de um “segundo mensageiro” que não é canal iônico e,
sim, molécula que, projetando-se para o citoplasma da célula, ativa uma ou mais substâncias localizadas no interior do neurônio pós-sináptico. Esses
segundos mensageiros aumentam ou diminuem determinadas funções
celulares específicas.
Os receptores de neurotransmissores que ativam diretamente os canais
iônicos são designados, em geral, por receptores ionotrópicos, enquanto os
que atuam através de sistemas de segundos mensageiros recebem o nome de
receptores metabotrópicos.
Canais Iônicos. Os canais iônicos na membrana neuronal pós-sináptica
são, em geral, de dois tipos: (1) canais catiônicos que, na maioria das vezes,
permitem a passagem dos íons sódio quando abertos, mas que, por vezes,
deixam passar também íons potássio e/ou cálcio; e (2) canais aniônicos que
permitem a passagem de íons cloreto e também de pequenas quantidades de
outros ânions.
Os canais catiônicos que conduzem os íons sódio são revestidos com
cargas negativas. Essas cargas atraem os íons sódio carregados
positivamente para o canal, quando seu diâmetro aumenta para até
dimensão maior que a do íon sódio hidratado. Entretanto, essas mesmas
cargas negativas repelem os íons cloreto e outros ânions e impedem sua
passagem.
Para canais aniônicos, quando o diâmetro do canal fica grande o bastante,
íons cloreto passam pelo canal até atingirem o lado oposto, enquanto o
fluxo de cátions como sódio, potássio e cálcio está bloqueado
principalmente porque seus íons hidratados são muito grandes para passar
por eles.
Aprenderemos adiante que, quando canais catiônicos se abrem e permitem
a entrada de íons sódio com carga positiva, suas cargas positivas irão, por
sua vez, excitar o neurônio. Portanto, um neurotransmissor que abre os
canais catiônicos é chamado transmissor excitatório. Por sua vez, a abertura
de canais aniônicos permite a passagem de cargas elétricas negativas, o que inibe o neurônio. Desse modo, os neurotransmissores que abrem esses
canais são chamados transmissores inibitórios.
Quando um neurotransmissor ativa o canal iônico, o canal em geral abre
em fração de milissegundos; quando a substância transmissora não está
mais presente, o fechamen to do canal é igualmente rápido. A abertura e o
fe chamento dos canais iônicos são os meios para o controle muito rápido
dos neurônios pós-sinápticos.
Sistema de “Segundos Mensageiros” no Neurônio Pós-sináp‐
tico. Muitas funções do sistema nervoso — por exemplo, o processo da
memória — requerem mudanças prolongadas nos neurônios, com a duração
de segundos a meses após a substância transmissora inicial já se ter
dissipado. Os canais iônicos não são capazes de provocar alterações
prolongadas no neurônio pós-sináptico, porque esses canais se fecham em
milissegundos após a substância transmissora não estar mais presente.
Entretanto, em muitos casos, a excitação ou inibição neuronal pós-sináptica
prolongada é realizada pela ativação do sistema químico de “segundos
mensageiros” no neurônio pós-sináptico, sendo este segundo mensageiro
responsável por provocar o efeito prolongado.
Existem diversos tipos de sistemas de segundos mensageiros. Um dos
tipos mais comuns utiliza o grupo de proteínas chamadas proteínas G. A
Figura 46-7 mostra uma proteína G receptora da membrana. O complexo
de proteínas G inativo está livre no citosol e é formado por guanosina
difosfato (GDP) mais três componentes: o componente alfa (a), que é a
porção ativadora da proteína G, e os componentes beta (b) e gama (g), que
estão ligados ao componente alfa. Enquanto o complexo de proteínas G
estiver ligado ao GDP, ele permanece inativo.
Quando o receptor é ativado por um neurotransmissor, após um impulso
nervoso, o receptor sofre uma mudança conformacional, que deixa exposto
um local de ligação ao complexo de proteínas G, que em seguida se liga a uma porção do receptor que se destaca no interior da célula. Esse processo
permite que a subunidade a libere GDP e, simultaneamente, se ligue a uma
guanosina trifosfato (GTP) ao mesmo tempo que separa as proporções b e g
do complexo. O complexo a-GTP desanexado tem liberdade de movimento
no citoplasma celular e executa uma ou mais de múltiplas funções,
dependendo da característica específica de cada tipo de neurônio. Em
seguida, podem ocorrer as quatro mudanças seguintes, que se ilustram na
Figura 46-7:
1. Abertura de canais iônicos específicos na membrana da célula pós-
sináptica. É apresentado, no canto superior direito da figura, canal de
potássio que se abre em resposta à proteína G; esse canal, em geral,
permanece aberto por tempo prolongado, ao contrário do rápido
fechamento dos canais iônicos ativados diretamente, que não utilizam do
sistema de segundos mensageiros.
2. Ativação do monofosfato de adenosina cíclico (AMPc) ou monofosfato
de guanosina cíclico (GMPc) na célula neuronal. Lembre-se de que
tanto o AMP cíclico quanto o GMP cíclico podem ativar a maquinaria
metabólica muito específica do neurônio e, assim, podem iniciar
qualquer um dos muitos resultados químicos, incluindo as alterações a
longo prazo da estrutura da célula, que, por sua vez, alteram a
excitabilidade do neurônio por longo tempo.
3. Ativação de uma ou mais enzimas intracelulares. A proteína G pode
ativar diretamente uma ou mais enzimas intracelulares. Por sua vez,
essas enzimas podem induzir uma das muitas funções químicas
específicas da célula.
4. Ativação da transcrição gênica. A ativação da transcrição gênica é um
dos efeitos mais importantes da ativação do sistema de segundos
mensageiros, porque a transcrição gênica pode provocar a formação de
novas proteínas pelo neurônio, dessa forma, modificando a sua
maquinaria metabólica ou sua estrutura. Na verdade, sabe-se que as
alterações estruturais dos neurônios, quando ativadas de forma
apropriada, de fato ocorrem especialmente nos processos de memória a
longa duração.
A inativação da proteína G ocorre quando o GTP ligado à subunidade a é
hidrolisado para formar GDP. Essa ação leva a que a subunidade a libere-se
da sua proteína-alvo, o que inativa os sistemas de segundos mensageiros, e
em seguida volta a combinar-se com as subunidades b e g, retornando o
complexo de proteínas G ao seu estado inativo.
Está claro que a ativação dos sistemas de segundos mensageiros no
neurônio, ou dos tipos que envolvem as proteínas G ou outros, é
extremamente importante para modificar as características das respostas a
longo prazo das diferentes vias neuronais. Retornaremos a essa questão em
mais detalhes no Capítulo 58, quando da discussão sobre as funções da
memória do sistema nervoso.
Figura 46-7. Sistema de “segundos mensageiros” em que a substância transmissora de neurônio inicial pode ativar o segundo neurônio mediante, primeiramente, causando uma modificação transformacional no receptor que libera a subunidade alfa (a) ativada da “proteína G” no citoplasma do segundo neurônio. Quatro possíveis efeitos subsequentes à ativação da proteína G são mostrados, incluindo: 1, abertura de canal iônico na membrana do segundo neurônio; 2, ativação de sistema enzimático presente na membrana do neurônio; 3, ativação de sistema enzimático intracelular; e/ou 4, promovendo a transcrição gênica no segundo neurônio. O regresso da proteína G ao estado inativo tem lugar quando a guanosina trifosfato (GTP) ligada à subunidade a é hidrolisada a guanosina difosfato (GDP) e as subunidades b e g voltam a unir-se à subunidade a.
Receptores Excitatórios ou Inibitórios na Membrana
Pós-sináptica
Pela ativação, alguns receptores pós-sinápticos provocam excitação do
neurônio pós-sináptico, e outros causam inibição. A importância da
existência desses dois tipos de receptores, inibitórios e excitatórios, é que dá
dimensão adicional à função nervosa, possibilitando a contenção ou a
excitação das ações neuronais.
Os diferentes mecanismos moleculares e de membrana utilizados por
diversos receptores para induzir excitação ou inibição incluem os seguintes:
Excitação
1. Abertura dos canais de sódio, permitindo o fluxo de gran de número de
cargas elétricas positivas para a cé lula pós-sináptica. Esse evento
celular aumenta o po tencial intracelular da membrana em direção ao po‐
tencial mais positivo, no sentido de atingir o nível do limiar para sua
excitação. Esse é de longe o meio mais generalizado utilizado para
causar excitação.
2. Condução reduzida pelos canais de cloreto ou potássio ou de ambos.
Esse evento diminui a difusão de íons cloreto, com carga negativa para o
neurônio pós-sináptico ou a difusão de íons potássio com carga positiva
para fora da célula. Em ambos os casos, o efeito é o de fazer com que o
potencial interno da membrana mais positivo do que o normal, o que tem
caráter excitatório.
3. Diversas alterações no metabolismo do neurônio pós-sináptico, para
excitar a atividade celular ou em alguns casos, aumentar o número de
receptores de membrana excitatórios, ou diminuir o número de
receptores inibitórios da membrana.
Inibição
1. Abertura dos canais para íon cloreto na membrana neuronal pós-
sináptica. Esse fenômeno permite a rápida difusão dos íons cloreto com
carga negativa do meio extracelular para o interior do neurônio pós-
sináptico, dessa forma, transportando cargas negativas para o interior da
célula e aumentando a negatividade interna, o que tem caráter inibitório.
2. Aumento na condutância dos íons potássio para o exterior dos
neurônios. Esse evento permite que íons positivos se difundam para o
meio extracelular, provo cando aumento da negatividade do lado interno
da membrana do neurônio, o que é inibitório para a célula.
3. Ativação de enzimas receptoras que inibem as funções metabólicas
celulares, promovendo aumento do número de receptores sinápticos
inibitórios, ou diminuindo o número de receptores excitatórios.
SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS QUE ATUAM COMO
TRANSMISSORES SINÁPTICOS
Mais de 50 substâncias químicas foram demonstradas ou sugeridas como
transmissores sinápticos. Diversas delas estão listadas nas Tabelas 46-1 e
46-2, que fornecem dois grupos distintos de transmissores sinápticos. Um
dos grupos se constitui por neurotransmissores com moléculas pequenas e
de ação rápida. O outro é formado por grande número de neuropeptídeos,
de tamanho molecular muito maior e que são em geral de ação muito mais
lenta.
Os neurotransmissores com moléculas pequenas e de ação rápida são os
que induzem as respostas mais agudas do sistema nervoso, como a
transmissão de sinais sensoriais para o encéfalo e dos sinais motores do
encéfalo para os músculos. Os neuropeptídeos, ao contrário, geralmente
provocam ações mais prolongadas, como mudanças a longo prazo do
número de receptores neuronais, abertura ou fechamento por longos
períodos de certos canais iônicos e possivelmente também as mudanças a
longo prazo do número ou dimensão das sinapses.
Tabela 46-1 Neurotransmissores de Moléculas Pequenas e de Ação Rápida
Classe I
Acetilcolina
Classe II: As Aminas
Norepinefrina
Epinefrina
Dopamina
Serotonina
Histamina
Classe III: Aminoácidos
Ácido gama-aminobutírico (GABA)
Glicina
Glutamato
Aspartato
Classe IV
Óxido nítrico (NO)
Tabela 46-2 Neurotransmissores Peptídicos de Ação Lenta ou Fatores de
Crescimento
Hormônios Liberadores Hipotalâmicos
Hormônio liberador de tirotropina
Hormônio liberador do hormônio luteinizante
Somatostatina (fator inibitório do hormônio de crescimento)
Peptídeos Hipofisários
Hormônio adrenocorticotrópico (ACTH)
b-endorfina
Hormônio a-melanócito estimulante
Prolactina
Hormônio luteinizante
Tirotropina
Hormônio de crescimento
Vasopressina
Ocitocina
Peptídeos que Agem no Intestino e no Cérebro
Encefalina leucina
Encefalina metionina
Substância P
Gastrina
Colecistocinina
Peptídeo intestinal vasoativo (VIP)
Fator de crescimento neural
Fator neurotrópico derivado do cérebro
Neurotensina
Insulina
Glucagon
De Outros Tecidos
Angiotensina II
Bradicinina
Carnosina
Peptídeos do sono
Calcitonina Neurotransmissores de Moléculas Pequenas e de Ação
Rápida
Em muitos casos, os neurotransmissores constituídos por pequenas
moléculas são sintetizados no citosol do terminal pré-sináptico e entram nas
vesículas sinápticas situadas no terminal por meio de transporte ativo.
Dessa forma, cada vez que o potencial de ação atinge o terminal pré-
sináptico, poucas vesículas liberam ao mesmo tempo seu neurotransmissor
na fenda sináptica. Esse evento normalmente ocorre em questão de
milissegundos ou menos pelo mecanismo descrito nateriormente. A ação
subsequente desse neurotransmissor de molécula pequena, nos receptores
de membrana do neurônio pós-sináptico, geralmente ocorre também no
período de milissegundos ou menos. Na maioria das vezes, o efeito que o
neurotransmissor provoca é no sentido de aumentar ou diminuir a
condutância dos canais iônicos; exemplo é o aumento da condutância ao
sódio, que provoca excitação, ou a elevação da condutância ao potássio ou
ao cloreto, o que causa inibição.
Reciclagem de Vesículas que Armazenam Neurotransmissores
de Molécula Pequena. As vesículas que armazenam e liberam os
neurotransmissores de molécula pequena são continuamente recicladas e
utilizadas, por vezes, repetidas. Depois de se fundir à membrana sináptica e
se abrir para liberar a substância transmissora, a membrana da vesícula, no
primeiro momento, simplesmente passa a fazer parte da membrana
sináptica. Entretanto, no período de segundos a minutos, a porção da
vesícula aderida à membrana se invagina de volta ao interior do terminal
pré-sináptico e se desprende para formar nova vesícula. Essa membrana
vesicular ainda contém as proteínas enzimáticas apropriadas ou as proteínas
transportadoras necessárias para sintetizar e/ou armazenar a nova substância
transmissora na vesícula.
A acetilcolina é típico neurotransmissor de moléculas pequenas de ação
rápida que obedece aos princípios de síntese e de liberação já citados. Esse
neurotransmissor é sintetizado no terminal pré-sináptico, da acetilcoenzima
A e da colina na presença da enzima colina acetiltransferase. É então
transportado para as vesículas específicas. Quando essas vesículas, em
seguida, liberam a acetilcolina na fenda sináptica durante a transmissão
sináptica neuronal, a acetilcolina é rapidamente hidrolisada a acetato e
colina pela enzima colinesterase, presente no retículo de proteoglicanos,
que preenche o espaço da fenda sináptica. Depois, novamente no terminal
pré-sináptico, as vesículas são recicladas, e a colina é transportada
ativamente de volta ao terminal para ser utilizada mais uma vez na síntese
de nova molécula de acetilcolina.
Características de Alguns Importantes Neurotransmissores de
Molécula Pequena. A acetilcolina é secretada por neurônios em diversas
áreas do sistema nervoso, mas especificamente por (1) terminais das
grandes células piramidais do córtex motor; (2) vários tipos diferentes de
neurônios nos gânglios da base; (3) neurônios motores que inervam os
músculos esqueléticos; (4) neurônios pré-ganglionares do sistema nervoso
autônomo; (5) neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso
parassimpático; e (6) alguns dos neurônios pós-ganglionares do sistema
nervoso simpático. Em muitos casos, a acetilcolina tem efeito excitatório;
entretanto, sabe-se que tem efeitos inibitórios em algumas terminações
nervosas parassimpáticas periféricas, tal como a inibição do coração pelo
nervo vago.
A norepinefrina é secretada por terminais de diversos neurônios, cujos
corpos celulares estão localizados no tronco cerebral e no hipotálamo.
Especificamente, os neurônios secretores de norepinefrina, localizados no
locus ceruleus situado na ponte, enviam fibras nervosas para áreas
encefálicas muito disseminadas do encéfalo auxiliando no controle da atividade geral e na disposição da mente, tal como o aumento do nível de
vigília. Em muitas dessas áreas, a norepinefrina provavelmente se liga a
receptores excitatórios, mas, ao contrário, em poucas áreas liga-se a
receptores inibitórios. A norepinefrina é secretada também pela maioria dos
neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático, onde excita
alguns órgãos e inibe outros.
A dopamina é secretada por neurônios que se originam na substância
negra. Esses neurônios se projetam principalmente para a região estriatal
dos gânglios da base. O efeito da dopamina é em geral inibitório.
A glicina é secretada principalmente nas sinapses da medula espinal.
Acredita-se que sempre atue como neurotransmissor inibitório.
O GABA é secretado por terminais nervosos situados na medula espinal,
no cerebelo, nos gânglios da base e em diversas áreas do córtex. Acredita-se
que tenha sempre efeito inibitório.
O glutamato é secretado por terminais pré-sinápticos, em muitas vias
sensoriais aferentes, assim como em diversas áreas do córtex cerebral. Seu
efeito, provavelmente é sempre excitatório.
A serotonina é secretada por núcleos que se originam na rafe mediana do
tronco cerebral e se projetam para diversas áreas encefálicas e da medula
espinal, especialmente para os cornos dorsais da medula espinal e para o
hipotálamo. A serotonina age como inibidor das vias da dor na medula
espinal, e acredita-se que sua ação inibitória nas regiões superiores do
sistema nervoso auxilie no controle do humor do indivíduo, possivelmente
até mesmo provocando o sono.
O óxido nítrico é especialmente secretado por terminais nervosos em áreas
encefálicas responsáveis pelos comportamentos a longo prazo e pela
memória. Assim, esse sistema de neurotransmissão poderá, futuramente,
explicar algumas funções do comportamento e da memória que até hoje têm
sido um desafio. O óxido nítrico difere dos outros neurotransmissores de pequena molécula por seu mecanismo de formação, no terminal pré-
sináptico, e por sua ação no neurônio pós-sináptico. O óxido nítrico não é
formado e armazenado em vesículas no terminal pré-sináptico, como os
outros neurotransmissores. Na verdade, é sintetizado quase
instantaneamente, conforme sua necessidade, quando se difunde para fora
dos terminais pré-sinápticos, durante segundos, em vez de ser liberado em
embalagens vesiculares. Em seguida, difunde-se para os neurônios pós-
sinápticos adjacentes. No neurônio pós-sináptico, o óxido nítrico, em geral,
não induz grandes alterações do potencial de membrana, mas, na verdade,
modifica as funções metabólicas intracelulares que promovem alterações na
excitabilidade do neurônio por segundos, minutos ou até mesmo por mais
tempo.
Neuropeptídeos
Os neuropeptídeos são sintetizados de outro modo e têm ações que são,
muitas vezes, lentas e muito diferentes das dos neurotransmissores de
molécula pequena. Os neuropeptídeos não são sintetizados no citosol dos
terminais pré-sinápticos. Na verdade, são sintetizados como partes integrais
de grandes moléculas proteicas pelos ribossomos situados do corpo celular
do neurônio.
As moléculas proteicas entram nos espaços internos do retículo
endoplasmático do corpo celular e, subsequen temente, no aparelho de
Golgi, onde passam por duas altera ções: primeira, a proteína formadora de
neuropeptídeo é clivada, por ação enzimática, em fragmentos menores,
sendo alguns deles o próprio neuropeptídeo ou seu precursor. Segunda, o
aparelho de Golgi empacota o neuropeptídeo em vesículas diminutas que
são liberadas no citoplasma. As vesículas são transportadas até as
terminações das fibras nervosas pelo fluxo axônico do citoplasma do
axônio, sendo transportadas em velocidade de apenas alguns centímetros por dia. Por fim, essas vesículas liberam seu conteúdo nos terminais
neuronais em resposta a potenciais de ação da mesma forma que os
neurotransmissores de molécula pequena. Entretanto, a vesícula passa por
autólise e não é reutilizada.
Devido ao método laborioso de formação dos neuropeptídeos, quantidades
bem menores desses são normalmente liberadas em relação às quantidades
liberadas de neurotransmissores de pequena molécula. Essa diferença é
parcialmente compensada pelo fato de que os neuropeptídeos têm, em geral,
potência de mil vezes ou maior da que os neurotransmissores de molécula
pequena. Outra característica importante dos neuropeptídeos é que eles, por
vezes, provocam ações muito mais prolongadas. Algumas dessas ações
incluem o fechamento prolongado dos canais de cálcio, mudanças por longo
tempo na maquinaria metabólica celular, alterações prolongadas na ativação
ou desativação de genes específicos, no núcleo celular, e/ou mudanças por
longo tempo no número de receptores excitatórios ou inibitórios. Alguns
desses efeitos duram dias, mas outros, possivelmente, por meses ou anos. O
conhecimento sobre as funções dos neuropeptídeos está apenas começando
a se desenvolver.
EVENTOS ELÉTRICOS DURANTE A EXCITAÇÃO
NEURONAL
Os eventos elétricos na excitação neuronal têm sido estudados
especialmente, nos grandes neurônios motores dos cornos anteriores da
medula espinal. Portanto, os eventos, descritos nas seções subsequentes, se
referem essencialmente a esses neurônios. Excetuando-se as diferenças
quantitativas, esses eventos se aplicam à maioria dos neurônios do sistema
nervoso.
Potencial de Repouso da Membrana do Corpo Celular do
Neurônio. A Figura 46-8 esquematiza o corpo celular do neurônio motor
espinal, indicando um potencial de repouso da membrana em torno de −65
milivolts. Esse potencial de membrana em repouso é menos negativo do
que os −90 milivolts, encontrados nas grandes fibras nervosas periféricas e
nas fibras de músculo esquelético; a voltagem mais baixa é importante
porque permite o controle, tanto positivo quanto negativo do grau de
excitabilidade do neurônio, ou seja, a diminuição da voltagem para valor
menos negativo torna a membrana do neurônio mais excitável, enquanto o
aumento dessa voltagem para valor mais negativo torna o neurônio menos
excitável. Esse mecanismo é a base para as duas funções do neurônio —
tanto excitação como inibição — como explicado em detalhe nas seções a
seguir.
Figura 46-8. Distribuição dos íons sódio, potássio e cloreto através da membrana do corpo celular neuronal; origem do potencial de membrana intrassomático.
Diferenças de Concentração dos Íons através da Membrana do
Corpo Celular do Neurônio. A Figura 46-8 também aponta as
diferenças entre as concentrações de três íons, através da membrana do
corpo celular do neurônio que são os mais importantes para a função do
neurônio: íons sódio, íons potássio e íons cloreto. Na parte superior da
figura, a concentração dos íons sódio é mostrada como sendo alta no
líquido extracelular (142 mEq/L), porém baixa no neurônio (14 mEq/L). O
gradiente de concentração de sódio é produzido por bomba de sódio
poderosa, presente na membrana do corpo celular (somático), que
continuamente lança o sódio para fora do neurônio.
A Figura 46-8 também mostra que a concentração do íon potássio é alta
no corpo celular do neurônio (120 mEq/L) mas baixa no líquido
extracelular (4,5 mEq/L). Além disso, evidencia a existência da bomba de
potássio (a outra metade da bomba de Na+ +-K), que bombeia potássio para
o interior do neurônio.
A Figura 46-8 mostra que o íon cloreto está em alta concentração no
líquido extracelular, porém em baixa concentração no neurônio. A
membrana pode ser, de certa maneira, muito permeável aos íons cloreto e
deve existir fraca bomba de cloreto. Contudo, a razão principal para a baixa
concentração dos íons cloreto no neurônio é o potencial de −65 milivolts da
célula, isto é, essa voltagem negativa repele os íons cloreto com carga
negativa, forçando-os para fora através dos canais até que a concentração
seja bem menor na face interna da membrana do que na externa.
Relembremos, dos Capítulos 4 e 5, que o potencial elétrico através da
membrana celular pode se opor aos movimentos dos íons através dessa
membrana, se o potencial tiver polaridade e magnitude apropriadas. O
potencial que se opõe exatamente ao movimento de um íon é chamado
potencial de Nernst para esse íon, que está representado pela seguinte
equação:
em que FEM (força eletromotriz) é o potencial de Nernst, em milivolts, da
face interna da membrana. O potencial será negativo (−) para íons
positivos, e positivo (+) para íons negativos.
Agora, pode-se calcular o potencial de Nernst que irá se opor de forma
precisa ao movimento de cada um dos três íons separadamente: sódio,
potássio e cloreto.
Para a diferença da concentração de sódio, mostrada na Figura 46-8, que
é de 142 mEq/L no exterior e de 14 mEq/L no interior, o potencial de
membrana que irá se opor exatamente ao movimento dos íons sódio através
dos canais de sódio é de +61 milivolts. Entretanto, o potencial de membrana
real é de + − 65 milivolts, e não de 61 milivolts. Portanto, os íons sódio que
vazam para o interior são imediatamente bombeados de volta para o
exterior pela bomba de sódio, mantendo assim o potencial negativo de −65
milivolts do neurônio.
Para os íons potássio, o gradiente de concentração é de 120 mEq/L no
neurônio e de 4,5 mEq/L fora do neurônio. Esse gradiente de concentração
resulta em potencial de Nernst de −86 milivolts no interior do neurônio que
é mais negativo do que os −65 milivolts que realmente existem. Portanto,
por causa da alta concentração intracelular de potássio, existe tendência
efetiva dos íons potássio se difundirem para fora do neurônio, mas esse
efeito é contrabalançado pelo bombeamento contínuo dos íons potássio para
o interior da célula.
Finalmente, o gradiente do íon cloreto, com 107 mEq/L no meio
extracelular e 8 mEq/L no meio intracelular, gera potencial de Nernst de
−70 milivolts no interior do neurônio, o que é apenas ligeiramente mais
negativo do que o valor real medido de −65 milivolts. Portanto, os íons
cloreto tendem a penetrar com pequena intensidade no interior do neurônio, mas esses poucos íons que penetram são lançados para fora, possivelmente
por bomba ativa de cloreto.
Mantenha esses três potenciais de Nernst em mente e lembre-se das
direções em que os diferentes íons tendem a se difundir, porque essa
informação é importante para o entendimento, tanto da excitação, como da
inibição neuronal, por ativação ou inativação dos canais iônicos nas‐
sinapses.
Distribuição Uniforme do Potencial Elétrico Dentro do Corpo
Celular. O interior do corpo celular do neurônio contém solução
eletrolítica de alta condutividade, o líquido intracelular do neurônio. Além
disso, o diâmetro do corpo celular do neurônio é grande (de 10 a 80
micrômetros) e assim não oferece quase nenhuma resistência à condução da
corrente elétrica de uma região do interior do corpo celular para outra.
Portanto, qualquer alteração do potencial, em qualquer parte do corpo
celular, induz à alteração quase precisamente igual do potencial, em todos
os outros pontos do corpo celular (isto é, enquanto o neurônio não estiver
transmitindo um potencial de ação). Esse é um princípio importante por ter
participação central na “somação” dos sinais que chegam ao neurônio
provenientes de múltiplas fontes, como veremos nas seções subsequentes
deste Capítulo.
Efeito da Excitação Sináptica na Membrana Pós-sináptica —
Potencial Excitatório Pós-sináptico. A Figura 46-9Amostra
neurônio em repouso, com um terminal pré-sináptico não excitado fazendo
sinapse sobre sua superfície celular. O potencial de repouso da membrana,
em qualquer ponto do corpo celular, é de −65 milivolts.
A Figura 46-9B mostra terminal pré-sináptico que secretou
neurotransmissor excitatório na fenda sináptica entre o terminal e a
membrana do corpo celular do neurônio. Esse neurotransmissor age sobre receptor excitatório de membrana, aumentando a permeabilidade da
membrana ao Na+. Devido ao grande gradiente de concentração e à
acentuada negatividade elétrica no neurônio, os íons sódio se difundem
rapidamente para a célula.
O rápido influxo dos íons sódio com carga positiva para o interior da
célula neutraliza parte da negatividade do potencial de repouso da
membrana. Dessa forma, na Figura 46-9B, o potencial de repouso da
membrana aumentou para valor mais positivo, de −65 para −45 milivolts.
Esse aumento positivo da voltagem do potencial normal da membrana em
repouso — ou seja, para valor menos negativo — é chamado potencial pós-
sináptico excitatório (PPSE), porque se esse potencial aumentar até o limiar
na direção positiva irá provocar potencial de ação no neurônio pós-sináptico
e, dessa forma, o excitando. (Nesse caso, o PPSE é de +20 milivolts — isto
é, 20 milivolts mais positivo do que o valor de repouso.)
A descarga de terminal pré-sináptico único jamais induzirá aumento do
potencial neuronal de −65 milivolts diretamente para −45 milivolts.
Elevação dessa magnitude requer descarga simultânea de vários terminais
— de 40 a 80 para o neurônio motor típico — ao mesmo tempo ou em
rápida sucessão. Essa descarga simultânea ocorre por meio do processo
chamado somação, que é discutido nas próximas seções.
Figura 46-9. Três estados do neurônio. A, Neurônio em repouso, com potencial intraneuronal normal de −65 milivolts. B, Neurônio no estado excitado, com potencial intraneuronal menos negativo (−45 milivolts), ocasionado pelo influxo de sódio. C, Neurônio no estado inibido, com potencial intraneuronal mais negativo (−70 milivolts), ocasionado pelo efluxo do íon potássio, pelo influxo do íon cloreto, ou por ambos.
Geração do Potencial de Ação no Segmento Inicial do Axônio
ao Emergir do Neurônio — Limiar de Excitação. Quando o PPSE
aumenta o suficiente na direção positiva, passa por valor em que ele
deflagra o potencial de ação no neurônio. Entretanto, o potencial de ação
não se inicia nas regiões adjacentes às sinapses excitatórias. De fato, o potencial é deflagrado no segmento inicial do axônio, ponto em que o
axônio emerge do corpo celular. A principal razão para que o potencial de
ação tenha origem nessa região é que o corpo celular tem relativamente
poucos canais para sódio dependentes de voltagem, em sua membrana, o
que torna difícil que o PPSE promova a abertura de quantidade de canais de
sódio necessária para disparar o potencial de ação. Ao contrário, a
membrana do segmento inicial tem concentração sete vezes maior de canais
para sódio dependentes de voltagem do que o corpo celular e, assim, pode
gerar o potencial de ação com muito mais facilidade do que a soma
neuronal. O PPSE que irá produzir o potencial de ação no segmento inicial
do axônio fica entre + + + 10 e 20 milivolts, em contraste com os valores de 30
ou +40 milivolts (ou mais) necessários para que o mesmo ocorra no corpo
celular.
Uma vez disparado o potencial de ação, ele se propaga na direção
periférica ao longo do axônio e, normalmente, também de modo retrógrado
em direção ao corpo celular. Em alguns casos, o potencial se propaga
também retrogradamente pelos dendritos, mas não em todos eles, porque os
dendritos, assim como o corpo celular, têm poucos canais para sódio
dependentes de voltagem e desse modo com frequência não são capazes de
gerar potenciais de ação. Assim, na Figura 46-9B, está apresentado o
limiar para a excitação do neurônio, em torno de −45 milivolts, que
representa PPSE de +20 milivolts — ou seja, 20 milivolts mais positivo do
que o potencial de repouso normal do neurônio, de −65 milivolts.
EVENTOS ELÉTRICOS DURANTE A INIBIÇÃO
NEURONAL
Efeito das Sinapses Inibitórias sobre a Membrana Pós-sináptica
— Potencial Inibitório Pós-sináptico. As sinapses inibitórias
promovem principalmente a abertura de canais de cloreto, permitindo a passagem com facilidade dos íons cloreto. Para entendermos como as
sinapses inibitórias inibem o neurônio pós-sináptico, devemos relembrar o
que aprendemos do potencial de Nernst para os íons cloreto. O potencial de
Nernst para os íons cloreto foi calculado em torno de −70 milivolts. Esse
potencial é mais negativo do que os −65 milivolts presentes, nas condições
de repouso, do lado interno da membrana neuronal. Portanto, a abertura dos
canais para cloreto irá permitir que os íons cloreto com carga negativa se
movam do líquido extracelular para o intracelular, o que tornará o potencial
de membrana no interior do neurônio mais negativo que o normal,
aproximando-se do valor de −70 milivolts.
A abertura dos canais para potássio vai permitir que os íons potássio com
carga positiva se dirijam para o exterior, o que tornará o potencial de
membrana no interior do neurônio mais negativo do que o normal. Dessa
forma, tanto o influxo do cloreto quanto o efluxo do potássio aumentam o
grau de negatividade intracelular, o que é chamado hiperpolarização. Esse
aumento inibe o neurônio por estar o potencial de membrana ainda mais
negativo do que o potencial intracelular normal. Assim, o aumento na
negatividade para além do nível do potencial de membrana normal, no
estado de repouso, é chamado potencial inibitório pós-sináptico (PPSI).
A Figura 46-9C mostra o efeito causado pela ativação de sinapses
inibitórias no potencial de membrana, permitindo o influxo de cloreto para
a célula e/ou o efluxo de potássio para fora da célula, com o potencial de
membrana diminuindo do valor normal de −65 milivolts para valor mais
negativo de −70 milivolts. Tal potencial de membrana é 5 milivolts mais
negativo do que o normal, e é portanto o PIPS de −5 milivolts que inibe a
transmissão do sinal neural pela sinapse.
Inibição Pré-sináptica Além da inibição causada por sinapses inibitórias que operam na membrana
neuronal, que é chamada inibição pós-sináptica, outro tipo de inibição
ocorre, com frequência, nos terminais pré-sinápticos antes mesmo que o
sinal neural chegue à sinapse. Esse tipo de inibição é chamado inibição pré-
sináptica.
A inibição pré-sináptica é causada pela liberação de substância inibitória
nos terminais nervosos pré-sinápticos, antes mesmo que esses terminais
atinjam o neurônio pós-sináptico. Na maioria das vezes, o neurotransmissor
inibitório é o GABA. Essa liberação tem efeito específico, que é o de abrir
canais aniônicos permitindo a difusão de grande número de íons cloreto
para o terminal nervoso. As cargas negativas desses íons inibem a
transmissão sináptica porque cancelam boa parte do efeito excitatório dos
íons sódio com carga positiva que também entram nos terminais quando da
chegada do potencial de ação.
A inibição pré-sináptica ocorre em muitas vias sensoriais no sistema
nervoso. Na verdade, fibras nervosas sensoriais adja centes, que com grande
frequência inibem mutuamente umas às outras, o que minimiza a dispersão
lateral e a mistura de sinais nos tratos sensoriais. Discutiremos a
importância desses fenômenos de maneira mais aprofundada nos Capítulos
subsequentes.
Curso Temporal dos Potenciais Pós-sinápticos
Quando a sinapse excitatória excita o neurônio motor, a membrana neuronal
fica muito permeável aos íons sódio por um período de 1 a 2 milissegundos.
Durante esse curto espaço de tempo, uma quantidade suficiente de íons
sódio se difunde rapidamente para o interior do neurônio motor,
aumentando seu potencial intraneuronal por alguns milivolts e criando,
assim, o PPSE, representado pelas curvas azuis e verdes da Figura 46-10.
Esse potencial então lentamente diminui nos 15 milissegundos subsequentes, por ser esse o tempo necessário para que o excesso de cargas
positivas saia do neurônio excitado e também para que se restabeleça o
potencial de repouso normal da membrana.
Efeito exatamente oposto ocorre para o PPSI; ou seja, a sinapse inibitória
aumenta a permeabilidade da membrana para os íons potássio ou cloreto ou
até mesmo para ambos, por um período de 1 a 2 milissegundos, e esse
evento provoca a diminuição do potencial de membrana para valor mais
negativo do que o normal, gerando, dessa maneira, o PPSI. Tal potencial
também desaparece em aproxima damente 15 milissegundos.
Outros tipos de substâncias transmissoras podem excitar ou inibir o
neurônio pós-sináptico por períodos muito mais longos — por centenas de
milissegundos ou até mesmo por segundos, minutos ou horas. Isto é,
especialmente, verdadeiro para neuropeptídeos transmissores.
Figura 46-10. Representação de potenciais pós-sinápticos excitatórios, onde pode ser observado que o disparo simultâneo de apenas algumas sinapses não vai causar a somação dos potenciais, de modo suficiente para gerar o potencial de ação, mas que o disparo simultâneo de muitas sinapses pode elevar o potencial de somação até o limiar para a excitação e provocar, desse modo, o potencial de ação.
“Somação Espacial” nos Neurônios — Limiar de Disparo
A excitação de um só terminal pré-sináptico sobre a superfície do neurônio
quase nunca excita a célula. A razão desse fenômeno se deve ao fato de que
a quantidade de substância transmissora liberada por um só terminal para
provocar o PPSE é normalmente de valor não superior à faixa de 0,5 a 1
milivolt, em vez do potencial de 10 a 20 milivolts necessário, em geral, para
atingir o limiar de excitação.
Entretanto, diversos terminais pré-sinápticos costumam ser estimulados ao
mesmo tempo. Embora esses terminais estejam distribuídos por amplas e
distantes áreas no neurônio, seus efeitos ainda podem ser somados; ou seja,
os potenciais podem se somar a outros, até que a excitação neuronal ocorra.
Já foi salientado nateriormente que a alteração do potencial, em qualquer
ponto isolado do corpo celular, alterará o potencial em qualquer local do
corpo celular quase do mesmo modo. Esse efeito ocorre porque a
condutividade elétrica no grande corpo celular neuronal é muito alta.
Portanto, para cada sinapse excitatória que dispara simulta neamente, o
potencial de membrana total fica mais positivo por 0,5 a 1,0 milivolt.
Quando o PPSE se torna grande o su fici ente, o limiar de disparo será
alcançado e o potencial de ação vai ser gerado espontaneamente no
segmento inicial do axônio, como demonstrado na Figura 46-10. O
potencial pós-sináptico da parte inferior da figura é resultado da estimu‐
lação simultânea de quatro sinapses; o próximo potencial mais alto foi
induzido pela estimulação de oito sinapses; finalmente, PPSE ainda maior
foi gerado pela estimulação de 16 sinapses. Nesse último caso, o limiar de
disparo foi alcançado e o potencial de ação foi então gerado no axônio.
Esse efeito de somação dos potenciais pós-sinápticos simultâneos pela
ativação de múltiplos terminais em áreas muito espaçadas na membrana
neuronal é chamado somação espacial.
“Somação Temporal” Causada por Descargas
Sucessivas de um Terminal Pré-sináptico
Todas as vezes que o terminal pré-sináptico dispara, a substância
transmissora liberada promove a abertura dos canais de membrana por
milissegundo ou pouco mais. Entretanto, o potencial pós-sináptico
modificado pode durar até 15 milissegundos depois dos canais de
membrana já terem se fechado. Portanto, a segunda abertura desses canais
pode aumentar o potencial pós-sináptico até um nível ainda maior. Além
disso, quanto mais rápida a velocidade de estimulação, maior será o
potencial pós-sináptico. Assim, descargas sucessivas de um só terminal pré-
sináptico, se ocorrerem com rapidez suficiente, podem ser adicionadas
umas às outras; ou seja, podem se “somar”. Esse tipo de somação é referido
como somação temporal.
Somação Simultânea dos Potenciais Pós-sinápticos Inibitórios
e Excitatórios. Se o PPSI tender a promover valor menor do potencial de
membrana para valor mais negativo, enquanto o PPSE tende a aumentar o
potencial ao mesmo tempo, esses dois efeitos podem se anular completa ou
parcialmente. Assim, se o neurônio estiver sendo excitado por PPSE, sinal
inibitório, vindo de outra fonte, pode, por vezes, reduzir o potencial pós-
sináptico para valor abaixo do limiar de excitação, e, desse modo, desativar
a atividade do neurônio.
“Facilitação” dos Neurônios
Geralmente, a somação dos potenciais pós-sinápticos é excitatória, mas não
se aumenta até o ponto de atingir o limiar para o disparo do neurônio pós-
sináptico. Quando essa situação ocorre, diz-se que o neurônio está sendo
facilitado, ou seja, seu potencial de membrana está mais próximo do limiar
de disparo do que o normal, mas ainda não no nível do disparo. Consequentemente, outro sinal excitatório que chegue ao neurônio de
alguma outra fonte pode então excitá-lo muito facilmente. Sinais difusos no
sistema nervoso frequentemente facilitam grandes grupos de neurônios,
fazendo com que eles possam responder de modo rápido e fácil a sinais
vindos de outras fontes.
FUNÇÕES ESPECIAIS DOS DENDRITOS NA EXCITAÇÃO
NEURONAL
Amplo Campo Espacial de Excitação dos Dendritos. Os dendritos
de neurônios motores anteriores em geral se estendem por 500 a 1.000
micrômetros em todas as direções do corpo celular, e esses dendritos podem
receber sinais de ampla área espacial em torno do neurônio motor. Essa
característica possibilita uma grande oportunidade para a somação de sinais
de diversas fibras nervosas pré-sinápticas distintas.
É também importante ressaltar que de 80% a 95% de todos os terminais
pré-sinápticos do neurônio motor anterior terminam nos dendritos, em
contraste apenas com os 5% a 20% que terminam no corpo celular. Dessa
forma, grande compartilhamento da excitação é possibilitado pelos sinais
transmitidos pelos dendritos.
A Maioria dos Dendritos não Pode Transmitir Potenciais de
Ação, mas Pode Transmitir Sinais no Mesmo Neurônio por
Condução Eletrotônica. A maioria dos dendritos não transmite
potenciais de ação, por terem relativamente poucos canais de sódio
dependentes de voltagem em suas membranas e o seu limiar de excitação
ser alto demais para que ocorram potenciais de ação. No entanto, eles
transmitem correntes eletrotônicas pelos dendritos, em direção ao corpo
celular. A transmissão de corrente eletrotônica significa a propagação direta
da corrente elétrica por condução iônica, nos líquidos dos dendritos, mas sem a geração de potenciais de ação. A estimulação (ou inibição) do
neurônio por essa corrente tem características especiais, como mostrado na
seção seguinte.
Decremento da Condução Eletrotônica nos Dendritos — Maior
Efeito Excitatório (ou Inibitório) das Sinapses Localizadas nas
Proximidades do Corpo Celular. Na Figura 46-11 são mostradas
múltiplas sinapses excitatórias e inibitórias estimulando os dendritos do
neurônio. Nos dois dendritos, localizados à esquerda, estão representados os
efeitos excitatórios que ocorrem próximos à extremidade; observe os altos
níveis dos PPSE nessas terminações — isto é, note os potenciais de
membrana menos negativos nesses pontos. No entanto, grande parte do
PPSE é perdida antes que atinja o corpo celular. A razão dessa perda
importante é que os dendritos são longos e suas membranas são delgadas e,
ao menos, parcialmente permeáveis aos íons potássio e cloreto, provocando
“vazamento” da corrente elétrica. Portanto, antes que os potenciais
excitatórios possam atingir o corpo celular, grande parte do potencial é
perdida pelo vazamento através da membrana. Essa redução do potencial de
membrana, à medida que se propaga eletrotonicamente pelos dendritos em
direção ao corpo celular, é chamada condução decremental.
Quanto mais longe a sinapse excitatória estiver do corpo celular do
neurônio, maior será o decremento e menor será o sinal excitatório que
chega ao corpo celular. Desse modo, as sinapses que se localizam próximas
ao corpo celular são de longe mais eficazes para causar excitação ou
inibição no neurônio do que as que se encontram distantes do corpo celular.
Figura 46-11. Estimulação do neurônio por terminações pré-sinápticas localizadas nos dendritos, em que se pode observar especialmente o decremento da condução de potenciais eletrotônicos excitatórios (E) nos dois dendritos, à esquerda, e a inibição (I) da excitação dendrítica no dendrito localizado na parte superior. Também é mostrado o potente efeito das sinapses inibitórias no segmento inicial do axônio.
Somação da Excitação e da Inibição nos Dendritos. Pode-se notar
que o dendrito localizado na parte superior da Figura 46-11 é estimulado
por sinapses excitatórias e inibitórias. Na extremidade do dendrito ocorre
forte PPSE, mas próximo ao corpo celular, estão localizadas duas sinapses‐
inibitórias atuando no mesmo dendrito. As sinapses inibi tó rias causam
voltagem hiperpolarizante que anula completamente o efeito excitatório e,
de fato, transmite pequena quantidade de inibição por condução eletrotônica
em direção ao corpo celular. Desse modo, os dendritos podem somar os
potenciais pós-sinápticos excitatórios e inibitórios, da mesma forma que o
corpo celular. Também mostradas na figura, estão algumas sinapses
inibitórias localizadas diretamen te no cone de implantação e no segmento inicial do axônio. Essa localização produz inibição especialmente potente
porque tem efeito direto do aumento do limiar para excitação no ponto
exato onde o potencial de ação é normalmente gerado.
RELAÇÃO ENTRE ESTADO DE EXCITAÇÃO DO
NEURÔNIO E FREQUÊNCIA DE DISPARO
O “Estado Excitatório” é a Somação dos Graus de Impulsos
Excitadores ao Neurônio. O “estado excitatório” do neurônio é
definido como o impulso excitatório re sultan te da somação dos potenciais
excitatórios e inibitórios nesse neurônio. Se existe grau maior de excitação
do que de inibição no neurônio em dado instante, então se diz que esse é um
estado excitatório. Por sua vez, se existe mais inibição que excitação, então
se diz estado inibitório.
Quando o estado excitatório do neurônio aumenta acima do limiar de
excitação, o neurônio disparará repetitivamente durante o tempo em que o
estado excitatório permanecer nesse nível. A Figura 46-12 mostra as
respostas de três tipos de neurônios a vários níveis do estado excitatório.
Note que o neurônio 1 tem baixo limiar para excitação, enquanto o neurônio
3 tem limiar alto. Note também que o neurônio 2 tem a menor frequência
máxima de disparo, enquanto o neurônio 3 tem a maior frequência máxima.
Alguns neurônios no sistema nervoso central disparam continuamente,
porque mesmo o estado excitatório normal está acima do limiar. Suas
frequências de disparo podem, em geral, ser ainda mais elevadas pelo
aumento de seu estado excitatório. A frequência pode ser diminuída ou,
mesmo, os disparos serem interrompidos pela superposição de estado
inibitório do neurônio. Assim, neurônios diferentes respondem de modo
distinto, têm diferentes limiares de excitação e apresentam grandes
diferenças nas frequências máximas de disparo. Com um pouco de
imaginação, pode-se facilmente entender a importância de existirem diferentes neurônios, com muitos tipos diferentes característicos de