Tratado de Fisiologia Médica
O Código do DNA no Núcleo Celular é Transferido para o Código de RNA, no Citoplasma Celular — o Processo de Transcrição
sintetizada pela célula. Observe que, na Figura 3-6, a fita superior de DNA,
lendo-se da esquerda para a direita, temos código genético GGC, AGA,
CTT, com os tripletos sendo separados, uns dos outros, pelas setas.
Seguindo-se esse código genético, nas Figuras 3-7 e 3-8, vê-se que esses
três tripletos são, respectivamente, responsáveis pela inserção sucessiva dos
três aminoácidos — prolina, serina e ácido glutâmico — na molécula de
proteína em formação.
Figura 3-7. Combinação de nucleotídeos da ribose com fita de DNA para formar molécula de RNA que carrega o código genético do gene para o citoplasma. A enzima RNA polimerase se move ao longo da fita de DNA e forma a molécula de RNA.
O CÓDIGO DO DNA NO NÚCLEO CELULAR É
TRANSFERIDO PARA O CÓDIGO DE RNA, NO
CITOPLASMA CELULAR — O PROCESSO DE
TRANSCRIÇÃO
Pelo fato de o DNA estar localizado no núcleo da célula e a maioria das
funções da célula ser realizada no citoplasma, deve haver algum modo pelo
qual os genes do núcleo controlem as reações químicas do citoplasma. Esse controle envolve a intermediação de outro tipo de ácido nucleico, o RNA,
cuja formação é controlada pelo DNA do núcleo. Como mostra a Figura 3-
7, o código é transferido para o RNA; esse processo é chamado transcrição.
O RNA, por sua vez, se difunde do núcleo através dos poros nucleares para
o compartimento citoplasmático, onde controla a síntese de proteínas.
O RNA É SINTETIZADO NO NÚCLEO A PARTIR DE UM
MOLDE DE DNA
Durante a síntese do RNA, as duas fitas da molécula de DNA se separam
temporariamente; uma das fitas é usada como molde para a síntese da
molécula de RNA. Os tripletos de código no DNA são transcritos para
tripletos do código complementar (chamados códons) no RNA. Esses
códons, por sua vez, controlarão a sequência de aminoácidos na proteína a
ser sintetizada no citoplasma celular.
Blocos Básicos de Construção de RNA. Os blocos básicos de
construção do RNA são praticamente os mesmos dos de DNA, exceto por
duas diferenças. A primeira é que o açúcar desoxirribose não é usado na
formação do RNA. Em seu lugar está outro açúcar, de composição
ligeiramente diferente, a ribose, que contém íon hidroxila adicional ligado à
estrutura do anel de ribose. A segunda é que a timina é substituída por outra
pirimidina, a uracila.
Formação dos Nucleotídeos de RNA. Os blocos básicos da
construção de RNA formam nucleotídeos de RNA, exatamente como
descrito antes para a síntese de DNA. Aí novamente quatro nucleotídeos
distintos são usados na formação do RNA. Esses nucleotídeos contêm as
bases adenina, guanina, citosina e uracila. Observe que são as mesmas
bases do DNA, exceto pela uracila no RNA e a timina no DNA.
“Ativação” dos Nucleotídeos de RNA. O próximo passo na síntese do
RNA é a “ativação” dos nucleotídeos de RNA por uma enzima, a RNA
polimerase. Essa ativação ocorre pela adição de dois radicais de fosfato
extra para cada nucleo tídeo, para formar trifosfatos (mostrados na Figura 3-
7 pelos dois nucleotídeos de RNA na extremidade direita, durante a
formação da cadeia de RNA). Estes últimos dois fosfatos combinam-se com
o nucleotídeo por ligações de fosfato de alta energia, derivadas do ATP da
célula.
O resultado desse processo de ativação é que grandes quantidades de
energia do ATP estão disponíveis em cada nucleotídeo. Essa energia é usada
para promover as reações químicas que adicionam cada novo nucleotídeo
ao final da cadeia de RNA.
MONTAGEM DA CADEIA DE RNA COM OS
NUCLEOTÍDEOS ATIVADOS USANDO A FITA DE DNA
COMO MOLDE — O PROCESSO DE TRANSCRIÇÃO
Como mostrado na Figura 3-7, a montagem da molécula de RNA se dá sob
a influência de uma enzima, a RNA polimerase. Ela é uma proteína grande
que tem muitas das propriedades funcionais necessárias para a formação da
molécula de RNA. São elas:
1. Na fita de DNA, no início de cada gene que será transcrito, há uma
sequência de nucleotídeos chamada promotor. A RNA polimerase tem
estrutura complementar apropriada, que reconhece esse promotor e se
liga a ele. Esse é o passo essencial para se iniciar a formação da
molécula de RNA.
2. Após se ligar ao promotor, a RNA polimerase provoca o
desenrolamento de cerca de duas voltas da hélice de DNA e a separação,
na região desenrolada, das duas fitas.
3. Então, a polimerase se move ao longo da fita de DNA, desenrolando
temporariamente e separando as duas fitas de DNA a cada etapa de seu
movimento. Conforme cada estágio do movimento, a polimerase
adiciona novo nucleotídeo ativado ao final da cadeia de RNA em
formação, segundo os seguintes passos:
a. Primeiro, ela forma a ponte de hidrogênio entre a base final no
filamento de DNA e a base do nucleo tídeo de RNA no nucleoplasma.
b. Então, um por vez, a RNA polimerase cliva dois dos três radicais de
fosfato de cada um dos nucleo tídeos de RNA, liberando grande
quantidade de energia das ligações de fosfato; essa energia é usada para
formar a ligação covalente entre o fosfato restante no nucleotídeo e a
ribose no final da cadeia de RNA em formação.
c. Quando a RNA polimerase atinge o fim do gene de DNA, ela encontra
nova sequência de nucleotídeos de DNA chamada sequência de
terminação de cadeia; esta faz com que a polimerase e a recém-
formada cadeia de RNA se separem da fita de DNA. A polimerase,
então, pode ser reutilizada, sucessivamente, para formar outras cadeias
de RNA.
d. Conforme o novo filamento de RNA é formado, as fracas pontes de
hidrogênio com a fita de DNA se rompem, pois o DNA tem grande
afinidade para se religar à fita complementar de DNA. Assim, a cadeia
de RNA se solta do DNA e é liberada no nucleoplasma.
Dessa forma, o código presente no filamento de DNA é transmitido de
forma complementar para a cadeia de RNA. As bases de nucleotídeos de
ribose sempre se combinam com as bases de desoxirribose como se segue:
Base no DNA Base no RNA
guanina citosina
citosina guanina
adenina uracila
timina adenina
Vários Tipos Diferentes de RNA. Conforme os avanços em pesquisas
sobre o RNA, foram descobertos muitos tipos de RNA diferentes. Alguns
tipos de RNA estão envolvidos na síntese de proteínas, ao passo que outros
tipos atuam com funções reguladoras dos genes ou estão envolvidos na
modificação pós-transcricional do RNA. As funções de alguns tipos de
RNA, principalmente daqueles que não parecem codificar proteínas, ainda
são enigmáticas. Os seguintes seis tipos diferentes de RNA realizam
funções distintas e independentes na síntese de proteínas:
1. RNA mensageiro precursor (pré-mRNA), é uma grande e imatura fita
única de RNA que é processada no núcleo para formar RNA mensageiro
(mRNA) maduro. O pré-RNA inclui dois tipos diferentes de segmentos
denominados íntrons, que são removidos por um processo que recebe o
nome de splicing, e éxons, que se conservam no mRNA final.
2. RNA nuclear pequeno (npRNA), que dirige o splicing de pré-mRNA
para formar mRNA.
3. RNA mensageiro (mRNA) que leva o código genético para o citoplasma,
para controlar o tipo de proteína formada.
4. RNA de transferência (tRNA) que transporta os aminoácidos ativados
para os ribossomos; os aminoácidos serão utilizados na montagem da
molécula de proteína.
5. RNA ribossômico que, com cerca de 75 proteínas diferentes, forma os
ribossomos, as estruturas físicas e químicas nas quais as moléculas de
proteína são formadas.
6. MicroRNA (miRNA) que são moléculas de fita única de RNA de 21 a
23 nucleotídeos que regulam a transcrição gênica e a tradução.
RNA MENSAGEIRO — OS CÓDONS
As moléculas de RNA mensageiro são longas fitas únicas de RNA,
localizadas no citoplasma. Essas moléculas são compostas de várias
centenas a vários milhares de nucleotídeos de RNA em fitas não pareadas, e
contêm códons que são exatamente complementares aos tripletos de código
dos genes de DNA. A Figura 3-8 mostra um pequeno segmento de mRNA.
Seus códons são CCG, UCU e GAA. Esses são os códons para os
aminoácidos prolina, serina e ácido glutâmico. A transcrição desses códons
da molécula de DNA para a molécula de RNA é demonstrada na Figura 3-
7.
Figura 3-8. Parte de uma molécula de RNA mostrando três “códons” de RNA — CCG, UCU e GAA — que controlam a inserção dos aminoácidos prolina, serina e ácido glutâmico, respectivamente, à cadeia de RNA em formação.
Códons de RNA para os Diferentes Aminoácidos. A Tabela 3-
1 lista os códons de RNA para os 22 aminoácidos que formam as moléculas
de proteína. Observe que a maioria dos aminoácidos é representada por
mais de um códon; um dos códons corresponde ao sinal “comece a fabricar
a molécula de proteína”, e três códons representam a mensagem “pare de
produzir a molécula de proteína”. Na Tabela 3-1, esses dois tipos de códons
são chamados IC, que significa códon de “iniciação de cadeia” ou “início”,
e TC, que significa códon de “término de cadeia” ou “término”.
Tabela 3-1 Códons de RNA para Aminoácidos, para Iniciação e para Terminação
Aminoácido Códons de RNA
Ácido aspártico GAU GAC
Ácido glutâmico GAA GAG
Alanina GCU GCC GCA GCG
Arginina CGU CGC CGA CGG AGA AGG
Asparagina AAU AAC
Cisteína UGU UGC
Fenilalanina UUU UUC
Glicina GGU GGC GGA GGG
Glutamina CAA CAG
Histidina CAU CAC
Isoleucina AUU AUC AUA
Leucina CUU CUC CUA CUG UUA UUG
Lisina AAA AAG
Metionina AUG
Prolina CCU CCC CCA CCG
Serina UCU UCC UCA UCG AGC AGU
Tirosina UAU UAC
Treonina ACU ACC ACA ACG
Triptofano UGG
Valina GUU GUC GUA GUG
Iniciar (IC) AUG
Parar (TC) UAA UAG UGA
IC, iniciação de cadeia; TC, terminação de cadeia.
RNA DE TRANSFERÊNCIA — OS ANTICÓDONS
Outro tipo de RNA com papel essencial na síntese de proteínas é o RNA de
transferência (tRNA), pois ele transfere as moléculas de aminoácidos para as
moléculas de proteínas que estão em processo de síntese. Cada tipo de tRNA se liga, especificamente, a um dos 20 aminoácidos que serão
incorporados às proteínas. O tRNA, portanto, age como um carreador para
transportar o seu tipo específico de aminoácido para os ribossomos, onde as
moléculas de proteína estão se formando. Nos ribossomos, cada tipo
específico de tRNA reconhece um códon determinado no mRNA (descrito
adiante) e entrega o aminoácido no local adequado da cadeia da molécula
de proteína em formação.
O RNA de transferência, com apenas cerca de 80 nucleo tídeos, é uma
molécula relativamente pequena em comparação com o mRNA. Ele é
cadeia de nucleotídeos com dobras que lhe dão a aparência de folha de
trevo, conforme mostrado na Figura 3-9. Em uma extremidade da molécula
há sempre o ácido adenílico; o aminoácido transportado se liga a grupo
hidroxila da ribose do ácido adenílico.
Como a função do tRNA é levar o aminoácido específico à cadeia de
proteína em formação, é essencial que cada tipo de tRNA tenha
especificidade para determinado códon no mRNA. O código específico no
tRNA que permite que ele reconheça um códon específico é novamente um
tripleto de bases de nucleotídeos chamado anticódon. Esse anticódon se
localiza aproximadamente no meio da molécula de tRNA (mostrado na
parte inferior da configuração em forma de trevo na Figura 3-9). Durante a
formação da molécula de proteína, as bases do anticódon se ligam
frouxamente por pontes de hidrogênio com as bases do códon do mRNA.
Dessa forma, os respectivos aminoácidos são alinhados uns após os outros
ao longo da cadeia de mRNA, estabelecendo-se, assim, a sequência
adequada de aminoácidos na molécula de proteína em formação.
Figura 3-9. Fita de RNA mensageiro se move por dois ribossomos. Para cada “códon” que passa, um aminoácido é adicionado à crescente cadeia de proteína, que é mostrada no ribossomo à direita. A molécula de RNA de transferência transporta aminoácido específico à proteína em formação.
RNA RIBOSSÔMICO
O terceiro tipo de RNA na célula é o RNA ribossômico; ele representa
cerca de 60% do ribossomo. O restante do ribossomo é formado por
proteína; existem cerca de 75 tipos de proteínas que são tanto proteínas
estruturais quanto enzimas, necessárias para a síntese das moléculas de
proteína.
O ribossomo é a estrutura física no citoplasma na qual as moléculas de
proteína são realmente sintetizadas. Porém, ele sempre funciona em
associação com outros dois tipos de RNA: o tRNA, que transporta
aminoácidos para o ribossomo, para serem incorporados na molécula de
proteína em formação, e o mRNA, que fornece a informação necessária para
o sequenciamento dos aminoácidos, na ordem correta, para cada tipo
específico de proteína a ser produzido.
Assim, o ribossomo age como uma fábrica, na qual as moléculas de
proteína são formadas.
Formação dos Ribossomos no Nucléolo. Os genes para a formação
de RNA ribossômico estão localizados em cinco pares de cromossomos no
núcleo. Cada um destes cromossomos contém muitas duplicações desses
genes específicos, pois grandes quantidades de RNA ribossômico são
necessárias para a função celular.
À medida que o RNA ribossômico se forma, ele é acumulado no nucléolo,
estrutura especializada adjacente aos cromossomos. Quando grande
quantidade de RNA ribossômico é sintetizada, como ocorre em células que
produzem grande quantidade de proteína, o nucléolo é uma estrutura
grande, ao passo que, nas células que sintetizam poucas proteínas, o
nucléolo eventualmente nem é visto. O RNA ribossômico é especialmente
processado no nucléolo, onde se liga às “proteínas ribossômicas” para
formar produtos de condensação granular que são subunidades primordiais
dos ribossomos. Essas subunidades são então liberadas do nucléolo e
transportadas através dos grandes poros do envelope nuclear para quase
todas as partes do citoplasma. Depois de entrarem no citoplasma, as
subunidades são montadas para formar ribossomos maduros e funcionais.
Portanto, as proteínas são formadas no citoplasma da célula, e não no
núcleo celular, pois o núcleo não contém ribossomos maduros.
miRNA E RNA DE BAIXA INTERFERÊNCIA
Um quarto tipo de RNA na célula é o microRNA (miRNA). miRNA são
fragmentos curtos de fita única de RNA (21 a 23 nucleotídeos), que
regulam a expressão gênica (Fig. 3-10). Os miRNAs são decodificados do
DNA transcrito de genes, mas não são traduzidos em proteínas e, assim, são
comumente denominados RNA não codificado. Os miRNAs são transformados pela célula em moléculas que são complementares ao mRNA
e agem para diminuir a expressão gênica. A formação de miRNAs envolve
processamento especial de precursor primário mais longo dos RNAs,
denominado pri-miRNAs, que são os primeiros transcritos do gene. Os pri-
miRNAs são transformados, no núcleo da célula, pelo complexo
microprocessador em pré-miRNAs, que consiste em uma estrutura haste-
alça com 70 nucleotídeos. Esses pré-miRNAs são, então, posteriormente
transformados no citoplasma por uma enzima cortadora específica, que
ajuda a montar um complexo silenciador induzido por RNA (RISC) e gera
miRNAs.
Os miRNAs regulam a expressão gênica por se ligar à região
complementar do RNA e promovem repressão da tradução, ou degradação
do mRNA, antes que este possa ser traduzido pelo ribossomo. Acredita-se
que os miRNAs têm papel importante na regulação normal da função
celular, e alterações das funções do miRNA foram associadas às doenças,
como câncer e doenças cardíacas.
Outro tipo de miRNA é o RNA de baixa interferência (siRNA), também
chamado RNA silenciador ou RNA de pouca interferência. Os siRNAs são
moléculas curtas, de dupla fita de RNA, com 20 a 25 nucleotídeos de
comprimento, que interferem na expressão de genes específicos.
Geralmente, os siRNAs se referem a miRNAs sintéticos e podem ser
administrados para silenciar a expressão de genes específicos. Eles são
projetados para evitar a transformação nuclear pelo complexo
microprocessador e, após o siRNA entrar no citoplasma, ele ativa os
complexos silenciadores RISC, impedindo a tradução do mRNA. Os‐
siRNAs podem ser adaptados a qualquer sequência específica do gene. Por
conta disso, eles podem ser usados para impedir a tradução de qualquer
mRNA e, por consequência, a expressão por qualquer gene pelo qual a
sequência de nu cleo tídeo é conhecida. Alguns pesquisadores propuseram que os siRNAs podem se tornar úteis como ferramenta terapêutica, para
silenciar genes que contribuem na patofisiologia de doenças.
Figura 3-10. Regulação da expressão gênica por microRNA (miRNA). O miRNA primário (pri-miRNA), o primeiro a ser transcrito no gene processado no núcleo celular, pelo complexo microprocessador, são convertidos em pré-miRNA. Esses pré-miRNAs são então transformados no citoplasma, pela cortadora, enzima que ajuda a montar o complexo silenciador induzido por RNA (RISC) e gera miRNAs. Os miRNAs regulam a expressão gênica se ligando à região complementar do RNA e reprimindo tradução ou promovendo a degradação do RNA mensageiro (mRNA), antes que este possa ser traduzido pelo ribossomo.
FORMAÇÃO DE PROTEÍNAS NOS RIBOSSOMOS — O
PROCESSO DE TRADUÇÃO
Quando a molécula de mRNA entra em contato com um ribossomo, a fita
de RNA passa através do ribossomo, começando por uma extremidade
predeterminada, especificada por uma sequência de bases de RNA,
chamada códon de “iniciação de cadeia”. Então, como mostra a Figura 3-9,
enquanto o mRNA atravessa o ribossomo, a molécula de proteína é formada
— um processo chamado tradução. Assim, o ribossomo lê os códons do
mRNA, semelhante à “leitura” de fita por meio da cabeça de reprodução de
gravador. Então, quando o códon de “parada” (ou de “terminação de
cadeia”) passa pelo ribossomo, o fim da molécula de proteína é sinalizado e
a molécula é liberada no citoplasma.
Polirribossomos. Uma só molécula de mRNA pode formar moléculas de
proteína em vários ribossomos ao mesmo tempo, pois a extremidade inicial
do filamento de RNA pode passar para ribossomos sucessivos, depois de
deixar o primeiro, como mostrado na parte inferior esquerda das
Figuras 3-9 e 3-11. As moléculas de proteína estão em diferentes estágios
de desenvolvimento, em cada ribossomo. Consequentemente, agrupamentos
de ribossomos ocorrem com frequência, com 3 a 10 ribossomos
simultaneamente ligados a uma só molécula de mRNA. Esses
agrupamentos são chamados de polirribossomos.
É especialmente importante observar que o mRNA pode originar molécula
de proteína em qualquer ribossomo; isto é, não há especificidade dos
ribossomos para determinados tipos de proteína. O ribossomo é
simplesmente o local físico no qual as reações químicas ocorrem.
Figura 3-11. Estrutura física dos ribossomos e sua relação funcional com o RNA mensageiro, RNA de transferência e retículo endoplasmático durante a formação de moléculas de proteína.
Muitos Ribossomos Ligam-se ao Retículo Endoplasmático.
No Capítulo 2, foi observado que muitos ribossomos aderem ao retículo
endoplasmático. Essa ligação ocorre porque as extremidades iniciais de
muitas moléculas de proteí na em formação têm sequências de aminoácidos
que se ligam imediatamente a locais receptores específicos no retículo
endoplasmático; isso faz com que essas moléculas atravessem a parede e
entrem na matriz do retículo en do plasmático. Esse processo confere uma
aparência granular a essas partes do retículo onde as proteínas estão sendo
formadas e introduzidas na matriz do retículo.
A Figura 3-11 mostra a relação funcional do mRNA com os ribossomos e
o modo pelo qual estes se ancoram à membrana do retículo endoplasmático.
Observe o processo de tradução do mesmo filamento de mRNA ocorrendo em vários ribossomos ao mesmo tempo. Observe também as cadeias recém-
formadas de polipeptídios (proteína) atravessando a membrana do retículo
endoplasmático e entrando na matriz endoplasmática.
Deve-se observar que, exceto nas células glandulares, onde são formadas
grandes quantidades de vesículas secretórias contendo proteínas, a maioria
das proteínas sintetizadas pelos ribossomos é liberada diretamente no
citosol, em vez de no retículo endoplasmático. Essas proteínas são enzimas
e proteínas estruturais internas da célula.
Passos Químicos na Síntese de Proteínas. Alguns dos eventos
químicos que ocorrem na síntese da molécula de proteína são mostrados
na Figura 3-12. Essa figura mostra reações representativas para três
aminoácidos distintos, AA , AA e AA . Os estágios das reações são os 1 2 20
seguintes:
1. Cada aminoácido é ativado por processo químico, no qual o ATP se
combina com o aminoácido para formar o complexo monofosfato de
adenosina com o aminoácido, cedendo duas ligações de fosfato de alta
energia no processo.
2. O aminoácido ativado, com excesso de energia, combina-se com o
tRNA específico para formar o complexo aminoácido-tRNA e ao mesmo
tempo libera o monofosfato de adenosina.
3. O tRNA, que carrega o complexo de aminoácido, faz contato então com
a molécula de mRNA no ribossomo, onde o anticódon do tRNA se une
temporariamente ao códon específico do mRNA, assim alinhando o
aminoácido na sequência apropriada para formar a molécula de proteína.
Então, sob a influência da enzima peptidiltransferase (uma das proteínas
no ribossomo), são formadas ligações peptídicas entre os sucessivos
aminoácidos, com crescimento progressivo da cadeia de proteína. Esses
eventos químicos requerem energia de duas ligações adicionais de fosfato
de alta energia, totalizando quatro ligações de alta energia para cada aminoácido adicionado à cadeia de proteínas. Assim, a síntese de proteínas
é um dos processos que mais consomem energia na célula.
Figura 3-12. Eventos químicos na formação de uma molécula de proteína. AMP, monofosfato de adenosina; ATP, trifosfato de adenosina; tRNA, RNA de transferência.
Ligação Peptídica. Os sucessivos aminoácidos na cadeia de proteínas
combinam-se entre si segundo a reação típica: