Tratado de Fisiologia Médica
Condições que Causam Voltagens Anormais do Complexo QRS
condução lenta.
Figura 12-15. Desvio do eixo para a direita causado por bloqueio do ramo direito. Note também o complexo QRS muito prolongado.
CONDIÇÕES QUE CAUSAM VOLTAGENS ANORMAIS DO
COMPLEXO QRS
Voltagem Aumentada nas Derivações Bipolares
Padronizadas dos Membros
Em condições normais, as voltagens nas três derivações bipolares
padronizadas dos membros, medidas do pico da onda R ao fundo da onda S,
variam entre 0,5 e 2,0 milivolts, com a derivação III usualmente registrando
a voltagem mínima, e a derivação II, a máxima. Entretanto, essas relações
não são invariáveis, mesmo para o coração normal. Em geral, quando a
soma das voltagens de todos os complexos QRS nas três derivações-padrão
é maior que 4 milivolts, considera-se que o paciente apresenta ECG de alta
voltagem.
Com muita frequência a causa dos complexos QRS de alta voltagem é o
aumento da massa muscular do coração que usualmente resulta de
hipertrofia do músculo em resposta à carga excessiva sobre uma parte do
coração ou a outra. Por exemplo, o ventrículo direito se hipertrofia quando
tem de bombear sangue por valva pulmonar estenosada, e o ventrículo
esquerdo se hipertrofia nos casos de hipertensão arterial. A quantidade
aumentada de músculo gera mais eletricidade em volta do coração. Como
resultado, os potenciais elétricos, registrados nas derivações
eletrocardiográficas, são muito maiores que os normais, como mostrado nas
Figuras 12-12 e 12-13.
Voltagem Diminuída no Eletrocardiograma
Voltagem Diminuída Causada por Miopatia Cardíaca. Uma das
causas mais comuns de voltagem diminuída do complexo QRS é a série de
antigos infartos miocárdicos que resultam em massa muscular diminuída.
Essa condição clínica também faz com que a onda de despolarização se
espalhe de forma lenta pelos ventrículos e impeça que grandes porções do
coração fiquem maciçamente despolarizadas ao mesmo tempo.
Consequentemente, essa condição causa alargamento do complexo QRS,
além da diminuição de voltagem. A Figura 12-16 mostra típico ECG de
baixa voltagem com alargamento do complexo QRS, que é comum após
múltiplos infartos miocárdicos pequenos terem causado atrasos locais da
condução de impulso e voltagens reduzidas, devido à perda de massa
muscular dos ventrículos.
Figura 12-16. Eletrocardiograma de baixa voltagem secundário à lesão local dos ventrículos, causada por infarto miocárdico prévio.
Voltagem Diminuída Causada por Condições Circundantes do
Coração. Uma das causas mais importantes de voltagem diminuída nas
derivações eletrocardiográficas é a presença de líquido no pericárdio. Como
o líquido extracelular conduz as correntes elétricas com muita facilidade,
grande proporção da eletricidade gerada pelo coração é conduzida de uma
parte do coração para a outra pelo líquido pericárdico. Assim, essa efusão
efetivamente produz “curto-circuito” dos potenciais elétricos cardíacos,
diminuindo as voltagens eletrocardiográficas que atingem as superfícies
externas do corpo. O derrame pleural menos frequentemente também pode
criar “curto- circuito” da eletricidade em volta do coração, de modo que as
voltagens na superfície do corpo e nos ECG fiquem diminuídas.
O enfisema pulmonar pode diminuir os potenciais eletrocardiográficos,
mas por razão diferente do derrame pericárdico. Em indivíduos com
enfisema pulmonar, a condução da corrente elétrica pelos pulmões é muito
diminuída por causa da quantidade excessiva de ar nos pulmões. Além
disso, a cavidade torácica aumenta, e os pulmões tendem a envolver o coração em maior grau que o normal. Como resultado, os pulmões agem