Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 52 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Condições que Causam Voltagens Anormais do Complexo QRS

condução lenta.

 

Figura 12-15. Desvio do eixo para a direita causado por bloqueio do ramo direito. Note também o complexo QRS muito prolongado.

 

CONDIÇÕES QUE CAUSAM VOLTAGENS ANORMAIS DO

COMPLEXO QRS

 

Voltagem Aumentada nas Derivações Bipolares

Padronizadas dos Membros

 

Em condições normais, as voltagens nas três derivações bipolares

padronizadas dos membros, medidas do pico da onda R ao fundo da onda S,

variam entre 0,5 e 2,0 milivolts, com a derivação III usualmente registrando

a voltagem mínima, e a derivação II, a máxima. Entretanto, essas relações

não são invariáveis, mesmo para o coração normal. Em geral, quando a

soma das voltagens de todos os complexos QRS nas três derivações-padrão

é maior que 4 milivolts, considera-se que o paciente apresenta ECG de alta

voltagem.

Com muita frequência a causa dos complexos QRS de alta voltagem é o

aumento da massa muscular do coração que usualmente resulta de

hipertrofia do músculo em resposta à carga excessiva sobre uma parte do

coração ou a outra. Por exemplo, o ventrículo direito se hipertrofia quando

tem de bombear sangue por valva pulmonar estenosada, e o ventrículo

esquerdo se hipertrofia nos casos de hipertensão arterial. A quantidade

aumentada de músculo gera mais eletricidade em volta do coração. Como

resultado, os potenciais elétricos, registrados nas derivações

eletrocardiográficas, são muito maiores que os normais, como mostrado nas

Figuras 12-12 e 12-13.

 

Voltagem Diminuída no Eletrocardiograma

 

Voltagem Diminuída Causada por Miopatia Cardíaca. Uma das

causas mais comuns de voltagem diminuída do complexo QRS é a série de

antigos infartos miocárdicos que resultam em massa muscular diminuída.

Essa condição clínica também faz com que a onda de despolarização se

espalhe de forma lenta pelos ventrículos e impeça que grandes porções do

coração fiquem maciçamente despolarizadas ao mesmo tempo.

Consequentemente, essa condição causa alargamento do complexo QRS,

além da diminuição de voltagem. A Figura 12-16 mostra típico ECG de

baixa voltagem com alargamento do complexo QRS, que é comum após

múltiplos infartos miocárdicos pequenos terem causado atrasos locais da

condução de impulso e voltagens reduzidas, devido à perda de massa

muscular dos ventrículos.

Figura 12-16. Eletrocardiograma de baixa voltagem secundário à lesão local dos ventrículos, causada por infarto miocárdico prévio.

 

Voltagem Diminuída Causada por Condições Circundantes do

Coração. Uma das causas mais importantes de voltagem diminuída nas

derivações eletrocardiográficas é a presença de líquido no pericárdio. Como

o líquido extracelular conduz as correntes elétricas com muita facilidade,

grande proporção da eletricidade gerada pelo coração é conduzida de uma

parte do coração para a outra pelo líquido pericárdico. Assim, essa efusão

efetivamente produz “curto-circuito” dos potenciais elétricos cardíacos,

diminuindo as voltagens eletrocardiográficas que atingem as superfícies

externas do corpo. O derrame pleural menos frequentemente também pode

criar “curto- circuito” da eletricidade em volta do coração, de modo que as

voltagens na superfície do corpo e nos ECG fiquem diminuídas.

O enfisema pulmonar pode diminuir os potenciais eletrocardiográficos,

mas por razão diferente do derrame pericárdico. Em indivíduos com

enfisema pulmonar, a condução da corrente elétrica pelos pulmões é muito

diminuída por causa da quantidade excessiva de ar nos pulmões. Além

disso, a cavidade torácica aumenta, e os pulmões tendem a envolver o coração em maior grau que o normal. Como resultado, os pulmões agem