Tratado de Fisiologia Médica
Efeitos da Baixa Pressão de Oxigênio Sobre o Corpo
CAPÍTULO 44
Fisiologia da Aviação, das Altas Altitudes
e do Espaço
À medida que os seres humanos ascenderam a altitudes cada vez mais altas, por meio da
aviação, do alpinismo e da exploração espacial, tornou-se, progressivamente, mais importante
compreender os efeitos da altitude e das baixas pressões gasosas sobre o corpo humano. Este
Capítulo analisa esses problemas, bem como as forças de acelera ção, imponderabilidade e
outros desafios para a homeostasia do corpo, que ocorrem em altas altitudes e nos voos
espaciais.
EFEITOS DA BAIXA PRESSÃO DE OXIGÊNIO SOBRE O CORPO
Pressões Barométricas em Diferentes Altitudes. A Tabela 44-1 apresenta as pressões
barométricas e de oxigênio em diferentes altitudes, mostrando que, ao nível do mar, a pressão
barométrica é de 760 mmHg; a 3.000 metros, de apenas 523 mmHg; e a 15.000 metros, de 87
mmHg. Essa diminuição da pressão barométrica constitui a causa básica de todos os
problemas de hipoxia na fisiologia das altas altitudes porque, à medida que a pressão
barométrica reduz, a pressão parcial de oxigênio (Po ) na atmosfera diminui 2 proporcionalmente, permanecendo por todo o tempo ligeiramente abaixo de 21% da pressão
barométrica total; a Po ao nível do mar é cerca de 159 mmHg, mas a 15.000 metros, é de 2
apenas 18 mmHg.
Tabela 44-1 Efeitos da Exposição Aguda a Baixas Pressões Atmosféricas sobre as Concentrações no Gás Alveolar e na Saturação de Oxigênio Arterial*
Respirando Ar Respirando Oxigênio Puro
Saturação Saturação
Pco2 de Pco2 de
Pressão Po2 no nos Po2 nos Oxigênio nos Po2 nos Oxigênio
Altitude Barométrica Ar Alvéolos Alvéolos Arterial Alvéolos Alvéolos Arterial (m/pés) (mmHg) (mmHg) (mmHg) (mmHg) (%) (mmHg) (mmHg) (%)
0 760 159 40 (40) 104 97 (97) 40 673 100
(104)
3.050/10.000 523 110 36 (23) 67 (77) 90 (92) 40 436 100
6.100/20.000 349 73 24 (10) 40 (53) 73 (85) 40 262 100
9.150/30.000 226 47 24 (7) 18 (30) 24 (38) 40 139 99
12.200/40.000 141 29 36 58 84
15.250/50.000 87 18 24 16 15
*Os números entre parênteses se referem aos valores aclimatizados.
Po2 ALVEOLAR EM DIFERENTES ALTITUDES
Dióxido de Carbono e Vapor d’Água Diminuem o Oxigênio Alveolar. Mesmo em
altas altitudes, o dióxido de carbono (CO ) é excretado, continuamente, do sangue pulmonar 2 para os alvéolos. Por sua vez, a água se vaporiza para o ar inspirado vindo das superfícies
respiratórias. Esses dois gases diluem o O nos alvéolos, reduzindo, assim, a concentração de 2
O . A pressão do vapor d’água, nos alvéolos permanece em 47 mmHg, enquanto a 2
temperatura corporal for normal, independentemente da altitude.
No caso do CO , durante a exposição às altitudes muito elevadas, a pressão parcial de CO 22
alveolar (Pco ) cai do valor a nível do mar, de 40 mmHg, para valores mais baixos. Na pessoa 2
aclimatada, que aumenta sua ventilação por cerca de cinco vezes, a Pco cai para 2 aproximadamente 7 mmHg, por causa da respiração elevada.
Vejamos agora como as pressões desses dois gases afetam o O alveolar. Suponhamos, por 2
exemplo, que a pressão barométrica caia do valor normal de 760 mmHg ao nível do mar para
253 mmHg, que é o valor usualmente medido no topo do monte Everest, a 8.848 metros.
Como 47 mmHg devem ser de vapor d’água, restam apenas 206 mmHg para todos os outros
gases. Na pessoa aclimatada, 7 mmHg dos 206 mmHg devem ser de CO , restando apenas 2
199 mmHg. Se não houvesse utilização do O pelo corpo, um quinto desses 199 mmHg seria 2
O e quatro quintos nitrogênio; isto é, a Po nos alvéolos seria de 40 mmHg. Entretanto, parte 2 2 desse oxigênio alveolar restante está continuamente sendo absorvida pelo sangue, deixando
cerca de 35 mmHg de pressão de O nos alvéolos. No topo do monte Everest, apenas as 2
pessoas mais bem aclimatadas são capazes, com dificuldade, de sobreviver respirando ar.
Mas, o efeito é muito diferente quando a pessoa está respirando O puro, conforme veremos 2 nas discussões a seguir.
Po2 Alveolar em Diferentes Altitudes. A quinta coluna da Tabela 44-1 mostra os
valores de Po aproximados nos alvéolos em diferentes altitudes, quando se está respirando ar, 2
na pessoa não aclimatada e na aclimatada. Ao nível do mar, a Po alveolar é de 104 mmHg. 2 A 6.096 metros de altura, ela cai para cerca de 40 mmHg na pessoa não aclimatada, mas para
apenas 53 mmHg na aclimatada. A razão da diferença entre esses dois casos é que a
ventilação alveolar aumenta muito mais na pessoa aclimatada do que na pessoa não
aclimatada, como discutiremos adiante.
Saturação da Hemoglobina com Oxigênio em Diferentes Altitudes. A Figura 44-1
mostra a saturação de O do sangue arterial em diferentes altitudes, enquanto a pessoa respira 2
ar ou enquanto respira O . Até a altitude de cerca de 3.048 metros, mesmo quando é respirado 2
ar, a saturação de O arterial permanece pelo menos em 90%. Acima de 3.048 metros, a 2
saturação de O arterial cai rapidamente conforme mostrado pela curva azul da figura, até 2
ficar ligeiramente abaixo de 70% a 6.096 metros, e muito menos em altitudes ainda mais altas.
Figura 44-1. Efeito das altas altitudes sobre a saturação de oxigênio arterial quando se respira ar e quando se respira oxigênio puro.
O EFEITO DE RESPIRAR OXIGÊNIO PURO SOBRE A Po2 ALEVOLAR Quando a pessoa respira O puro em vez de ar, a maior parte do espaço nos alvéolos, antes 2
ocupado por nitrogênio, é ocupado por O . A 9.144 metros, um aviador poderia ter Po 2
alveolar tão alta quanto 139 mmHg, em lugar dos 18 mmHg quando respira ar (Tabela 44-1).
A curva vermelha da Figura 44-1 mostra a saturação de O da hemoglobina do sangue 2
arterial em diferentes altitudes, enquanto se está respirando O puro. Observe que a saturação 2 permanece acima de 90% até que o aviador ascenda a cerca de 11.887 metros; a seguir, ela cai
rápido para aproximadamente 50%, em torno de 14.325 metros.
O “Teto” Quando se Respira Ar e Quando se Respira Oxigênio em Aeroplano
não Pressurizado. Quando se compara as duas curvas de saturação de O do sangue 2
arterial na Figura 44-1, observa-se que aviador respirando O puro em aeroplano não 2 pressurizado pode ascender a altitudes muito mais altas do que alguém respirando ar. Por
exemplo, a saturação arterial a 14.325 metros, quando se está respirando oxigênio, é cerca de
50% e é equivalente à saturação de O arterial a 7.010 metros, quando se está respi rando ar. 2
Além disso, como a pessoa não aclimatada geralmente pode permanecer consciente até que a
saturação de O arterial caia a 50% durante curtos tempos de exposição, o teto para o aviador 2
em aeroplano não pressurizado, quando respira ar, é de cerca de 7.010 metros, e quando
respira O puro é em torno de 14.325 metros, contanto que o equipamento de fornecimento de 2
O opere perfeitamente. 2
EFEITOS AGUDOS DA HIPoXIA
Alguns dos efeitos agudos importantes da hipoxia na pessoa não aclimatada respirando ar,
começando na altitude de cerca de 3.657 metros, são sonolência, lassidão, fadiga mental e
muscular, algumas vezes dor de cabeça, ocasionalmente, náuseas e, às vezes, euforia. Esses
efeitos progridem para o estágio de abalos musculares ou convulsões, acima de 5.486 metros,
e terminam, acima de 7.010 metros, na pessoa não aclimatada, em coma, seguido logo depois
pela morte.
Um dos efeitos mais importantes da hipoxia é a proficiên cia mental diminuída, que dificulta
o julgamento, a memória e os movimentos motores individualizados. Por exemplo, se aviador
não aclimatado permanecer a 4.572 metros durante 1 hora, a proficiência mental, em geral, cai
para cerca de 50% do normal, e depois de 18 horas nesse nível, ela cai para aproximadamente
20% do normal.
ACLIMATAÇÃO À BAIXA Po2
A pessoa que permanecer em altas altitudes durante dias, semanas ou anos ficará cada vez
mais aclimatada à baixa Po , assim, isso causa menos efeitos deletérios ao corpo. Após a 2
aclimatação é possível que a pessoa trabalhe mais intensamente, sem efeitos hipóxicos, ou
ascenda a altitudes ainda maiores.
Os principais meios pelos quais a aclimatação ocorre são (1) grande aumento da ventilação
pulmonar; (2) número aumentado de hemácias; (3) aumento da capacidade de difusão dos
pulmões; (4) vascularidade aumentada dos tecidos periféricos; e (5) capacidade aumentada
das células teciduais usarem O , apesar da baixa Po . 2 2
Ventilação Pulmonar Aumentada — O Papel dos Quimiorreceptores Arteriais. A
exposição imediata à baixa Po estimula os quimiorreceptores arteriais, e essa estimulação 2
aumenta a ventilação alveolar para o máximo de cerca de 1,65 vez o normal. Por essa razão, a
compensação ocorre, em segundos, para a alta altitude, e ela isoladamente possibilita à pessoa
ascender vários milhares de metros mais alto do que seria possível sem a ventilação
aumentada. Assim, se a pessoa permanecer em altitude muito alta durante vários dias, os
quimiorreceptores elevam a ventilação ainda mais, até cerca de cinco vezes o normal.
O aumento imediato da ventilação pulmonar com a subida para altas altitudes expele
grandes quantidades de CO , reduzindo a Pco e aumentando o pH dos líquidos corporais. 2 2 Essas alterações inibem o centro respiratório do tronco cerebral e, desse modo, se opõem ao
efeito da baixa Po de estimular a respiração, por intermédio dos quimiorreceptores arteriais 2
periféricos nos corpos carotídeos e aórticos. Entretanto, essa inibição se esvanece,
progressivamente, durante os 2 a 5 dias subsequentes, permitindo que o centro respiratório
responda, com força completa ao estímulo dos quimiorreceptores periféricos pela hipoxia, e a
ventilação aumenta para cerca de cinco vezes o normal.
Admite-se que a causa dessa inibição, que desaparece gradativamente, seja em grande parte
a redução da concentração de íon bicarbonato no líquido cefalorraquidiano, bem como nos
tecidos cerebrais. Essa redução, por sua vez, diminui o pH nos líquidos que circundam os
neurônios quimiossensíveis do centro respiratório, aumentando, assim, a atividade
estimuladora respiratória do centro.
Mecanismo importante para a diminuição gradual da concentração de bicarbonato é a
compensação pelos rins da alcalose respiratória, como discutido no Capítulo 31. Os rins
respondem à Pco elevada, reduzindo a secreção de íon hidrogênio e aumentando a excreção 2
de bicarbonato. Essa compensação metabólica da alcalose respiratória reduz, gradualmente, a
concentração de bicarbonato e do pH plasmático e líquido cefalorraquidiano em direção aos
valores normais e remove parte do efeito inibitório, sobre a respiração, da baixa concentração de íon hidrogênio. Assim, os centros respiratórios respondem muito mais ao estímulo dos
quimiorreceptores periféricos causado pela hipoxia depois que os rins compensam a alcalose.
Aumento nas Hemácias e na Concentração de Hemoglobina Durante a
Aclimatação. Conforme discutido no Capítulo 33, a hipoxia é o principal estímulo para
causar aumento da produção de hemácias. Ordinariamente, quando a pessoa permanece
exposta a baixo O durante semanas seguidas, o hematócrito se eleva lentamente do valor 2
normal de 40 a 45 para média de cerca de 60, com aumento médio da concentração de
hemoglobina do sangue total do normal de 15 g/dL para cerca de 20 g/dL.
Além disso, o volume sanguíneo também aumenta muitas vezes, por 20% a 30%, e esse
aumento, multiplicado pela concentração aumentada de hemoglobina sanguínea, produz
aumento da hemoglobina corporal total por 50% ou mais.
Capacidade de Difusão Aumentada após a Aclimatação. A capacidade de difusão
normal do O , através da membrana pulmonar, é cerca de 21 mL/mmHg, e essa capacidade de 2
difusão pode elevar por até o triplo, durante o exercício. Aumento semelhante da capacidade
de difusão ocorre nas altas altitudes.
Parte da elevação resulta do volume sanguíneo capilar pulmonar aumentado, o que expande
os capilares e aumenta a área de superfície através da qual o O pode se difundir para o 2 sangue. Outra parte resulta do aumento do volume de ar pulmonar, que expande ainda mais a
área de superfície da interface alveolocapilar. A parte final resulta do aumento da pressão
arterial pulmonar, o que força o sangue para o maior número de capilares alveolares do que
normalmente — em especial nas partes superiores dos pulmões, que são pouco perfundidas
nas condições usuais.
Alterações no Sistema Circulatório Periférico durante a Aclimatação —
Capilaridade Tecidual Aumentada. O débito cardíaco frequentemente aumenta em até
30% logo após a pessoa ascender para altas altitudes, mas a seguir, diminui de volta ao normal
ao longo de período de semanas à medida que o hematócrito sanguíneo aumenta, de modo
que a quantidade de O transportada para os tecidos periféricos permanece aproximadamente 2
normal.
Outra adaptação circulatória é o aumento do número de capilares circulatórios sistêmicos
nos tecidos não pulmo nares, o que é chamado capilaridade tecidual aumentada (ou
angiogênese). Essa adaptação ocorre especialmente em animais nascidos e criados em altas
altitudes, porém menos em animais que, ao longo da vida, são expostos às altas altitudes.
Nos tecidos ativos, expostos a hipóxia crônica, o aumento da capilaridade é especialmente
acentuado. Por exemplo, a densidade capilar, no músculo ventricular direito eleva acentuadamente em virtude dos efeitos combinados da hipoxia e da excessiva carga de
trabalho sobre o ventrículo direito, causada pela hipertensão pulmonar nas altas altitudes.
Aclimatação Celular. Em animais nativos de altitudes de 3.962 metros a 5.181 metros, as
mitocôndrias, nas células, e os sistemas enzimáticos oxidativos celulares são ligeiramente
mais abundantes do que em habitantes de regiões ao nível do mar. Portanto, presume-se que
as células teciduais dos seres humanos aclimatados às altas altitudes também podem usar
oxigênio mais eficientemente do que as suas contrapartes do nível do mar.
FATORES induzido POR HIPoXIA: O “INTERRUPTOR MESTRE” PARA
A RESPOSTA DO ORGANISMO À HIPoXIA
Os fatores induzidos por hipoxia (FIH) são fatores de transcrição de ligação ao DNA que
respondem a uma diminuição da disponibilidade de oxigênio e ativam vários genes que
codificam proteínas necessárias para o fornecimento adequado de oxigênio aos tecidos e ao
metabolismo energético. Os FIH estão praticamente em todas as espécies que respiram
oxigênio, desde vermes primitivos aos seres humanos. Alguns dos genes controlados por FIH,
em especial o FIH-1, são:
•Genes associados ao fator de crescimento endotelial vascular, que estimulam a
angiogênese.
•Genes da eritropoetina que estimulam a produção de hemácias.
•Genes mitocondriais envolvidos na utilização de energia.
•Genes de enzimas glicolíticas envolvidas no metabolismo anaeróbico.
•Genes que aumentam a disponibilidade de óxido nítrico causador de vasodilatação
pulmonar.
Na presença de oxigênio adequado, as subunidades de FIH necessárias para ativar diversos
genes são reguladas no sentido descendente e são inativadas por hidroxilases de FIH
específicos. Na hipoxia, as hidroxilases dos FIH estão, elas próprias, inativas, permitindo a
formação de um complexo de FIH transcricionalmente ativo. Assim, os FIH atuam como um
“interruptor mestre” que permite ao corpo responder adequadamente à hipoxia.
ACLIMATAÇÃO NATURAL DOS SERES HUMANOS NATIVOS QUE
VIVEM EM ALTAS ALTITUDES
Muitos seres humanos nativos dos Andes e do Himalaia vivem em altitudes acima de 3.962
metros. Um grupo, nos Andes peruanos, vive em altitude de 5.334 metros e trabalha em mina
na altitude de 5.791 metros. Muitos desses nativos nasceram nessas altitudes e ali vivem por
todas as suas vidas. Os nativos são superiores até aos mais bem aclimatados, em todos os aspectos da aclimatação, naturais de baixas altitudes, mesmo que estes últimos também
possam ter vivido em altas altitudes durante 10 anos ou mais. A aclimatação dos nativos
começa na infância. O tamanho do tórax, em especial, é muito aumentado, enquanto o
tamanho do corpo é menor, dando alta proporção de capacidade ventilatória à massa corporal.
Os corações dos nativos, que desde o nascimento bombeiam quantidades extras de débito
cardíaco, são consideravelmente maiores que o dos naturais de baixas altitudes.
A distribuição de O pelo sangue aos tecidos também é muito facilitada nesses nativos. Por 2
exemplo, a Figura 44-2 mostra curvas de dissociação do O-hemoglobina nos nativos que 2
vivem a nível do mar e suas contrapartes que habitam a 4.572 metros. Observe que a Po do 2 oxigênio arterial nos nativos de altas altitudes é de apenas 40 mmHg, mas, em virtude da
maior quantidade de hemoglobina, a quantidade de O no seu sangue arterial é maior que a no 2
sangue dos nativos em altitudes mais baixas. Observe também que a Po venosa nos nativos 2
das altas altitudes é apenas 15 mmHg menor que a Po venosa dos habitantes de baixas 2
altitudes, apesar da Po arterial muito baixa, indicando que o transporte de O para os tecidos 2 2 é extraordinariamente eficiente nos nativos das altas altitudes, naturalmente aclimatados.
Figura 44-2. Curvas de dissociação de oxigênio-hemoglobina no sangue de residentes em altas altitudes (curva vermelha) e residentes a nível do mar (curva azul), mostrando os respectivos níveis de Po arterial e venosa e 2 conteúdo de oxigênio, conforme registrados nos seus ambientes naturais. (Dados de Oxygen-dissociation curves for bloods of high-altitude and sea-level residents. PAHO Scientific Publication No. 140, Life at High Altitudes, 1966.)
CAPACIDADE DE TRABALHO REDUZIDA NAS ALTAS ALTITUDES E O EFEITO POSITIVO DA ACLIMATAÇÃO
Além da depressão mental causada pela hipoxia, a capacidade de trabalho de todos os
músculos (não apenas os músculos esqueléticos, mas também os cardíacos) está bastante
diminuída no estado de hipoxia. Em geral, a capacidade de trabalho é reduzida na proporção
direta à diminuição da intensidade máxima de captação de O que o corpo é capaz de realizar. 2
Para dar ideia da importância da aclimatação no aumento da capacidade de trabalho,
consideremos as grandes diferenças nas capacidades de trabalho, sob forma de porcentagem
do normal, para pessoas não aclimatadas e aclimatadas, na altitude de 5.181 metros:
Capacidade de Trabalho (Porcentagem do
Normal)
Não aclimatadas 50
Aclimatadas durante 2 meses 68
Nativos vivendo a 4.023 metros, mas trabalhando a 5.181 87
metros
Assim, as pessoas naturalmente aclimatadas são capazes de realizar um trabalho diário,
mesmo nas altas altitudes, quase igual ao de um habitante de baixas altitudes ao nível do mar;
os habitantes de baixas altitudes bem aclimatados quase nunca são capazes de alcançar este
resultado.
DOENÇA AGUDA DAS MONTANHAS E EDEMA PULMONAR DAS ALTAS ALTITUDES
Pequena porcentagem das pessoas que sobem muito rapidamente para grandes altitudes fica
agudamente doente e pode morrer se não receber O ou for removida rapidamente para 2 altitude mais baixa. A doença começa de algumas horas a cerca de 2 dias após a subida. Dois
eventos ocorrem, com frequência:
1. Edema cerebral agudo. Admite-se que esse edema resulte da dilatação local dos vasos
sanguíneos cerebrais causada pela hipoxia. A dilatação das arteríolas aumenta o fluxo
sanguíneo pelos capilares, aumentando assim a pressão capilar, o que, por sua vez, faz
extravasar líquido para os tecidos cerebrais. O edema cerebral pode, então, levar à
desorientação grave e a outros efeitos relacionados com a disfunção cerebral.
2. Edema pulmonar agudo. A causa do edema pulmonar agudo ainda é desconhecida, mas
uma explicação é a seguinte: a hipoxia grave faz as arteríolas pulmonares constringirem-se
poderosamente, mas a constrição é muito maior em algumas partes dos pulmões do que em
outras, de modo que cada vez uma maior parte do fluxo sanguíneo pulmonar é forçada a
passar por número cada vez menor de vasos pulmonares ainda não contraídos. O resultado