Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 219 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Grandes Níveis Funcionais do Sistema Nervoso

Uma vez que as informações tenham sido armazenadas no sistema

nervoso sob a forma de memória, elas passam a ser parte do mecanismo do

processamento do cérebro, para uso futuro sob a forma do “pensamento”,

isto é, os processos cognitivos cerebrais comparam as novas experiências

sensoriais com as memórias armazenadas; as memórias, desse modo,

ajudam a selecionar nova informação sensorial importante e a transmiti-la

às áreas apropriadas de armazenamento da informação, para uso futuro, ou

para áreas motoras, com o intuito de provocar respostas efetoras imediatas.

 

GRANDES NÍVEIS FUNCIONAIS DO SISTEMA NERVOSO

 

O sistema nervoso humano herdou capacidades funcionais especiais de cada

um dos estágios evolutivos humanos. Dessa herança, três níveis principais

do sistema nervoso central têm características funcionais específicas: (1) o

nível da medula espinal; (2) o nível cerebral inferior ou nível subcortical; e

(3) o nível cerebral superior ou nível cortical.

 

NÍVEL MEDULAR

 

Muitas vezes, concebemos a medula espinal como apenas uma via de

passagem para os sinais vindos da periferia do corpo em direção ao

encéfalo, ou na direção oposta, do encéfalo e de volta ao corpo. Essa ideia

está longe da verdade. Mesmo em situações em que a medula espinal foi

seccionada em níveis cervicais muitas de suas funções altamente

organizadas continuam sendo executadas. Por exemplo, os circuitos neurais

intrínsecos da medula podem ser responsáveis por: (1) movimentos de

marcha; (2) reflexos que afastam partes do corpo de objetos que causam

dor; (3) reflexos que enrijecem as pernas para sustentar o corpo contra a

gravidade; e (4) reflexos que controlam os vasos sanguíneos locais,

movimentos gastrointestinais ou excreção urinária. De fato, os níveis supraespinais do sistema nervoso geralmente operam não pelo envio de

sinais diretamente para a periferia do corpo, mas, sim, enviando sinais aos

centros de controle da medula espinal, ou seja, simplesmente

“comandando” esses centros para que realizem suas funções.

 

NÍVEL CEREBRAL INFERIOR OU SUBCORTICAL

 

Muitas, senão a maioria, das que chamamos atividades subconscientes do

corpo são controladas por regiões encefálicas subcorticais, isto é, no bulbo,

na ponte, no mesencéfalo, no hipotálamo, no tálamo, no cerebelo e nos

gânglios da base. Por exemplo, o controle subconsciente da pressão arterial

e da respiração é executado principalmente pelo bulbo e pela ponte. O

controle do equilíbrio é função combinada das porções mais antigas do

cerebelo, juntamente com a formação reticular bulbar, pontina e

mesencefálica. Os reflexos alimentares, como a salivação e a ação de

lamber os lábios, em resposta ao sabor da comida, são controlados por áreas

localizadas no bulbo, na ponte, no mesencéfalo, na amígdala e no

hipotálamo. Além disso, muitos padrões emocionais, como raiva, excitação,

resposta sexual, reação à dor e reação ao prazer, podem continuar a ocorrer

mesmo após a destruição de grande parte do córtex cerebral.

 

NÍVEL CEREBRAL SUPERIOR OU CORTICAL

Após a descrição anterior sobre muitas das funções do sistema nervoso que

ocorrem na medula e nas estruturas subcorticais, poderíamos perguntar: que

funções restam para serem executadas pelo córtex cerebral? A resposta a

essa questão é complexa, mas começa com o fato de que o córtex cerebral é

a região extremamente grande de armazenamento de memórias. O córtex

nunca funciona sozinho e, sim, sempre em associação às estruturas

subcorticais do sistema nervoso central.