Tratado de Fisiologia Médica
Policitemia
bombeia. Consequentemente, durante o exercício físico, que aumenta de
modo acentuado a demanda por oxigênio dos tecidos, pode resultar hipoxia
tecidual extrema com desenvolvimento de insuficiência cardíaca aguda.
POLICITEMIA
Policitemia Secundária. Toda vez que os tecidos ficam hipóxicos
devido à baixa tensão de oxigênio no ar inspirado, como nas grandes
altitudes ou devido ao suprimento deficiente de oxigênio para os tecidos,
como ocorre na insuficiência cardíaca, os órgãos hematopoéticos
automaticamente começam a produzir grande quantidade de hemácias
extras. Essa condição é denominada policitemia secundária, e a contagem
de hemácias aumenta muitas vezes para 6 a 7 milhões/mm 3, ou seja, cerca
de 30% acima da contagem normal.
Tipo comum de policitemia secundária, denominada policitemia
fisiológica, ocorre nos nativos que vivem em altitudes de 4.267 a 4.876
metros, em que a tensão de oxigê nio atmosférico é muito baixa. A
contagem de hemácias no sangue é em geral de 6 a 7 milhões/mm 3; essa
contagem permite que essas pessoas mantenham nível relativamente alto de
trabalho contínuo, até mesmo na atmosfera rarefeita.
Policitemia Vera (Eritremia). Além da policitemia fisiológica existe
outra condição patológica referida como policitemia vera, na qual a
contagem de hemácias pode atingir de 7 a 8 milhões/mm 3 e o hematócrito
pode estar em 60% a 70%, em vez do normal de 40% a 45%. A policitemia
vera é causada por aberração genética nas células hemocitoblásticas que
produzem hemácias. As células blásticas não param mais de produzir
hemácias, mesmo quando já existe número excessivo de células. Isso
ocasiona produção excessiva de hemácias, da mesma maneira que um tumor de mama causa produção excessiva de um tipo específico de célula
mamária. Em geral, isso provoca também produção excessiva de leucócitos
e de plaquetas.
Na policitemia vera, não apenas o hematócrito aumenta, mas também o
volume sanguíneo total, em alguns casos, até o dobro do normal. Como
consequência, todo o sistema vascular fica extremamente ingurgitado. Além
disso, muitos dos capilares sanguíneos são obstruídos pelo sangue viscoso,
visto que a viscosidade do sangue na policitemia vera por vezes aumenta de
seu valor normal de 3 vezes para 10 vezes a viscosidade da água.
EFEITO DA POLICITEMIA NA FUNÇÃO DO SISTEMA
CIRCULATÓRIO
Devido à viscosidade sanguínea excessivamente aumentada na policitemia,
o fluxo de sangue pelos vasos periféricos é, com frequência, muito lento.
De acordo com os fatores que regulam o retorno de sangue para o coração,
como discutido no Capítulo 20, o aumento da viscosidade sanguínea tende a
diminuir a velocidade do retorno venoso para o coração. Por outro lado, o
volume de sangue está acentuadamente aumentado na policitemia, o que
tende a elevar o retorno venoso. Na verdade, o débito cardíaco na
policitemia não se afasta muito do normal, visto que esses dois fatores mais
ou menos se neutralizam mutuamente.
A pressão arterial também está normal na maioria dos indivíduos com
policitemia, embora ocorra elevação da pressão arterial em cerca de um
terço dos casos. Isso significa que os mecanismos reguladores da pressão
arterial em geral são capazes de compensar a tendência da viscosidade
aumentada do sangue de aumentar a resistência periférica e, em
consequência, de elevar a pressão arterial. Após certos limites, entretanto,
esses mecanismos reguladores falham e hipertensão se desenvolve.
A coloração da pele depende em grande parte da quantidade de sangue no
plexo venoso cutâneo subpapilar. Na policitemia vera, a quantidade de
sangue nesse plexo fica muito aumentada. Além disso, como o sangue flui
lentamente pelos capilares cutâneos antes de chegar ao plexo venoso, uma
quantidade de hemoglobina maior do que a normal é desoxigenada. A
coloração azulada de todas as hemoglobinas desoxigenadas mascara a
coloração vermelha da hemoglobina oxigenada. Assim, a pessoa com‐
policitemia vera, em geral, tem aparência corada, com tonalidade azulada
(cianótica) da pele.
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CAPÍTULO 34
Resistência do Corpo à Infecção:
I. Leucócitos, Granulócitos,
Sistema Monócito-Macrófago e
Inflamação
Nossos corpos são expostos continuamente a bactérias, vírus, fungos e
parasitas, todos encontrados, nas condições normais e em graus variáveis,
na pele, na boca, nas vias respiratórias, no trato intestinal, nas membranas
de revestimento dos olhos e mesmo no trato urinário. Muitos desses agentes
infecciosos são capazes de produzir anormalidades graves nas funções
fisiológicas ou até mesmo morte, se invadirem os tecidos profundos. Somos
também, de forma intermitente, expostos a outras bactérias e vírus
extremamente infecciosos, além dos existentes nas condições normais, e esses agentes podem causar doenças agudas letais, como pneumonia,