Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 165 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Policitemia

bombeia. Consequentemente, durante o exercício físico, que aumenta de

modo acentuado a demanda por oxigênio dos tecidos, pode resultar hipoxia

tecidual extrema com desenvolvimento de insuficiência cardíaca aguda.

 

POLICITEMIA

 

Policitemia Secundária. Toda vez que os tecidos ficam hipóxicos

devido à baixa tensão de oxigênio no ar inspirado, como nas grandes

altitudes ou devido ao suprimento deficiente de oxigênio para os tecidos,

como ocorre na insuficiência cardíaca, os órgãos hematopoéticos

automaticamente começam a produzir grande quantidade de hemácias

extras. Essa condição é denominada policitemia secundária, e a contagem

de hemácias aumenta muitas vezes para 6 a 7 milhões/mm 3, ou seja, cerca

de 30% acima da contagem normal.

Tipo comum de policitemia secundária, denominada policitemia

fisiológica, ocorre nos nativos que vivem em altitudes de 4.267 a 4.876

metros, em que a tensão de oxigê nio atmosférico é muito baixa. A

contagem de hemácias no sangue é em geral de 6 a 7 milhões/mm 3; essa

contagem permite que essas pessoas mantenham nível relativamente alto de

trabalho contínuo, até mesmo na atmosfera rarefeita.

 

Policitemia Vera (Eritremia). Além da policitemia fisiológica existe

outra condição patológica referida como policitemia vera, na qual a

contagem de hemácias pode atingir de 7 a 8 milhões/mm 3 e o hematócrito

pode estar em 60% a 70%, em vez do normal de 40% a 45%. A policitemia

vera é causada por aberração genética nas células hemocitoblásticas que

produzem hemácias. As células blásticas não param mais de produzir

hemácias, mesmo quando já existe número excessivo de células. Isso

ocasiona produção excessiva de hemácias, da mesma maneira que um tumor de mama causa produção excessiva de um tipo específico de célula

mamária. Em geral, isso provoca também produção excessiva de leucócitos

e de plaquetas.

Na policitemia vera, não apenas o hematócrito aumenta, mas também o

volume sanguíneo total, em alguns casos, até o dobro do normal. Como

consequência, todo o sistema vascular fica extremamente ingurgitado. Além

disso, muitos dos capilares sanguíneos são obstruídos pelo sangue viscoso,

visto que a viscosidade do sangue na policitemia vera por vezes aumenta de

seu valor normal de 3 vezes para 10 vezes a viscosidade da água.

 

EFEITO DA POLICITEMIA NA FUNÇÃO DO SISTEMA

CIRCULATÓRIO

 

Devido à viscosidade sanguínea excessivamente aumentada na policitemia,

o fluxo de sangue pelos vasos periféricos é, com frequência, muito lento.

De acordo com os fatores que regulam o retorno de sangue para o coração,

como discutido no Capítulo 20, o aumento da viscosidade sanguínea tende a

diminuir a velocidade do retorno venoso para o coração. Por outro lado, o

volume de sangue está acentuadamente aumentado na policitemia, o que

tende a elevar o retorno venoso. Na verdade, o débito cardíaco na

policitemia não se afasta muito do normal, visto que esses dois fatores mais

ou menos se neutralizam mutuamente.

A pressão arterial também está normal na maioria dos indivíduos com

policitemia, embora ocorra elevação da pressão arterial em cerca de um

terço dos casos. Isso significa que os mecanismos reguladores da pressão

arterial em geral são capazes de compensar a tendência da viscosidade

aumentada do sangue de aumentar a resistência periférica e, em

consequência, de elevar a pressão arterial. Após certos limites, entretanto,

esses mecanismos reguladores falham e hipertensão se desenvolve.

A coloração da pele depende em grande parte da quantidade de sangue no

plexo venoso cutâneo subpapilar. Na policitemia vera, a quantidade de

sangue nesse plexo fica muito aumentada. Além disso, como o sangue flui

lentamente pelos capilares cutâneos antes de chegar ao plexo venoso, uma

quantidade de hemoglobina maior do que a normal é desoxigenada. A

coloração azulada de todas as hemoglobinas desoxigenadas mascara a

coloração vermelha da hemoglobina oxigenada. Assim, a pessoa com‐

policitemia vera, em geral, tem aparência corada, com tonalidade azulada

(cianótica) da pele.

 

Bibliografia

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CAPÍTULO 34

 

Resistência do Corpo à Infecção:

 

I. Leucócitos, Granulócitos,

 

Sistema Monócito-Macrófago e

 

Inflamação

 

Nossos corpos são expostos continuamente a bactérias, vírus, fungos e

parasitas, todos encontrados, nas condições normais e em graus variáveis,

na pele, na boca, nas vias respiratórias, no trato intestinal, nas membranas

de revestimento dos olhos e mesmo no trato urinário. Muitos desses agentes

infecciosos são capazes de produzir anormalidades graves nas funções

fisiológicas ou até mesmo morte, se invadirem os tecidos profundos. Somos

também, de forma intermitente, expostos a outras bactérias e vírus

extremamente infecciosos, além dos existentes nas condições normais, e esses agentes podem causar doenças agudas letais, como pneumonia,