Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 36 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Potencial de Ação Muscular

A neoestigmina e a fisoestigmina se combinam com a acetilcolinesterase para

inativá-la por até várias horas, depois elas se deslocam para que a esterase

recupere sua atividade. De forma inversa, o fluorofostato de di-isopropil, que

funciona como potente gás venenoso para os “nervos”, inativa a

acetilcolinesterase por semanas, o que o torna veneno particularmente letal.

Fármacos que Bloqueiam a Transmissão na Junção Neuromuscular. O

grupo de fármacos conhecidos como fármacos curariformes pode impedir a

passagem dos impulsos da terminação nervosa para o músculo. Por exemplo, a

D-tubocurarina bloqueia a ação da acetilcolina nos receptores de acetilcolina da

fibra muscular, evitando, assim, o aumento da permeabilidade dos canais de

membrana muscular, suficiente para iniciar o potencial de ação.

A Miastenia Grave Causa Fraqueza Muscular

A miastenia grave, que ocorre em cerca de uma em cada 20.000 pessoas,

causa fraqueza muscular devido à incapacidade das junções neuromusculares

transmitirem sinais suficientes das fibras nervosas para as fibras musculares.

Patologicamente, anticorpos que atacam receptores de acetilcolina foram

demonstrados no sangue da maioria dos pacientes com miastenia grave. Assim,

acredita-se que a miastenia grave seja doença autoimune na qual os pacientes

desenvolveram anticorpos que bloqueiam ou destroem seus próprios receptores

para acetilcolina, na membrana pós-sináptica da junção neuromuscular.

Qualquer que seja a causa, os potenciais da placa motora que ocorrem nas

fibras musculares são na maior parte muito fracos para iniciar a abertura dos

canais de sódio regulados pela voltagem, de modo que a despolarização da fibra

muscular não ocorre. Se a doença for intensa o suficiente, o paciente morre por

insuficiência respiratória como consequên cia de uma debilidade muito acentuada

dos músculos respiratórios. Os efeitos da doença podem ser melhorados por

várias horas com administração de neostigmina ou de algum outro fármaco

anticolinesterásico, que provoque o acúmulo de quantidades maiores de

acetilcolina que a normal no espaço sináptico. Em alguns minutos, algumas das

pessoas podem recobrar a atividade motora quase normal, até que nova dose de

neostigmina seja requerida poucas horas depois.

 

POTENCIAL DE AÇÃO MUSCULAR

 

Quase tudo o que foi discutido no Capítulo 5, com relação à iniciação e à

condução dos potenciais de ação nas fibras nervosas, se aplica igualmente às fibras musculares esqueléticas, exceto por diferenças quantitativas.

Alguns dos aspectos quantitativos dos potenciais musculares são os

seguintes:

1. Potencial de repouso da membrana: cerca de −80 a −90 milivolts nas

fibras musculares esqueléticas — o mesmo das grandes fibras nervosas

mielinizadas.

2. Duração do potencial de ação: 1 a 5 milissegundos no músculo

esquelético — cerca de cinco vezes mais prolongado que nos grandes

nervos mielinizados.

3. Velocidade de condução: 3 a 5 m/s — cerca de 1/13 da velocidade de

condução nas grandes fibras nervosas mielinizadas que excitam o

músculo esquelético.

 

Os Potenciais de Ação se Distribuem para o Interior da

Fibra Muscular por meio dos “Túbulos Transversos”

A fibra muscular esquelética é tão grande que o potencial de ação na

superfície quase não provoca fluxo de corrente no interior da fibra.

Contudo, para causar o máximo de contração muscular, a corrente tem de

penetrar profundamente na fibra muscular até as proximidades das

miofibrilas. Essa penetração se dá pela propagação dos potenciais de ação

pelos túbulos transversos (túbulos T), que penetram a fibra muscular, de um

lado a outro, como ilustrado na Figura 7-5. Os potenciais de ação no túbulo

T provocam liberação de íons cálcio no interior da fibra muscular, na

vizinhança imediata das miofibrilas, e esses íons cálcio causam então a

contração. Esse processo é chamado acoplamento excitação-contração.