Tratado de Fisiologia Médica
Controle Hormonal da Motilidade Gastrointestinal
da secreção gastrointestinal, peristaltismo, contrações de mistura, efeitos
inibidores locais etc.
2. Reflexos do intestino para os gânglios simpáticos pré-vertebrais e que
voltam para o trato gastrointestinal. Esses reflexos transmitem sinais
por longas distâncias, para outras áreas do trato gastrointestinal, tais
como sinais do estômago que causam a evacuação do cólon (o reflexo
gastrocólico), sinais do cólon e do intestino delgado para inibir a
motilidade e a secreção do estômago (os reflexos enterogástricos) e
reflexos do cólon para inibir o esvaziamento de conteúdos do íleo para o
cólon (o reflexo colonoileal).
3. Reflexos do intestino para a medula ou para o tronco cerebral e que
voltam para o trato gastrointestinal. Esses incluem, especialmente, (1)
reflexos do estômago e do duodeno para o tronco cerebral, que retornam
ao estômago — por meio dos nervos vagos — para controlar a atividade
motora e secretória gástrica; (2) reflexos de dor que causam inibição
geral de todo o trato gastrointestinal; e (3) reflexos de defecação que
passam desde o cólon e o reto para a medula espinal e, então, retornam,
produzindo as poderosas contrações colônicas, retais e abdominais,
necessárias à defecação (os reflexos da defecação).
CONTROLE HORMONAL DA MOTILIDADE
GASTROINTESTINAL
Os hormônios gastrointestinais são liberados na circulação porta e exercem
as ações fisiológicas em células-alvo, com receptores específicos para o
hormônio. Os efeitos dos hormônios persistem mesmo depois de todas as
conexões nervosas entre o local de liberação e o local de ação terem sido
interrompidas. A Tabela 63-1 descreve as ações de cada hormônio
gastrointestinal, assim como o estímulo para a secreção e os sítios em que a
secreção ocorre.
No Capítulo 65, vamos discutir a extrema importância de diversos
hormônios no controle da secreção gastrointestinal. Muitos desses
hormônios também afetam a motilidade em algumas partes do trato
gastrointestinal. Embora os efeitos sobre a motilidade sejam, em geral,
menos importantes do que os efeitos secretórios dos hormônios, nos
seguintes parágrafos descrevem-se alguns dos mais importantes.
A gastrina é secretada pelas células “G” do antro do estômago em
resposta aos estímulos associados à ingestão de refeição, tais como a
distensão do estômago, os produtos da digestão das proteínas e o peptídeo
liberador de gastrina, que é liberado pelos nervos da mucosa gástrica,
durante a estimulação vagal. As ações primárias da gastrina são (1)
estimulação da secreção gástrica de ácido; e (2) estimulação do
crescimento da mucosa gástrica.
A colecistocinina (CCK) é secretada pelas células “I” da mucosa do
duodeno e do jejuno, em especial em resposta aos produtos da digestão de
gordura, ácidos graxos e monoglicerídeos nos conteúdos intestinais. Esse
hormônio contrai, fortemente, a vesícula biliar, expelindo bile para o
intestino delgado, onde a bile tem funções importantes, na emulsificação de
substâncias lipídicas, permitindo sua digestão e absorção. A CCK também
inibe, ainda que mode radamente, a contração do estômago. Assim, ao
mesmo tempo em que esse hormônio causa o esvaziamento da vesícula
biliar, retarda a saída do alimento no estômago, assegurando tempo
adequado para a digestão de gorduras no trato intestinal superior. A CCK
também inibe o apetite para evitar excessos durante as refeições,
estimulando as fibras ner vosas sensoriais aferentes no duodeno; essas
fibras, por sua vez, mandam sinais por meio do nervo vago para inibir os‐
centros de alimentação no cérebro, como discutido no Capítulo 72.
A secretina, o primeiro hormônio gastrointestinal descoberto é secretada
pelas células “S” da mucosa do duodeno, em resposta ao conteúdo gástrico ácido que é transferido do estômago ao duodeno pelo piloro. A secretina
tem pequeno efeito na motilidade do trato gastrointestinal e promove a
secreção pancreática de bicarbonato que, por sua vez, contribui para a
neutralização do ácido no intestino delgado.
O peptídeo insulinotrópico dependente da glicose (também chamado
peptídeo inibidor gástrico [GIP]) é secreta do pela mucosa do intestino
delgado superior, prin cipalmente, em resposta a ácidos graxos e
aminoácidos, mas, em menor extensão, em resposta aos carboidratos.
Exerce efeito moderado na diminuição da atividade motora do estômago e,
assim, retarda o esvaziamento do conteúdo gástrico no duodeno, quando o
intestino delgado superior já está sobrecarregado com produtos alimentares.
O peptídeo insulinotrópico dependente da glicose, em níveis sanguíneos até
inferiores aos necessários para inibir a motilidade gástrica, também
estimula a secreção de insulina.
A motilina é secretada pelo estômago e pelo duodeno superior durante o
jejum, e sua única função conhecida é a de aumentar a motilidade
gastrointestinal. A motilina é liberada, ciclicamente, e estimula as ondas da
motilidade gastrointestinal denominadas complexos mioelétricos
interdigestivos que se propagam pelo estômago e pelo intestino delgado a
cada 90 minutos na pessoa em jejum. A secreção de motilina é inibida, após
a digestão, por mecanismos que ainda não estão totalmente esclarecidos.
Tabela 63-1 Ações, Estímulos para Secreção e Sítio de Secreção dos Hormônios
Gastrointestinais
Estímulos para
Hormônio Secreção Locais de Secreção Ações
Gastrina Proteína Células G do antro, Estimula
Distensão duodeno e jejuno Secreção de ácido Nervo gástrico (Ácido inibe Crescimento da mucosa
liberação)