Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 166 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Leucócitos (Glóbulos Brancos)

infecções estreptocócicas e febre tifoide.

Nossos corpos têm sistema especial para combater as diferentes infecções

e agentes tóxicos. Esse sistema é formado pelos leucócitos (glóbulos

brancos) e células teciduais derivadas dos leucócitos. Essas células atuam

em conjunto, por dois modos, para impedir a doença: (1) pela verdadeira

destruição das bactérias ou dos vírus, por fagocitose; e (2) pela formação de

anticorpos e linfócitos sensibilizados, capazes de destruir ou inativar o

invasor. Este Capítulo trata do primeiro desses processos, e o Capítulo 35,

do segundo.

 

LEUCÓCITOS (GLÓBULOS BRANCOS)

 

Os leucócitos, também chamados glóbulos brancos, são as unidades móveis

do sistema protetor do corpo. Eles são formados, em parte, na medula óssea

(granulócitos, monócitos e alguns linfócitos) e, em outra, no tecido linfático

(linfócitos e plasmócitos). Após sua formação, eles são transportados pelo

sangue para diversas partes do corpo, onde forem necessários.

O valor real dos glóbulos brancos é que, em sua maioria, eles são

especificamente transportados para áreas de infecção e inflamação graves,

promovendo a rápida e potente defesa contra agentes infecciosos. Como

veremos mais adiante, os granulócitos e os monócitos têm capacidade

especial para “detectar e destruir” um invasor estranho.

 

CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS LEUCÓCITOS

 

Tipos de Glóbulos Brancos. Seis tipos de glóbulos brancos estão

presentes no sangue: neutrófilos polimorfonucleares, eosinófilos

polimorfonucleares, basófilos polimor fonucleares, monócitos, linfócitos e,

ocasionalmente, plasmócitos. Além desses, é encontrado grande número de plaquetas, que são fragmentos de outro tipo de célula semelhante aos

leucócitos encontrados na medula óssea, o megacariócito. Os três primeiros

tipos de células, as células polimorfonucleares, têm aparência granular,

como mostrado pelas células de números 7, 10 e 12 na Figura 34-1, e por

esse motivo são chamados granulócitos ou, na terminologia clínica, “polis”,

devido a seus múltiplos núcleos.

Os granulócitos e os monócitos protegem o corpo contra micro-

organismos invasores, principalmente por meio de sua ingestão (isto é, pela

fagocitose) ou por liberação de substâncias antimicrobianas ou

inflamatórias que apresentam múltiplos efeitos que ajudam a destruir o

organismo agressor. Os linfócitos e os plasmócitos atuam principalmente

em conexão com o sistema imune; isso é discutido no Capítulo 35. Por fim,

a função das plaquetas é, especificamente, a de ativar o mecanismo da

coagulação sanguínea, discutido no Capítulo 37.

 

Concentrações dos Diferentes Glóbulos Brancos no Sangue. O

ser humano adulto tem cerca de 7.000 leucócitos por microlitro de sangue

(em comparação com 5 milhões de hemácias por microlitro). Do total de

leucócitos, as porcentagens normais dos diferentes tipos de células são as

seguintes:

 

Neutrófilos polimorfonucleares 62,0%

Eosinófilos polimorfonucleares 2,3%

Basófilos polimorfonucleares 0,4%

Monócitos 5,3%

Linfócitos 30,0%

 

O número de plaquetas, que são somente fragmentos de células em cada

microlitro de sangue, é normalmente cerca de 300.000.

GÊNESE DOS LEUCÓCITOS

A diferenciação inicial das células-tronco hematopoéticas pluripotenciais,

nos quatro tipos de células-tronco comprometidas, é mostrada na Figura

33-2 do Capítulo anterior. Além das células comprometidas para formar as

hemácias, são formadas duas grandes linhagens de leucócitos, as linhagens

mielocítica e linfocítica. O lado esquerdo da Figura 34-1 mostra a

linhagem mielocítica, começan do com o mieloblasto; o lado direito mostra

a linhagem linfocítica, iniciando com o linfoblasto.

Os granulócitos e os monócitos só são formados na medula óssea. Os

linfócitos e os plasmócitos são produzidos, principalmente, nos diversos

tecidos linfogênicos — de modo especial, nos linfonodos, no baço, no timo,

nas tonsilas e em vários bolsões de tecido linfoide em outras partes do

corpo, como na medula óssea e nas chamadas placas de Peyer, por baixo do

epitélio da parede do intestino.

Os leucócitos formados na medula óssea ficam armazenados na medula

até que sejam necessários no sistema circulatório. Quando surge essa

necessidade, vários fatores provocam a liberação dos leucócitos (esses

fatores são discutidos adiante). Normalmente, quantidade aproximada do

triplo do número de leucócitos circulantes está armazenada na medula. Essa

quantidade representa o suprimento para cerca de 6 dias dessas células.

Os linfócitos são armazenados, em sua maioria, nos diversos tecidos

linfoides, exceto por pequeno número que está sendo temporariamente

transportado pelo sangue.

Como mostrado na Figura 34-1, os megacariócitos (célula 3) são também

formados na medula óssea, onde se fragmentam; os pequenos fragmentos,

conhecidos como plaquetas (ou trombócitos), passam para o sangue. Eles

são muito importantes no desencadeamento da coagulação sanguínea.

Figura 34-1. Gênese dos leucócitos. As diferentes células da série dos mielócitos são 1, mieloblasto; 2, promielócito; 3, megacariócito; 4, mielócito neutrófilo; 5, metamielócito neutrófilo jovem; 6, metamielócito neutrófilo “em bastão”; 7, neutrófilo polimorfonuclear; 8, mielócito eosinófilo; 9, metamielócito eosinófilo; 10, eosinófilo polimorfonuclear; 11, mielócito basófilo; 12, basófilo polimorfonuclear; 13-16, estágios da formação do monócito.

 

 

TEMPO DE VIDA DOS LEUCÓCITOS

 

A vida dos granulócitos, após sua liberação pela medula óssea, é

normalmente de 4 a 8 horas circulando pelo sangue, e de mais 4 a 5 dias nos

tecidos onde são necessários. Durante as infecções graves, essa duração

total da vida dos leucócitos, em geral, se encurta para algumas horas,

porque os granulócitos se dirigem com rapidez ainda maior para a área

infectada para exercerem suas funções e, no processo, serem destruídos.