Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 59 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Taquicardia Paroxística

 

Ocasionalmente, algumas anormalidades em diferentes partes do coração,

incluindo os átrios, o sistema de Purkinje ou os ventrículos, podem causar

descarga rítmica rápida de impulsos que se propagam em todas as direções

pelo coração. Acredita-se que isso seja causado mais frequentemente por

vias de feedback com movimento circular reentrante que contro lam a

autorreexcitação repetida local. Devido ao ritmo rápido do foco irritável,

esse foco passa a ser o marca-passo cardíaco.

O termo “paroxístico” significa que a frequência cardíaca fica muito

rápida nos paroxismos, começando de forma súbita e durando segundos,

minutos, horas ou muito mais. O paroxismo em geral termina tão

subitamente como começou, com o marca-passo cardíaco voltando de modo

instantâneo para o nodo sinusal.

A taquicardia paroxística pode ser frequentemente interrompida quando se

desencadeia um reflexo vagal. Um tipo de reflexo vagal que, por vezes, é

produzido com essa finalidade consiste em pressionar o pescoço nas regiões

dos seios carotídeos, o que pode causar reflexo vagal forte o suficiente para

fazer cessar o paroxismo. Podem ser utilizados também medicamentos

antiarrítmicos para lentificar a condução ou prolongar o período refratário

nos tecidos cardíacos.

 

Taquicardia Paroxística Atrial

A Figura 13-13 mostra súbito aumento da frequência cardíaca, de cerca de

95 para cerca de 150 batimentos por minuto. Por estudo detalhado do ECG,

durante os batimentos cardíacos rápidos, vê-se a onda P antes de cada

complexo QRS-T, e essa onda P está parcialmente sobreposta à onda T normal do batimento precedente. Esse achado indica que a origem dessa

taquicardia paroxística é no átrio, mas, como a onda P tem forma anormal, a

origem não fica perto do nodo sinusal.

 

Figura 13-13. Taquicardia paroxística atrial — início no meio do registro (derivação I).

 

Taquicardia Paroxística Nodal AV. A taquicardia paroxística

geralmente resulta de ritmo aberrante de que participa o nodo AV. Isso nas

condições usuais causa complexos QRS-T quase normais, mas ondas P

totalmente ausentes ou obscuras.

As taquicardias paroxísticas atriais ou nodais AV, as chamadas

taquicardias supraventriculares, geralmente ocorrem em pessoas jovens e

saudáveis e decorrem da predisposição para taquicardia depois da

adolescência. Em geral, a taquicardia supraventricular assusta de forma

muito intensa a pessoa, podendo causar fraqueza durante o paroxismo,

embora habitualmente não resulte em mal permanente.

 

Taquicardia Paroxística Ventricular

 

A Figura 13-14 mostra típico paroxismo breve de taquicardia ventricular. O

ECG da taquicardia paroxística ventricular tem o aspecto de série de

contrações prematuras ventriculares que ocorrem, uma após a outra, sem

qualquer batimento normal intercalado.

A taquicardia paroxística ventricular usualmente é patolo gia grave por

duas razões. Primeira, esse tipo de taquicardia geralmente não ocorre, a menos que esteja presente lesão isquêmica considerável nos ventrículos.