Tratado de Fisiologia Médica
Flutter Atrial
adicional, mas variável de 0 a 0,6 segundo antes que um dos impulsos
fibrilatórios atriais irregulares atinja o nodo AV. Desse modo, o intervalo
entre sucessivas contrações ventriculares varia entre o mínimo de cerca de
0,35 segundo e o máximo de cerca de 0,95 segundo, resultando em
batimento cardíaco muito irregular. De fato, essa irregularidade,
demonstrada pelo espaçamento variável dos batimentos cardíacos no ECG
da Figura 13-19, é um dos achados clínicos usados para diagnosticar essa
patologia. De igual modo, em virtude da alta frequência dos impulsos
fibrilatórios dos átrios, o ventrículo é estimulado à frequência cardíaca
acelerada em geral entre 125 e 150 batimentos por minuto.
Figura 13-19. Fibrilação atrial (derivação II). As ondas, que podem ser vistas, são complexos QRS e ondas T ventriculares.
Tratamento da Fibrilação Atrial por Eletrochoque. Da mesma
maneira que a fibrilação ventricular pode ser convertida para o ritmo
normal pelo eletrochoque, também a fibrilação atrial pode ser convertida
pelo mesmo processo. O procedimento é essencialmente o mesmo que para
a conversão da fibrilação ventricular — passagem de forte choque elétrico
único pelo coração, que lança todo o coração na refratariedade por alguns
segundos; o ritmo normal com frequência reaparece se o coração for capaz
disso.
FLUTTER ATRIAL
O flutter atrial é mais uma patologia causada pelo movimento em círculo
nos átrios. O flutter atrial é diferente da fibrilação atrial, pois o sinal elétrico
se propaga como onda grande e única, sempre pelo mesmo percurso,
repetitivamente pela massa muscular atrial como mostrado à esquerda
na Figura 13-20. O flutter atrial produz aceleração da frequência de
contração dos átrios, em geral entre 200 e 350 batimentos por minuto. No
entanto, como um lado dos átrios está se contraindo enquanto o outro lado
está relaxando, a quantidade de sangue bombeada pelos átrios é pequena.
Além disso, os sinais chegam ao nodo AV de modo rápido demais para que
todos passem para os ventrículos, porque os períodos refratários do nodo
AV e do feixe AV são longos demais para só permitir a transmissão de
apenas pequena fração dos sinais atriais. Assim, usualmente ocorrem dois a
três batimentos atriais para cada batimento ventricular.
A Figura 13-21 mostra um ECG típico de flutter atrial. As ondas P são
fortes em virtude da contração de massas musculares semicoordenadas. No
entanto, observa-se no registro que o complexo QRS-T só segue uma onda
P atrial apenas uma vez a cada dois a três batimentos dos átrios, originando
um ritmo 2:1 ou 3:1.
Figura 13-20. Vias de propagação dos impulsos no flutter atrial e na fibrilação atrial.