Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 62 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Flutter Atrial

adicional, mas variável de 0 a 0,6 segundo antes que um dos impulsos

fibrilatórios atriais irregulares atinja o nodo AV. Desse modo, o intervalo

entre sucessivas contrações ventriculares varia entre o mínimo de cerca de

0,35 segundo e o máximo de cerca de 0,95 segundo, resultando em

batimento cardíaco muito irregular. De fato, essa irregularidade,

demonstrada pelo espaçamento variável dos batimentos cardíacos no ECG

da Figura 13-19, é um dos achados clínicos usados para diagnosticar essa

patologia. De igual modo, em virtude da alta frequência dos impulsos

fibrilatórios dos átrios, o ventrículo é estimulado à frequência cardíaca

acelerada em geral entre 125 e 150 batimentos por minuto.

 

Figura 13-19. Fibrilação atrial (derivação II). As ondas, que podem ser vistas, são complexos QRS e ondas T ventriculares.

 

Tratamento da Fibrilação Atrial por Eletrochoque. Da mesma

maneira que a fibrilação ventricular pode ser convertida para o ritmo

normal pelo eletrochoque, também a fibrilação atrial pode ser convertida

pelo mesmo processo. O procedimento é essencialmente o mesmo que para

a conversão da fibrilação ventricular — passagem de forte choque elétrico

único pelo coração, que lança todo o coração na refratariedade por alguns

segundos; o ritmo normal com frequência reaparece se o coração for capaz

disso.

 

FLUTTER ATRIAL

O flutter atrial é mais uma patologia causada pelo movimento em círculo

nos átrios. O flutter atrial é diferente da fibrilação atrial, pois o sinal elétrico

se propaga como onda grande e única, sempre pelo mesmo percurso,

repetitivamente pela massa muscular atrial como mostrado à esquerda

na Figura 13-20. O flutter atrial produz aceleração da frequência de

contração dos átrios, em geral entre 200 e 350 batimentos por minuto. No

entanto, como um lado dos átrios está se contraindo enquanto o outro lado

está relaxando, a quantidade de sangue bombeada pelos átrios é pequena.

Além disso, os sinais chegam ao nodo AV de modo rápido demais para que

todos passem para os ventrículos, porque os períodos refratários do nodo

AV e do feixe AV são longos demais para só permitir a transmissão de

apenas pequena fração dos sinais atriais. Assim, usualmente ocorrem dois a

três batimentos atriais para cada batimento ventricular.

A Figura 13-21 mostra um ECG típico de flutter atrial. As ondas P são

fortes em virtude da contração de massas musculares semicoordenadas. No

entanto, observa-se no registro que o complexo QRS-T só segue uma onda

P atrial apenas uma vez a cada dois a três batimentos dos átrios, originando

um ritmo 2:1 ou 3:1.

 

Figura 13-20. Vias de propagação dos impulsos no flutter atrial e na fibrilação atrial.