Tratado de Fisiologia Médica
Secreção de Muco pelo Intestino Grosso
os que recobrem as vilosidades, contêm de fato enzimas digestivas que
digerem substâncias alimentares específicas enquanto eles estão sendo
absorvidos através do epitélio. Essas enzimas são: (1) diversas peptidases
para a hidrólise de pequenos peptídeos a aminoácidos; (2) quatro enzimas
— sucrase, maltase, isomaltase e lactase — para hidrólise de dissacarídeos
a monossacarídeos; e (3) pequenas quantidades de lipase intestinal para
clivagem das gorduras neutras em glicerol e ácidos graxos.
As células epiteliais mais profundas nas criptas de Lieberkühn passam por
mitose contínua, e novas células migram da base das criptas em direção às
pontas das vilosidades, reconstituindo o epitélio dos vilos e também
formando novas enzimas digestivas. À medida que as células dos vilos
envelhecem, acabam por se desprender nas secreções intestinais. O ciclo de
vida de uma célula epitelial intestinal é de cerca de 5 dias. Esse rápido
crescimento de novas células permite ainda o pronto reparo das escoriações
que ocorrem na mucosa.
REGULAÇÃO DA SECREÇÃO DO INTESTINO DELGADO
— ESTÍMULOS LOCAIS
Os mais importantes processos de regulação da secreção do intestino
delgado são reflexos nervosos entéricos locais, em especial reflexos
desencadeados por estímulos táteis ou irritantes do quimo sobre os
intestinos.
SECREÇÃO DE MUCO PELO INTESTINO GROSSO
Secreção de Muco. A mucosa do intestino grosso, como a do intestino
delgado, tem muitas criptas de Lieberkühn; entretanto, ao contrário do
intestino delgado, não existem vilos. As células epiteliais quase não secretam qualquer enzima. Ao contrário, elas são células mucosas que
secretam apenas muco. A secreção preponderante no intestino grosso é
muco. Esse muco contém quantidade moderada de íons bicarbonato,
secretados por algumas células epiteliais não secretoras de muco. A
secreção de muco é regulada principalmente pela estimulação tátil direta
das células epiteliais que revestem o intestino grosso e por reflexos
nervosos locais que estimulam as células mucosas nas criptas de
Lieberkühn.
A estimulação dos nervos pélvicos que emergem da medula espinal e que
transportam a inervação parassimpática para a metade a dois terços distais
do intestino grosso também pode causar aumento considerável da secreção
de muco, associada ao aumento na motilidade peristáltica do cólon, como
discutido no Capítulo 64.
Durante a estimulação parassimpática intensa, muitas vezes causada por
distúrbios emocionais, tanto muco pode, ocasionalmente, ser secretado pelo
intestino grosso que a pessoa tem movimentos intestinais a curtos períodos,
como a cada 30 minutos; o muco, nessas circunstâncias, contém pouco ou
nenhum material fecal, variando em sua consistência e aparência.
O muco no intestino grosso protege a parede intestinal contra escoriações,
mas, além disso, proporciona meio adesivo para o material fecal. Ademais,
protege a parede intesti nal da intensa atividade bacteriana que ocorre nas
fezes, e, finalmente, o muco, com pH alcalino (um pH de 8,0 por conter
bicarbonato de sódio), constitui a barreira para impedir que os ácidos
formados nas fezes ataquem a parede intestinal.
Diarreia Causada por Secreção Excessiva de Água e Eletrólitos
em Resposta à Irritação. Sempre que um segmento do intestino grosso
fica intensamente irritado, como ocorre na presença de infecção bacteriana
na enterite, a mucosa secreta quantidade de água e eletrólitos além do muco
alcalino e viscoso normal. Esta secreção age diluindo os fatores irritantes, provocando o movimento rápido das fezes na direção do ânus. O resultado é
a diarreia, com perda de grande quantidade de água e eletrólitos. Contudo,
a diarreia também elimina os fatores irritativos, promovendo a recuperação
mais rápida da doença.
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