Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 299 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Secreção de Muco pelo Intestino Grosso

os que recobrem as vilosidades, contêm de fato enzimas digestivas que

digerem substâncias alimentares específicas enquanto eles estão sendo

absorvidos através do epitélio. Essas enzimas são: (1) diversas peptidases

para a hidrólise de pequenos peptídeos a aminoácidos; (2) quatro enzimas

— sucrase, maltase, isomaltase e lactase — para hidrólise de dissacarídeos

a monossacarídeos; e (3) pequenas quantidades de lipase intestinal para

clivagem das gorduras neutras em glicerol e ácidos graxos.

As células epiteliais mais profundas nas criptas de Lieberkühn passam por

mitose contínua, e novas células migram da base das criptas em direção às

pontas das vilosidades, reconstituindo o epitélio dos vilos e também

formando novas enzimas digestivas. À medida que as células dos vilos

envelhecem, acabam por se desprender nas secreções intestinais. O ciclo de

vida de uma célula epitelial intestinal é de cerca de 5 dias. Esse rápido

crescimento de novas células permite ainda o pronto reparo das escoriações

que ocorrem na mucosa.

 

REGULAÇÃO DA SECREÇÃO DO INTESTINO DELGADO

— ESTÍMULOS LOCAIS

 

Os mais importantes processos de regulação da secreção do intestino

delgado são reflexos nervosos entéricos locais, em especial reflexos

desencadeados por estímulos táteis ou irritantes do quimo sobre os

intestinos.

 

SECREÇÃO DE MUCO PELO INTESTINO GROSSO

 

Secreção de Muco. A mucosa do intestino grosso, como a do intestino

delgado, tem muitas criptas de Lieberkühn; entretanto, ao contrário do

intestino delgado, não existem vilos. As células epiteliais quase não secretam qualquer enzima. Ao contrário, elas são células mucosas que

secretam apenas muco. A secreção preponderante no intestino grosso é

muco. Esse muco contém quantidade moderada de íons bicarbonato,

secretados por algumas células epiteliais não secretoras de muco. A

secreção de muco é regulada principalmente pela estimulação tátil direta

das células epiteliais que revestem o intestino grosso e por reflexos

nervosos locais que estimulam as células mucosas nas criptas de

Lieberkühn.

A estimulação dos nervos pélvicos que emergem da medula espinal e que

transportam a inervação parassimpática para a metade a dois terços distais

do intestino grosso também pode causar aumento considerável da secreção

de muco, associada ao aumento na motilidade peristáltica do cólon, como

discutido no Capítulo 64.

Durante a estimulação parassimpática intensa, muitas vezes causada por

distúrbios emocionais, tanto muco pode, ocasionalmente, ser secretado pelo

intestino grosso que a pessoa tem movimentos intestinais a curtos períodos,

como a cada 30 minutos; o muco, nessas circunstâncias, contém pouco ou

nenhum material fecal, variando em sua consistência e aparência.

O muco no intestino grosso protege a parede intestinal contra escoriações,

mas, além disso, proporciona meio adesivo para o material fecal. Ademais,

protege a parede intesti nal da intensa atividade bacteriana que ocorre nas

fezes, e, finalmente, o muco, com pH alcalino (um pH de 8,0 por conter

bicarbonato de sódio), constitui a barreira para impedir que os ácidos

formados nas fezes ataquem a parede intestinal.

 

Diarreia Causada por Secreção Excessiva de Água e Eletrólitos

em Resposta à Irritação. Sempre que um segmento do intestino grosso

fica intensamente irritado, como ocorre na presença de infecção bacteriana

na enterite, a mucosa secreta quantidade de água e eletrólitos além do muco

alcalino e viscoso normal. Esta secreção age diluindo os fatores irritantes, provocando o movimento rápido das fezes na direção do ânus. O resultado é

a diarreia, com perda de grande quantidade de água e eletrólitos. Contudo,

a diarreia também elimina os fatores irritativos, promovendo a recuperação

mais rápida da doença.

 

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