Tratado de Fisiologia Médica
Oogênese e Desenvolvimento Folicular nos Ovários
Figura 82-2. Estruturas internas do útero, ovário e de uma tuba uterina.
OOGÊNESE E DESENVOLVIMENTO FOLICULAR NOS
OVÁRIOS
Um ovo em desenvolvimento (oócito) diferencia-se em um óvulo maduro
(óvulo) através de uma série de etapas, chamada oogênese (Figura 82-3).
Durante o desenvolvimento embrionário inicial, as células germinativas
primordiais da endoderme dorsal do saco vitelino migram, ao longo do
mesentério do intestino posterior, para a superfície externa do ovário, que é
revestida de um epitélio germinal, embriologicamente derivado do epitélio
das cristas germinais. Durante essa migração, as células germinativas
dividem-se repetidamente. Quando as células germinativas primordiais
atingem o epitélio germinativo, elas migram para o interior da substância do
córtex ovariano, convertendo-se em ovogônias ou oócitos primordiais.
Em seguida, cada óvulo primordial reúne em torno de si uma camada de
células fusiformes do estroma ovariano (o tecido de suporte do ovário),
fazendo com que adquiram características epitelioides; são, então, as
chamadas células da granulosa. O óvulo circundado por camada única de‐
células da granulosa é denominado folículo primordial. Nesse estágio, o
óvulo é ainda imaturo, e é preciso que ocorram mais duas divisões celulares, antes que ele possa ser fertilizado por um espermatozoide. Nesse
ponto, o óvulo é denominado oócito primário.
As oogônias no ovário embrionário completam a replicação mitótica e a
primeira fase da meiose no quinto mês de desenvolvimento fetal. Em
seguida, a mitose das células germinativas cessa, e não se formam oócitos
adicionais. No nascimento, o ovário contém cerca de 1 a 2 milhões de
oócitos primários.
A primeira divisão meiótica do oócito ocorre após a puberdade. Cada
oócito é dividido em duas células, um óvulo grande (oócito secundário) e
um primeiro corpo polar de pequenas dimensões. Cada uma dessas células
contém 23 cromossomos duplicados. O primeiro corpo polar pode sofrer, ou
não, uma segunda divisão meiótica e depois se desintegra. O óvulo é
submetido a uma segunda divisão meiótica e, após a separação das
cromátides irmãs, ocorre uma pausa na meiose. Se o óvulo for fertilizado,
ocorre o estágio final da meiose, e as cromátides irmãs do óvulo convertem-
se em células separadas.
Quando o ovário libera um óvulo (ovulação) e, se este for fecundado,
ocorre a meiose final. A metade das cromátides irmãs permanece no óvulo
fertilizado, e a outra metade é liberada em um segundo corpo polar, que, em
seguida, se decompõe.
Na puberdade, permanecem apenas 300 mil oócitos nos ovários, e só uma
pequena porcentagem deles atinge a maturidade. Os milhares de oócitos que
não amaduram degeneram. Durante todos os anos reprodutivos da vida
adulta, por volta dos 13 aos 46 anos de idade, apenas 400 a 500 folículos
primordiais se desenvolvem o bastante para expelir seus óvulos — um por
mês; o restante degenera (tornam-se atrésicos). Ao fim da capacidade
reprodutora (na menopausa), somente uns poucos folículos primordiais
permanecem nos ovários, e mesmo esses folículos se degeneram em pouco
tempo.