Tratado de Fisiologia Médica
Estrutura Física da Célula
despolimerizado e utilizado com rapidez para suprir as necessidades
energéticas das células.
ESTRUTURA FÍSICA DA CÉLULA
A célula contém estruturas físicas altamente organizadas, chamadas
organelas intracelulares. A natureza física de cada organela é tão
importante quanto os constituintes químicos da célula para a função celular.
Por exemplo, sem uma das organelas, as mitocôndrias, mais de 95% da
liberação de energia dos nutrientes na célula cessariam imediatamente. As
organelas mais importantes e outras estruturas da célula são mostradas na
Figura 2-2.
Figura 2-2. Reconstrução de célula típica, mostrando as organelas internas no citoplasma e no núcleo.
ESTRUTURAS MEMBRANOSAS DA CÉLULA
A maioria das organelas da célula é delimitada por membranas compostas
primariamente de lipídios e proteínas. Essas membranas incluem a
membrana celular, a membrana nuclear, a membrana do retículo endoplasmático, e as membranas das mitocôndrias, dos lisossomos e do
complexo golgiense.
Os lipídios das membranas formam barreira que impede o movimento de
água e substâncias hidrossolúveis de um compartimento da célula para
outro, pois a água não é solúvel em lipídios. Entretanto, moléculas de
proteína nas membranas, em geral, penetram completamente na membrana,
formando, assim, vias especializadas, contendo, em sua maioria, poros para
a passagem de substâncias específicas através da membrana. Além disso,
muitas outras proteínas da membrana são enzimas que catalisam uma série
de diferentes reações químicas, discutidas aqui e nos Capítulos
subsequentes.
Membrana Celular
A membrana celular (também chamada membrana plasmática) envolve a
célula e é uma estrutura fina, flexível e elástica, de 7,5 a 10 nanômetros de
espessura. É composta quase totalmente de proteínas e lipídios. A
composição aproximada é a seguinte: proteínas, 55%; fosfolipídios, 25%;
colesterol, 13%; outros lipídios, 4%; e carboidratos, 3%.
A Barreira Lipídica da Membrana Celular Impede a Penetração
de Substâncias Hidrossolúveis. A Figura 2-3 mostra a estrutura da
membrana celular. Sua estrutura básica é a bicamada lipídica, um fino
filme, formado por dupla camada de lipídios — cada camada com espessura
de apenas uma molécula — contínua por toda a superfície da célula.
Dispersas nesse filme lipídico existem grandes proteínas globulares.
A dupla camada lipídica básica é composta de três tipos principais de
lipídios: fosfolipídios, esfingolipídios e colesterol. Os fosfolipídios são os
lipídios mais abundantes da membrana celular. Uma extremidade da
molécula de fosfolipídio é solúvel em água; ou seja, é hidrofílica. A outra extremidade é solúvel apenas em lipídios; ou seja, é hidrofóbica. A
extremidade do fosfolipídio com fosfato é hidrofílica, e a extremidade com
ácido graxo é hidro fóbica.
Pelo fato de as partes hidrofóbicas das moléculas de fosfolipídio serem
repelidas pela água, mas, se atraírem entre si, elas espontaneamente se
dispõem no interior da membrana, conforme mostra a Figura 2-3. As partes
hidrofílicas com fosfato constituem as duas superfícies da membrana
celular completa, em contato com a água intracelular na superfície interna
da membrana, e com a água extracelular na superfície externa.
A camada lipídica, no meio da membrana, é impermeá vel às substâncias
hidrossolúveis comuns, como íons, glicose e ureia. Inversamente, as
substâncias lipossolúveis, como oxigênio, dióxido de carbono e álcool,
podem entrar nessa parte da membrana com facilidade.
Os esfingolipídios, derivados do aminoálcool esfingosina, também têm
grupos hidrofóbicos e hidrofílicos e estão presentes em pequenas
quantidades nas membranas celulares, particularmente nas células nervosas.
Acredita-se que os esfingolipídios complexos das membranas celulares
sirvam a várias funções, tais como a proteção contra fatores ambientais
prejudiciais, a transmissão de sinais e como sítios de adesão para proteínas
extracelulares.
As moléculas de colesterol na membrana também são lipídios, pois seus
núcleos esteroides são altamente lipossolúveis. Essas moléculas, em certo
sentido, estão dissolvidas na bicamada da membrana. Elas contribuem,
prin cipalmente, para a determinação do grau de permeabilidade (ou
impermeabilidade) da dupla camada aos constituintes hidrossolúveis dos
líquidos corporais. O colesterol regula muito a fluidez da membrana.
Figura 2-3. Estrutura da membrana celular mostrando que ela é composta principalmente de uma bicamada lipídica de moléculas de fosfolipídio, mas com grandes números de moléculas de proteína que se projetam na membrana. Além disso, carboidratos estão ligados às moléculas de proteína no exterior da membrana, e moléculas de proteína adicionais encontram-se no interior. (Modificada de Lodish HF, Rothman JE: The assembly of cell membranes. Sci Am 240:48, 1979. Copyright George V. Kevin.)
Proteínas Integrantes e Periféricas da Membrana Celular.
A Figura 2-3 também mostra massas globulares flutuando na bicamada
lipídica. Essas proteínas de membrana são essencialmente glicoproteínas.
Existem dois tipos de proteínas da membrana celular: as proteínas integrantes, que atravessam toda a membrana, e as proteínas periféricas,
ligadas à superfície da membrana e não a penetram.
Muitas das proteínas integrantes formam canais estruturais (ou poros),
pelos quais as moléculas de água e substâncias hidrossolúveis,
principalmente os íons, podem se difundir entre os líquidos extra e
intracelulares. Esses canais, formados por proteínas, também apresentam
propriedades seletivas, permitindo a difusão preferencial de algumas
substâncias em relação a outras.
Outras proteínas integrantes agem como proteínas carreadoras para o
transporte de substâncias que, do contrário, não poderiam penetrar na dupla
camada lipídica. Por vezes, essas proteínas carreadoras transportam até
substâncias na direção oposta à dos seus gradientes eletroquímicos para a
difusão, o que é chamado “transporte ativo”. Outras ainda agem como
enzimas.
Proteínas integrantes da membrana também podem servir como receptores
para substâncias químicas hidrossolúveis, tais como hormônios peptídios,
que não penetram facilmente na membrana celular. A interação dos
receptores da membrana celular com ligantes específicos, que se ligam ao
receptor, causa alterações estruturais na proteína receptora. Por sua vez,
esse processo estimula a atividade enzimática da parte intracelular da
proteína ou induz interações entre o receptor e as proteínas do citoplasma
que agem como segundos mensageiros, transmitindo o sinal da parte
extracelular do receptor para o interior da célula. Dessa maneira, as
proteínas integrantes atravessando a membrana celular constituem um meio
de transmitir informações sobre o ambiente para o interior da célula.
Moléculas das proteínas periféricas são, frequentemente, ligadas às
proteínas integrantes. Essas proteínas periféricas funcionam quase sempre
como enzimas ou como controladores do transporte de substâncias através
dos “poros” da membrana celular.
Carboidratos da Membrana — O “Glicocálice” Celular. Os
carboidratos na membrana ocorrem, quase invariavelmente, em combinação
com proteínas ou lipídios, na forma de glicoproteínas ou glicolipídios. Na
verdade, muitas das proteínas integrantes são glicoproteínas, e cerca de um
décimo das moléculas de lipídios da membrana é composto de glicolipídios.
As porções “glico” dessas moléculas quase invariavelmente se estendem
para fora da célula, na superfície externa da membrana celular. Muitos
outros compostos de carboidrato, chamados proteoglicanos — que são
principalmente carboidratos ligados ao núcleo de pequenas proteínas —,
estão frouxamente ligados também à superfície externa da célula. Dessa
forma, toda a superfície externa da célula, em geral, apresenta revestimento
frouxo de carboidrato, chamado glicocálice.
Os domínios de carboidratos, ligados à superfície externa da célula,
exercem várias funções importantes:
1. Muitos deles têm carga elétrica negativa, o que dá à maioria das células
uma superfície negativamente carregada que repele ânions.
2. O glicocálice de algumas células se une ao glicocálice de outras, assim
fixando as células umas às outras.
3. Muitos dos carboidratos agem como receptores de substância para a
ligação de hormônios, tais como a insulina; quando a ligação se dá, a
combinação ativa as proteínas internas acopladas que, por sua vez,
ativam cascata de enzimas intracelulares.
4. Alguns domínios de carboidratos participam de reações imunes, como
será discutido no Capítulo 35.
O CITOPLASMA E SUAS ORGANELAS
O citoplasma contém partículas dispersas, minúsculas e grandes, e
organelas. A parte fluida gelatinosa e transparente do citoplasma, onde as partículas ficam dispersas, é chamada citosol; contém, principalmente,
proteínas dissolvidas, eletrólitos e glicose.
Dispersos no citoplasma encontram-se os glóbulos de gordura neutra,
grânulos de glicogênio, ribossomos, vesículas secretórias e cinco organelas
especialmente importantes: o retículo endoplasmático, o complexo
golgiense, as mitocôndrias, os lisossomos e os peroxissomos.
Retículo Endoplasmático
A Figura 2-2 mostra rede de estruturas vesiculares, tubulares e achatadas no
citoplasma; é o retículo endoplasmático. Essa organela ajuda a processar as
moléculas produzidas pela célula e as transporta para os seus destinos
específicos, dentro ou fora da célula. Os túbulos e as vesículas se
interconectam. Suas paredes também são constituídas por membranas com
dupla camada lipídica, com grande quantidade de proteínas, similares às da
membrana celular. A área total dessas estruturas, em algumas células — por
exemplo, nas células hepáticas —, pode ser de até 30 ou 40 vezes a área da
membrana celular.
A estrutura detalhada de pequena porção do retículo endoplasmático é
mostrada na Figura 2-4. O espaço interno dos túbulos e das vesículas é
cheio de matriz endoplasmática, meio aquoso que é diferente do líquido do
citosol, externo ao retículo endoplasmático. Micrografias eletrônicas
mostram que o espaço interno do retículo endoplasmático é conectado com
o espaço entre as duas superfícies da membrana nuclear.
As substâncias, formadas em algumas partes da célula, entram no espaço
do retículo endoplasmático e são, então, direcionadas para outras partes da
célula. Também, a vasta área da superfície desse retículo e os múltiplos
sistemas de enzima anexados às suas membranas fornecem a maquinaria
para grande parte das funções metabólicas da célula.
Figura 2-4. Estrutura do retículo endoplasmático. (Modificada de DeRobertis EDP, Saez FA, DeRobertis EMF: Cell Biology, 6th ed. Philadelphia: WB Saunders, 1975.)
Ribossomos e Retículo Endoplasmático Granular. Ancoradas na
superfície externa de muitas partes do retículo endoplasmático estão
numerosas partículas granulares e minúsculas, chamadas ribossomos. Onde
essas partículas estão presentes, o retículo é chamado retículo
endoplasmático granular. Os ribossomos são compostos de mistura de
RNA e de proteínas, e funcionam na síntese de novas moléculas de
proteínas na célula, como discutido, mais adiante, neste Capítulo e
no Capítulo 3.
Retículo Endoplasmático Agranular. Parte do retículo
endoplasmático não contém ribossomos. Essa parte é chamada retículo
endoplasmático agranular ou liso. O retículo agranular serve para a síntese de substâncias lipídicas e para outros processos das células, promovidos
pelas enzimas intrarreticulares.
Complexo golgiense
O complexo golgiense, mostrado na Figura 2-5, está intimamente
relacionado com o retículo endoplasmático. Ele tem membranas parecidas
com as do retículo endoplasmático agranular. Normalmente, é composto de
quatro ou mais camadas de vesículas fechadas, finas e achatadas,
empilhadas e dispostas na vizinhança de um dos lados do núcleo. Esse
complexo ocorre, destacadamente, em células secretórias, localizado no
polo da célula por onde se dá a secreção.
O complexo golgiense funciona em associação ao retículo
endoplasmático. Conforme mostra a Figura 2-5, pequenas “vesículas de
transporte” (também chamadas vesículas do retículo endoplasmático, ou
vesículas RE) destacam-se do retículo endoplasmático e, logo depois, se
fundem com o complexo golgiense. As substâncias contidas nas vesículas
RE são transportadas do retículo endoplasmático para o complexo
golgiense. As substâncias transportadas são então processadas no complexo
golgiense para formar lisossomos, vesículas secretórias e outros
componentes citoplasmáticos, discutidos mais adiante neste Capítulo.
Figura 2-5. Complexo golgiense típico e sua relação com o retículo endoplasmático (RE) e com o núcleo.
Lisossomos
Os lisossomos, mostrados na Figura 2-2, são organelas vesiculares que se
formam separando-se do complexo golgiense e, depois, se dispersando pelo
citoplasma. Os lisossomos constituem um sistema digestivo intracelular
que permite que a célula digira (1) estruturas celulares danificadas, (2)
partículas de alimentos que foram ingeridos pela célula e (3) materiais
indesejados, tais como bactérias. O lisossomo é muito diferente nos
diversos tipos de células, mas geralmente tem diâmetro de 250 a 750
nanômetros. É cercado por membrana de dupla camada lipídica e contém
grande número de pequenos grânulos, de 5 a 8 nanômetros de diâmetro, que
são agregados proteicos, com até 40 diferentes enzimas hidrolases
(digestivas). Uma enzima hidrolítica é capaz de quebrar composto orgânico em duas ou mais partes, combinando o hidrogênio de uma molécula de água
com uma parte hidroxila do composto da molécula de água com a outra
parte do composto. Assim, a proteína é hidrolisada para formar
aminoácidos, o glicogênio é hidrolisado para formar a glicose e os lipídios
são hidrolisados para formar ácidos graxos e glicerol.
As enzimas hidrolíticas estão altamente concentradas nos lisossomos.
Comumente, a membrana que circunda o lisossomo evita que as enzimas
hidrolíticas, nele contidas, entrem em contato com outras substâncias na
célula e, portanto, impede suas ações digestivas. Entretanto, algumas
condições da célula rompem as membranas de alguns dos lisossomos,
permitindo a liberação das enzimas digestivas. Essas enzimas, então, clivam
as substâncias orgânicas com as quais entram em contato em moléculas
pequenas altamente difundíveis, tais como aminoácidos e glicose. Algumas
das funções mais específicas dos lisossomos serão discutidas mais adiante
neste Capítulo.
Peroxissomos
Os peroxissomos são fisicamente parecidos com os lisossomos, mas
diferentes em dois aspectos importantes. Primeiro, acredita-se que eles
sejam formados por autorreplicação (ou talvez por brotamento do retículo
endoplasmático liso) e não pelo complexo golgiense. Em segundo lugar,
eles contêm oxidases em vez de hidrolases. Diversas oxidases são capazes
de combinar oxigênio com íons hidrogênio derivados de diferentes
substâncias químicas intracelulares para formar o peróxido de hidrogênio
(H O ). O peróxido de hidrogênio é substância altamente oxidante e usado 2 2
em combinação com a catalase, outra oxidase presente em grande
quantidade nos peroxissomos, para oxidar muitas substâncias que de outra
forma poderiam ser tóxicas para a célula. Por exemplo, cerca de metade do
álcool que uma pessoa bebe é desintoxicada para acetaldeído pelos peroxissomos das células hepáticas dessa maneira. Uma função importante
dos peroxissomos consiste em catabolizar os ácidos graxos de cadeia longa.
Vesículas Secretórias
Uma das importantes funções de várias células é a secreção de substâncias
químicas específicas. Quase todas essas substâncias secretadas são
formadas pelo sistema reticuloendoplasmático–complexo golgiense, sendo,
então, liberadas pelo complexo golgiense no citoplasma, na forma de
vesículas de armazenamento, chamadas vesículas secretórias ou grânulos
secretórios. A Figura 2-6mostra vesículas secretórias típicas nas células
acinares pancreáticas; essas vesículas armazenam proteínas que são
proenzimas (enzimas que ainda não foram ativadas). As proenzimas são
secretadas, posteriormente, através da membrana celular apical no ducto
pancreático e daí para o duodeno, onde se tornam ativas e realizam funções
digestivas sobre o alimento no trato intestinal.
Figura 2-6. Grânulos secretórios (vesículas secretórias) em células acinares do pâncreas. Mitocôndrias
As mitocôndrias, mostradas nas Figuras 2-2 e 2-7, são chamadas “casa de
força” da célula. Sem elas, as células seriam incapazes de extrair energia
suficiente dos nutrientes e essencialmente todas as funções celulares
cessariam.
As mitocôndrias estão em todas as áreas citoplasmáticas de cada célula,
mas o número total por célula varia de menos de cem até vários milhares,
dependendo da quantidade de energia necessária para a célula. As células
do músculo cardíaco (cardiomiócitos), por exemplo, utilizam grandes
quantidades de energia e têm muito mais mitocôndrias do que as células de
gordura (adipócitos), que são muito menos ativas e consomem menos
energia. Além disso, as mitocôndrias estão concentradas nas porções da
célula responsáveis pela maior parte do seu metabolismo energético.
Também variam de tamanho e de forma. Algumas mitocôndrias têm apenas
algumas centenas de nanômetros de diâmetro e forma globular, ao passo
que outras são alongadas — chegam a 1 micrômetro de diâmetro e 7
micrômetros de comprimento; outras ainda são ramificadas e filamentares.
A estrutura básica da mitocôndria, mostrada na Figura 2-7, é composta
principalmente de duas membranas, cada uma formada por bicamada
lipídica e proteínas: uma membrana externa e uma membrana interna.
Diversas dobras da membrana interna formam prateleiras ou túbulos
chamados cristas, em que estão aderidas as enzimas oxidativas. As cristas
proporcionam uma grande superfície para que tenham lugar as reações
químicas. Além disso, a cavidade interna da mitocôndria é preenchida por
uma matriz que contém grandes quantidades de enzimas dissolvidas,
necessárias para a extração de energia dos nutrientes. Essas enzimas operam
em associação às enzimas oxidativas nas cristas, oxidando os nutrientes,
formando, desse modo, dióxido de carbono e água e, ao mesmo tempo,
liberando energia. A energia liberada é usada para sintetizar a substân cia de “alta energia”, chamada trifosfato de adenosina (ATP). O ATP é, então,
transportado para fora da mitocôndria e se difunde pela célula para liberar
sua própria energia onde ela for necessária para realizar as funções
celulares. Os detalhes químicos da formação de ATP pela mitocôndria
constam no Capítulo 68, mas algumas das funções básicas do ATP na célula
são apresentadas mais adiante neste Capítulo.
As mitocôndrias são autorreplicantes, o que significa que uma
mitocôndria pode formar uma segunda, uma terceira, e assim por diante,
onde na célula houver necessidade de maiores quantidades de ATP. De fato,
a mitocôndria contém DNA similar ao encontrado no núcleo da célula.
No Capítulo 3 veremos que o DNA é a substância química básica do núcleo
que controla a replicação da célula. O DNA da mitocôndria desempenha um
papel similar, controlando a replicação da própria mitocôndria. As células
que enfrentam aumentos na demanda de energia, o que ocorre, por exemplo,
nos músculos esqueléticos submetidos a treinamento crônico de exercícios,
podem aumentar a densidade de mitocôndrias para fornecer a energia
adicional necessária.
Figura 2-7. Estrutura da mitocôndria. (Modificada de DeRobertis EDP, Saez FA, DeRobertis EMF: Cell Biology, 6th ed. Philadelphia: WB Saunders, 1975.)
Citoesqueleto Celular — Filamentos e Estruturas
Tubulares da Célula
O citoesqueleto celular é uma rede de proteínas fibrilares geralmente
organizadas em filamentos ou túbulos. As moléculas precursoras de
proteína são sintetizadas pelos ribossomos no citoplasma. As moléculas
precursoras então se polimerizam para formar filamentos. Como um
exemplo, grandes quantidades de filamentos de actina geralmente ocorrem
na zona mais externa do citoplasma, chamada ectoplasma, e formam um
suporte elástico para a membrana celular. Também, em células musculares,
os filamentos de actina e miosina são organizados em uma máquina
contrátil especial que é a base da contração muscular, como discutiremos
detalhadamente no Capítulo 6.
Um tipo especial de filamento rígido, composto de moléculas de tubulina
polimerizadas, é usado em todas as células para construir estruturas
tubulares muito fortes, os microtúbulos. A Figura 2-8 mostra os
microtúbulos típicos do flagelo de um espermatozoide.
Outro exemplo de microtúbulo é a estrutura esquelética tubular no centro
de cada cílio que se projeta do citoplasma da célula para a ponta do cílio.
Essa estrutura será discutida adiante, neste Capítulo, e é ilustrada na Figura
2-18. Além disso, tanto os centríolos quanto o fuso mitótico da célula em
mitose são compostos de microtúbulos rígidos.
A função primária dos microtúbulos, assim, é a de formar o citoesqueleto,
proporcionando estruturas físicas rígidas para certas partes de células. O
citoesqueleto da célula não só determina a forma da célula, como também
participa na divisão celular, permite o seu movimento e proporciona um
sistema de trilhas que dirige o movimento das organelas no interior das
células.
Figura 2-8. Microtúbulos separados do flagelo de um espermatozoide. (De Wolstenholme GEW, O’Connor M, e the publisher, JA Churchill, 1967. Figura 4, página 314. Copyright Novartis Foundation, antiga Ciba Foundation.)
Núcleo
O núcleo, que é o centro de controle da célula, envia mensagens para a
célula crescer e amadurecer, para replicar ou para morrer. Resumidamente,
o núcleo contém grande quanti dade de DNA, que compreende os genes.
Estes determinam as características das proteínas da célula, incluindo as
proteínas estruturais, como também as enzimas intracelulares que controlam
as atividades citoplasmáticas e nucleares.
Os genes também controlam e promovem a reprodução da própria célula.
Os genes primeiro se replicam para formar dois conjuntos idênticos de
genes; depois, a célula se divide, por processo especial, chamado mitose,
para formar duas células-filhas, e cada uma delas recebe um dos dois
conjuntos de genes de DNA. Todas essas atividades do núcleo serão
detalhadamente consideradas no Capítulo 3.
Infelizmente, a aparência do núcleo ao microscópio não fornece muitas
pistas sobre os mecanismos pelos quais realiza suas atividades de controle.
A Figura 2-9 mostra a aparência do núcleo na interfase (o período entre as
mitoses) ao microscópio óptico, revelando a coloração escura da cromatina
dispersa pelo nucleoplasma. Durante a mitose, a cromatina se organiza na
forma de cromossomos altamente estruturados, que podem, então, ser
identificados pelo microscópio óptico, conforme ilustrado no Capítulo 3.
Figura 2-9. Estrutura do núcleo.
Membrana Nuclear. A membrana nuclear, também chamada envelope
nuclear, é, na verdade, constituída por duas membranas, cada uma com a
bicamada lipídica uma por dentro da outra. A membrana externa é contínua
com o retículo endoplasmático do citoplasma celular, e o espaço entre as
duas membranas nucleares é contínuo com o espaço interno do retículo
endoplasmático, como mostrado na Figura 2-9.
A membrana nuclear é vazada por vários milhares de poros nucleares.
Grandes complexos de moléculas de proteínas estão aderidos às bordas dos poros, de forma que a área central de cada poro tem apenas cerca de 9