Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 200 de 351

Páginas do PDF

Tratado de Fisiologia Médica

Proporção das Trocas Respiratórias

valor venoso em torno de 7,37. Em outras palavras, ocorre variação do pH de 0,04

unidade. O inverso se dá quando o CO é liberado do sangue, nos pulmões, com 2

o pH subindo para o valor arterial de 7,41, mais uma vez. Durante exercícios

intensos ou em outras condições de alta atividade metabólica, ou ainda quando o

fluxo sanguíneo pelos tecidos estiver lento, a queda do pH do sangue tecidual (e

nos próprios tecidos) pode ser de até 0,50, cerca de 12 vezes o normal,

causando, dessa forma, significativa acidose tecidual.

 

PROPORÇÃO DAS TROCAS RESPIRATÓRIAS

 

O estudante atento terá observado que o transporte normal de O dos 2

pulmões para os tecidos, por cada 100 mililitros de sangue, é de

aproximadamente 5 mililitros, enquanto o transporte normal de CO , dos 2

tecidos para os pulmões, é em torno de 4 mililitros. Assim, sob condições

normais de repouso, apenas cerca de 82% mais CO são expirados pelos 2

pulmões do que O é captado pelos pulmões. A proporção do débito de CO 22

em relação à captação de O é denominada proporção de trocas 2

respiratórias (R) também chamado quociente respiratório. Ou seja,

 

O valor de R muda sob condições metabólicas diferentes. Quando a

pessoa está utilizando exclusivamente carboidratos, para o metabolismo

corporal, R sobe para 1,00. Por outro lado, quando a pessoa está utilizando

gorduras como energia metabólica, R cai para até 0,7. A razão dessa

diferença é que quando o O é metabolizado com carboidratos, uma 2

molécula de CO é formada para cada molécula de O consumida; quando o 2 2

O reage com gorduras, grande parcela do O se combina com átomos de 2 2

hidrogênio das gorduras, formando água em vez de CO . Em outras 2

palavras, quando gorduras são metabolizadas, o quociente respiratório das

reações químicas nos tecidos é de cerca de 0,70, em vez de 1,00. (O

quociente respiratório tecidual é discutido no Capítulo 72.) No caso de

pessoa em dieta normal que consuma quantidades médias de carboidratos,

gorduras e proteínas, considera-se que o valor médio de R é 0,825.

 

Bibliografia

Amann M, Calbet JA: Convective oxygen transport and fatigue. J Appl Physiol 104:861,

2008.

Casey DP, Joyner MJ: Compensatory vasodilatation during hypoxic exercise: mechanisms

responsible for matching oxygen supply to demand. J Physiol 590:6321, 2012.

Clanton TL, Hogan MC, Gladden LB: Regulation of cellular gas exchange, oxygen sensing,

and metabolic control. Compr Physiol 3:1135, 2013.

Geers C, Gros G: Carbon dioxide transport and carbonic anhydrase in blood and muscle.

Physiol Rev 80:681, 2000.

Jensen FB: Red blood cell pH, the Bohr effect, and other oxygenation-linked phenomena in

blood O and CO transport. Acta Physiol Scand 182:215, 2004. 2 2

Jensen FB: The dual roles of red blood cells in tissue oxygen delivery: oxygen carriers and

regulators of local blood flow. J Exp Biol 212:3387, 2009.

Maina JN, West JB: Thin and strong! The bioengineering dilemma in the structural and

functional design of the blood-gas barrier. Physiol Rev 85:811, 2005.

Mairbäurl H: Red blood cells in sports: effects of exercise and training on oxygen supply by

red blood cells. Front Physiol 4:332, 2013.

Mairbäurl H, Weber RE: Oxygen transport by hemoglobin. Compr Physiol 2:1463, 2012.

Piiper J: Perfusion, diffusion and their heterogeneities limiting blood-tissue O transfer in 2

muscle. Acta Physiol Scand 168:603, 2000.

Richardson RS: Oxygen transport and utilization: an integration of the muscle systems. Adv

Physiol Educ 27:183, 2003.

Tsai AG, Johnson PC, Intaglietta M: Oxygen gradients in the microcirculation. Physiol Rev

83:933, 2003.

 

OceanofPDF.com