Tratado de Fisiologia Médica
Regulação da Reabsorção Tubular
tubular.
Por exemplo, a proporção entre as concentrações no líquido tubular/plasma
para a inulina aumenta até cerca de 3,0 no final dos túbulos proximais,
indicando que a concentração de inulina no líquido tubular é três vezes maior
do que no plasma e no filtrado glomerular. Como a inulina não é secretada ou
reabsorvida dos túbulos, proporção da concentração no líquido
tubular/plasma de 3,0 significa que apenas um terço da água que foi filtrada
permanece no túbulo renal, e que dois terços da água filtrada são
reabsorvidos à medida que o líquido passa pelo túbulo proximal. Ao final dos
ductos coletores, a proporção da concentração líquido tubular/plasma de
inulina aumenta até cerca de 125 (Figura 28-15), indicando que apenas 1/125
da água filtrada permanece no túbulo, e que mais de 99% foram reabsor‐
vidos.
REGULAÇÃO DA REABSORÇÃO TUBULAR
Considerando que é essencial manter o equilíbrio preciso entre reabsorção
tubular e filtração glomerular, existem múltiplos mecanismos de controle
nervosos, hormonais e locais que regulam a reabsorção tubular, da mesma
forma que também existem para o controle da filtração glomerular.
Característica importante da reabsorção tubular é que a reabsorção de alguns
solutos pode ser regulada, independentemente de outros, em especial por
meio de mecanismos hormonais de controle.
equilíbrio GLOMERULOTUBULAR: A TAXA DE
REABSORÇÃO AUMENTA EM RESPOSTA À CARGA
TUBULAR
Um dos mecanismos mais básicos para o controle da reab sorção tubular é a
capacidade intrínseca dos túbulos de aumentar sua intensidade de reabsorção em resposta à elevação da carga tubular (influxo tubular aumentado). Esse
fenômeno é denominado equilíbrio glomerulotubular. Por exemplo, se a FG
for aumentada de 125 mL/min para 150 mL/min, a intensidade absoluta da
reabsorção tubular proximal também aumentará de cerca de 81 mL/min (65%
da FG) para cerca de 97,5 mL/min (65% da FG). Dessa forma, o equilíbrio
glomerulotubular refere-se ao fato de que a intensidade total de reabsorção
aumenta à medida que a carga filtrada aumenta, muito embora a porcentagem
da FG reabsorvida no túbulo proximal permaneça relativamente constante,
em torno de 65%.
Algum grau de equilíbrio glomerulotubular também ocorre em outros
segmentos tubulares, especialmente, na alça de Henle. Os mecanismos
precisos responsáveis por isso não são totalmente compreendidos, mas
podem ocorrer parcialmente por alterações nas forças físicas, no túbulo e no
interstício renal circunjacente, como discutido adiante. É evidente que os
mecanismos para o equilíbrio glomerulotubular podem ocorrer
independentemente de hormônios, e podem ser demonstrados em rins
completamente isolados ou até mesmo em segmentos tubulares proximais
totalmente isolados.
A importância do equilíbrio glomerulotubular é que ele auxilia a evitar a
sobrecarga dos segmentos tubulares distais, quando a FG aumenta. O
equilíbrio glomerulotubular atua como uma segunda linha de defesa para
amortecer os efeitos das alterações espontâneas na FG sobre o débito urinário
(a primeira linha de defesa, discutida antes, inclui os mecanismos
autorreguladores renais, especialmente o feedback tubuloglomerular, que
ajuda a evitar grandes alterações na FG). Trabalhando em conjunto, os
mecanismos autorreguladores e os do equilíbrio glomerulotubular evitam
grandes alterações do fluxo de líquido nos túbulos distais, quando a pressão
arterial se altera, ou quando ocorrem outros distúrbios que, de outra forma,
iriam interferir na manutenção da homeostasia de sódio e de volume. FORÇAS FÍSICAS DO LÍQUIDO CAPILAR PERITUBULAR
E INTERSTICIAL RENAL
Forças hidrostáticas e coloidosmóticas controlam a reabsorção, ao longo dos
capilares peritubulares, da mesma forma que essas forças físicas controlam a
filtração nos capilares glomerulares. Alterações da reabsorção capilar
peritubular podem, por sua vez, influenciar as pressões hidrostáticas e
coloidosmóticas do interstício renal e, em última análise, a reabsorção de
água e de solutos pelos túbulos renais.
Valores Normais para as Forças Físicas e de Reabsorção. À
medida que o filtrado glomerular passa pelos túbulos renais, mais de 99% da
água e a maioria dos solutos são, normalmente, reabsorvidos. Líquido e
eletrólitos são reabsorvidos dos túbulos para o interstício renal, e aí para os
capilares peritubulares. A intensidade normal de reabsorção dos capilares
peritubulares é de cerca de 124 mL/min.
A reabsorção pelos capilares peritubulares pode ser calculada como:
Reabsorção = K × Força efetiva de reabsorção f
A força líquida de reabsorção representa a soma das forças hidrostáticas e
coloidosmóticas, que podem tanto favorecer quanto se opor à reabsorção
pelos capilares peritubulares. Essas forças incluem (1) pressão hidrostática
dos capilares peritubulares (pressão hidrostática peritubular [P ]), que se c
opõe à reabsorção; (2) pressão hidrostática no interstício renal (P ) fora dos if
capilares, que favorece a reabsorção; (3) pressão coloidosmótica das
proteínas plasmáticas, nos capilares peritubulares ( p ), que favorece a reab‐ c
sorção; e (4) pressão coloidosmótica das proteínas no interstício renal (p ), if
que se opõe à reabsorção.
A Figura 28-16 mostra as forças normais aproximadas que favorecem e se
opõem à reabsorção peritubular. Uma vez que a pressão normal dos capilares
peritubulares é, em média, cerca de 13 mmHg e a pressão hidrostática do líquido intersticial renal é, em média, 6 mmHg, existe gradiente positivo de
pressão hidrostática do capilar peritubular para o líquido intersticial de
aproximadamente 7 mmHg, que se opõe à reab sorção de líquido. Essa
oposição à reabsorção de líquidos é mais do que contrabalançada pelas
pressões coloidosmóticas que favorecem a reabsorção. A pressão
coloidosmótica plasmática, que favorece a reabsorção, é de cerca de 32
mmHg, e a pressão coloidosmótica do interstício, que se opõe à reabsorção, é
de 15 mmHg, produzindo força efetiva coloidosmótica em torno de 17
mmHg, que favorece a reabsorção. Subtraindo as forças hidrostáticas efetivas
que se opõem à reabsorção (7 mmHg) das forças efetivas coloidosmóticas
que favorecem a reabsorção (17 mmHg), gera-se força efetiva de reabsorção
de cerca de 10 mmHg. Esse valor é elevado, similar ao encontrado nos
capilares glomerulares, mas em direção oposta.
O outro fator que contribui para a alta intensidade de reabsor ção de líquido
nos capilares peritubulares é o grande coeficiente de filtração (K ), devido à f
grande condutividade hidráulica e à grande área de superfície dos capilares.
Sendo a intensidade de reabsorção normalmente de cerca de 124 mL/min e a
pressão de reabsorção resultante de 10 mmHg, K , costuma ser f
aproximadamente de 12,4 mL/min/mmHg.
Figura 28-16. Resumo das forças hidrostáticas e coloidosmóticas que determinam a reabsorção de líquido pelos capilares peritubulares. Os valores numéricos mostrados são estimativas dos valores normais para seres humanos. A pressão efetiva de reabsorção é, normalmente, cerca de 10 mmHg, fazendo com que líquido e solutos sejam reabsorvidos para os capilares peritubulares à medida que são transportados através das células tubulares renais. ATP, trifosfato de adenosina; P , pressão hidrostática dos capilares c
peritubulares; P , pressão hidrostática do líquido intersticial; p , pressão coloidosmótica dos if c capilares peritubulares; p , pressão coloidosmótica do líquido intersticial. if
Regulação das Forças Físicas dos Capilares Peritubulares. Os
dois determinantes da reabsorção pelos capilares peritubulares, influenciados
diretamente pelas alterações hemodinâmicas renais, são as pressões
hidrostáticas e coloidosmóticas dos capilares peritubulares. A pressão
hidrostática dos capilares peritubulares é influenciada pela pressão arterial
e pelas resistências das arteríolas aferentes e eferentes do seguinte modo: (1)
Aumentos da pressão arterial tendem a elevar a pressão hidrostática dos
capilares peritubulares e a diminuir a intensidade de reabsorção. Esse efeito é
amortecido, em parte, por mecanismos autorreguladores que mantêm o fluxo
sanguíneo renal relativamente constante, bem como as pressões hidrostáticas
relativamente constantes nos vasos sanguíneos renais; (2) a elevação da
resistência das arteríolas aferentes ou eferentes reduz a pressão hidrostática dos capilares peritubulares e tende a aumentar a intensidade de reabsorção.
Embora a constrição das arteríolas eferentes aumente a pressão hidrostática
capilar glomerular, ela diminui a pressão hidrostática dos capilares
peritubulares.
O segundo maior determinante da reabsorção capilar peritubular é a pressão
coloidosmótica do plasma nesses capilares; o aumento da pressão
coloidosmótica eleva a reab sorção dos capilares peritubulares. A pressão
coloidosmótica dos capilares peritubulares é determinada: (1) pela pressão
coloidosmótica plasmática sistêmica; o aumento da concentração proteica
plasmática do sangue sistêmico tende a aumentar a pressão coloidosmótica
dos capilares peritubulares, aumentando dessa forma a reabsorção; e (2) pela
fração de filtração; quanto maior a fração de filtração, maior a fração de
plasma filtrada pelo glomérulo e, consequentemente, mais concentrada fica a
proteína plasmática que permanece no capilar. Dessa forma, o aumento da
fração de filtração também tende a incrementar a intensidade de reabsorção
dos capilares peritubulares. Uma vez que a fração de filtração é definida
como a proporção de FG/FPR, o aumento da fração de filtração pode ocorrer
como resultado da FG elevada ou de FPR diminuído. Alguns
vasoconstritores renais, como a angiotensina II, aumentam a reabsorção dos
capilares peritubulares, pela diminuição do fluxo plasmático renal e pelo
aumento da fração de filtração, como discutido adiante.
Alterações no K dos capilares peritubulares também podem influenciar a f
reabsorção, pois o K é medida da permeabilidade e da área de superfície dos f
capilares. Aumentos do K elevam a reabsorção, enquanto diminuições do K ff
reduzem a reabsorção dos capilares peritubulares. K permanece f
relativamente constante na maioria das condições fisiológicas. A Tabela 28-
2 resume os fatores que podem influenciar a reabsorção pelos capilares
peritubulares.
Tabela 28-2 Fatores que Podem Influenciar a Reabsorção Capilar Peritubular
↑ P → ↓ Reabsorção C
• ↓ R → ↑ P AC
• ↓ R → ↑ P EC
• ↑ Pressão arterial → ↑ PC
↑ p → ↑ Reabsorção C
• ↑ p → ↑ p AC
• ↑ FF → ↑ pC
↑ K → ↑ Reabsorção f
FF, fração de filtração; K , coeficiente de filtração dos capilares peritubulares; P , pressão f C
hidrostática dos capilares peritubulares; p , pressão coloidosmótica arterial plasmática; p , A C
pressão coloidosmótica capilar peritubular; R e R , resistências arteriolares aferente e A E
eferente, respectivamente.
Pressões Hidrostáticas e Coloidosmóticas Intersticiais Renais.
Em última análise, as alterações das forças físicas dos capilares peritubulares
influenciam a reabsorção tubular, por alterarem as forças físicas no interstício
renal que circunda os túbulos. Por exemplo, a queda da força de reabsorção
através da membrana dos capilares peritubulares, causada tanto por aumento
da pressão hidrostática dos capilares peritubulares quanto por diminuição da
pressão coloidosmótica dos capilares peritubulares, reduz a captação de
líquido e de solutos do interstício para os capilares peritubulares. Essa ação,
por sua vez, eleva a pressão hidrostática do líquido intersticial renal e reduz a
pressão coloidos mótica do líquido intersticial, em decorrência da diluição das
proteínas no interstício renal. Essas alterações, por conseguinte, reduzem a
reabsorção efetiva de líquido dos túbulos renais para o interstício,
especialmente nos túbulos proximais.
Os mecanismos, pelos quais alterações nas pressões hidrostáticas e
coloidosmóticas do líquido intersticial influenciam a reabsorção tubular,
podem ser compreendidos pela análise das vias por onde são reabsorvidos os
solutos e água (Figura 28-17). Uma vez ocorrendo a entrada de solutos nos
canais intercelulares ou no interstício renal, por transporte ativo ou difusão passiva, a água é retirada do lúmen tubular para o interstício por osmose. Por
outro lado, havendo água e solutos nos espaços intersticiais, eles podem tanto
ser arrastados para os capilares peritubulares quanto serem difundidos de
volta para o lúmen tubular através das junções epiteliais. As denominadas
junções oclusivas entre as células epiteliais do túbulo proximal são passíveis
de vazamentos, de modo que quantidades con sideráveis de sódio podem ser
difundidas em ambas as direções por essas junções. Com a alta intensidade
da reabsorção normal dos capilares peritubulares, o movimento efetivo de
água e de solutos ocorre nos capilares peritubulares, com pouco
retrovazamento para o lúmen do túbulo. No entanto, quando há redução da
reabsorção capilar peritubular, acontece aumento da pressão hidrostática do
líquido intersticial e tendência para que grandes quantidades de soluto e água
vazem de volta para o lúmen tubular, reduzindo, assim, a reabsorção efetiva
(Figura 28-17).
O oposto é verdadeiro quando aumenta a reabsorção capilar peritubular
para valores acima do nível normal. O aumento inicial da reabsorção pelos
capilares peritubulares tende a reduzir a pressão hidrostática do líquido
intersticial e a elevar a pressão coloidosmótica do líquido intersticial. Essas
duas forças favorecem o movimento de líquido e de solutos para fora do
lúmen tubular e para o interstício; portanto, o retorno de água e de solutos
para o lúmen tubular é reduzido, e a reabsorção tubular efetiva aumenta.
Dessa forma, por meio de alterações das pressões hidrostá ticas e
coloidosmóticas do interstício renal, a captação de água e de solutos pelos
capilares peritubulares está intimamen te acoplada à reabsorção efetiva de
água e de solutos do lúmen tubular para o interstício. Assim sendo, em geral,
as forças que aumentam a reabsorção dos capilares peri tubula res também
elevam a reabsorção dos túbulos renais. De forma inversa, alterações
hemodinâmicas, que inibem a reabs orção dos capilares peritubulares,
também inibem a reab sorção tubular de água e de solutos.
Figura 28-17. Reabsorção pelo túbulo proximal e capilares peritubulares sob condições normais (acima) e durante reabsorção diminuída dos capilares peritubulares (embaixo) causada pelo aumento da pressão hidrostática peritubular capilar (P ) ou pela diminuição da c
pressão coloidosmótica dos capilares peritubulares (p ). A reabsorção capilar peritubular c reduzida por sua vez diminui a reabsorção efetiva de solutos e água pelo aumento das quantidades de solutos e água que vazam de volta para o lúmen tubular através das junções ocludentes das células epiteliais tubulares, especialmente no túbulo proximal.
EFEITO DA PRESSÃO ARTERIAL SOBRE O DÉBITO
URINÁRIO — OS MECANISMOS DE NATRIURESE E
DIURESE PRESSÓRICAs
Mesmo pequenos aumentos na pressão arterial podem causar aumentos
acentuados da excreção urinária de sódio e água, fenômenos denominados
natriurese pressórica e diurese pressórica. Por causa dos mecanismos
autorreguladores, descritos noCapítulo 27, a elevação da pressão arterial
entre os limites de 75 e 160 mmHg normalmente tem efeito pequeno sobre o
fluxo sanguíneo renal e a FG. O discreto aumento da FG, que realmente
ocorre contribui, em parte, para o efeito da pressão arterial elevada sobre o
débito urinário. Quando a autorregulação da FG está alterada, como ocorre
frequentemente na doença renal, aumentos da pressão arterial podem
produzir aumentos bem maiores da FG.
O segundo efeito da pressão arterial renal aumentada, que eleva o débito
urinário, é que ela diminui a porcentagem das cargas filtradas de sódio e água
que é reabsorvida pelos túbulos. Os mecanismos responsáveis por esse efeito
incluem discreta elevação da pressão hidrostática capilar peritubular,
especialmente nos vasa recta da medula renal, e aumento subsequente da
pressão hidrostática do líquido intersticial renal. Como discutido antes, o
aumento da pressão hidrostática do líquido intersticial renal intensifica o
retorno de sódio para o lúmen tubular, reduzindo, dessa forma, a reabsorção
efetiva de sódio e água e aumentando ainda mais o débito urinário, quando a
pressão arterial renal se eleva.
O terceiro fator que contribui para os mecanismos de natriurese pressórica e
de diurese pressórica é a formação reduzida de angiotensina II. A própria
angiotensina II aumenta a reabsorção de sódio pelos túbulos; e também
estimula a secreção de aldosterona, o que aumenta ainda mais a reabsor ção
de sódio. Por conseguinte, a formação diminuída de angiotensina II contribui
para a reabsorção tubular de sódio diminuída que ocorre quando a pressão
arterial está aumentada.
CONTROLE HORMONAL DA REABSORÇÃO TUBULAR
A regulação precisa dos volumes de líquidos corporais e das concentrações
de soluto exige que os rins excretem solutos diferentes e água com
intensidades variáveis, algumas vezes independentemente entre eles. Por
exemplo, quando a ingestão de potássio está aumentada, os rins devem
excretar mais potássio, ao mesmo tempo em que mantêm a excreção normal
de sódio e de outros eletrólitos. Da mesma forma, quando a ingestão de sódio
está alterada, os rins devem ajustar, adequadamente, a excreção urinária de
sódio, sem maiores alterações da excreção de outros eletrólitos. Vários
hormônios no corpo proporcionam essa especificidade da reabsorção tubular
para diferentes eletrólitos e para água. A Tabela 28-3 resume alguns dos
hormônios mais importantes para a regulação da reabsorção tubular, seus
principais locais de ação no túbulo renal e seus efeitos sobre a excreção de
soluto e água. Alguns desses hormônios são discutidos, com mais detalhes,
nos Capítulos 29 e 30, mas revisaremos, de forma breve, suas ações renais
tubulares nos parágrafos seguintes.
Tabela 28-3 Hormônios que Regulam a Reabsorção Tubular
Hormônio Local de Ação Efeitos
Aldosterona Túbulo e ducto coletores ↑ Reabsorção de NaCl e H O, 2
↑ secreção de K+, ↑ secreção de H+
Angiotensina Túbulo proximal, porção ascendente ↑ Reabsorção de NaCl e H O, 2
II espessa da alça de Henle/túbulo distal, + ↑ secreção de H
túbulo coletor
Hormônio Túbulo distal/túbulo e ducto coletores ↑ Reabsorção de H O 2
antidiurético
Hormônio da Túbulo proximal, porção ascendente − ↓ Reabsorção de PO, ↑ 4
paratireoide espessa da alça de Henle/túbulo distal ++ reabsorção de Ca
Peptídeo Túbulo distal/túbulo e ducto coletores ↓ Reabsorção de NaCl
natriurético
atrial A Aldosterona Aumenta a Reabsorção de Sódio e Estimu la a
Secreção de Potássio. A aldosterona, secretada pelas células da zona
glomerulosa do córtex adrenal, é regulador importante da reabsorção de
sódio e da secreção de íons potássio e hidrogênio pelos túbulos renais. O
primeiro sítio tubular renal da ação da aldosterona é o conjunto das células
principais do túbulo coletor cortical. O mecanismo, pelo qual a aldosterona
aumenta a reabsorção de sódio e a secreção de potássio, é por estimulação da
bomba sódio-potássio ATPase, na face basolateral da membrana do túbulo
coletor cortical. A aldosterona também aumenta a permeabilidade ao sódio
da face luminal da membrana. Os mecanismos celulares da ação da
aldosterona são discutidos no Capítulo 78.
Os estímulos mais importantes para a aldosterona são: (1) concentração de
potássio extracelular aumentada; e (2) níveis de angiotensina II elevados, o
que ocorre, geralmente, em condições associadas à depleção de sódio e de
volume ou pressão sanguínea baixa. A secreção aumentada de aldosterona,
associada a essas condições, causa retenção de sódio e de água, ajudando a
aumentar o volume do líquido extracelular e restaurar a pressão sanguínea
aos níveis normais.
Na ausência de aldosterona, como ocorre com a destruição ou mau
funcionamento das adrenais (doença de Addison), há perda acentuada de
sódio do corpo e acúmulo de potássio. Inversamente, o excesso de secreção
de aldosterona, como acontece em pacientes com tumores adrenais (síndrome
de Conn), está associado à retenção de sódio e à diminuição da concentração
plasmática de potássio, devido, em parte, à secreção excessiva de potássio
pelos rins. Embora a regulação diária do equilíbrio do sódio possa ser
mantida, desde que estejam presentes níveis mínimos de aldosterona, a
incapacidade de ajustar adequadamente a secreção de aldosterona prejudica
muito a regulação da excreção renal de potássio e a concentração de potássio
dos líquidos corporais. Dessa forma, a aldosterona é ainda mais importante como reguladora da concentração de potássio do que é para a concentração
de sódio.
A Angiotensina II Aumenta a Reabsorção de Sódio e Água. A
angiotensina II, talvez seja o hormônio de retenção de sódio mais potente do
organismo. Como discutido no Capítulo 19, a formação de angiotensina II
aumenta em circunstâncias associadas à pressão sanguínea baixa e/ou ao
volume de líquido extracelular diminuído, como ocorre durante hemorragia
ou perda de sal e água dos líquidos corporais por sudorese ou diarreia grave.
A formação aumentada de angiotensina II auxilia o retorno da pressão
sanguínea e o volume extracelular aos níveis normais pelo aumento da
reabsorção de sódio e água dos túbulos renais por meio de três efeitos
principais:
1. A angiotensina II estimula a secreção de aldosterona que, por sua vez,
eleva a reabsorção de sódio.
2. A angiotensina II contrai as arteríolas eferentes, o que produz dois
efeitos sobre a dinâmica dos capilares peritubulares que elevam a
reabsorção de sódio e água. Primeiro, a contração da arteríola eferente
reduz a pressão hidrostática dos capilares peritubulares, o que aumenta a
reabsorção tubular efetiva especialmente nos túbulos proximais. Segundo,
a contração arteriolar eferente, ao reduzir o fluxo sanguíneo renal, eleva a
fração de filtração do glomérulo e aumenta a concentração de proteínas e
a pressão coloidosmótica nos capilares peritubulares; esse mecanismo
aumenta a força de reabsorção nos capilares peritubulares e eleva a
reabsorção tubular de sódio e água.
3. A angiotensina II estimula diretamente a reabsorção de sódio em túbulos
proximais, alças de Henle, túbulos distais e túbulos coletores. Um dos
efeitos diretos da angiotensina II é o de estimular a bomba de sódio-
potássio ATPase na membrana basolateral da célula epitelial tubular. Um
segundo efeito é estimular a troca de sódio-hidrogênio na membrana
luminal, especialmente no túbulo proximal. Um terceiro efeito da
angiotensina II é o de estimular o cotransporte de sódio e bicarbonato,
através das membranas basolaterais (Figura 28-18).
Assim, a angiotensina II estimula o transporte de sódio através das faces
luminal e basolateral da membrana das células epiteliais, da maior parte dos
segmentos tubulares renais. Essas ações múltiplas da angiotensina II
produzem retenção acentuada de água e de sódio, pelos rins, quando os
níveis de angiotensina II estão aumentados e têm participação crítica,
permitindo que o corpo se adapte a amplas variações na entrada de sódio,
sem grandes variações do volume do líquido extracelular e na pressão
arterial, como discutido no Capítulo 30.
Ao mesmo tempo que a angiotensina II aumenta a reab sorção tubular renal
de sódio, seu efeito vasoconstritor nas arteríolas eferentes também auxilia na
manutenção da excreção normal de resíduos metabólicos, tais como ureia e
creatinina, que dependem principalmente de FG adequada para sua excreção.
Assim, o aumento da formação de angiotensina II permite a retenção de
sódio e água pelos rins, sem causar retenção dos produtos residuais
metabólicos.
Figura 28-18. Efeitos diretos da angiotensina II (Ang II) de aumentar a reabsorção de sódio, pelo túbulo proximal. A Ang II estimula a troca sódio-hidrogênio (TNH), pela membrana luminal e o transportador sódio potássio ATPase, bem como o cotransporte sódio-bicarbonato, pela membrana basolateral. Esses mesmos efeitos da Ang II provavelmente ocorrem em diversas outras áreas do túbulo renal, incluindo a alça de Henle, o túbulo distal e coletor.
O ADH Aumenta a Reabsorção de Água. A ação renal mais
importante do ADH é a de aumentar a permeabilidade à água dos epitélios do
túbulo distal, túbulo coletor e do ducto coletor. Esse efeito ajuda a poupar
água, em circunstâncias como a desidratação. Na ausência de ADH, a
permeabilidade dos túbulos distais e dos ductos coletores à água é baixa,
fazendo com que os rins excretem grandes quantidades de urina diluída, uma
condição chamada de diabetes insípido. Dessa forma, as ações do ADH têm
papel fundamental no controle do grau de diluição ou da concentração da
urina, como discutido com mais detalhes nos Capítulos 29 e 76.
O ADH se liga a receptores V específicos, no final dos túbulos distais, nos 2
túbulos coletores e nos ductos coletores, aumentando a formação de
monofosfato de adenosina cíclico e ativando proteinocinases (Figura 28-19).
Essa ação por sua vez estimula o movimento de proteína intracelular,
chamada aquaporina 2 (AQP-2), para o lado luminal das membranas
celulares. As moléculas de AQP-2 se agrupam e se fundem à membrana
celular por exocitose, formando canais para água que permitem a difusão
rápida de água para as células. Existem outras aquaporinas, AQP-3 e AQP-4,
no lado basolateral da membrana celular que formam via para que a água saia
rapidamente das células, embora não se acredite que essas aquaporinas sejam
reguladas pelo ADH. Aumentos crônicos dos níveis de ADH também elevam
a formação da proteína AQP-2, nas células tubulares renais, pela estimulação
da transcrição do gene da AQP-2. Quando a concentração de ADH diminui,
as moléculas de AQP-2 são deslocadas de volta para o citoplasma celular,
removendo, dessa forma, os canais de água da membrana luminal e reduzindo a permeabilidade à água. Essas ações celulares da ADH são
discutidas no Capítulo 76.
Figura 28-19. Mecanismo de ação da arginina vasopressina (AVP) nas células epiteliais do trecho final do túbulo distal, dos túbulos coletores e dos ductos coletores. A AVP se liga a seus receptores V que estão acoplados às proteínas G estimulantes (G ), que ativam a 2 s adenilatocinase (AC) e estimulam a formação do monofosfato de adenosina cíclico (AMPc). Este, por sua vez, ativa a proteinocinase A e a fosforilação de proteínas intracelulares, promovendo o movimento de moléculas de aquaporina 2 (AQP-2) para a face luminal da membrana celular. As moléculas de AQP-2 se fundem, formando canais para a água. Na fase basolateral da membrana celular, existem outras aquaporinas, AQP-3 e AQP-4, que permitem a saída da água da célula, embora pareça que essas aquaporinas não sejam reguladas pela AVP.
O Peptídeo Natriurético Atrial Diminui a Reabsorção de Sódio e
Água. Quando as células específicas dos átrios cardíacos são distendidas em
função da expansão do volume plasmático e aumento da pressão arterial, secretam o peptídeo chamado de peptídeo natriurético atrial (PNA). Níveis
aumentados desse peptídeo, por sua vez, inibem diretamente a reabsorção de
sódio e água pelos túbulos renais, especialmente nos ductos coletores. O
PNA também inibe a secreção de renina e, portanto, a formação de
angiotensina II, que por sua vez reduz a reabsorção tubular renal. Essa
reabsorção diminuída de sódio e água aumenta a excreção urinária, o que
auxilia a retornar o volume sanguíneo ao normal.
Os níveis do PNA ficam muito aumentados na insuficiência cardíaca
congestiva, quando os átrios cardíacos são estirados, devido ao bombeamento
deprimido dos ventrículos. O PNA aumentado ajuda a atenuar a retenção de
sódio e de água, na insuficiência cardíaca.
O Hormônio da Paratireoide Aumenta a Reabsorção de Cálcio. O
hormônio da paratireoide é um dos hormônios reguladores de cálcio mais
importantes no organismo. Sua ação principal nos rins é a de elevar a
reabsorção tubular de cálcio, especialmente nos túbulos distais e com muita
probabilidade também nas alças de Henle. O hormônio da paratireoide
também tem outras ações, incluindo a inibição da reabsorção de fosfato pelo
túbulo proximal e a estimulação da reabsorção de magnésio, pela alça de
Henle, como discutido no Capítulo 30.
A ATIVAÇÃO DO SISTEMA NERVOSO SIMPÁTICO
AUMENTA A REABSORÇÃO DE SÓDIO
A ativação do sistema nervoso simpático, se intensa, pode diminuir a
excreção de sódio e água, ao contrair as arterío las renais, reduzindo assim a
FG. Mesmo os baixos níveis de ativação simpática, porém, diminuem a
excreção de sódio e água pelo aumento da reabsorção de sódio no túbulo
proximal, no ramo ascendente espesso da alça de Henle e, talvez, em porções
mais distais do túbulo renal. Isso ocorre pela ativação de receptores alfa-
adrenérgicos nas células epiteliais do túbulo renal.