Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 183 de 351

Páginas do PDF

Tratado de Fisiologia Médica

Condições Tromboembólicas

Mesmo sem a realização de exames específicos para a determinação da

concentração plasmática de plaquetas, algumas vezes pode-se suspeitar da

existência de trombocitopenia, se o coágulo sanguíneo da pessoa não se

retrai porque, como destacado anteriormente, a retração do coágulo

normalmente depende da liberação de vários fatores da coagulação pelo

grande número de plaquetas retidas na rede de fibrina do coágulo.

A maioria das pessoas com trombocitopenia tem a doença conhecida

como trombocitopenia idiopática, que significa trombocitopenia de causa

desconhecida. Na maioria dessas pessoas, descobriu-se que por motivos

desconhecidos são formados anticorpos específicos que reagem com as

plaquetas, destruindo-as. Interrupção dos sangramentos, durante 1 a 4 dias,

pode ser produzida no paciente com trombocitopenia por transfusões de

sangue total fresco que contenham grande número de plaquetas. Além

disso, a esplenectomia é, com frequência, útil levando, algumas vezes, à

cura quase completa, pois o baço remove grandes quantidades de plaquetas

do sangue.

 

CONDIÇÕES TROMBOEMBÓLICAS

 

Trombos e Êmbolos. Um coágulo anormal que se desenvolva no vaso

sanguíneo é chamado trombo. Após o desenvol vimento do trombo, o fluxo

contínuo do sangue que passa pelo coágulo provavelmente vai soltá-lo e

causar seu escoamento pelo sangue; esses coágulos que circulam livremente

são conhecidos como êmbolos. Além disso, os êmbolos, origi nados em

grandes artérias ou no lado esquerdo do coração, podem circular para a

periferia e ocluir artérias ou arteríolas no cérebro, nos rins e em outros

locais. Os êmbolos, originados no sistema venoso ou no lado direito do

coração, geralmente fluem para os pulmões e causam embolia arterial

pulmonar.

Causa das Condições Tromboembólicas. As causas das condições

tromboembólicas no ser humano geralmente são duas: (1) qualquer

superfície endotelial áspera de um vaso — como a provocada por

arteriosclerose, infecção ou trauma — provavelmente desencadeará o

processo de coagulação; (2) o sangue, em geral, coagula quando flui muito

lentamente pelos vasos sanguíneos, onde pequenas quantidades de trombina

e outros procoagulantes sempre estão sendo formados.

 

Uso do AP-t no Tratamento dos Coágulos Intravasculares. Já é

possível a fabricação do AP-t pela engenharia genética. Quando

administrado por cateter em uma zona com um trombo, ele é eficiente na

transformação de plasminogênio em plasmina que, por sua vez, pode

dissolver alguns coágulos intravasculares. Por exemplo, se for utilizado

durante a primeira hora ou após oclusão trombótica de uma artéria

coronária, o coração é, com frequência, poupado de dano mais sério.

 

TROMBOSE VENOSA FEMORAL E EMBOLIA

PULMONAR MACIÇA

 

Como a coagulação quase sempre ocorre quando o fluxo sanguíneo é

bloqueado durante muitas horas em qualquer vaso do corpo, a imobilidade

do paciente confinado ao leito, somada à prática de apoiar os joelhos sobre

almofadas, com frequência causa coagulação intravascular devido à estase

sanguínea em uma ou mais veias da perna. A seguir, o coágulo cresce,

principalmente, na direção do sangue que se move lentamente, algumas

vezes crescendo por todo o compri mento da veia da perna e podendo chegar

até a veia ilíaca comum e veia cava inferior. Então, na proporção de 1 para

10, grande parte do coágulo se solta da parede do vaso e circula livremente

com o sangue venoso, pelo lado direito do coração e das artérias

pulmonares, acarretando bloqueio maciço dessas artérias, a conhecida embolia pulmonar maciça. Se o coágulo for suficientemente grande para

ocluir as duas artérias pulmonares ao mesmo tempo, a morte é imediata. Na

oclusão de apenas uma das artérias, a morte pode não ocorrer, ou a embolia

pode levar à morte em questão de horas ou dias devido ao maior

crescimento do coágulo dentro dos vasos pulmonares. Entretanto, no‐

vamente a terapia com AP-t pode salvar a vida.

 

COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA

Ocasionalmente, o mecanismo de coagulação é ativado em áreas

disseminadas da circulação, dando origem à condição chamada coagulação

intravascular disseminada. Esse processo muitas vezes resulta da presença

de grande quantidade de tecido traumatizado ou necrótico no corpo,

liberando grande quantidade de fator tecidual no sangue. Frequentemente,

os coágulos são pequenos, mas numerosos, e obstruem grande parte dos

pequenos vasos periféricos. Esse processo ocorre especialmente em

pacientes com septicemia disseminada, nos quais as bactérias circulantes ou

as toxinas bacterianas — especialmente, as endotoxinas — ativam os

mecanismos da coagulação. A obstrução dos vasos periféricos diminui, de

modo acentuado, a oferta de oxigênio e outros nutrientes para os tecidos —

situação que desencadeia ou exacerba o choque circulatório. Essa é a razão

principal pela qual o choque septicêmico é letal, em mais de 85% dos‐

pacientes.

Efeito peculiar da coagulação intravascular disseminada é que o paciente

nessa situação começa a sangrar. Esse sangramento é explicado pela

remoção de vários dos fatores da coagulação causada pela coagulação

disseminada, fazendo com que poucos procoagulantes permaneçam na

circulação, sendo insuficientes para a hemostasia normal do sangue

circulante.