Tratado de Fisiologia Médica
Fluxo Sanguíneo Renal
↓P → ↓FG ↓A → ↓ Pressão arterial (tem apenas um pequeno efeito devido à G P
↓P autorregulação) G
↓ R → ↓P ↓ Angiotensina II (fármacos que bloqueiam a formação da E G
angiotensina II)
↑R → ↓P ↑ Atividade simpática, hormônios vasoconstritores (p. ex., A G
norepinefrina, endotelina)
* Mudanças contrárias nos determinantes geralmente aumentam a FG.
A , pressão arterial sistêmica; FG, filtrado glomerular; K , coeficiente de filtração P f
glomerular; P , pressão hidrostática da cápsula de Bowman; p , pressão osmótica B G
coloidal capilar glomerular; P , pressão hidrostática capilar glomerular; R , resistência G A
arteriolar aferente; R , resistência arteriolar eferente. E
FLUXO SANGUÍNEO RENAL
Em um homem de 70 quilos, o fluxo sanguíneo para ambos os rins é de
cerca de 1.100 mL/min ou, aproximadamente, 22% do débito cardíaco.
Considerando o fato de que os dois rins constituem apenas cerca de 0,4%
do peso corporal total, pode-se observar que eles recebem fluxo sanguíneo
extremamente elevado, comparado a outros órgãos.
Assim como em outros tecidos, o fluxo sanguíneo supre os rins com
nutrientes e remove produtos indesejáveis. Entretanto, o elevado fluxo para
os rins excede em muito essa necessidade. O propósito desse fluxo
adicional é suprir plasma suficiente para se ter altas intensidades da
filtração glomerular, necessárias para a regulação precisa dos volumes dos
líquidos corporais e das concentrações de solutos. Como é de se esperar, os
mecanismos que regulam o fluxo sanguíneo renal estão intimamente ligados
ao controle da FG e das funções excretoras dos rins.
FLUXO SANGUÍNEO RENAL E CONSUMO DE OXIGÊNIO
Com base no peso por grama, os rins normalmente consomem duas vezes
mais oxigênio que o cérebro, mas têm o fluxo sanguíneo quase sete vezes maior. Dessa forma, o oxigênio fornecido aos rins excede, em muito, suas
necessidades metabólicas, e a extração arteriovenosa de oxigênio é
relativamente baixa, comparada com a da maioria dos tecidos.
Grande fração do oxigênio consumido pelos rins está relacionada à alta
intensidade de reabsorção ativa do sódio pelos túbulos renais. Caso o fluxo
sanguíneo renal e a FG sejam reduzidos e menos sódio seja filtrado,
ocorrerá diminuição da reabsorção de sódio e do oxigênio consumido.
Portanto, o consumo de oxigênio renal varia proporcionalmente à
reabsorção de sódio nos túbulos renais que, por sua vez, está intimamente
relacionada à FG e à intensidade do sódio filtrado (Figura 27-8). Se a
filtração glomerular cessar completamente, a reabsorção renal de sódio
também cessará e o consumo de oxigênio diminuirá para cerca de um
quarto do normal. Esse consumo de oxigênio residual reflete as
necessidades metabólicas básicas das células renais.
Figura 27-8. Relação entre o consumo de oxigênio e a reabsorção de sódio em rins de cães. (De Kramer K, Deetjen P: Relation of renal oxygen consumption to blood supply and glomerular filtration during variations of blood pressure. Pflugers Arch Physiol 271:782, 1960.)
DETERMINANTES DO FLUXO SANGUÍNEO RENAL
O fluxo sanguíneo renal é determinado pelo gradiente de pressão ao longo
da vasculatura renal (a diferença entre as pressões hidrostáticas na artéria
renal e na veia renal) dividido pela resistência vascular renal total:
A pressão na artéria renal é aproximadamente igual à pressão arterial
sistêmica, e a pressão na veia renal é, em média, de 3 a 4 mmHg na maioria
das condições. Como em outros leitos vasculares, a resistência vascular total através dos rins é determinada pela soma das resistências nos
segmentos vasculares individuais, incluindo artérias, arteríolas, capilares e
veias (Tabela 27-3).
A maior parte da resistência vascular renal reside em três segmentos
principais: artérias interlobulares, arteríolas aferentes e arteríolas eferentes.
A resistência desses vasos é controlada pelo sistema nervoso simpático,
vários hormônios e pelos mecanismos renais de controle local, como
discutido adiante. Aumento da resistência de qualquer um desses segmentos
vasculares dos rins tende a reduzir o fluxo sanguíneo renal, enquanto a
diminuição da resistência vascular aumenta o fluxo sanguíneo renal se as
pressões na artéria e veia renal permanecerem constantes.
Embora as alterações da pressão arterial tenham alguma influência sobre o
fluxo sanguíneo renal, os rins têm mecanismos efetivos para manter o fluxo
sanguíneo renal e a FG relativamente constantes em faixa de pressão
arterial entre 80 e 170 mmHg, processo chamado autorregulação. Essa
capacidade para a autorregulação ocorre por mecanismos que são
completamente intrínsecos aos rins, como discutido adiante neste Capítulo.
Tabela 27-3 Pressões Aproximadas e Resistências Vasculares na Circulação de um
Rim Normal
Pressão no
Vaso (mmHg) Porcentagem da Resistência
Vaso Início Final Vascular Renal Total
Artéria renal 100 100 ≈0
Artérias interlobares, arqueadas ≈100 85 ≈16
e interlobulares
Arteríola aferente 85 60 ≈26
Capilares glomerulares 60 59 ≈1
Arteríola eferente 59 18 ≈43
Capilares peritubulares 18 8 ≈10