Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 123 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Fluxo Sanguíneo Renal

↓P → ↓FG ↓A → ↓ Pressão arterial (tem apenas um pequeno efeito devido à G P

↓P autorregulação) G

↓ R → ↓P ↓ Angiotensina II (fármacos que bloqueiam a formação da E G

angiotensina II)

↑R → ↓P ↑ Atividade simpática, hormônios vasoconstritores (p. ex., A G

norepinefrina, endotelina)

* Mudanças contrárias nos determinantes geralmente aumentam a FG.

A , pressão arterial sistêmica; FG, filtrado glomerular; K , coeficiente de filtração P f

glomerular; P , pressão hidrostática da cápsula de Bowman; p , pressão osmótica B G

coloidal capilar glomerular; P , pressão hidrostática capilar glomerular; R , resistência G A

arteriolar aferente; R , resistência arteriolar eferente. E

 

FLUXO SANGUÍNEO RENAL

 

Em um homem de 70 quilos, o fluxo sanguíneo para ambos os rins é de

cerca de 1.100 mL/min ou, aproximadamente, 22% do débito cardíaco.

Considerando o fato de que os dois rins constituem apenas cerca de 0,4%

do peso corporal total, pode-se observar que eles recebem fluxo sanguíneo

extremamente elevado, comparado a outros órgãos.

Assim como em outros tecidos, o fluxo sanguíneo supre os rins com

nutrientes e remove produtos indesejáveis. Entretanto, o elevado fluxo para

os rins excede em muito essa necessidade. O propósito desse fluxo

adicional é suprir plasma suficiente para se ter altas intensidades da

filtração glomerular, necessárias para a regulação precisa dos volumes dos

líquidos corporais e das concentrações de solutos. Como é de se esperar, os

mecanismos que regulam o fluxo sanguíneo renal estão intimamente ligados

ao controle da FG e das funções excretoras dos rins.

 

FLUXO SANGUÍNEO RENAL E CONSUMO DE OXIGÊNIO

 

Com base no peso por grama, os rins normalmente consomem duas vezes

mais oxigênio que o cérebro, mas têm o fluxo sanguíneo quase sete vezes maior. Dessa forma, o oxigênio fornecido aos rins excede, em muito, suas

necessidades metabólicas, e a extração arteriovenosa de oxigênio é

relativamente baixa, comparada com a da maioria dos tecidos.

Grande fração do oxigênio consumido pelos rins está relacionada à alta

intensidade de reabsorção ativa do sódio pelos túbulos renais. Caso o fluxo

sanguíneo renal e a FG sejam reduzidos e menos sódio seja filtrado,

ocorrerá diminuição da reabsorção de sódio e do oxigênio consumido.

Portanto, o consumo de oxigênio renal varia proporcionalmente à

reabsorção de sódio nos túbulos renais que, por sua vez, está intimamente

relacionada à FG e à intensidade do sódio filtrado (Figura 27-8). Se a

filtração glomerular cessar completamente, a reabsorção renal de sódio

também cessará e o consumo de oxigênio diminuirá para cerca de um

quarto do normal. Esse consumo de oxigênio residual reflete as

necessidades metabólicas básicas das células renais.

Figura 27-8. Relação entre o consumo de oxigênio e a reabsorção de sódio em rins de cães. (De Kramer K, Deetjen P: Relation of renal oxygen consumption to blood supply and glomerular filtration during variations of blood pressure. Pflugers Arch Physiol 271:782, 1960.)

 

DETERMINANTES DO FLUXO SANGUÍNEO RENAL

 

O fluxo sanguíneo renal é determinado pelo gradiente de pressão ao longo

da vasculatura renal (a diferença entre as pressões hidrostáticas na artéria

renal e na veia renal) dividido pela resistência vascular renal total:

 

A pressão na artéria renal é aproximadamente igual à pressão arterial

sistêmica, e a pressão na veia renal é, em média, de 3 a 4 mmHg na maioria

das condições. Como em outros leitos vasculares, a resistência vascular total através dos rins é determinada pela soma das resistências nos

segmentos vasculares individuais, incluindo artérias, arteríolas, capilares e

veias (Tabela 27-3).

A maior parte da resistência vascular renal reside em três segmentos

principais: artérias interlobulares, arteríolas aferentes e arteríolas eferentes.

A resistência desses vasos é controlada pelo sistema nervoso simpático,

vários hormônios e pelos mecanismos renais de controle local, como

discutido adiante. Aumento da resistência de qualquer um desses segmentos

vasculares dos rins tende a reduzir o fluxo sanguíneo renal, enquanto a

diminuição da resistência vascular aumenta o fluxo sanguíneo renal se as

pressões na artéria e veia renal permanecerem constantes.

Embora as alterações da pressão arterial tenham alguma influência sobre o

fluxo sanguíneo renal, os rins têm mecanismos efetivos para manter o fluxo

sanguíneo renal e a FG relativamente constantes em faixa de pressão

arterial entre 80 e 170 mmHg, processo chamado autorregulação. Essa

capacidade para a autorregulação ocorre por mecanismos que são

completamente intrínsecos aos rins, como discutido adiante neste Capítulo.

 

Tabela 27-3 Pressões Aproximadas e Resistências Vasculares na Circulação de um

Rim Normal

Pressão no

Vaso (mmHg) Porcentagem da Resistência

Vaso Início Final Vascular Renal Total

Artéria renal 100 100 ≈0

Artérias interlobares, arqueadas ≈100 85 ≈16

e interlobulares

Arteríola aferente 85 60 ≈26

Capilares glomerulares 60 59 ≈1

Arteríola eferente 59 18 ≈43

Capilares peritubulares 18 8 ≈10