Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 208 de 351

Páginas do PDF

Tratado de Fisiologia Médica

Hipercapnia — Excesso de Dióxido de Carbono nos Líquidos Corporais

excesso de hemoglobina disponível, que pode ficar desoxigenada, leva

frequentemente à cianose, mesmo sob condições de outra forma normais.

 

HIPERCAPNIA — EXCESSO DE DIÓXIDO DE CARBONO

NOS LÍQUIDOS CORPORAIS

 

Pode-se suspeitar, no primeiro momento, que qualquer condição respiratória

que cause hipoxia também causaria hipercapnia. Entretanto, a hipercapnia

geralmente ocorre em associação à hipoxia quando esta é causada por

hipoventilação ou deficiência circulatória, pelas razões seguintes.

A hipoxia, ocasionada por muito pouco O no ar, muito pouca 2

hemoglobina ou envenenamento das enzimas oxidativas, está relacionada

apenas à disponibilidade do O ou ao uso do O pelos tecidos. Portanto, é 2 2

prontamente compreensível que a hipercapnia não seja concomitante nesses

tipos de hipoxia.

Na hipoxia resultante de redução da difusão pela membrana pulmonar ou

pelos tecidos, em geral, não ocorre hipercapnia séria concomitantemente,

porque o CO se difunde 20 vezes mais rápido que o O . Caso a hipercapnia 2 2

realmente ocorra, ela de imediato estimula a ventilação pulmonar, o que

corrige a hipercapnia, mas não necessariamente a hipoxia.

Pelo contrário, na hipoxia provocada por hipoventilação, a transferência

de CO entre os alvéolos e a atmosfera está tão afetada quanto a 2

transferência de O . A hipercapnia, então, ocorre juntamente com a hipoxia. 2

E, na deficiência circulatória, o fluxo diminuído de sangue reduz a remoção

de CO dos tecidos, resultando em hipercapnia tecidual, além de hipoxia 2

tecidual. Entretanto, a capacidade de transporte do sangue para o CO é três 2

vezes maior do que para o O , de forma que a hipercapnia tecidual 2

resultante é muito menor que a hipoxia tecidual.

Quando a Pco alveolar aumenta acima de 60 a 75 mmHg, a pessoa, de 2

outra forma normal, respira tão rápida e profundamente quanto possível, e a

“fome de ar”, também chamada dispneia, passa a ser grave.

Caso a Pco aumente para 80 a 100 mmHg, a pessoa fica letárgica e 2

algumas vezes até mesmo semicomatosa. Anestesia e morte podem resultar

quando a Pco aumenta para 120 a 150 mmHg. Com esses altos níveis de 2

Pco , o excesso de CO começa a deprimir a respiração mais do que 2 2

estimulá-la, causando, assim, um ciclo vicioso: (1) mais CO ; (2) maior 2

redução da respiração; (3) dessa forma, mais CO e assim por diante — 2

culminando rapidamente na morte respiratória.

 

DISPNEIA

Dispneia significa angústia mental associada à incapacidade de ventilar

suficientemente para satisfazer a demanda por ar. Um sinônimo comum é

fome de ar.

Ao menos três fatores frequentemente estão envolvidos no

desenvolvimento da sensação de dispneia. Eles são (1) anormalidade dos

gases respiratórios nos líquidos corporais, especialmente a hipercapnia e,

em menor extensão, a hipoxia; (2) a quantidade de trabalho que deve ser

realizada pelos músculos respiratórios para prover ventilação adequada; e

(3) estado mental.

Uma pessoa torna-se muito dispneica, sobretudo, pelo excesso de geração

de CO nos líquidos corporais. Algumas vezes, entretanto, os níveis de CO 22

e O nos líquidos corporais são normais, mas para alcançar essa 2

normalidade, a pessoa tem de respirar vigorosamente. Nesses casos, a

atividade vigorosa dos músculos respiratórios frequentemente dá à pessoa à

sensação de dispneia.