Tratado de Fisiologia Médica
Regulação do Ritmo Mensal Feminino — Interação Entre os Hormônios Ovarianos e Hipotalâmico‑Hipofisários
excessivo da superfície uterina, a quantidade de fibrinolisina pode não ser
suficiente para evitar a coagulação. A presença de coágulos durante a
menstruação, muitas vezes, representa evidência clínica de doença uterina.
Quatro a 7 dias após o início da menstruação, a perda de sangue cessa,
porque, nesse momento, o endométrio já se reepitalizou.
Leucorreia Durante a Menstruação. Durante a menstruação, grandes
quantidades de leucócitos são liberadas em conjunto com o material
necrótico e o sangue. É provável que alguma substância liberada pela
necrose endometrial cause tal eliminação de leucócitos. Como resultado
desses leucócitos e, possivelmente, de outros fatores, o útero é muito
resistente às infecções durante a menstruação, muito embora as superfícies
endometriais estejam desprotegidas. Essa resistência à infeção apresenta um
importante efeito protetor.
REGULAÇÃO DO RITMO MENSAL FEMININO —
INTERAÇÃO ENTRE OS HORMÔNIOS OVARIANOS E
HIPOTALÂMICO-HIPOFISÁRIOS
Agora que já apresentamos as principais mudanças que ocorrem ao longo
do ciclo sexual feminino mensal, podemos tentar explicar o mecanismo
rítmico básico que causa as variações cíclicas.
O HIPOTÁLAMO SECRETA GnRH, FAZENDO COM QUE
A HIPÓFISE ANTERIOR SECRETE LH E FSH
Conforme apontado no Capítulo 75, a secreção da maioria dos hormônios
hipofisários anteriores é controlada por “hormônios de liberação”, formados
no hipotálamo e, em seguida, transportados para a hipófise anterior por
meio do sistema portal hipotalâmico-hipofisário. No caso das gonadotropinas, um hormônio de liberação, o GnRH, é importante. Esse
hormônio foi purificado e descobriu-se ser um decapeptídeo, com a
seguinte fórmula:
Glu-His-Trp-Ser-Tyr-Gly-Leu-Arg-Pro-Gly-NH2
A Secreção Pulsátil Intermitente de GnRH pelo Hipotálamo
Estimula a Liberação Pulsátil de LH pela Hipófise Anterior. O
hipotálamo não secreta GnRH continuamente, mas, sim, em pulsos de 5 a
25 minutos de duração que ocorrem a cada 1 a 2 horas. A curva inferior
na Figura 82-10 mostra os sinais pulsáteis elétricos, no hipotálamo, que
causam a produção pulsátil hipotalâmica de GnRH.
É intrigante o fato de que, quando o GnRH é infundido continuamente, de
modo a estar disponível o tempo todo, em vez de em pulsos, sua capacidade
de causar liberação de LH e FSH pela hipófise anterior se perde. Portanto,
por motivos desconhecidos, a natureza pulsátil da liberação de GnRH é
essencial à sua função.
A liberação pulsátil de GnRH também provoca produção intermitente de
LH a cada 90 minutos em média, o que é demonstrado na curva superior
da Figura 82-10.
Figura 82-10. Linha vermelha: Variação pulsátil do hormônio luteinizante (LH) na circulação periférica do macaco rhesus ovariectomizado, anestesiado com pentobarbital. Linha azul: Registro minuto a minuto da atividade elétrica multiunitária (MUA) no hipotálamo médio-basal. (Dados de Wilson RC, Kesner JS, Kaufman JM, et al: Central electrophysiology correlates of pulsatile luteinizing hormone secretion. Neuroendocrinology 39:256, 1984.)
Centros Hipotalâmicos de Liberação do Hormônio Liberador de
Gonadotropina. A atividade neuronal que ocasiona a liberação pulsátil
de GnRH ocorre primariamente no hipotálamo médio-basal, especialmente
nos núcleos ar queados dessa área. Portanto, acredita-se que esses núcleos
arqueados controlam grande parte da atividade sexual feminina, embora
neurônios localizados na área pré-óptica do hipotálamo anterior também
secretem GnRH em quantidades moderadas. Múltiplos centros neuronais no
sistema “límbico” (o sistema de controle psíquico) transmitem sinais aos
núcleos arqueados para modificar tanto a intensidade de liberação de GnRH
quanto a frequência dos pulsos, oferecendo, assim, uma explicação parcial
para o fato de fatores psíquicos, muitas vezes, modificarem a função sexual
feminina.
EFEITOS DE FEEDBACK NEGATIVO DO ESTROGÊNIO E
DA PROGESTERONA NA DIMINUIÇÃO DA SECREÇÃO
DE LH E FSH
Em pequenas quantidades, o estrogênio tem forte efeito de inibir a produção
de LH e FSH. Além disso, quando existe progesterona disponível, o efeito
inibidor do estrogênio é multiplicado, muito embora a progesterona, por si
só, tenha pouco efeito (Figura 82-11).
Esses efeitos de feedback parecem operar basicamente na hipófise anterior
de modo direto, mas também operam em menor extensão no hipotálamo,
diminuindo a secreção de GnRH em especial, alterando a frequência dos
pulsos de GnRH.
Figura 82-11. Regulação por feedback do eixo hipotalâmico-hipofisário-ovariano em mulheres. Os efeitos estimulatórios são indicados pelo sinal de mais, e os efeitos de feedback negativo são indicados pelo sinal de menos. Os estrogênios e as progestinas exercem tanto os efeitos do feedback positivo quanto do negativo, na hipófise anterior e no hipotálamo, dependendo do estágio do ciclo ovariano. A inibina tem efeito de feedback negativo na hipófise anterior, enquanto a ativina tem efeito oposto, estimulando a secreção de FSH pela hipófise anterior. FSH, hormônio foliculoestimulante; GnRH, hormônio liberador de gonadotropina; LH, hormônio luteinizante; SNC, sistema nervoso central.
Inibina do Corpo Lúteo Inibe a Secreção de FSH e LH. Além dos
efeitos de feedback do estrogênio e da pro ges terona, outros hormônios
parecem estar envolvidos, sobretudo a inibina, que é secretada em conjunto
com os hor mônios esteroides sexuais pelas células da granulosa do corpo
lúteo ovariano, da mesma maneira que as células de Sertoli secretam inibina
nos testículos masculinos (Figura 82-11). Esse hormônio tem o mesmo
efeito em mulheres e homens — isto é, inibe a secreção de FSH e, em
menor extensão, de LH pela hipófise anterior. Portanto, acredita-se que a
inibina seja especialmente importante ao diminuir a secreção de FSH e LH,
no final do ciclo sexual mensal feminino.
EFEITO DE FEEDBACK POSITIVO DO ESTROGÊNIO
ANTES DA OVULAÇÃO — O PULSO PRÉ-OVULATÓRIO
DE HORMÔNIO LUTEINIZANTE
Por motivos ainda não inteiramente compreendidos, a hipófise anterior
secreta grandes quantidades de LH por 1 ou 2 dias, começando 24 a 48
horas antes da ovulação. Esse efeito é demonstrado na Figura 82-4. A figura
também mostra um pico pré-ovulatório bem menor de FSH.
Experimentos mostraram que a infusão de estrogênio em mulher acima do
valor crítico por 2 a 3 dias, durante a última parte da primeira metade do
ciclo ovariano, causará rapidamente o crescimento acelerado dos folículos
ovarianos, bem como com grande rapidez também a secreção acelerada de
estrogênios ovarianos. Durante esse período, as secreções de FSH e LH pela
hipófise são, em primeiro lugar, ligeiramente suprimidas. Em seguida, a
secreção de LH aumenta subitamente de seis a oito vezes, e a secreção de
FSH aumenta em cerca de duas vezes. A maior secreção de LH faz com que
ocorra a ovulação.
Não se sabe a causa desse pico súbito na secreção de LH. Entretanto, as
diversas possíveis explicações são:
1. Já se sugeriu que o estrogênio, nesse ponto do ciclo, tem efeito de
feedback positivo peculiar de estimular a secreção hipofisária de LH e,
em menor extensão, de FSH (Figura 82-11), o que contrasta com seu
efeito de feedback negativo normal, que ocorre durante o restante do
ciclo feminino mensal.
2. As células da granulosa dos folículos começam a secretar quantidades
pequenas, mas cada vez maiores, de progesterona, mais ou menos um dia
antes do pico pré-ovulatório de LH, e sugeriu-se que tal fato poderia ser
o fator que estimula a secreção excessiva de LH.
Sem esse pico pré-ovulatório normal de LH, a ovulação não ocorrerá.
OSCILAÇÃO DE FEEDBACK DO SISTEMA
HIPOTALÂMICO-HIPOFISÁRIO-OVARIANO
Agora, depois de discutirmos grande parte das informações conhecidas a
respeito das inter-relações dos diferentes componentes do sistema hormonal
feminino, podemos explicar a oscilação do feedback que controla o ritmo
do ciclo sexual feminino, que parece operar, de certa forma, na seguinte
sequência de eventos:
1. Secreção Pós-ovulatória dos Hormônios Ovarianos e Depressão das
Gonadotropinas Hipofisárias. Entre a ovulação e o início da
menstruação, o corpo lúteo secreta grandes quantidades de progesterona
e estrogênio, bem como do hormônio inibina. Todos esses hormônios,
em conjunto, têm efeito de feedback negativo combinado na hipófise
anterior e no hipotálamo, causando a supressão da secreção de FSH e LH
e reduzindo-os a seus níveis mais baixos, cerca de 3 a 4 dias antes do
início da menstruação. Esses efeitos são mostrados na Figura 82-4.
2. Fase de Crescimento Folicular. Dois a 3 dias antes da menstruação, o
corpo lúteo regrede quase à involução total, e a secreção de estrogênio,
progesterona e inibina do corpo lúteo diminui a um nível baixo, o que
libera o hipotálamo e a hipófise anterior do efeito de feedback negativo
desses hormônios. Portanto, mais ou menos um dia depois, em torno do
momento em que se inicia a menstruação, a secreção hipofisária de FSH
começa novamente a aumentar em até o dobro; em seguida, vários dias
após o início da menstruação, a secreção de LH também aumenta
ligeiramente. Esses hormônios iniciam o crescimento de novos folículos
ovarianos, atingindo um pico de secreção de estrogênio em torno de 12,5
a 13 dias depois do início do novo ciclo sexual feminino mensal.
Durante os primeiros 11 a 12 dias desse crescimento folicular, a secreção
hipofisária das gonadotropinas FSH e LH caem ligeiramente devido ao
efeito do feedback negativo, especialmente do estrogênio, na hipófise
anterior. Em seguida, há aumento súbito e acentuado da secreção de LH
e, em menor extensão, de FSH. Esse aumento da secreção é o pico pré-
ovulatório de LH e FSH, que é seguido pela ovulação.
3. O Pico Pré-ovulatório de LH e FSH Causa a Ovulação. Cerca de 11,5 a
12 dias depois do início do ciclo mensal, o declínio da secreção de FSH
e LH chega a seu fim súbito. Acredita-se que o alto nível de estrogênio
nesse momento (ou o começo da secreção de progesterona pelos
folículos) cause efeito estimulador de feedback positivo na hipófise
anterior, como explicado antes, levando a grande pico na secreção de LH
e, em menor extensão, de FSH. Qualquer que seja a causa desse pico
pré-ovulatório de LH e FSH, o grande excesso de LH leva à ovulação e
ao desenvolvimento subsequente tanto do corpo lúteo quanto da sua
secreção. Assim, o sistema hormonal inicia seu novo ciclo de secreções,
até a próxima ovulação.
Ciclos Anovulatórios — Ciclos Sexuais na Puberdade
Se o pico pré-ovulatório de LH não tiver grandeza suficiente, a ovulação
não ocorrerá, e diz-se que o ciclo é “anovulatório”. As fases do ciclo sexual
continuam, mas são alteradas das seguintes maneiras: primeiro, a ausência
de ovulação leva ao não desenvolvimento do corpo lúteo, de maneira que
não há quase nenhuma secreção de progesterona, durante a última porção
do ciclo. Em segundo lugar, o ciclo é encurtado por vários dias, mas o ritmo
continua. Por isso, é provável que a progesterona não seja necessária à
manutenção do ciclo em si, muito embora possa alterar seu ritmo.
Os primeiros ciclos depois do início da puberdade geralmente são
anovulatórios, assim como os ciclos que ocorrem alguns meses a anos antes
da menopausa, talvez porque o pico de LH não seja potente o bastante,
nessas épocas, para provocar ovulação.
PUBERDADE E MENARCA
Puberdade significa o início da fase adulta, e menarca significa o primeiro
ciclo de menstruação. O período da puberdade é causado por aumento
gradual na secreção dos hormônios gonadotrópicos pela hipófise,
começando em torno dos 8 anos de idade, como mostrado naFigura 82-12, e
normalmente culminando no início da puberdade e da menstruação, entre 11
e 16 anos de idade, nas meninas (em média, aos 13 anos).
Na mulher, assim como nos homens, a hipófise infantil e os ovários são
capazes de funcionar completamente, se estimulados apropriadamente.
Entretanto, assim como também é verdadeiro para os homens e por motivos
ainda não entendidos, o hipotálamo não secreta quantidades significativas
de GnRH durante a infância. Experimentos revelaram que o hipotálamo é
capaz de secretar esse hormônio, mas o sinal apropriado de alguma outra
área do cérebro para desencadear a secreção está ausente. Portanto, acredita-se, hoje, que o início da puberdade se dê por algum processo de
amadurecimento que ocorre em alguma outra parte do cérebro, talvez em
algum ponto do sistema límbico.
A Figura 82-13 mostra (1) os níveis crescentes da secreção de estrogênio
na puberdade; (2) a variação cíclica durante o ciclo sexual mensal; (3) o
aumento adicional da secreção de estrogênio durante os primeiros anos da
vida reprodutiva; (4) a queda progressiva na secreção de estrogê nio ao se
aproximar o fim da vida reprodutiva; e, finalmente, (5) quase nenhuma
secreção de estrogênio ou progesterona depois da menopausa.
Figura 82-12. Intensidade da secreção total de hormônios gonadotrópicos durante toda a vida sexual da mulher e do homem, mostrando aumento especialmente súbito dos hormônios gonadotrópicos na menopausa da mulher.
Figura 82-13. Secreção de estrogênio durante toda a vida sexual da mulher.
MENOPAUSA
Entre 40 e 50 anos de idade, o ciclo sexual geralmente torna-se irregular, e a
ovulação muitas vezes não ocorre. Depois de alguns meses a alguns anos, o
ciclo cessa totalmente, como mostrado na Figura 82-13. O período durante
o qual o ciclo cessa e os hormônios femininos caem a quase zero é
denominado menopausa.
A causa da menopausa é o “esgotamento” dos ovários. Durante toda a
vida reprodutiva da mulher, cerca de 400 dos folículos primordiais crescem
em folículos maduros e ovulam, e centenas de milhares de óvulos
degeneram. Em torno dos 45 anos de idade, apenas uns poucos folículos
primordiais continuam a ser estimulados por FSH e LH e, como mostrado
na Figura 82-13, a produção de estrogênios pelos ovários diminui à medida
que o número de folículos primordiais se aproxima de zero. Quando a
produção de estrogênio cai abaixo de nível crítico, os estrogênios não
conseguem mais inibir a produção das gonadotropinas FSH e LH. Em vez
disso, como ilustrado na Figura 82-12, as gonadotropinas FSH e LH (principalmente FSH) são produzidas depois da menopausa em quantidades
elevadas e contínuas, mas, como os folículos primordiais remanescentes
ficam atrésicos, a produção de estrogênios pelos ovários cai quase a zero.
Na época da menopausa, a mulher precisa reajustar sua vida de uma que
era fisiologicamente estimulada pela produção de estrogênio e progesterona
para uma desprovida desses hormônios. A perda dos estrogênios geralmente
causa mudanças fisiológicas acentuadas, incluindo (1) “fogachos”,
caracterizados por rubor extremo da pele; (2) sensações psíquicas de
dispneia; (3) irritabilidade; (4) fadiga; (5) ansiedade; e (6) diminuição da
resistência e da calcificação dos ossos no corpo inteiro. Esses sintomas são
de magnitude considerável em apenas 15% das mulheres e necessitam de
tratamento. A administração diária de estrogênio, em pequenas quantidades,
normalmente reverte os sintomas, e, ao diminuir a dose gradativamente, é
provável que as mulheres na pós-menopausa possam evitar sintomas
graves.
Grandes ensaios clínicos têm fornecido evidências de que a administração
de estrogênios após a menopausa, embora melhore muitos dos sintomas
desta, pode aumentar os riscos de doença cardiovascular.
Consequentemente, o tratamento de substituição hormonal com estrogênios
já não é prescrito sistematicamente nas mulheres pós-menopáusicas. No
entanto, alguns estudos sugerem que o tratamento com estrogênios pode
realmente reduzir o risco de doença cardiovascular caso seja iniciado
precocemente, nos primeiros anos após a menopausa. Portanto, neste
momento, recomenda-se que as mulheres na pós-menopausa, que desejam
receber tratamento de substituição hormonal, falem com seus médicos para
saber se os benefícios superam os riscos.
Anormalidades da Secreção pelos Ovários
Hipogonadismo — Secreção Reduzida pelos Ovários. A secreção abaixo do
normal pelos ovários pode resultar de ovários malformados, ausência de ovários
ou ovários geneticamente anormais que secretam os hormônios errados, devido à
falta de enzimas nas células secretoras. Na ausência congênita dos ovários ou
quando eles se tornam não funcionais antes da puberdade, ocorre o eunuquismo
feminino. Nessa condição, as características sexuais secundárias usuais não
aparecem, e os órgãos sexuais permanecem infantis. Especialmente
característico dessa condição é o crescimento prolongado dos ossos longos
porque as epífises não se uniram às hastes tão cedo quanto ocorre nas mulheres
normais. Consequentemente, a mulher eunuca é basicamente tão alta quanto ou
talvez até um pouco mais alta que seu par masculino de base genética
semelhante.
Quando os ovários de uma mulher totalmente desenvolvida são removidos, os
órgãos sexuais regridem até certo ponto, de maneira que o útero fica quase
infantil em tamanho, a vagina fica menor e o epitélio vaginal fica fino e mais
passível de sofrer lesões. As mamas se atrofiam e adquirem aspecto pendular, e
os pelos pubianos afinam. As mesmas mudanças ocorrem na mulher depois da
menopausa.
Irregularidades da Menstruação e Amenorreia Causada por
Hipogonadismo. Conforme apontado na discussão anterior sobre menopausa, a
quantidade de estrogênios produzida pelos ovários precisa aumentar acima de um
valor crítico para causar ciclos sexuais rítmicos. Por conseguinte, no
hipogonadismo ou quando as gônadas estão secretando quantidades pequenas
de estrogênios devido a outros fatores como, por exemplo, o hipotireoidismo, o
ciclo ovariano, geralmente, não ocorre de maneira normal. Em vez disso, muitos
meses podem se passar entre os períodos menstruais, ou a menstruação pode
cessar completamente (amenorreia). Ciclos ovarianos prolongados estão
frequentemente associados à ausência de ovulação, talvez devido à secreção
insuficiente de LH no momento do pico pré-ovulatório de LH, que é necessário à
ovulação.
Hipersecreção pelos Ovários. A hipersecreção extrema de hormônios
ovarianos pelos ovários é entidade clínica rara, já que a secreção excessiva de
estrogênios automaticamente diminui a produção de gonadotropinas pela hipófise,
o que limita a produção de hormônios ovarianos. Por conseguinte, a
hipersecreção de hormônios feminilizantes, em geral, é reconhecida clinicamente
apenas no desenvolvimento eventual de tumor feminilizante.
Um raro tumor de células da granulosa pode se desenvolver no ovário,
ocorrendo com mais frequência após a menopausa do que antes dela. Esses
tumores secretam grandes quantidades de estrogênios, que exercem os efeitos
estrogênicos usuais, incluindo hipertrofia do endométrio uterino e sangramento