Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 142 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Distribuição do Líquido Extracelular Entre os Espaços Intersticiais e o Sistema Vascular

permanecerem, tais como as que ocorrem quando existe deficiência de

eritropoietina ou de outro fator necessário para estimular a produção de

células sanguíneas, o volume plasmático irá simplesmente compensar a

diferença, e o volume total do sangue voltará, essencialmente, ao normal,

apesar da baixa massa de glóbulos vermelhos.

 

DISTRIBUIÇÃO DO LÍQUIDO EXTRACELULAR ENTRE

OS ESPAÇOS INTERSTICIAIS E O SISTEMA VASCULAR

 

Pela Figura 30-14 fica evidente que os volumes de sangue e de líquido

extracelular são usualmente controlados de forma paralela e recíproca. O

líquido ingerido, de início, vai para o sangue, mas em tempo muito curto,

vai ser distribuído entre os espaços intersticiais e o plasma. Desse modo, em

geral ocorre o controle simultâneo dos volumes de sangue e de líquido

extracelular.

Existem, no entanto, circunstâncias em que acontecem grandes variações

na distribuição do líquido extracelular entre os espaços intersticiais e o

sangue. Conforme discutido no Capítulo 25, os principais fatores capazes

de provocar acúmulo de líquido nos espaços intersticiais incluem (1)

pressão hidrostática capilar elevada; (2) pressão coloidosmótica

plasmática reduzida; (3) permeabilidade aumentada dos capilares; e (4)

obstrução dos vasos linfáticos. Em todas essas condições, uma alta

proporção, pouco comum, do líquido extracelular vai ser distribuída para os

espaços intersticiais.

A Figura 30-16 mostra a distribuição normal de líquido entre os espaços

intersticiais e o sistema vascular, bem como a que ocorre nos estados de

edema. Quando pequenas quantidades de líquido se acumulam no sangue

como resultado do excesso na ingestão de líquidos ou da redução do débito

renal de líquido, cerca de 20% a 30% permanecem no sangue e aumentam o volume sanguíneo. O restante é distribuído para os espaços intersticiais.

Quando o volume do líquido extracelular se eleva em torno de 30% a 50%

acima do normal, quase todo o líquido extra vai para os espaços intersticiais

e só pequena quantidade permanece no sangue. Essa distribuição ocorre

porque os espaços intersticiais teciduais ficam complacentes assim que a

pressão do líquido intersticial sobe de seu valor normalmente negativo para

um valor positivo; dessa forma, grande quantidade de líquido flui para os‐

tecidos sem que ocorra elevação muito maior da pressão do líquido

intersticial. Em outras palavras, há perda do fator de segu rança contra a

formação do edema devido à pressão crescente do líquido intersticial que

neutraliza o acúmulo de líquido nos tecidos, uma vez que os tecidos ficam

muito complacentes.

Desse modo, sob condições normais, os espaços intersticiais atuam como

reservatórios de “extravasamento” para o líquido em excesso, tendo, por

vezes, aumento de volume de 10 a 30 litros. Essa situação ocasiona a

formação do edema, como explicado noCapítulo 25, mas também atua

como importante válvula de escape para a circulação, protegendo o sistema

cardiovascular contra sobrecarga perigosa, capaz de levar a quadros de

edema pulmonar e insuficiência cardíaca.

Em resumo, os volumes do líquido extracelular e do sangue são, muitas

vezes, controlados simultaneamente, mas os valores quantitativos da

distribuição de líquido entre o interstício e o sangue dependem das

propriedades físicas da circulação e dos espaços intersticiais, bem como da

dinâmica das trocas de líquido através das membranas dos capilares.