Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 55 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Anormalidades da Onda T

bizarros (p. ex., ondas Q especialmente proeminentes), voltagem reduzida e

alargamento do QRS.

 

Figura 12-22. Eletrocardiogramas de infarto das paredes anteriores e posteriores que ocorreram há cerca de 1 ano, mostrando a onda Q na derivação I no infarto de parede anterior e a onda Q na derivação III no infarto da parede posterior.

 

Corrente de Lesão na Angina Pectoris. “Angina pectoris” significa

dor vinda do coração, sentida nas regiões peitorais do tórax superior. Essa

dor usualmente se irradia para o lado esquerdo do pescoço e para baixo, no

braço esquerdo. Tipica mente, a dor é causada por isquemia moderada do

coração. Em geral, a dor não é sentida enquanto a pessoa está em repouso,

mas logo que ela sobrecarrega o coração a dor aparece.

Às vezes, aparece potencial de lesão no ECG durante uma crise grave de

angina pectoris, porque a insuficiência coronariana passa a ser

suficientemente intensa para impedir a repolarização adequada de algumas

áreas do coração durante a diástole.

 

ANORMALIDADES DA ONDA T

 

Antes, neste Capítulo, foi apontado que a onda T é normalmente positiva

em todas as derivações bipolares-padrão dos membros e que isso é causado

pela repolarização do ápice e das superfícies externas dos ventrículos, antes

das superfícies intraventriculares. Isto é, a onda T fica anormal quando não ocorre a sequência normal da repolarização. Vários fatores podem alterar

essa sequência de repolarização.

 

Efeito da Condução Lenta da Onda de Despolarização

nas Características da Onda T

Voltando para a Figura 12-14, nota-se que o complexo QRS é considerado

alargado (prolongado). A razão para esse alargamento é o retardo da

condução no ventrículo esquerdo, resultante do bloqueio do ramo esquerdo.

Essa condução retardada faz com que o ventrículo esquerdo fique

despolarizado cerca de 0,08 segundo após a despolarização do ventrículo

direito, o que dá grande vetor QRS médio para a esquerda. Entretanto, os

períodos refratários das massas musculares ventriculares esquerda e direita

não são muito diferentes uns dos outros. Portanto, o ventrículo direito

começa a se repolarizar muito antes do ventrículo esquerdo; isso causa forte

positividade no ventrículo direito e negatividade no ventrículo esquerdo, no

momento em que a onda T está se desenvolvendo. Em outras palavras, o

eixo médio da onda T está agora desviado para a direita, o que é contrário

ao eixo elétrico médio do complexo QRS no mesmo ECG. Assim, quando a

condução do impulso de despolarização pelos ventrículos é muito retardada,

a onda T tem quase sempre polaridade oposta à do complexo QRS.

 

Despolarização Encurtada em Porções do Músculo

Ventricular Pode Causar Anormalidades da Onda T

 

Se a base dos ventrículos tiver período de despolarização anormalmente

curto, isto é, um potencial de ação encurtado, a repolarização dos

ventrículos não começará no ápice como ocorre normalmente. Em vez

disso, a base dos ventrículos se repolarizaria antes do ápice, e o vetor de

repolarização apontaria do ápice em direção à base do coração, oposto ao vetor padrão de repolarização. Consequentemente, a onda T em todas as

três derivações-padrão seria negativa, em vez de positiva. Assim, o simples

fato de que a base dos ventrículos tem período encurtado de despolarização

é suficiente para causar mudanças pronunciadas na onda T, até mesmo a

ponto de alterar toda a polaridade da onda T, como mostrado na Figura 12-

23.

Isquemia leve é de longe a causa mais comum de encurtamento da

despolarização do músculo cardíaco, porque esta condição clínica aumenta

o fluxo de corrente pelos canais de potássio. Quando a isquemia ocorre em

apenas uma área do coração, o período de despolarização dessa área

diminui sem proporção às outras áreas. Como resultado, podem ocorrer

alterações definidas da onda T. A isquemia pode resultar de oclusão

coronariana progressiva crônica; oclusão coronariana aguda; ou

insuficiência coronariana relativa, como a que ocorre durante o exercício.

Modo de detectar insuficiência coronariana leve é fazer o paciente se

exercitar e registrar o ECG, reparando quando ocorrem alterações das ondas

T. Essas alterações das ondas T não precisam ser específicas, porque

qualquer alteração na onda T, em qualquer derivação — inversão, por

exemplo, ou onda bifásica —, é, em geral, evidência suficiente de que

alguma parte do músculo ventricular está com período de despolarização

desproporcional ao resto do coração, causado por insuficiência coronariana

leve a moderada.

 

Figura 12-23. Onda T invertida, resultante de isquemia leve na base dos ventrículos.

Efeito de Digitálicos na Onda T. Como discutido no Capítulo 22, os

digitálicos são fármacos que podem ser usados na insuficiência coronariana

para aumentar a força da contração muscular cardíaca. Entretanto, quando

são ministradas superdosagens de digitálicos, a duração da despolarização

em parte dos ventrículos pode ficar aumentada, desproporcionalmente às

outras partes. Como resultado, mudanças inespecíficas, como inversão da

onda T ou ondas T bifásicas, podem ocorrer em uma ou mais derivações

eletrocardiográficas. A onda T bifásica, causada por administração

excessiva de digitálicos, é mostrada naFigura 12-24. Assim, alterações da

onda T durante administração de digitálicos são, em geral, os sinais mais

precoces de intoxicação digitálica.

 

Figura 12-24. Onda T bifásica, causada por intoxicação digitálica.

 

Bibliografia

Veja as referências do Capítulo 13.

 

OceanofPDF.com

CAPÍTULO 13

 

Arritmias Cardíacas e sua

 

Interpretação Eletrocardiográfica

 

Alguns dos tipos mais preocupantes de mau funcionamento cardíaco

ocorrem como resultado de ritmo cardíaco anormal. Por exemplo, algumas

vezes o batimento dos átrios não é coordenado com o batimento dos

ventrículos; assim, os átrios já não funcionam como bombas de escorva

para os ventrículos.

A finalidade deste Capítulo é discutir a fisiologia das arritmias cardíacas

comuns e seus efeitos sobre o bombeamento cardíaco, bem como seu

diagnóstico por eletrocardiografia. As causas das arritmias cardíacas

geralmente são combinações das seguintes anormalidades da ritmicidade-

sistema de condução do coração:

•Ritmicidade anormal do marca-passo.

•Mudança do marca-passo do nodo sinusal para outro ponto do coração.

•Bloqueios, em diferentes pontos, da propagação do impulso no coração.