Tratado de Fisiologia Médica
Imponderabilidade no Espaço
satisfatório para essa reciclagem.
IMPONDERABILIDADE NO ESPAÇO
A pessoa em satélite em órbita ou em espaçonave sem propulsor experimenta
imponderabilidade ou estado de força G próximo de zero, que é, às vezes, chamado microgra‐
vidade, isto é, a pessoa não é puxada para o fundo, lados ou topo da espaçonave, mas
simplesmente flutua dentro das suas câmaras. A causa dessa imponderabilidade não é falta de
gravidade para puxar o corpo, porque a gravidade de qualquer corpo celeste nas proximidades
ainda está ativa. Entretanto, a gravidade atua sobre a espaçonave e a pessoa ao mesmo tempo,
de modo que ambas são tracionadas exatamente pelas mesmas forças de aceleração e na
mesma direção. Por essa razão, a pessoa simplesmente não é atraída para qualquer parede
específica da espaçonave.
Desafios Fisiológicos da Imponderabilidade (Microgravidade). Os problemas
fisiológicos da imponderabilidade não se comprovaram ter grande importância, contanto que
o período de imponderabilidade não seja longo demais. A maioria dos problemas que ocorrem
está relacionada aos três efeitos da imponderabilidade: (1) tonturas e ânsia de vômito, durante
os primeiros dias de viagem; (2) translocação de líquidos dentro do corpo, em virtude da falta
de gravidade, que causa pressões hidrostáticas normais; e (3) atividade física diminuída,
porque nenhuma força de contração muscular é requerida para contrabalançar a força de
gravidade.
Quase 50% dos astronautas experimentam tonturas e náuseas e, às vezes, vômitos durante os
primeiros 2 a 5 dias de viagem no espaço. Essa tontura provavelmente resulta de padrão não
familiar de sinais de movimento, chegando aos centros do equilíbrio do encéfalo e, ao mesmo
tempo, da falta de sinais gravitacionais.
Os efeitos observados da permanência prolongada no espaço são os seguintes: (1)
diminuição do volume sanguíneo; (2) redução da massa de hemácias; (3) queda da força e da
capacidade de trabalho muscular; (4) diminuição do débito cardíaco máximo; e (5) perda de
cálcio e fosfato dos ossos, bem como perda de massa óssea. A maioria desses mesmos efeitos
ocorre em pessoas que permanecem acamadas durante período extenso. Por essa razão,
programas de exercício são executados pelos astronautas, durante missões espaciais
prolongadas.
Em expedições precedentes do laboratório espacial, quando o programa de exercício tinha
sido menos vigoroso, os astronautas apresentaram capacidades de trabalho gravemente
diminuídas durante os primeiros dias após retornarem à Terra. Eles também tenderam a desmaio (e ainda o fazem, em certa extensão) ao ficarem de pé durante o primeiro dia ou
depois do retorno à gravidade, em virtude do volume sanguíneo diminuído e das respostas
reduzidas dos mecanismos de controle da pressão arterial.
“Descondicionamento” Cardiovascular, Muscular e Ósseo durante Exposição
Prolongada à Imponderabilidade. Durante voos espaciais muito longos e exposição
prolongada à microgravidade, ocorrem efeitos de “descondicionamento” gradual do sistema
cardiovascular, dos músculos esqueléticos e dos ossos, apesar do exercício rigoroso durante o
voo. Estudos de astronautas em voos espaciais que duraram vários meses mostraram que eles
podem perder até 1% da sua massa óssea a cada mês mesmo quando continuam a se exercitar.
Atrofia substancial dos músculos cardíaco e esquelético também ocorre durante exposição
prolongada a ambiente de microgravidade.
Um dos efeitos mais sérios é o “descondicionamento” cardiovascular, que inclui capacidade
diminuída de trabalho, volume sanguíneo reduzido, reflexos barorreceptores prejudicados e
tolerância ortostática reduzida. Essas alterações limitam bastante a capacidade dos astronautas
de permanecerem em pé ou efetuar atividades diárias normais, depois de retornar à gravidade
completa da Terra.
Astronautas que retornam de voos espaciais que duraram 4 a 6 meses também são
suscetíveis a fraturas ósseas e podem necessitar de várias semanas antes de retornar à aptidão
cardiovascular, óssea e muscular que tinham antes do voo. À medida que os voos espaciais se
tornem mais longos, em preparação para possível exploração humana de outros planetas,
como Marte, os efeitos da microgravidade prolongada poderiam impor ameaça muito séria
aos astronautas depois de pousar, especialmente no caso de pouso de emergência. Por essas
razões, considerável esforço de pesquisa foi dirigido para o desenvolvimento de
contramedidas, além do exercício, que sejam capazes de prevenir ou atenuar mais eficazmente
essas alterações. Contramedida que está sendo testada é a aplicação de “gravidade artificial”
intermitente causada por curtos períodos (p. ex., 1 hora por dia) de aceleração centrífuga dos
astronautas enquanto eles ficam sentados em centrífugas de braços curtos, especialmente
projetadas, que criam forças de até 2 a 3 G.
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CAPÍTULO 45
Fisiologia de Mergulho Marítimo
Profundo e Outras Condições
Hiperbáricas
Quando seres humanos descem às profundezas do mar, a pressão em torno
deles aumenta tremendamente. Para impe dir que os pulmões se colapsem, o
ar tem que ser fornecido em pressão muito alta para mantê-los inflados.
Essa manobra expõe o sangue, nos pulmões, à pressão extremamente alta
dos gases alveolares, condição chamada hiperbarismo. Além de certos
limites, essas altas pressões podem produzir altera ções importantes da
fisiologia do corpo e podem ser letais.
Relação entre a Pressão e a Profundidade no Mar. Uma coluna
d’água do mar de 33 pés (10 metros) exerce a mesma pressão, em seu
fundo, do que a pressão da atmosfera acima do mar. Portanto, a pessoa a 33 pés (10 metros) abaixo da superfície do oceano está exposta a 2 atmosferas
de pressão, com 1 atmosfera de pressão causada pelo peso do ar acima da
água e a segunda atmosfera pelo peso da própria água. A 66 pés (20
metros), a pressão é de 3 atmosferas, e assim por diante, de acordo com a
tabela na Figura 45-1.
Figura 45-1. Efeito da profundidade do mar sobre a pressão (acima) e sobre o volume dos gases (abaixo).
Efeito da Profundidade do Mar sobre o Volume dos Gases —
Lei de Boyle. Outro efeito importante da profundidade é a compressão