Tratado de Fisiologia Médica
Cóclea
ao osso.
CÓCLEA
ANATOMIA FUNCIONAL DA CÓCLEA
A cóclea é sistema de tubos espiralados, mostrados na Figura 53-1 e, em
corte transversal, nas Figuras 53-2 e 53-3. Ela consiste em três tubos
espiralados, lado a lado: (1) a rampa vestibular; (2) a rampa média; e (3) a
rampa timpânica. A rampa vestibular e a rampa média são separadas uma
da outra, pela membrana de Reissner (também, chamada membrana
vestibular), mostrada na Figura 53-3; a rampa timpânica e a rampa média
são separadas uma da outra pela membrana basilar. Na superfície da
membrana basilar, está o órgão de Corti, que contém uma série de células
eletromecanicamente sensíveis, as células ciliadas. Elas constituem os
órgãos receptores finais que geram impulsos nervosos em resposta às
vibrações sonoras.
A Figura 53-4 esquematiza as partes funcionais da cóclea “retificada”,
tendo em vista a condução de vibrações sonoras. Em primeiro lugar,
observe que está faltando a membrana de Reissner nessa figura. Essa
membrana é tão fina e tão facilmente móvel que não obstrui a passagem de
vibrações sonoras da rampa vestibular para a rampa média. Portanto, no que
se refere à condução do som no líquido, a rampa vestibular e a rampa média
são consideradas como câmara única. (A importância da membrana de
Reissner é a de manter um tipo especial de líquido na rampa média, que é
necessário para a função normal das células ciliadas receptivas ao som,
conforme discutido adiante no Capítulo.)
As vibrações sonoras entram na rampa vestibular pela placa do estribo, na
janela oval. A placa cobre essa janela e se conecta às bordas da janela por ligamento anular frouxo, de modo que pode se movimentar para dentro e
para fora, com as vibrações sonoras. O movimento para dentro faz com que
o líquido se movimente para a frente pelas rampas vestibular e média, e o
movimento para fora faz o líquido se mover para trás.
Figura 53-2. Cóclea. (Modificado de Drake RL, Vogl AW, Mitchell AWM: Gray’s Anatomy for Students, ed 2, Philadelphia, 2010, Elsevier.)
Figura 53-3. Corte através de uma das voltas da cóclea.
Figura 53-4. Movimento do líquido na cóclea após impulsão para a frente do estribo.
Membrana Basilar e Ressonância na Cóclea. A membrana basilar é
uma membrana fibrosa que separa a rampa média da rampa timpânica.
Contém 20.000 a 30.000 fibras basilares que se projetam do centro ósseo
da cóclea, o mo díolo, em direção à parede externa. Essas fibras são
estruturas rígidas, elásticas e em forma de palheta que se fixam por suas
extremidades basais na estrutura óssea central da cóclea (o modíolo), mas
não se fixam em suas extremidades distais, exceto se as extremidades
distais estiverem imersas na membrana basilar frouxa. Como as fibras são rígidas e livres em uma extremidade, podem vibrar como as palhetas de
uma gaita.
Os comprimentos das fibras basilares aumentam progressivamente,
começando na janela oval e indo da base da cóclea a seu ápice, aumentando
o comprimento, de cerca de 0,04 milímetro, próximo das janelas oval e
redonda a 0,5 milímetro na extremidade da cóclea (o “helicotrema”),
aumento de 12 vezes no comprimento.
Os diâmetros das fibras, contudo, diminuem da janela oval para o
helicotrema e, assim, sua rigidez total diminui por mais de 100 vezes. Como
resultado, as fibras curtas e rígidas, perto da janela oval da cóclea, vibram
melhor nas frequências muito altas, enquanto as fibras longas e flexíveis,
perto da extremidade da cóclea, vibram melhor nas frequências baixas.
Desse modo, a ressonância de alta frequência da membrana basilar ocorre
perto da base, onde as ondas sonoras entram na cóclea pela janela oval.
Entretanto, a ressonância de baixa frequência ocorre perto do helicotrema
principalmente devido às fibras menos rígidas, mas também devido ao
aumento da “carga” com massas extras de líquido que precisam vibrar, ao
longo dos túbulos cocleares.
TRANSMISSÃO DE ONDAS SONORAS NA CÓCLEA —
“ONDA VIAJANTE”
Quando o pé do estribo se movimenta para dentro contra a janela oval, a
janela redonda precisa ficar abaulada para fora porque a cóclea é
delimitada, em todos os lados por paredes ósseas. O efeito inicial da onda
sonora, que entra na janela oval, é fazer com que a membrana basilar, na
base da cóclea, se curve na direção da janela redonda. No entanto, a tensão
elástica que se cria nas fibras basilares quando elas se curvam em direção à
janela redonda desencadeia onda de líquido que “trafega” ao longo da
membrana basilar em direção ao helicotrema. A Figura 53-5A mostra o
movimento de onda de alta frequência, pela membrana basilar; a Figura
53-5B ilustra uma onda de média frequên cia; e a Figura 53-5C mostra uma
onda com frequência muito baixa. O movimento da onda, ao longo da
membrana basilar, é comparável ao movimento da onda de pressão ao longo
das paredes arteriais, discutido no Capítulo 15; também é comparável à
onda que trafega ao longo da superfície de lago pequeno.
Figura 53-5. “Propagação das ondas” sonoras ao longo da membrana basilar para sons com alta, média e baixa frequências.
Padrão de Vibração da Membrana Basilar para Diferentes
Frequências Sonoras. Observe, na Figura 53-5, os diferentes padrões
de transmissão para ondas sonoras de diferentes frequências. Cada onda é
relativamente fraca a princípio, mas se torna forte quando chega à parte da
membrana basilar que tem frequência de ressonância natural, igual à respectiva frequência do som. Nesse ponto, a membrana basilar pode vibrar
para a frente e para trás com tal facilidade que a energia da onda se dissipa.
Consequentemente, a onda morre nesse ponto e deixa de se propagar pela
distância restante, ao longo da membrana basilar. Desse modo, a onda
sonora de alta frequência tem trajeto apenas por curta distância ao longo da
membrana basilar, antes que chegue a seu ponto de ressonância e se dissipe;
a onda sonora, com frequência média, trafega por cerca de meio caminho e,
então, se dissipa; e a onda sonora, com frequên cia muito baixa, trafega por
toda a distância ao longo da membrana.
Outra característica da propagação ondulatória é que as ondas trafegam
rapidamente ao longo da parte inicial da membrana basilar, mas ficam
progressivamente mais lentas quando se afastam em direção à cóclea. A
causa dessa diferença é o alto coeficiente de elasticidade das fibras
basilares, perto da janela oval e do coeficiente progressivamente menor ao
longo da membrana. Essa transmissão inicial rápida das ondas permite que
os sons com alta frequência cheguem longe o suficiente, na cóclea, para se
propagarem e se separarem na membrana basilar. Sem essa rápida
transmissão inicial, todas as ondas de alta frequência se agrupariam, mais
ou menos, no primeiro milímetro da membrana basilar, e suas frequências
não poderiam ser discriminadas.
Padrão de Amplitude da Vibração da Membrana Basilar. As
curvas tracejadas da Figura 53-6A mostram a posição de uma onda sonora
na membrana basilar quando o estribo (a) está todo para dentro, (b) voltou à
posição neutra, (c) está todo para fora e (d) voltou novamente ao ponto
neutro, mas está indo para dentro. A área sombreada em torno dessas
diferentes ondas mostra o grau de vibração da membrana basilar, durante
ciclo vibratório completo. Esse é o padrão da amplitude de vibração da
membrana basilar para essa frequência sonora em particular.
A Figura 53-6B mostra os padrões de amplitude de vibração para
diferentes frequências, demonstrando que a amplitude máxima para o som
com 8.000 ciclos/s ocorre perto da base da cóclea, enquanto a das
frequências inferiores a 200 ciclos/s está na extremidade da membrana
basilar, perto do helicotrema, onde a rampa vestibular se abre na rampa
timpânica.
O principal método pelo qual as frequências sonoras são discriminadas
entre si baseia-se no “lugar” de estimulação máxima das fibras nervosas do
órgão de Corti, situado na membrana basilar, como será explicado a seguir.
Figura 53-6. A, Padrão de amplitude da vibração da membrana basilar para som de frequência média. B, Padrões de amplitude para sons de frequências entre 200 e 8.000 ciclos/s, mostrando os pontos de amplitude máxima na membrana basilar para as diferentes frequências.
FUNÇÃO DO ÓRGÃO DE CORTI
O órgão de Corti, mostrado nas Figuras 53-3 e 53-7, é o órgão receptor que
gera impulsos nervosos em resposta à vibração da membrana basilar.
Observe que o órgão de Corti se situa na superfície das fibras basilares e da
membrana basilar. Os receptores sensoriais reais no órgão de Corti são dois
tipos especializados de células nervosas chamados células ciliadas —
fileira única de células ciliadas internas, em número de cerca de 3.500 e
medindo em torno de 12 micrômetros de diâmetro, e três ou quatro fileiras
de células ciliadas externas, em número de aproximadamente 12.000 e
tendo diâmetros de apenas cerca de 8 micrômetros. As bases e os lados das
células ciliadas fazem sinapse com a rede de terminações nervosas da
cóclea. Entre 90% e 95% dessas terminações acabam nas células ciliadas
internas, o que enfatiza sua importância especial para a detecção do som.
As fibras nervosas, estimuladas pelas células ciliadas, levam ao gânglio
espiral de Corti, que se situa no modíolo (centro) da cóclea. As células
neuronais do gânglio espiral enviam axônios — total de cerca de 30.000 —
para o nervo coclear e, depois, para o sistema nervoso central no nível da
parte superior do bulbo. A relação do órgão de Corti com o gânglio espiral e
com o nervo coclear é mostrada na Figura 53-2.
Figura 53-7. Órgão de Corti, mostrando especialmente as células ciliadas e a membrana tectorial pressionando contra os cílios que se projetam.
Excitação das Células Ciliadas. Observe na Figura 53-7 que os
minúsculos cílios, os estereocílios, se projetam cranialmente das células
ciliadas e tocam ou emergem no revestimento em gel da superfície da
membrana tectorial, que se situa acima dos estereocílios na rampa média.
Essas células ciliadas são semelhantes às células ciliadas encontradas na
mácula e nas cristas ampulares do aparelho vestibular, como discutido
no Capítulo 56. A curvatura dos cílios, em uma direção, despolariza as
células ciliadas, e a curvatura na direção oposta, as hiperpolariza. Isso, por
sua vez, excita as fibras nervosas auditivas, que fazem sinapse com suas
bases.
A Figura 53-8 mostra o mecanismo pelo qual a vibração da membrana
basilar excita as terminações dos cílios. As extremidades externas das
células ciliadas se fixam firmemente em uma estrutura rígida composta por
placa plana, chamada lâmina reticular, sustentada por bastões de Corti triangulares, que se fixam firmemente às fibras basilares. As fibras
basilares, os bastões de Corti e a lâmina reticular se movimentam como
unidade rígida.
O movimento para cima da fibra basilar provoca a rotação da lâmina
reticular para cima e para dentro, em direção ao modíolo. Depois, quando a
lâmina reticular oscila para baixo, a lâmina reticular é distorcida para baixo
e para fora. O movimento para dentro e para fora faz com que os cílios das
células ciliadas sejam distorcidos para a frente e para trás contra a
membrana tectorial. Assim, as células ciliadas são excitadas sempre que a
membrana basilar vibra.
Figura 53-8. Estimulação das células ciliadas por movimento de vaivém dos cílios, que se projetam para o revestimento de gel da membrana tectorial.
Sinais Auditivos São Transmitidos Principalmente pelas Células
Ciliadas Internas. Embora haja 3 a 4 vezes mais células ciliadas externas
que internas, cerca de 90% das fibras nervosas auditivas são estimuladas
pelas células internas, e não pelas externas. Não obstante, se as células
externas forem lesadas, enquanto as células internas per ma necerem
inteiramente funcionais, ocorrerá grande perda auditiva. Portanto, tem sido proposto que as células ciliadas externas, de algum modo, controlam a
sensibilidade das células ciliadas internas para diferentes tons, o fenômeno
chamado “afinação” do sistema receptor. Em apoio a esse conceito, grande
número de fibras nervosas retrógradas se dirige do tronco cerebral para as
vizinhanças das células ciliadas externas. O estímulo dessas fibras nervosas
pode, na realidade, encurtar as células ciliadas externas e possivelmente
também variar seu grau de rigidez. Esses efeitos sugerem um mecanismo
nervoso retrógrado para controlar a sensibilidade do aparelho auditivo a
diferentes tons, ativada por meio das células ciliadas externas.
Potenciais Receptores das Células Ciliadas e Excitação das
Fibras Nervosas Auditivas. Os estereocílios (isto é, os “cílios” que
fazem protrusão das extremidades das células ciliadas) são estruturas
rígidas porque cada um tem estrutura proteica rígida. Cada célula ciliada
tem cerca de 100 estereo cílios em sua borda apical. Esses estereocílios
ficam cada vez mais longos no lado da célula ciliada distante do modíolo, e
os topos dos estereocílios mais curtos são fixados por finos filamentos aos
lados posteriores de seus estereocílios adjacentes mais longos. Portanto,
sempre que os cílios se curvam na direção dos mais longos, as pontas dos
estereocílios menores são puxadas para fora da superfície da célula ciliada.
Isso causa transdução mecânica que abre 200 a 300 canais condutores de
cátions, permitindo que o movimento rápido dos íons potássio com cargas
positivas no líquido da rampa média circunjacente flua para os estereocílios,
acarretando despolarização da membrana das células ciliadas.
Desse modo, quando as fibras basilares se curvam para a rampa vestibular,
as células ciliadas se despolarizam, e, na direção oposta, elas se
hiperpolarizam, gerando, assim, potencial receptor alternante da célula
ciliada, o que, por sua vez, estimula as terminações do nervo coclear que
fazem sinapse com as bases das células ciliadas. Acredita-se que um
neurotransmissor de ação rápida seja liberado pelas células ciliadas nestas sinapses durante a despolarização. É possível que a substância transmissora
seja o glutamato, mas não há certeza disso.
Potencial Endococlear. Para explicar ainda mais inteiramente os potenciais
elétricos gerados pelas células ciliadas, precisamos explicar outro fenômeno elétrico, chamado potencial endococlear. A rampa média é cheia com líquido,‐
chamado endolinfa, enquanto a perilinfa é o líquido presente na rampa vestibular
e na rampa timpânica. A rampa vesti bular e a rampa timpânica se comunicam diretamente com espaço subaracnoide em torno do encéfalo, assim, a
composição da perilinfa é quase idêntica à do líquido cefalorraquidiano.
Inversamente, a endolinfa que enche a rampa média é um líquido inteiramente
diferente, secretado pela estria vascular, área muito vascularizada, na parede externa da rampa média. A endolinfa contém alta concentração de potássio e
baixa de sódio, o que é exatamente oposto ao conteúdo da perilinfa.
Existe potencial elétrico de cerca de +80 milivolts por todo o tempo entre a
endolinfa e a perilinfa, com positividade no interior da rampa média e negatividade
fora. Esse é o chamado potencial endococlear, que é gerado por secreção
contínua de íons potássio positivos para a rampa média, pela estria vascular.
A importância do potencial endococlear é que os topos das células ciliadas se
projetam, através da lâmina reticular, sendo banhados pela endolinfa da rampa média, enquanto a perilinfa banha os corpos das células ciliadas. Além disso, as
células ciliadas têm potencial intracelular negativo de −70 milivolts em relação à perilinfa, mas −150 milivolts em relação à endolinfa, nas suas superfícies
superiores, onde os cílios se projetam através da lâmina reticular para a endolinfa. Acredita-se que esse alto potencial elétrico nas pontas dos estereocílios
sensibilize a célula em grau extra, aumentando, assim, sua capacidade de responder ao som mais discreto.
DETERMINAÇÃO DA FREQUÊNCIA DO SOM — O
PRINCÍPIO DO “LUGAR”
Das discussões anteriores, neste Capítulo, fica aparente que os sons de
baixa frequência causam ativação máxima da membrana basilar, perto do
ápice da cóclea, e os sons de alta frequência ativam a membrana basilar
perto da base da cóclea. Sons de frequência intermediária ativam a
membrana em distâncias intermediárias, entre os dois extremos. Além disso, existe organização espacial das fibras nervosas na via coclear, em
todo o trajeto da cóclea até o córtex cerebral. O registro de sinais, nos tratos
auditivos do tronco cerebral e nos campos receptivos auditivos do córtex
cerebral, mostra que neurônios cerebrais específicos são ativados por
frequências sonoras específicas. Portanto, o principal método usado pelo
sistema nervoso para detectar diferentes frequências sonoras é o de
determinar as posições ao longo da membrana basilar que são mais
estimuladas, que é chamado princípio do lugar para a determinação da
frequência sonora.
Com referência à Figura 53-6, é possível observar que a extremidade
distal da membrana basilar no helicotrema é estimulada por todas as
frequências sonoras abaixo de 200 ciclos/s. Portanto, tem sido difícil
compreender, pelo princípio do lugar, como se pode diferenciar entre
frequên cias sonoras baixas na faixa de 200, baixando até 20. Postula-se que
essas frequências baixas sejam discriminadas principalmente pelo chamado
disparo em surto ou princípio da frequência. Isso significa que sons com
baixa frequência, de 20 a 1.500 a 2.000 ciclos/s, podem causar surtos de
impulsos nervosos sincronizados nas mesmas frequências, e esses surtos
são transmitidos pelo nervo coclear até os núcleos cocleares do cérebro.
Ainda se sugere que os núcleos cocleares possam distinguir as diferentes
frequências dos surtos. De fato, a destruição de toda a metade apical da
cóclea, o que destroi a membrana basilar, onde são normalmente detectados
todos os sons com frequência mais baixa, não elimina de modo total a
discriminação dos sons de frequência mais baixa.
DETERMINAÇÃO DA INTENSIDADE
A intensidade é determinada pelo sistema auditivo pelo menos por três
modos.
Primeiro, à medida que o som fica mais intenso, a amplitude de vibração
da membrana basilar e das células ciliadas também aumenta, de modo que
as células ciliadas excitam as terminações nervosas com frequência mais
rápida.
Segundo, à medida que a amplitude de vibração aumenta, faz com que
cada vez mais e mais células ciliadas, nas margens da porção ressonante da
membrana basilar, sejam estimuladas, causando, assim, somação espacial
dos impulsos — isto é, transmissão por muitas fibras nervosas, e não
através de apenas algumas.
Terceiro, as células ciliadas externas não são estimuladas
significativamente, até que a vibração da membrana basilar atinja alta
intensidade, e a estimulação dessas células, presumivelmente, notifica o
sistema nervoso que o som é intenso.
Detecção de Alterações de Intensidade — A Lei da Potência.
Como destacado no Capítulo 47, a pessoa interpreta mudanças de
intensidade dos estímulos sensoriais, aproximadamente, em proporção a
uma função da potência inversa da intensidade real. No caso do som, a
sensação interpretada muda aproximadamente em proporção à raiz cúbica
da intensidade real do som. Para expressar esse conceito de outro modo, o
ouvido pode discriminar diferenças de intensidade do som, do sussurro mais
suave ao ruído mais intenso possível, representando aumento de
aproximadamente 1 trilhão de vezes da energia do som ou 1 milhão de
vezes de aumento da amplitude do movimento da membrana basilar. Ainda
assim, o ouvido interpreta essa grande diferença do nível sonoro como
alteração de cerca de 10.000 vezes. Desse modo, a escala de intensidade é
bastante “comprimida” pelos mecanismos de percepção sonora do sistema
auditivo, o que permite a pessoa interpretar diferenças de intensidades
sonoras dentro de faixa muito mais ampla da que seria possível, se não
existisse a compressão da escala de intensidade.
Unidade em Decibéis. Devido às extremas variações da intensidade
sonora que o ouvido pode detectar e discriminar, as intensidades sonoras
geralmente são expressas em termos do logaritmo de suas intensidades
reais. Aumento de 10 vezes da energia sonora é chamado 1 bel, e 0,1 bel é
chamado 1 decibel. Um decibel representa aumento real de energia sonora
de 1,26 vez.
Outra razão para usar o sistema de decibéis, para expressar alterações de
intensidade é que, na faixa habitual de intensidades sonoras para a
comunicação, o aparelho auditivo mal pode distinguir variação de
aproximadamente 1 decibel de intensidade sonora.
Limiar para Audição em Diferentes Frequências. A Figura 53-9
mostra os limiares de pressão, em que os sons de diferentes frequências mal
podem ser detectados pelo aparelho auditivo. Essa figura demonstra que
som de 3.000 ciclos/s pode ser ouvido mesmo quando sua intensidade não
passa de 70 decibéis abaixo de 1 dina/cm2 de nível de pressão sonora, o que
é um decamilionésimo de microwatt por centímetro quadrado.
Inversamente, som de 100 ciclos/s só pode ser detectado se sua intensidade
for 10.000 vezes maior que isso.