Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 91 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Insuficiência Cardíaca de Baixo Débito — Choque Cardiogênico

pulmonares e alvéolos, levando ao edema pulmonar.

Dessa forma, dentre os problemas mais importantes da insuficiência

cardíaca esquerda, estão a congestão vascular pulmonar e o edema

pulmonar. Na insuficiência cardíaca esquerda aguda grave, o edema

pulmonar ocorre, às vezes, de forma tão rápida que pode provocar morte

por sufocamento em 20 a 30 minutos, como discutido mais detalhadamente

ao final do Capítulo.

 

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA DE BAIXO DÉBITO —

CHOQUE CARDIOGÊNICO

 

Em muitos casos, após ataque cardíaco agudo e muitas vezes após períodos

prolongados de deterioração cardíaca progressiva, o coração fica incapaz de

bombear até mesmo a quantidade mínima de fluxo sanguíneo, necessária

para manter o corpo vivo. Consequentemente, todos os tecidos corporais

começam a padecer e até mesmo a se deteriorar, levando, muitas vezes, à

morte dentro de poucas horas a poucos dias. O quadro, é então, de choque

circulatório, como explicado no Capítulo 24. O próprio sistema

cardiovascular padece pela falta de nutrição e também (junto com o resto do

corpo) se deteriora, acelerando a morte. Essa síndrome do choque

circulatório, ocasionada por bombeamento cardíaco inadequado, é referida

como choque cardiogênico ou simplesmente choque cardíaco. Uma vez que

a pessoa tenha desenvolvido choque cardiogênico, o índice de sobrevida é,

muitas vezes, menor que 30%, mesmo com tratamento médico adequado.

 

Ciclo Vicioso da Deterioração Cardíaca no Choque

Cardiogênico. A discussão do choque circulatório no Capítulo 24enfatiza

a tendência do coração de ser, progressivamente, mais lesado quando seu

suprimento sanguíneo coronariano é reduzido durante o curso do choque. Isto é, a diminuição da pressão arterial que ocorre durante o choque reduz,

ainda mais, o suprimento de sangue coronariano. Essa redução debilita

ainda mais o coração, o que, por sua vez, faz a pressão arterial cair cada vez

mais, tornando o choque progressivamente pior, transformando com o

passar do tempo esse processo em ciclo vicioso de deterioração cardíaca.

No choque cardiogênico, causado por infarto do miocárdio, esse problema é

bastante complicado pelo bloqueio já existente de vaso coronariano. Por

exemplo, no coração saudável, a pressão arterial deve ser, em geral,

reduzida abaixo de cerca de 45 mmHg, antes que a deterioração cardíaca se

estabeleça. Todavia, em coração que já tenha bloqueio de vaso coronariano

principal, a deterioração começa quando a pressão arterial cai abaixo de 80

a 90 mmHg. Em outras palavras, mesmo pequena diminuição da pressão

arterial pode agora deflagrar o ciclo vicioso de deterioração cardíaca. Por

essa razão, no tratamento do infarto do miocárdio, é extremamente

importante impedir até mesmo curtos períodos de hipotensão.

 

Fisiologia do Tratamento. Frequentemente, o paciente morre de choque

cardiogênico, antes que os diversos processos compensatórios possam

devolver o débito cardíaco (e a pressão arterial) para o nível de manutenção

da vida. Por isso, o tratamento dessa condição é um dos problemas mais

importantes no controle dos ataques cardíacos agudos.

O digitálico é administrado, muitas vezes, imedia tamente para fortalecer o

coração se o músculo ventricular mostrar sinais de deterioração. Também a

infusão de sangue total, de plasma ou de fármaco que eleve a pressão

arterial é utilizada para manter a pressão arterial. Se a pressão arterial puder

ser elevada o suficiente, o fluxo sanguíneo coronariano muitas vezes

aumentará o bastante para impedir o ciclo vicioso da deterioração. Esse

processo dá tempo suficiente para que os mecanismos compensatórios

apropriados do sistema circulatório corrijam o choque.