Tratado de Fisiologia Médica
Gânglios da Base e suas Funções Motoras
cerebelo. Ocorre, especialmente, quando os lobos floculonodulares do cerebelo
estão lesados; nesse caso, também se associa à perda de equilíbrio, devido à
disfunção das vias provenientes dos ductos semicirculares, que passam pelo
cerebelo floculonodular.
Hipotonia — Diminuição do Tônus da Musculatura
A perda dos núcleos cerebelares profundos, particularmente dos núcleos
denteado e interpósito, causa diminuição do tônus da musculatura corporal
periférica no mesmo lado da lesão cerebelar. A hipotonia resulta de perda da
facilitação cerebelar do córtex motor e dos núcleos motores do tronco cerebral,
por sinais tônicos provenientes de núcleos cerebelares profundos.
GÂNGLIOS DA BASE E SUAS FUNÇÕES MOTORAS
Os núcleos da base, como o cerebelo, constituem outro sistema motor
acessório que funciona, em geral, não por si mesmo, mas em estreita
associação ao córtex cerebral e com o sistema de controle motor
corticoespinal. De fato, os núcleos da base recebem a maior parte de seus
sinais aferentes do córtex cerebral e também retornam quase todos os seus
sinais eferentes para o córtex.
A Figura 57-9 mostra as relações anatômicas dos núcleos da base com
outras estruturas do sistema nervoso central. A cada lado do encéfalo, esses
núcleos consistem no núcleo caudado, no putâmen, no globo pálido, na
substância negra e no núcleo subtalâmico. Estão situados, em sua maior
parte, laterais ao tálamo e à sua volta, ocupando grande parte das regiões
interiores de ambos os hemisférios cerebrais. Quase todas as fibras nervosas
motoras e sensoriais que ligam o córtex cerebral e a medula espinal
atravessam o espaço situa do entre as principais massas dos gânglios da
base, o núcleo caudado e o putâmen. Esse espaço é chamado cápsula
interna. Ela é importante, para nossa presente discussão, devido à íntima
associação entre os gânglios da base e o sistema corticoespinal em relação
ao controle motor.
Figura 57-9. Relações anatômicas dos gânglios da base com o córtex cerebral e o tálamo, mostradas em corte tridimensional. (Modificado de Guyton AC: Basic Neuroscience: Anatomy and Physiology. Philadelphia: WB Saunders, 1992.)
Circuito NEURONAL DOS GÂNGLIOS DA BASE
As conexões anatômicas entre os gânglios da base e os outros elementos do
sistema nervoso central, envolvidas no controle motor, são complexas,
como mostrado na Figura 57-10. À esquerda, vê-se o córtex motor, o
tálamo e os circuitos associados do tronco cerebral e cerebelar. À direita,
estão os principais circuitos do sistema dos gânglios da base, mostrando as
tremendas interconexões entre os núcleos, pertencentes aos gânglios da
base, além das numerosas vias de conexão, entre as outras regiões motoras
do cérebro e os gânglios da base.
Nas duas seções a seguir, estaremos concentrados especialmente em dois
circuitos principais, o circuito do putâmen e o circuito do caudado.
Figura 57-10. Relação dos circuitos dos gânglios da base com o sistema corticoespinocerebelar para o controle dos movimentos.
FUNÇÃO DOS GÂNGLIOS DA BASE NA EXECUÇÃO DE
PADRÕES DE ATIVIDADE MOTORA — OS CIRCUITOS
DO PUTÂMEN
Um dos principais papéis dos gânglios da base no controle motor é o de
funcionar associados ao sistema corticoespinal, para controlar padrões
complexos de atividade motora. Exemplo é escrever as letras do alfabeto.
Quando os gânglios da base sofrem dano continuado e importante, o
sistema cortical do controle motor já não pode executar esses padrões. Em
lugar disso, a escrita se torna grosseira, como se a pessoa estivesse
aprendendo a escrever.
Outros padrões motores que exigem a integridade dos gânglios da base
são cortar papel com tesoura, bater pregos, arremessar uma bola de
basquete através de um aro, passar uma bola de futebol, arremessar uma
bola de beisebol, os movimentos de tirar lixo com uma pá, a maioria dos
aspectos da vocalização, movimentos controlados dos olhos e quase
qualquer outro dos nossos movimentos que mostram destreza, a maioria
deles realizada de modo subconsciente.
Vias Neurais dos Circuitos do Putâmen. A Figura 57-11 mostra as
principais vias pelos gânglios da base para executar padrões aprendidos de
movimento. Elas começam, em sua maioria, nas áreas pré-motora e
suplementar do córtex motor e nas áreas somatossensoriais do córtex
sensorial. Passam, a seguir, para o putâmen (evitando, em sua maioria, o
núcleo caudado) e, depois, para a parte interna do globo pálido, seguindo
para os núcleos de retransmissão ventral-anterior e ventrolateral do tálamo
e, por fim, retornam ao córtex motor primário e às partes das áreas pré-
motora e suplementares estreitamente associadas ao córtex motor primário.
Desse modo, os circuitos do putâmen têm seus aferentes, principalmente,
das partes do cérebro adjacentes ao córtex motor primário, mas não muito
provenientes do próprio córtex motor primário. Depois, suas eferências
realmente voltam em especial para o córtex motor primário, ou para os córtices pré-motor e suplementar estreitamente associados. Funcionando em
estreita associação desse circuito primário do putâmen, existem circuitos
subsidiários que passam do putâmen, pelo globo pálido externo, ao
subtálamo e à substância negra — finalmente retornando ao córtex motor
por meio do tálamo.
Figura 57-11. Circuito do putâmen através dos gânglios da base para a execução subconsciente dos padrões aprendidos de movimento.
Função Anormal no Circuito do Putâmen: Atetose, Hemibalismo
e Coreia. Como o circuito do putâmen funciona para ajudar a executar os
padrões de movimento? Pouco se sabe sobre essa função. No entanto,
quando parte do circuito é lesada ou bloqueada, certos padrões de
movimento ficam intensamente anormais. Por exemplo, lesões no globo pálido frequentemente levam a movimentos de contorção espontâneos e,
muitas vezes, contínuos de uma das mãos, um braço, do pescoço ou da face.
Esses movimentos são chamados atetose.
Uma lesão no subtálamo costuma causar movimentos súbitos e em bloco
de toda uma extremidade, patologia chamada hemibalismo.
Múltiplas pequenas lesões no putâmen levam a movimentos rápidos e
abruptos de curta extensão em mãos, face e outras partes do corpo,
chamados coreia.
Lesões na substância negra levam à doença comum e extremamente grave
de rigidez, acinesia e tremores, conhecida como doença de Parkinson, que
discutiremos com mais detalhes neste Capítulo.
PAPEL DOS GÂNGLIOS DA BASE PARA O CONTROLE
COGNITIVO DE SEQUÊNCIAS DE PADRÕES MOTORES
— O CIRCUITO DO CAUDADO
O termo cognição significa os processos cerebrais envolvidos no processo
ao pensamento, os eferentes sensoriais mais informações já armazenadas na
memória. A maior parte de nossas ações motoras ocorre como consequência
de pensamentos gerados na mente, processo chamado controle cognitivo da
atividade motora. O núcleo caudado desempenha papel importante nesse
controle cognitivo da atividade motora.
As conexões neurais entre o núcleo caudado e o sistema de controle motor
corticoespinal, mostradas na Figura 57-12, diferem das do circuito do
putâmen. Parte da razão para essa diferença é que o núcleo caudado,
mostrado na Figura 57-9, estende-se por baixo de todos os lobos do
telencéfalo, começando anteriormente nos lobos frontais, depois,
atravessando na direção posterior os lobos parietal e occipital e, por fim,
curvando-se novamente para a frente como a letra “C” nos lobos temporais.
Além disso, o núcleo caudado recebe grandes quantidades de aferentes das áreas de associação do córtex cerebral que estão anatomicamente sobre ele,
principalmente as áreas que também integram os diferentes tipos de
informações sensoriais e motoras em padrões utilizáveis de pensamento.
Depois que os sinais passam do córtex cerebral para o núcleo caudado,
eles são transmitidos para o globo pálido interno e depois para os núcleos
de retransmissão do tálamo ventral-anterior e ventrolateral, para finalmente
voltarem às áreas motoras pré-frontais, pré-motoras e suplementares do
córtex cerebral, mas com quase nenhum dos sinais que retornam, passando
diretamente para o córtex motor primá rio. Em lugar disso, os sinais que
retornam vão para as regiões motoras acessórias pré-motoras e
suplementares, responsáveis pela organização de padrões sequenciais de
movimento, durando 5 segundos ou mais, em vez de promover movimentos
musculares individuais.
Bom exemplo desse fenômeno seria a pessoa que vê um leão se
aproximando e, então, respondendo instantânea e automaticamente: (1)
afasta-se do leão; (2) começando a correr; e (3) até tentando subir numa
árvore. Sem as funções cognitivas, a pessoa pode não ter os conhecimentos
instintivos, sem pensar por muito tempo, mas responde rápida e
apropriadamente. Desse modo, o controle cognitivo da atividade motora
determina subconscientemente e em segundos quais padrões de movimento
serão usados juntos para atingir objetivo complexo que poderia, ele mesmo,
durar muitos segundos.
Figura 57-12. Circuito do caudado, através dos gânglios da base, para planejamento cognitivo de padrões motores sequenciais e paralelos de modo a atingir objetivos conscientes específicos.
FUNÇÃO DOS GÂNGLIOS DA BASE PARA MUDAR A
TEMPORIZAÇÃO E PARA ESCALONAR A INTENSIDADE
DOS MOVIMENTOS
Duas importantes capacidades do cérebro, para controlar o movimento, são
(1) determinar com que rapidez o movimento deve ser realizado; e (2)
controlar qual a dimensão do movimento. Por exemplo, a pessoa pode
escrever a letra “a” lenta ou rapidamente. De igual modo, ela pode escrever
um “a” minúsculo em pedaço de papel ou um “A” maiúsculo em lousa.
Independentemente da escolha, as características proporcionais da letra
continuam quase as mesmas.
Nos pacientes com lesões graves dos gânglios da base, essas funções de
temporização e de graduação são precárias; de fato, algumas vezes, sequer
existem. Aqui, novamente, os gânglios da base não funcionam
isoladamente; funcionam em estreita associação ao córtex cerebral. Área
cortical especialmente importante é o córtex parietal posterior que é o local
das coordenadas espaciais para o controle motor de todas as partes do
corpo, bem como para a relação do corpo e de suas partes com tudo o que
está em torno. Danos a essa área não produzem simples déficits da
percepção sensorial, como perda da sensação tátil, cegueira ou surdez. Em
vez disso, lesões do córtex parietal posterior parietal produz a incapacidade
de perceber, de modo acurado, os objetos pelos mecanismos sensoriais que
funcionam normalmente, condição denominada agnosia. A Figura 57-13
mostra o modo pelo qual uma pessoa com uma lesão no córtex parietal
posterior direito tenta copiar desenhos. Nesses casos, a capacidade do
paciente em copiar o lado esquerdo dos desenhos está gravemente
prejudicada. De igual modo, essa pessoa sempre tentará evitar usar o braço
esquerdo, a mão esquerda ou outras partes de seu hemicorpo esquerdo para
o desempenho de tarefas ou, mesmo, lavar esse lado do corpo (síndrome da
negligência pessoal), quase desconhecendo que essas partes de seu corpo
existem.
Como o circuito do caudado do sistema dos gânglios da base funciona,
principalmente, com áreas de associação do córtex cerebral, tais como o
córtex parietal posterior, presumivelmente, a temporização e a graduação
dos movimentos são funções desse circuito de controle motor cognitivo do
caudado. No entanto, nossos conhecimentos sobre a função nos gânglios da
base ainda são tão imprecisos que grande parte do que é conjecturado nas
últimas seções é dedução analítica, e não fato comprovado.
Figura 57-13. Ilustração de desenhos que poderiam ser feitos por pessoa que tenha síndrome da negligência, causada por lesão grave do córtex parietal posterior direito, comparada ao desenho real que o paciente foi solicitado a copiar. Observe que a capacidade da pessoa de copiar o lado esquerdo dos desenhos está gravemente prejudicada.
FUNÇÕES DE SUBSTÂNCIAS NEUROTRANSMISSORAS
ESPECÍFICAS NO SISTEMA DE GÂNGLIOS DA BASE
A Figura 57-14 demonstra a inter-relação de vários neurotransmissores
específicos que, sabidamente, funcionam nos gânglios da base, mostrando
(1) vias que contêm dopamina, da substância negra para o núcleo caudado e
o putâmen; (2) vias que contêm o ácido gama-aminobutírico (GABA), do
núcleo caudado e putâmen para o globo pálido e substância negra; (3) vias que contêm acetilcolina do córtex para o núcleo caudado e putâmen; e (4)
múltiplas vias gerais do tronco cerebral que secretam norepinefrina,
serotonina, encefalina e vários outros neurotransmissores, nos diversos
núcleos dos gânglios da base, bem como em outras partes do telencéfalo.
Além de tudo que já foi mencionado, existem múltiplas vias que usam
glutamato como neurotransmissor, responsáveis pela maioria dos sinais
excitatórios (não mostrados na figura) que contrabalançam o grande número
de sinais inibitórios transmitidos, especialmente pelos transmissores
inibitórios dopamina, GABA e serotonina. Teremos mais a dizer sobre
alguns desses neurotransmissores e sistemas hormonais em seções
subsequentes, quando discutiremos doenças associadas aos gânglios da
base, bem como em Capítulos subsequentes, quando discutirmos
comportamento, sono, vigília e funções do sistema nervoso autônomo.
Para o presente, deve ser lembrado que o neurotransmissor GABA
funciona como agente inibitório. Portanto, os neurônios gabaérgicos, nas
alças de feedback do córtex pelos gânglios da base e de volta ao córtex,
fazem com que na prática todas essas alças de feedback sejam negativas, ao
invés de alças de feedback positivas, emprestando, assim, estabilidade aos
sistemas de controle motor. A dopamina também funciona como
neurotransmissor inibitório, na maior parte do encéfalo; logo, ela também
funciona, indubitavelmente, como estabilizador sob algumas condições.
Figura 57-14. Vias neuronais que secretam diferentes tipos de substâncias neurotransmissoras nos gânglios da base. Ach, acetilcolina; GABA, ácido gama-aminobutírico.
Síndromes Clínicas Decorrentes de Lesão dos Gânglios da Base
À parte da atetose e do hemibalismo, já mencionados em relação às lesões do
globo pálido e do núcleo subtalâmico, duas outras doenças importantes resultam de lesões em estruturas dos gânglios da base. São a doença de Parkinson e a doença de Huntington.
Doença de Parkinson
A doença de Parkinson, que também é conhecida como paralisia agitante,
decorre da destruição generalizada da parte da substância negra (a pars
compacta) que envia fibras nervosas secretoras de dopamina para o núcleo
caudado e para o putâmen. A doença se caracteriza por (1) rigidez de grande parte da musculatura do corpo; (2) tremor involuntário das áreas envolvidas, mesmo quando a pessoa está em repouso, na frequência fixa de três a seis ciclos
por segundo; (3) dificuldade intensa de iniciar movimentos, chamada acinesia; (4) instabilidade postural, causada por reflexos posturais prejudicados, levando ao
frágil equilíbrio e quedas; e (5) outros sintomas motores que incluem disfagia
(capacidade prejudicada de engolir), distúrbios da fala, distúrbios da marcha e
fadiga.
As causas desses efeitos motores anormais são desconhecidas. No entanto, a
dopamina liberada no núcleo caudado e no putâmen é transmissor inibitório;
assim, a destruição dos neurônios dopaminérgicos, na substância negra do
paciente parkinsoniano, teoricamente permitiria que o núcleo caudado e o
putâmen ficassem, de modo intenso, ativos e, possivelmente, causaria saída
contínua de sinais excitatórios para o sistema de controle motor corticoespinal.
Esses sinais poderiam excitar, de forma intensa, muitos ou todos os músculos do
corpo, levando assim à rigidez.
Alguns dos circuitos de feedback poderiam facilmente oscilar devido ao aumento
considerável do ganho da alça de feedback, após a perda de sua inibição, levando
ao tremor da doença de Parkinson. Esse tremor é bem diferente do da doença
cerebelar, porque ocorre durante todas as horas de vigília e, portanto, é tremor
involuntário, distinguindo-se do tremor cerebelar, que ocorre apenas quando a
pessoa realiza intencionalmente movimentos iniciados e, por conseguinte, é
chamado tremor intencional.
A acinesia que ocorre na doença de Parkinson costuma ser mais perturbadora
para o paciente do que os sintomas de rigidez muscular e tremor, uma vez que
uma pessoa afetada por parkinsonismo grave, precisa exercer o mais alto grau de
concentração para realizar até o mais simples movimento. O esforço mental, até
mesmo, a angústia mental, que é necessário para fazer os movimentos
desejados, costuma estar no limite da força de vontade do paciente. Depois,
quando os movimentos ocorrem, em geral são rígidos e em staccato e não
contínuos. A causa dessa acinesia ainda é especulativa. No entanto, a secreção
de dopamina, no sistema límbico, especialmente no núcleo accumbens, com
frequência está diminuída, junto com seu decréscimo nos núcleos da base. Foi
sugerido que isso pode reduzir o impulso psíquico para a atividade motora, com
tal intensidade que pode levar à acinesia.
Tratamento com l-Dopa. A administração do fármaco l-dopa a pacientes com
doença de Parkinson, em geral, abranda muitos dos sintomas, especialmente, a
rigidez e a acinesia. Acredita-se que a razão para isto seja porque a l-dopa é
convertida, no cérebro, em dopamina, e a dopamina, então, restaura o equilíbrio
normal entre a inibição e a excitação, no núcleo caudado e putâmen. A própria
administração de dopamina não tem o mesmo efeito, porque a dopamina tem
estrutura química que não permite que ela atravesse a barreira hematoencefálica,
embora a estrutura discretamente diferente da l-dopa permita ultrapassar essa
barreira.
Tratamento com l-Deprenil. Outro tratamento para doença de Parkinson é o
fármaco l-deprenil. Ele inibe a monoamina oxidase, que é responsável pela
destruição da maior parte da dopamina, depois de secretada. Portanto, qualquer dopamina que seja liberada permanece nos tecidos dos gânglios da base por
período mais longo. Ademais, por questões não compreendidas, esse tratamento ajuda a tornar mais lenta a destruição dos neurônios secretores de dopamina, na
substância negra. Portanto, combinações apropriadas de l-dopa, juntamente com terapia com l-deprenil, em geral, propiciam tratamento muito melhor do que o uso exclusivo de um desses fármacos.
Tratamento com Células Dopaminérgicas Fetais Transplantadas. O
transplante de células cerebrais secretoras de dopamina (células obtidas de fetos
abortados), feito diretamente nos núcleos caudados e putâmens, tem sido usado com certo sucesso por curto prazo para tratar a doença de Parkinson. Contudo, as células não vivem por mais que alguns meses. Se pudesse ser conseguida a
persistência, talvez esse se tornasse o tratamento do futuro.
Tratamento por Destruição de Parte do Circuito de Feed back nos Gânglios
da Base. Como os sinais anormais dos gânglios da base para o córtex motor
causam a maioria das anormalidades da doença de Parkinson, têm sido feitas
muitas tentativas para tratar os pacientes com essa doença, pelo bloqueio cirúrgico destes sinais. Durante anos, foram feitas lesões cirúrgicas nos núcleos
ventrolateral e ventroanterior do tálamo, o que bloqueava parte do circuito de
feedback dos gânglios da base para o córtex; foram obtidos graus variáveis de sucesso, bem como algumas vezes dano neurológico grave. Em macacos com doença de Parkinson, têm sido feitas lesões no núcleo subtalâmico, algumas
vezes com resultados surpreendentemente bons.
Doença de Huntington (Coreia de Huntington)
A doença de Huntington é distúrbio hereditário autossômico dominante que, em
geral começa a causar sintomas nos 30 a 40 anos de idade. Caracteriza-se, a
princípio, por movimentos rápidos em músculos individuais e, depois, movimentos graves progressivos de distorção do corpo inteiro. Ademais, desenvolve-se demência grave junto com as disfunções motoras.
Acredita-se que os movimentos anormais da doença de Huntington sejam
causados pela perda da maior parte dos corpos celulares dos neurônios
secretores de GABA, no núcleo caudado e no putâmen, e pela perda de neurônios
secretores de acetilcolina em muitas partes do cérebro. Os terminais axônicos dos
neurônios gabaérgicos normalmente inibem partes do globo pálido e da substância negra. Acredita-se que essa perda de inibição permita períodos A ponte e o bulbo são responsáveis por duas funções importantes para o