Tratado de Fisiologia Médica
Tipos Funcionais de Movimentos no Trato Gastrointestinal
Colecistocinina Proteína Células I do duodeno, Estimula
Gordura jejuno e íleo Secreção de enzima Ácido pancreática
Secreção de
bicarbonato
pancreático
Contração da vesícula
biliar
Crescimento do
pâncreas exócrino
Inibe
Esvaziamento gástrico
Secretina Ácido Células S do duodeno, Estimula
Gordura jejuno e íleo Secreção de pepsina
Secreção de
bicarbonato
pancreático
Secreção de
bicarbonato biliar
Crescimento de
pâncreas exócrino
Inibe
Secreção de ácido
gástrico
Peptídeo Proteína Células K do duodeno e Estimula
inibidor Gordura jejuno Liberação de insulina gástrico Carboidrato Inibe
Secreção de ácido
gástrico
Motilina Gordura Células M do duodeno e Estimula
Ácido jejuno Motilidade gástrica Nervo Motilidade intestinal
TIPOS FUNCIONAIS DE MOVIMENTOS NO TRATO
GASTROINTESTINAL
No trato gastrointestinal ocorrem dois tipos de movimentos: (1) movimentos
propulsivos, que fazem com que o alimento percorra o trato com velocidade
apropriada para que ocorram a digestão e a absorção; e (2) movimentos de
mistura, que mantêm os conteúdos intestinais bem misturados todo o
tempo.
MOVIMENTOS PROPULSIVOS — PERISTALTISMO
O movimento propulsivo básico do trato gastrointestinal é o peristaltismo,
ilustrado na Figura 63-5. Um anel contrátil, ao redor do intestino, surge em
um ponto e se move para adiante; segundo um mecanismo análogo a se
colocar os dedos ao redor de um tubo fino distendido, apertar o tubo e
escorregar os dedos para diante. Qualquer material à frente do anel contrátil
é movido para diante.
O peristaltismo é propriedade inerente a muitos tubos de músculo liso
sincicial; a estimulação em qualquer ponto do intestino pode fazer com que
um anel contrátil surja na musculatura circular, e esse anel então percorre o
intestino. (Peristaltismo também ocorre nos ductos biliares, nos ductos
glandulares, nos ureteres e em muitos tubos de músculos lisos do corpo.)
O estímulo usual do peristaltismo intestinal é a distensão do trato
gastrointestinal. Isto é, se grande quantidade de alimento se acumula em
qualquer ponto do intestino, a distensão da parede estimula o sistema
nervoso entérico a provocar a contração da parede 2 a 3 centímetros atrás
desse ponto, o que faz surgir um anel contrátil que inicia o movimento
peristáltico. Outros estímulos que podem deflagrar o peristaltismo incluem
a irritação química ou física do revestimento epitelial do intestino. Além
disso, intensos sinais nervosos parassimpáticos para o intestino provocarão
forte peristaltismo.
Figura 63-5. Peristaltismo.
Função do Plexo Mioentérico no Peristaltismo. O peristaltismo é
apenas fraco ou não ocorre nas regiões do trato gastrointestinal em que
exista ausência congênita do plexo mioentérico. Também fica bastante
deprimido ou completamente bloqueado em todo o intestino, quando a
pessoa é tratada com atropina para bloquear a ação dos terminais nervosos
colinérgicos do plexo mioentérico. Portanto, o peristaltismo efetivo requer o
plexo mioentérico ativo.
As Ondas Peristálticas Movem-se na Direção do Ânus com o
Relaxamento Receptivo a Jusante: “Lei do Intestino”.
Teoricamente, o peristaltismo pode ocorrer em ambas as direções a partir do
ponto estimulado, mas normalmente cessa com rapidez (na direção da boca)
e mantém-se por distância considerável na direção do ânus. A causa exata
dessa transmissão direcional do peristaltismo não é conhecida, embora seja
provável que resulte, essencialmente, do fato de que o próprio plexo
mioentérico seja “polarizado” na direção anal, o que pode ser explicado
pelo que se segue.
Quando um segmento do trato intestinal é excitado pela distensão e,
assim, inicia o peristaltismo, o anel contrátil que causa o peristaltismo
normalmente começa no lado oral do segmento distendido e move-se para diante, para o segmento distendido, empurrando o conteúdo intestinal na