Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 337 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Ato Sexual Masculino

Figura 81-5. Espermatozoides anormais inférteis, comparados a um espermatozoide normal à direita.

 

ATO SEXUAL MASCULINO

 

ESTÍMULO NEURONAL PARA O DESEMPENHO DO ATO

SEXUAL MASCULINO

A fonte mais importante de sinais sensoriais neurais para iniciar o ato

sexual masculino é a glande do pênis. A glande contém um sistema de

órgãos terminais sensoriais especialmente sensível que transmite

modalidade especial de sensação, chamada sensação sexual, para o sistema

nervoso central. A massagem da glande estimula os órgãos terminais

sensoriais, e os sinais sexuais, por sua vez, cursam pelo nervo pudendo e,

então, pelo plexo sacral para a região sacral da medula espinal, finalmente

ascendendo pela medula para áreas não definidas do cérebro.

Os impulsos podem também entrar na medula espinal a partir de áreas

adjacentes ao pênis, contribuindo para estimular o ato sexual. Por exemplo,

a estimulação do epitélio anal, do saco escrotal e de estruturas perineais, em

geral, pode enviar sinais para a medula espinal que aumentam a sensação

sexual. As sensações sexuais podem até mesmo se originar em estruturas

internas, tais como as áreas da uretra, bexiga, próstata, vesículas seminais,

testículos e canal deferente. De fato, uma das causas do “impulso sexual” é

o enchimento dos órgãos sexuais com secreções. Inflamação e infecção

suaves desses órgãos sexuais, algumas vezes, provocam um desejo sexual

quase contínuo, e algumas drogas “afrodisíacas”, como cantaridina, irritam

a bexiga e a mucosa uretral, induzindo inflamação e congestão vascular.

 

Elemento Psíquico do Estímulo Sexual Masculino. Estímulos

psíquicos apropriados podem aumentar, consideravelmente, a capacidade de

a pessoa realizar o ato sexual. O simples pensamento em sexo, ou mesmo sonhar que está participando de relação sexual, pode iniciar o ato sexual

masculino, culminando com a ejaculação. De fato, as emissões noturnas, os

chamados “sonhos úmidos”, ocorrem em muitos homens durante alguns

estágios da vida sexual, especialmente durante a adolescência.

 

Integração do Ato Sexual Masculino na Medula Espinal. Embora

os fatores psíquicos geralmente tenham papel importante no ato sexual

masculino, podendo iniciá-lo ou inibi-lo, a função cerebral provavelmente

não é necessária para a sua realização, uma vez que a estimulação genital

apropriada pode provocar a ejaculação em alguns animais e, às vezes, em

humanos, mesmo após suas medulas espinais terem sido seccionadas acima

da região lombar. O ato sexual masculino resulta de mecanismos reflexos

inerentes, integrados na medula espinal sacral e lombar, e esses mecanismos

podem ser iniciados por estimulação psíquica proveniente do cérebro ou

estimulação sexual real dos órgãos sexuais, mas, geralmente, é uma

combinação de ambas.

 

ESTÁGIOS DO ATO SEXUAL MASCULINO

 

Ereção Peniana — O Papel dos Nervos Parassimpáticos. A

ereção peniana é o primeiro efeito do estímulo sexual masculino, e o grau

de ereção é proporcional ao grau de estimulação, seja psíquico ou físico. A

ereção é causada por impulsos parassimpáticos que passam da região sacral

da medula espinal pelos nervos pélvicos para o pênis. Essas fibras nervosas

parassimpáticas, ao contrário da maioria das outras fibras parassimpáticas,

parecem liberar óxido nítrico e/ou peptídeo intestinal vasoativo, além da

acetilcolina. O óxido nítrico ativa a enzima guanilil ciclase, causando maior

formação de monofosfato cíclico de guanosina (GMPc). O GMPc, em

especial, relaxa as artérias do pênis e as malhas trabeculares das fibras

musculares lisas no tecido erétil dos corpos cavernosos e corpos esponjosos

na haste do pênis, como mostrado na Figura 81-6. Quando os músculos

lisos vasculares relaxam, o fluxo sanguíneo para o pênis aumenta, causando

a liberação de óxido nítrico das células endoteliais vasculares e posterior

vasodilatação.

O tecido erétil do pênis consiste em grandes sinusoides cavernosos que,

normalmente, não contêm sangue, mas se tornam tremendamente dilatados

quando o fluxo sanguíneo arterial flui rapidamente para ele sob pressão,

enquanto a saída venosa é, parcialmente, ocluída. Os corpos eréteis também

são envolvidos por camada fibrosa espessa, especialmente os dois corpos

cavernosos; portanto, a pressão elevada dentro dos sinusoides provoca o

enchimento do tecido erétil em tal extensão, que o pênis fica duro e

alongado, o fenômeno chamado ereção.

 

Figura 81-6. Tecido erétil do pênis.

 

Lubrificação é Função Parassimpática. Os impulsos parassimpáticos

durante a estimulação sexual, além de promover a ereção, induzem a

secreção mucosa pelas glândulas uretrais e bulbouretrais. Esse muco flui

pela uretra, auxiliando a lubrificação durante a relação sexual. Entretanto, a

maior parte da lubrificação do coito é fornecida pelos órgãos sexuais

femininos, muito mais do que pelos masculinos. Sem lubrificação satisfatória, o ato sexual masculino dificilmente é satisfatório, porque o

intercurso não lubrificado produz sensações dolorosas e irritativas, que

inibem as sensações sexuais, em vez de excitá-las.

 

Emissão e Ejaculação São Funções dos Nervos Simpáticos. A

emissão e a ejaculação são o clímax do ato sexual masculino. Quando o

estímulo sexual fica extremamente intenso, os centros reflexos da medula

espinal começam a emitir impulsos simpáticos, que deixam a medula, pelos

níveis T-12 a L-2, e passam para os órgãos genitais por meio dos plexos

nervosos simpáticos hipogástrico e pélvico, iniciando a emissão precursora

da ejaculação.

A emissão começa com a contração do canal deferente e da ampola,

promovendo a expulsão dos espermatozoides para a uretra interna. Em

seguida, as contrações da camada muscular da próstata, seguidas pela

contração das vesículas seminais, expelem os líquidos prostático e seminal

também para a uretra, forçando os espermatozoides para frente. Todos esses

líquidos se misturam, na uretra interna, com o muco já secretado pelas

glândulas bulbouretrais, formando o sêmen. O processo até esse ponto é

chamado emissão.

O enchimento da uretra interna com sêmen provoca sinais sensoriais que

são transmitidos pelos nervos pudendos para as regiões sacrais da medula

espinal, dando a sensação de plenitude súbita aos órgãos genitais internos.

Além disso, esses sinais sensoriais promovem as contrações rítmicas dos

órgãos genitais internos e contrações dos músculos isquiocavernoso e

bulbocavernoso, que comprimem as bases do tecido erétil peniano. Esses‐

efeitos associados induzem aumentos rítmicos e ondulatórios da pressão do

tecido erétil do pênis, dos ductos genitais e da uretra, que “ejaculam” o

sêmen da uretra para o exterior. Esse processo final é chamado ejaculação.

Ao mesmo tempo, contrações rítmicas dos músculos pélvicos, e mesmo de

alguns músculos do tronco, causam movimentos de propulsão da pélvis e do pênis, que também auxiliam a propelir o sêmen para os recessos mais