Tratado de Fisiologia Médica
Ato Sexual Masculino
Figura 81-5. Espermatozoides anormais inférteis, comparados a um espermatozoide normal à direita.
ATO SEXUAL MASCULINO
ESTÍMULO NEURONAL PARA O DESEMPENHO DO ATO
SEXUAL MASCULINO
A fonte mais importante de sinais sensoriais neurais para iniciar o ato
sexual masculino é a glande do pênis. A glande contém um sistema de
órgãos terminais sensoriais especialmente sensível que transmite
modalidade especial de sensação, chamada sensação sexual, para o sistema
nervoso central. A massagem da glande estimula os órgãos terminais
sensoriais, e os sinais sexuais, por sua vez, cursam pelo nervo pudendo e,
então, pelo plexo sacral para a região sacral da medula espinal, finalmente
ascendendo pela medula para áreas não definidas do cérebro.
Os impulsos podem também entrar na medula espinal a partir de áreas
adjacentes ao pênis, contribuindo para estimular o ato sexual. Por exemplo,
a estimulação do epitélio anal, do saco escrotal e de estruturas perineais, em
geral, pode enviar sinais para a medula espinal que aumentam a sensação
sexual. As sensações sexuais podem até mesmo se originar em estruturas
internas, tais como as áreas da uretra, bexiga, próstata, vesículas seminais,
testículos e canal deferente. De fato, uma das causas do “impulso sexual” é
o enchimento dos órgãos sexuais com secreções. Inflamação e infecção
suaves desses órgãos sexuais, algumas vezes, provocam um desejo sexual
quase contínuo, e algumas drogas “afrodisíacas”, como cantaridina, irritam
a bexiga e a mucosa uretral, induzindo inflamação e congestão vascular.
Elemento Psíquico do Estímulo Sexual Masculino. Estímulos
psíquicos apropriados podem aumentar, consideravelmente, a capacidade de
a pessoa realizar o ato sexual. O simples pensamento em sexo, ou mesmo sonhar que está participando de relação sexual, pode iniciar o ato sexual
masculino, culminando com a ejaculação. De fato, as emissões noturnas, os
chamados “sonhos úmidos”, ocorrem em muitos homens durante alguns
estágios da vida sexual, especialmente durante a adolescência.
Integração do Ato Sexual Masculino na Medula Espinal. Embora
os fatores psíquicos geralmente tenham papel importante no ato sexual
masculino, podendo iniciá-lo ou inibi-lo, a função cerebral provavelmente
não é necessária para a sua realização, uma vez que a estimulação genital
apropriada pode provocar a ejaculação em alguns animais e, às vezes, em
humanos, mesmo após suas medulas espinais terem sido seccionadas acima
da região lombar. O ato sexual masculino resulta de mecanismos reflexos
inerentes, integrados na medula espinal sacral e lombar, e esses mecanismos
podem ser iniciados por estimulação psíquica proveniente do cérebro ou
estimulação sexual real dos órgãos sexuais, mas, geralmente, é uma
combinação de ambas.
ESTÁGIOS DO ATO SEXUAL MASCULINO
Ereção Peniana — O Papel dos Nervos Parassimpáticos. A
ereção peniana é o primeiro efeito do estímulo sexual masculino, e o grau
de ereção é proporcional ao grau de estimulação, seja psíquico ou físico. A
ereção é causada por impulsos parassimpáticos que passam da região sacral
da medula espinal pelos nervos pélvicos para o pênis. Essas fibras nervosas
parassimpáticas, ao contrário da maioria das outras fibras parassimpáticas,
parecem liberar óxido nítrico e/ou peptídeo intestinal vasoativo, além da
acetilcolina. O óxido nítrico ativa a enzima guanilil ciclase, causando maior
formação de monofosfato cíclico de guanosina (GMPc). O GMPc, em
especial, relaxa as artérias do pênis e as malhas trabeculares das fibras
musculares lisas no tecido erétil dos corpos cavernosos e corpos esponjosos
na haste do pênis, como mostrado na Figura 81-6. Quando os músculos
lisos vasculares relaxam, o fluxo sanguíneo para o pênis aumenta, causando
a liberação de óxido nítrico das células endoteliais vasculares e posterior
vasodilatação.
O tecido erétil do pênis consiste em grandes sinusoides cavernosos que,
normalmente, não contêm sangue, mas se tornam tremendamente dilatados
quando o fluxo sanguíneo arterial flui rapidamente para ele sob pressão,
enquanto a saída venosa é, parcialmente, ocluída. Os corpos eréteis também
são envolvidos por camada fibrosa espessa, especialmente os dois corpos
cavernosos; portanto, a pressão elevada dentro dos sinusoides provoca o
enchimento do tecido erétil em tal extensão, que o pênis fica duro e
alongado, o fenômeno chamado ereção.
Figura 81-6. Tecido erétil do pênis.
Lubrificação é Função Parassimpática. Os impulsos parassimpáticos
durante a estimulação sexual, além de promover a ereção, induzem a
secreção mucosa pelas glândulas uretrais e bulbouretrais. Esse muco flui
pela uretra, auxiliando a lubrificação durante a relação sexual. Entretanto, a
maior parte da lubrificação do coito é fornecida pelos órgãos sexuais
femininos, muito mais do que pelos masculinos. Sem lubrificação satisfatória, o ato sexual masculino dificilmente é satisfatório, porque o
intercurso não lubrificado produz sensações dolorosas e irritativas, que
inibem as sensações sexuais, em vez de excitá-las.
Emissão e Ejaculação São Funções dos Nervos Simpáticos. A
emissão e a ejaculação são o clímax do ato sexual masculino. Quando o
estímulo sexual fica extremamente intenso, os centros reflexos da medula
espinal começam a emitir impulsos simpáticos, que deixam a medula, pelos
níveis T-12 a L-2, e passam para os órgãos genitais por meio dos plexos
nervosos simpáticos hipogástrico e pélvico, iniciando a emissão precursora
da ejaculação.
A emissão começa com a contração do canal deferente e da ampola,
promovendo a expulsão dos espermatozoides para a uretra interna. Em
seguida, as contrações da camada muscular da próstata, seguidas pela
contração das vesículas seminais, expelem os líquidos prostático e seminal
também para a uretra, forçando os espermatozoides para frente. Todos esses
líquidos se misturam, na uretra interna, com o muco já secretado pelas
glândulas bulbouretrais, formando o sêmen. O processo até esse ponto é
chamado emissão.
O enchimento da uretra interna com sêmen provoca sinais sensoriais que
são transmitidos pelos nervos pudendos para as regiões sacrais da medula
espinal, dando a sensação de plenitude súbita aos órgãos genitais internos.
Além disso, esses sinais sensoriais promovem as contrações rítmicas dos
órgãos genitais internos e contrações dos músculos isquiocavernoso e
bulbocavernoso, que comprimem as bases do tecido erétil peniano. Esses‐
efeitos associados induzem aumentos rítmicos e ondulatórios da pressão do
tecido erétil do pênis, dos ductos genitais e da uretra, que “ejaculam” o
sêmen da uretra para o exterior. Esse processo final é chamado ejaculação.
Ao mesmo tempo, contrações rítmicas dos músculos pélvicos, e mesmo de
alguns músculos do tronco, causam movimentos de propulsão da pélvis e do pênis, que também auxiliam a propelir o sêmen para os recessos mais