Tratado de Fisiologia Médica
Padrões Neuronais de Estimulação durante Análise da Imagem Visual
fibras ópticas das células ganglionares Y da retina, transmitindo sinais
rápidos, mas retratando somente preto e branco, sem cores.
2. Análise do Detalhe Visual e da Cor. As setas vermelhas da Figura 52-
3, passando do córtex visual primário para as áreas visuais secundárias
das regiões inferior, ventral e medial dos córtices occipital e temporal,
mostram a via principal para análise dos detalhes visuais. Partes distintas
dessa via dissecam também especificamente as cores. Portanto, essa via
é referente a características visuais, tais como reconhecimento de letras,
leitura, determinação da textura de superfícies, determinação de cores
deta lhadas dos objetos e deciframento, por meio de todas essas
informações, de qual é o objeto e o seu significado.
PADRÕES NEURONAIS DE ESTIMULAÇÃO DURANTE
ANÁLISE DA IMAGEM VISUAL
Análise de Contrastes na Imagem Visual. Se a pessoa olhar para a
parede branca, somente alguns neurônios no córtex visual primário serão
estimulados, independentemente da iluminação da parede ser forte ou fraca.
Portanto, o que o córtex visual primário detecta? Para responder a essa
pergunta, coloquemos agora, na parede, uma grande cruz sólida, como
mostrado à esquerda na Figura 52-5. À direita, mostra-se o padrão espacial
da maioria dos neurônios excitados no córtex visual. Observe que as áreas
de máxima excitação ocorrem ao longo das bordas nítidas do padrão
visual. Desse modo, o sinal visual no córtex visual primário se refere,
principalmente, aos contrastes na cena visual, e não a áreas não
contrastantes. Vimos, no Capítulo 51, que isso é também verdade para a
maioria das células ganglionares, porque receptores retinianos adjacentes,
igualmente estimulados, se inibem mutuamente. Entretanto, em qualquer
borda na cena visual, onde haja mudança de escuridão para luz ou de luz
para escuridão, não ocorre essa inibição mútua, e a intensidade de estimulação da maioria dos neurônios é proporcional ao gradiente de
contraste — isto é, quanto maior a nitidez do contraste e maior a diferença
de intensidade entre as áreas claras e escuras, maior o grau de estimulação.
Figura 52-5. Padrão de excitação que ocorre no córtex visual, em resposta à imagem na retina, de cruz escura.
O Córtex Visual Também Detecta Orientação de Linhas e
Bordas — Células “Simples”. O córtex visual detecta, não apenas a
existência de linhas e bordas nas diferentes áreas da imagem da retina, mas
também a direção da orientação de cada linha ou borda — isto é, se é
vertical ou horizontal ou se se situa em certo grau de inclinação. Acredita-se
que essa capacidade resulte das organizações lineares de células que se
inibem mutuamente e que excitam neurônios de segunda ordem quando
ocorre a inibição ao longo de linha de células onde exista borda de
contraste. Desse modo, para cada orientação da linha, são estimuladas
células neuronais específicas. Linha orientada em direção diferente excita
conjunto diferente de células. Essas células neuronais são chamadas células
simples. Elas são encontradas principalmente na camada IV do córtex visual
primário.
Detecção de Orientação Linear Quando uma Linha É Deslocada
Lateral ou Verticalmente no Campo Visual — Células
“Complexas”. À medida que o processamento do sinal visual progride
ainda mais, afastando-se da camada IV, alguns neurônios respondem a
linhas que são orientadas na mesma direção, mas não são específicas para
posição. Isso significa que, mesmo que uma linha seja deslocada a
distâncias moderadas lateral ou verticalmente no campo, os mesmos poucos
neurônios ainda serão estimulados se a linha tiver a mesma direção. Essas
células são chamadas células complexas.
Detecção de Linhas de Comprimentos, Ângulos ou Outras
Formas Específicas. Alguns neurônios, situados nas camadas mais
externas das colunas visuais do córtex primário, bem como os neurônios em
algumas áreas visuais secundárias, só são estimulados por linhas ou bordas
de comprimentos específicos, por formas anguladas específicas ou por
imagens com outras características. Isso significa que esses neurônios
detectam ordens ainda mais superiores de informação da cena visual. Desse
modo, à medida que se avança na via analítica do córtex visual, são
decifradas cada vez mais características de cada cena visual.
DETECÇÃO DE CORES
A cor é detectada do mesmo modo que as linhas: por meio do contraste de
cores. Por exemplo, a área vermelha costuma ser contrastada à área verde,
área azul, à área vermelha, ou área verde à área amarela. Todas essas cores
também podem ser contrastadas à área branca, dentro da cena visual. De
fato, acredita-se que esse contraste contra o branco seja responsável
principalmente pelo fenômeno chamado “constância de cores”; isto é,
quando a cor da luz muda, a cor do “branco” muda com a luz, e a
computação apropriada no cérebro permite que, por exemplo, o vermelho seja interpretado como vermelho, embora a luz tenha mudado de cor ao
entrar nos olhos.
O mecanismo de análise de contraste de cores depende do fato de que as
cores contrastantes, chamadas “cores oponentes”, excitam células neuronais
específicas. Presume-se que os detalhes iniciais do contraste de cores sejam
detectados por células simples, enquanto contrastes mais complexos sejam
detectados por células complexas e hiper complexas.
Efeito da Remoção do Córtex Visual Primário
A remoção do córtex visual primário no ser humano causa perda da visão
consciente, isto é, cegueira. No entanto, estudos psicológicos demonstram que
tais “cegos” ainda podem, por vezes, reagir subconscientemente às alterações da
intensidade luminosa, ao movimento na cena visual ou, raramente, até a alguns aspectos grosseiros da visão. Essas reações incluem virar os olhos, virar a
cabeça e evitação. Acredita-se que essa visão seja mediada por vias neuronais
que, em sua maioria, passam dos tratos ópticos para os colículos superiores e
outras partes do sistema visual mais antigo.
Campos Visuais; Perimetria
O campo visual é a área visual vista por um olho em dado ins tante. A área, vista
no lado nasal, é chamada campo visual nasal, e a área vista na parte lateral é chamada campo visual temporal.
Para diagnosticar cegueira, em partes específicas da retina, mapeia-se o quadro
do campo visual para cada olho pelo processo chamado perimetria. Esse mapeamento é realizado pedindo-se ao indivíduo que olhe com um dos olhos
mirando o ponto central, diretamente em frente ao olho; o outro olho está fechado. Depois, um pequeno ponto de luz ou um pequeno objeto é movido para trás e
para a frente, em todas as áreas do campo visual, e o indivíduo indica quando a mancha de luz ou objeto pode ser visto e quando não pode. O campo visual para
o olho esquerdo é representado em gráfico semelhante ao mostrado na Figura
52-6. Em todos os gráficos de perimetria, encontra-se a mancha cega causada por falta de bastonetes e cones na retina sobre o disco óptico, cerca de 15 graus
lateralmente ao ponto central da visão, como mostra a figura.
Figura 52-6. Quadro de perimetria, mostrando o campo visual para o olho esquerdo. O círculo vermelho mostra o ponto cego.
Anormalidades nos Campos Visuais. Ocasionalmente, são encontradas
manchas cegas em partes do campo visual que não sejam a área do disco óptico.
Tais manchas cegas, chamadas escotomas, em geral, são causadas por lesão do
nervo óptico, decorrente de glaucoma (excessiva pressão do líquido no globo
ocular), por reações alérgicas na retina ou por patologias tóxicas, como
intoxicação por chumbo ou uso excessivo de tabaco.
Outra patologia que pode ser diagnosticada por perimetria é a retinite
pigmentosa. Nessa doença, partes da retina degeneram, e o pigmento melanina
excessivo se deposita nas áreas degeneradas. A retinite pigmentosa geralmente
causa primeiro cegueira no campo periférico da visão e depois, gradualmente,
invade as áreas centrais.
Efeitos de Lesões na Via Óptica sobre os Campos Visuais. A destruição de
todo o nervo óptico causa cegueira do olho afetado.
A destruição do quiasma óptico impede o cruzamento dos impulsos da metade
nasal de cada retina para o trato óptico oposto. Portanto, a metade nasal de cada