Tratado de Fisiologia Médica
Controles Nervoso e Hormonal da Contração do Músculo Liso
nível crítico, o processo mencionado adiante é revertido, exceto pela
fosforilação da cabeça da miosina. A desfosforilação é catalisada por outra
enzima, a fosfatase da miosina (Fig. 8-5), localizada nos líquidos da célula
muscular lisa que cliva o fosfato da cadeia leve reguladora. Dessa forma, o
ciclo se interrompe e a contração cessa. O tempo necessário para o
relaxamento da contração muscular é, portanto, determinado, em grande
parte, pela quantidade de fosfatase de miosina ativa na célula.
Possível Mecanismo para a Regulação do Fenômeno de Trava.
Devido à importância do fenômeno de trava e por ele permitir a
manutenção a longo prazo do tônus, em muitos órgãos com músculo liso,
sem grande dispêndio de energia, muitas tentativas têm sido feitas para
explicá-lo. Entre os muitos mecanismos que foram postulados, um dos mais
simples é o seguinte.
Quando as enzimas miosina-quinase e miosinofosfatase das cabeças da
miosina estão ambas muito ativadas, a frequência dos ciclos das cabeças de
miosina e a velocidade de contração ficam aumentadas. Em seguida, com a
redução da ativação dessas enzimas, a frequência dos ciclos diminui; porém
ao mesmo tempo sua desativação permite que as cabeças de miosina se
mantenham ligadas ao filamento de actina por fração cada vez mais longa
da proporção do ciclo. Portanto, o número de cabeças ligadas ao filamento
de actina em qualquer momento permanece grande. Como o número de
cabeças ligadas à actina determina a força estática da contração, a tensão é
mantida ou “travada”; pouca energia é usada pelo músculo, porque o ATP
não é degradado à ADP, exceto na rara ocasião em que a cabeça se
desconecta.
CONTROLES NERVOSO E HORMONAL DA
CONTRAÇÃO DO MÚSCULO LISO
Embora as fibras musculares esqueléticas sejam estimuladas
exclusivamente pelo sistema nervoso, o músculo liso pode ser estimulado a
contrair-se por sinais nervosos, por estímulo hormonal, por estiramento do
músculo e de várias outras maneiras. A razão principal para essa diferença é
que a membrana do músculo liso contém muitos tipos de receptores
proteicos, que podem iniciar o processo contrátil. Outros receptores
proteicos inibem a contração do músculo liso, o que é outra diferença em
relação ao músculo esquelético. Nesta seção, discutimos o controle nervoso
da contração do músculo liso, seguido pelo controle hormonal e outros
modos de controle.
JUNÇÕES NEUROMUSCULARES DO MÚSCULO LISO
Anatomia Fisiológica das Junções Neuromusculares do
Músculo Liso. As junções neuromusculares dos tipos altamente
estruturados das fibras do músculo esquelético não ocorrem no músculo
liso. Ao contrário, as fibras nervosas autônomas, que inervam o músculo
liso, geralmente se ramificam difusamente na extremidade superior do
folheto de fibras musculares, como demonstrado na Figura 8-6. Na maioria
dos casos, essas fibras não fazem contato direto com a membrana celular
das fibras musculares lisas, mas formam as junções difusas, que secretam a
substância transmissora na matriz que recobre o músculo liso,
frequentemen te alguns nanômetros a alguns micrômetros distantes das
células musculares; a substância transmissora se di funde, então, para as
células. Além disso, onde há muitas camadas de células musculares, as
fibras nervosas inervam frequentemente apenas a camada externa. A
excitação muscular passa dessa camada externa para as internas, por
condução do potencial de ação pela massa muscular ou por difusão da
substância transmissora.
Os axônios que inervam as fibras musculares lisas não apresentam a
ramificação típica e as terminações do tipo que se observam na placa
motora nas fibras musculares esqueléticas. Nas fibras lisas, a maioria dos
terminais axonais finos apresenta múltiplas varicosidades, distribuídas ao
longo de seus eixos. Nesses pontos, as células de Schwann que envelopam
os axônios são interrompidas para que a substância transmissora possa ser
secretada através das paredes das varicosidades. Nas varicosidades,
encontram-se vesículas similares às encontradas na placa motora do
músculo esquelético que contém substância transmissora. Porém,
diferentemente das vesículas das junções musculares esqueléticas, que
sempre contêm acetilcolina, as vesículas das terminações das fibras
nervosas autônomas contêm acetilcolina em algumas fibras e norepinefrina
em outras — e ocasionalmente também outras substâncias.
Em poucos casos, particularmente no músculo liso do tipo multiunitário,
as varicosidades estão separadas da membrana da célula muscular por 20 a
30 nanômetros — a mesma largura da fenda sináptica que ocorre na junção
muscular esquelética. Essas são chamadas junções de contato e funcionam
de modo parecido à da junção neuromuscular no músculo esquelético; a
rapidez da contração dessas fibras musculares lisas é consideravelmente
maior que a das fibras estimuladas pelas junções difusas.
Figura 8-6 Inervação do músculo liso por fibras nervosas autonômicas que se ramificam de forma difusa e secretam neurotransmissores a partir das múltiplas varicosidades. As células unitárias (viscerais) do músculo liso estão conectadas por junções de hiato, de modo que a despolarização pode se difundir rapidamente de umas células para as outras, o que torna possível que as células musculares se contraiam como uma única unidade. No músculo liso multiunitário, cada célula é estimulada, de forma independente, por um neurotransmissor liberado desde as varicosidades nervosas autônomas estreitamente associadas.
Substâncias Transmissoras Excitatórias e Inibitórias
Secretadas na Junção Neuromuscular do Músculo Liso. As
substâncias transmissoras mais importantes secretadas pelos nervos
autônomos que inervam o músculo liso são a acetilcolina e a norepinefrina,
porém elas nunca são secretadas pela mesma fibra nervosa. A acetilcolina é
uma substância transmissora excitatória para as fibras do músculo liso em
alguns órgãos, porém um transmissor inibitório para o músculo liso em outros. Quando a acetilcolina excita uma fibra muscular, a norepinefrina
ordinariamente a inibe. Ao contrário, quando a acetilcolina inibe uma fibra,
a norepinefrina usualmente a excita.
Por que essas respostas são diferentes? A resposta é que tanto a
acetilcolina quanto a norepinefrina excitam ou inibem o músculo liso
inicialmente ligando-se a receptores proteicos na superfície da membrana
da célula muscular. Alguns dos receptores proteicos são receptores
excitatórios, enquanto outros são receptores inibitórios. Assim, o tipo de
receptor determina se o músculo liso será inibido ou excitado e também
determina qual dos dois transmissores, acetilcolina ou norepinefrina, causa
excitação ou inibição. Esses receptores são discutidos, com mais detalhes,
no Capítulo 61, sobre a função do sistema nervoso autônomo.
POTENCIAIS DE MEMBRANA E POTENCIAIS DE AÇÃO
NO MÚSCULO LISO
Potenciais de Membrana no Músculo Liso. A voltagem quantitativa
de potencial de membrana do músculo liso depende da situação
momentânea do músculo. No estado normal de repouso, o potencial
intracelular é cerca de −50 a −60 milivolts, que é aproximadamente 30
milivolts menos negativo que no músculo esquelético.
Potenciais de Ação no Músculo Liso Unitário. Os potenciais de
ação ocorrem no músculo liso unitário (tal como o músculo visceral), do
mesmo modo que no músculo esquelético. Eles não acontecem
normalmente em muitos, se não na maioria, dos músculos lisos do tipo
multiunitário, como se discute em seção subsequente.
Os potenciais de ação do músculo liso visceral ocorrem em uma de duas
formas: (1) potenciais em ponta; ou (2) potenciais de ação com platôs. Potenciais em Ponta. Os potenciais de ação em ponta típicos, como os
observados no músculo esquelético, ocorrem na maior parte dos tipos de
músculo liso unitário. A duração desse tipo de potencial de ação é de 10 a
50 milissegundos, como mostrado naFigura 8-7A. Tais potenciais de ação
podem ser desencadeados de vários modos, por exemplo, pela estimulação
elétrica, pela ação de hormônios sobre o músculo liso, pela ação de
substâncias transmissoras das fibras nervosas, pelo estiramento, ou como
resultado da geração espontânea na própria fibra muscular, como
discutiremos adiante.
Figura 8-7. A, Potencial de ação típico do músculo liso (potencial em ponta) desencadeado por estímulo externo. B, Potenciais em ponta repetitivos, desencadeados por ondas elétricas rítmicas que ocorrem espontaneamente no músculo liso da parede intestinal. C, Potencial de ação com platô, registrado em fibra muscular lisa do útero.
Potenciais de Ação com Platôs. A Figura 8-7C mostra o potencial de
ação de músculo liso com platô. O início desse potencial de ação é
semelhante ao do potencial em ponta. Entretanto, em vez da rápida
repolarização da membrana da fibra muscular, a repolarização é retardada
por várias centenas a até 1.000 milissegundos (1 segundo). A importância
do platô é que ele pode estar associado à contração prolongada, que ocorre
em alguns tipos de músculo liso, como o ureter, o útero, em certas
condições, e certos tipos de músculo liso vascular. (Esse tipo de potencial
de ação também é observado nas fibras musculares cardíacas que
apresentam período prolongado de contração, como discutido nos Caps. 9 e
10.)
Os Canais de Cálcio são Importantes na Geração do Potencial
de Ação do Músculo Liso. A membrana celular do músculo liso
apresenta muito mais canais de cálcio controlados por voltagem que o
músculo esquelético, porém poucos canais de sódio controlados por
voltagem. Dessa forma, o sódio participa pouco na geração do potencial de
ação na maioria dos músculos lisos. Inversamente, o fluxo de íons cálcio,
para o interior da fibra é o principal responsável pelo potencial de ação.
Esse fluxo ocorre do mesmo modo autorregenerativo que o dos canais de
sódio nas fibras nervosas e nas fibras musculares esqueléticas. Entretanto,
os canais de cálcio se abrem muito mais lentamente que os canais de sódio,
e permanecem abertos por tempo muito maior. Essas características
explicam, em larga medida, o platô prolongado do potencial de ação de
algumas fibras musculares lisas.
Outro importante aspecto da entrada dos íons cálcio nas células durante o
potencial de ação é que este íon age diretamente sobre o mecanismo
contrátil do músculo liso para provocar a contração. Assim, o cálcio realiza
duas tarefas de uma só vez.
Potenciais de Onda Lenta no Músculo Liso Unitário Podem
Levar à Geração Espontânea de Potenciais de Ação. Alguns
músculos lisos são autoexcitatórios, isto é, os potenciais de ação se
originam nas próprias células musculares lisas sem estímulo extrínseco.
Essa atividade está frequentemente associada a um ritmo em onda lenta
básico do potencial de membrana. A onda lenta típica, em músculo liso
visceral do intestino, é mostrada na Figura 8-7B. A onda lenta não é o
potencial de ação, isto é, ela não é processo autorregenerativo que se
propaga progressivamente pelas membranas das fibras musculares. A onda
lenta é propriedade local das fibras musculares lisas que compõem a massa
muscular.
A causa do ritmo em onda lenta é desconhecida. Uma hipótese é que as
ondas lentas sejam causadas pelo aumento e pela diminuição do
bombeamento de íons positivos (provavelmente, íons sódio) para fora da
membrana da fibra muscular; isto é, o potencial de membrana fica mais
negativo quando o sódio é bombeado rapidamente e menos negativo
quando a bomba de sódio é menos ativa. Outra hipótese é que a
condutância, dada pelos canais iônicos, aumente e diminua ritmicamente.
A importância das ondas lentas é que quando elas têm amplitude
suficiente podem iniciar potenciais de ação. As próprias ondas lentas não
causam contração muscular. Porém, quando o pico do potencial de onda
negativo dentro da face interna da membrana celular aumenta, na direção
positiva, de −60 para cerca de −35 milivolts (o limiar aproximado para
provocar os potenciais de ação, na maioria dos músculos lisos viscerais), o
potencial de ação se desenvolve e se propaga pela massa muscular e a
contração então ocorre. A Figura 8-7B demonstra esse efeito, mostrando
que a cada pico de onda lenta ocorre um ou mais potenciais de ação. Essas
sequências repetitivas de potenciais de ação desencadeiam a contração
rítmica da massa muscular lisa. Assim, as ondas lentas são chamadas de
ondas marca-passo. No Capítulo 63, veremos que esse tipo de atividade
marca-passo controla as contrações rítmicas do intestino.
Excitação de Músculo Liso Visceral pelo Estiramento Muscular.
Quando o músculo liso visceral (unitário) é estirado o suficiente,
usualmente são gerados potenciais de ação espontâneos. Eles resultam da
combinação de (1) potenciais de onda lenta normais e (2) diminuição da
negatividade do potencial de membrana, causada pelo estiramento. Essa
resposta ao estiramento faz com que a parede do intestino quando estirada
excessivamente se contraia automática e ritmicamente. Por exemplo,
quando o intestino está muito distendido, pelo conteúdo intestinal, as
contrações automáticas locais formam frequentemente ondas peristálticas
que movem o conteúdo para fora da região distendida, usualmente em
direção ao ânus.
DESPOLARIZAÇÃO DO MÚSCULO LISO
MULTIUNITÁRIO SEM POTENCIAIS DE AÇÃO
As fibras musculares lisas do músculo multiunitário (tais como o músculo
da íris do olho ou o músculo piloeretor de cada pelo) se contraem
principalmente em resposta aos estímulos nervosos. As terminações
nervosas secretam acetilcolina, no caso de alguns músculos lisos
multiunitários, e norepinefrina, no caso de outros. Em ambos os casos, as
substâncias transmissoras provocam despolarização da membrana da
musculatura lisa e isso, por sua vez, provoca a contração. Potenciais de
ação, usualmente, não se desenvolvem porque as fibras são muito pequenas para gerar o potencial de ação. (Para que potenciais de ação sejam
desencadeados no músculo liso unitário visceral, 30 a 40 fibras musculares
lisas têm de ser desporalizadas, simultaneamente, antes que aconteça um
potencial de ação autopropagado.) Nas pequenas células musculares lisas,
mesmo sem potencial de ação, a despolarização local (chamada potencial
juncional), causada pela substância neurotransmissora, propaga-se
“eletrotonicamente” por toda a fibra, o que basta para causar a contração
muscular.
Efeito dos Fatores Teciduais Locais e dos Hormônios
para Causar Contração do Músculo Liso, Sem Potenciais
de Ação
Cerca de metade das contrações da fibra muscular lisa é iniciada,
provavelmente, por fatores estimuladores que agem diretamente sobre a
maquinaria contrátil do músculo liso, sem potenciais de ação. Os dois tipos
de fatores estimuladores não nervosos e não associados a potencial de ação
que estão frequentemente envolvidos são (1) fatores químicos teciduais
locais; e (2) vários hormônios.
Contração do Músculo Liso em Resposta a Fatores Químicos
Teciduais Locais. No Capítulo 17, discutimos o controle da contração
das arteríolas, meta-arteríolas e dos esfíncteres pré-capilares. Os menores
desses vasos têm pouca ou nenhuma inervação. Ainda assim, o músculo liso
é muito contrátil, respondendo rapidamente às alterações nas condições
químicas locais no líquido intersticial circundante e à distensão originada
pelas variações na pressão arterial.
No estado normal de repouso, muitos desses pequenos vasos sanguíneos
permanecem contraídos. Entretanto, quando é necessário fluxo sanguíneo
extra para o tecido, múltiplos fatores podem relaxar a parede do vaso, permitindo, assim, o aumento do fluxo. Dessa maneira, potente sistema
local de controle por feedback controla o fluxo sanguíneo para a área
tecidual. Alguns dos fatores de controle específicos são os seguintes:
1. A falta de oxigênio nos tecidos locais causa relaxamento do músculo
liso e, portanto, vasodilatação.
2. O excesso de dióxido de carbono causa vasodilatação.
3. O aumento na concentração de íons hidrogênio provoca vasodilatação.
Adenosina, ácido lático, aumento na concentração de íons potássio,
diminuição na concentração dos íons cálcio e elevação da temperatura
corporal podem causar vasodilatação local. A diminuição da pressão
arterial, ao originar uma menor distensão do músculo liso vascular, faz
também com que esses pequenos vasos sanguíneos se dilatem.
Efeitos dos Hormônios na Contração do Músculo Liso. Muitos
hormônios, que circulam no sangue, afetam em algum grau a contração do
músculo liso e alguns apresentam efeitos intensos. Entre os mais
importantes desses hormônios são norepinefrina, epinefrina, angiotensina
II, endotelina, vasopressina, oxitocina, serotonina e histamina.
Um hormônio causa contração de um músculo liso, quando a membrana
da célula muscular contém receptores excitatórios controlados por
hormônio. Ao contrário, o hormônio provoca inibição se a membrana
contiver receptores inibitórios para o hormônio.
Mecanismos de Excitação ou Inibição do Músculo Liso por
Hormônios ou Fatores Teciduais Locais. Alguns receptores
hormonais na membrana do músculo liso abrem canais para íons sódio ou
cálcio e despolarizam a membrana, como acontece após a estimulação
nervosa. Algumas vezes, o resultado é potencial de ação, ou a amplificação
de potenciais de ação que já estão ocorrendo. Em outros casos, a despolarização ocorre sem potenciais de ação, e essa despolarização
permite que íons cálcio entrem na célula, o que promove a contração.
A inibição, ao contrário, ocorre quando o hormônio (ou outro fator
tecidual) fecha os canais de sódio ou de cálcio e evita o influxo desses íons
positivos; a inibição também se dá quando canais de potássio normalmente
fechados são abertos, permitindo que os íons potássio se difundam para
fora da célula. Essas duas ações aumentam o grau de negatividade no
interior da célula muscular, estado chamado hiperpolarização, que inibe
fortemente a contração muscular.
Algumas vezes, a contração ou a inibição do músculo liso é iniciada pelos
hormônios sem causar qualquer alteração direta do potencial de membrana.
Nesses casos, o hormônio pode ativar um receptor de membrana que não
abre os canais iônicos, mas que causa alteração interna na fibra muscular,
tal como a liberação de íons cálcio do retículo sarcoplasmático intracelular;
o cálcio então induz a contração. Para inibir a contração, outros
mecanismos receptores ativam as enzimas adenilato ciclase ou guanilato
ciclase na membrana celular; as porções dos receptores, que fazem
protrusão para o interior das células, estão acopladas a essas enzimas,
levando à formação do monofostato de adenosina cíclico (AMPc) ou
monofostato de guanosina cíclico (GMPc), chamados de segundos
mensageiros. O AMPc ou GMPc tem muitos efeitos, um dos quais é o de
alterar o grau de fosforilação de várias enzimas que indiretamente inibem a
contração. A bomba que move os íons cálcio, do sarcoplasma para o
retículo sarcoplasmático, é ativada, bem como a bomba, na membrana
celular que move os íons cálcio para fora da própria célula; esses efeitos
reduzem a concentração de íons cálcio no sarcoplasma, inibindo a
contração.
Os músculos lisos apresentam considerável diversidade no modo como
iniciam sua contração ou o relaxamento, em resposta a diferentes hormônios, neurotransmissores e outras substâncias. Em alguns casos, a
mesma substância pode causar relaxamento ou contração dos músculos
lisos em diferentes localizações. Por exemplo, a norepinefrina inibe a
contração do músculo liso no intestino, porém estimula a contração do
músculo liso nos vasos sanguíneos.
Bibliografia
Ver também as referências dos Capítulos 5 e 6.
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UNIDADE III
O Coração
RESUMO DA UNIDADE
CAPÍTULO 9 - O Músculo Cardíaco; o Coração como
uma Bomba e a Função das Valvas Cardíacas
Fisiologia do Músculo Cardíaco
O Ciclo Cardíaco
Regulação do Bombeamento Cardíaco
CAPÍTULO 10 - Excitação Rítmica do Coração
O Sistema Excitatório e Condutor Especializado do Coração
Controle da Excitação e da Condução no Coração
CAPÍTULO 11 - O Eletrocardiograma Normal
Características do Eletrocardiograma Normal
O Fluxo da Corrente ao Redor do Coração durante o Ciclo
Cardíaco
Derivações Eletrocardiográficas
CAPÍTULO 12 - Interpretação Eletrocardiográfica das
Anormalidades do Músculo Cardíaco e do Fluxo
Sanguíneo Coronariano: Análise Vetorial
Princípios da Análise Vetorial dos Eletrocardiogramas
Análise Vetorial do Eletrocardiograma Normal
Eixo Elétrico Médio do QRS Ventricular — e seu Significado
Condições que Causam Voltagens Anormais do Complexo
QRS
Padrões Prolongados e Bizarros do Complexo QRS
Corrente de Lesão
Anormalidades da Onda T
CAPÍTULO 13 - Arritmias Cardíacas e sua
Interpretação Eletrocardiográfica
Ritmos Sinusais Anormais
Ritmos Anormais que Decorrem de Bloqueio dos Sinais
Cardíacos nas Vias de Condução Intracardíacas
Contrações Prematuras
Taquicardia Paroxística
Fibrilação Ventricular
Fibrilação Atrial
Flutter Atrial
Parada Cardíaca
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CAPÍTULO 9
O Músculo Cardíaco; o Coração
como uma Bomba e a Função das
Valvas Cardíacas
Com este Capítulo, começaremos a discussão do coração e do sistema
circulatório. O coração, ilustrado na Figura 9-1, é, na verdade, formado por
duas bombas distintas: o coração direito, que bombeia o sangue para os
pulmões, e o coração esquerdo, que bombeia o sangue através da
circulação sistêmica que fornece o fluxo sanguíneo aos demais órgãos e
tecidos do corpo. Por sua vez, cada um desses corações é uma bomba
pulsátil de duas câmaras, composta por um átrio e um ventrículo. Cada
átrio é fraca bomba de escova (primer pump) para o ventrículo, ajudando a
propelir o sangue para seu interior. Os ventrículos, por sua vez, fornecem a
força de bombeamento principal que propele o sangue através (1) da circulação pulmonar, partindo do ventrículo direito; ou (2) da circulação