Tratado de Fisiologia Médica
Mecanismos Auditivos Centrais
Figura 53-9. Relação do limiar de audição e da percepção somestésica (limiar de dor e tato), com o nível de energia sonora em cada fre quência.
Faixa de Frequências da Audição. As frequências sonoras que a
pessoa jovem pode ouvir ficam entre 20 e 20.000 ciclos/s. No entanto, com
referência novamente à Figura 53-9, vemos que a faixa sonora depende em
grande extensão da intensidade. Se a intensidade for de 60 decibéis abaixo
de 1 dina/cm2 de nível de pressão do som, a faixa sonora será de 500 a
5.000 ciclos/s; somente com sons intensos, a faixa completa de 20 a 20.000
ciclos pode ser atingida. Na idade avançada, essa faixa de frequências em
geral é encurtada para 50 a 8.000 ciclos/s ou menos, como será discutido
adiante neste Capítulo.
MECANISMOS AUDITIVOS CENTRAIS
VIAS NERVOSAS AUDITIVAS
A Figura 53-10 mostra as principais vias auditivas. Ela mostra que as fibras
nervosas do gânglio espiral de Corti entram nos núcleos cocleares dorsal e ventral, localizados na parte superior do bulbo. Nesse ponto, todas as fibras
fazem sinapse, e neurônios de segunda ordem passam, em sua maior parte,
para o lado oposto do tronco cerebral para terminar no núcleo olivar
superior. Algumas fibras de segunda ordem também se projetam para o
núcleo olivar superior no mesmo lado.
Do núcleo olivar superior, a via auditiva ascende pelo lemnisco lateral.
Algumas das fibras terminam no núcleo do lemnisco lateral, porém muitas
outras se desviam desse núcleo e vão para o colículo inferior, onde todas ou
quase todas as fibras auditivas fazem sinapse. Daí, a via passa para o núcleo
geniculado medial, onde todas as fibras fazem sinapse. Por fim, a via
prossegue por meio da radiação auditiva, até o córtex auditivo, localizado
em sua maior parte no giro superior do lobo temporal.
Devem ser observados vários pontos importantes. O primeiro é que sinais
de ambos os ouvidos são transmitidos, por meio de vias de ambos os lados
do cérebro, com preponderância de transmissão da via contralateral. Em
pelo menos três lugares no tronco cerebral ocorre cruzamento entre as duas
vias: (1) no corpo trapezoide; (2) na comissura entre os dois núcleos do
lemnisco lateral; e (3) na comissura que liga os dois colículos inferiores.
O segundo é que muitas fibras colaterais dos tratos auditivos entram
diretamente no sistema reticular ativador do tronco cerebral. Esse sistema
se projeta difusamente para cima, no tronco cerebral, e para baixo, na
medula espinal, e ativa todo o sistema nervoso em resposta a sons intensos.
Outros colaterais vão para o verme do cerebelo, que também é ativado,
instantaneamente, no evento de um ruído súbito.
O terceiro é que o alto grau de orientação espacial é mantido nos tratos de
fibras da cóclea, em todo o trajeto até o córtex. De fato, existem três
padrões espaciais para o término das diferentes frequências sonoras nos
núcleos cocleares, dois padrões nos colículos inferiores, um padrão preciso,
para frequências de som distintas no córtex auditivo e, pelo menos, cinco outros padrões precisos no córtex auditivo e nas áreas de associação
auditiva.
Figura 53-10. Vias neurais auditivas.
Frequências de Descargas em Diferentes Níveis nas Vias Auditivas. Fibras
nervosas isoladas que entram nos núcleos cocleares do nervo auditivo podem
causar descargas com frequên cias de até pelo menos 1.000 por segundo, sendo
essa frequência determinada, em grande parte, pela intensidade do som. Nas
frequências sonoras de até 2.000 a 4.000 ciclos/s, impulsos do nervo auditivo
costumam ser sincronizados com as ondas sonoras, mas não ocorrem,
necessariamente, com todas as ondas.
Nos tratos auditivos do tronco cerebral, as descargas, em geral, já não são
sincronizadas com a frequência sonora, exceto nas frequências sonoras abaixo de
200 ciclos/s. Acima do nível dos colículos inferiores, até essa sincronização é
principalmente perdida. Esses achados demonstram que os sinais sonoros não
são transmitidos inalterados diretamente do ouvido até níveis mais altos do
cérebro; em lugar disso, as informações dos sinais sonoros começam a ser
dissecadas a partir do tráfego de impulsos, em níveis não superiores aos núcleos
cocleares. Teremos mais a dizer sobre essa última característica adiante, em
especial em relação à percepção da direção da qual vem o som.
FUNÇÃO DO CÓRTEX CEREBRAL NA AUDIÇÃO
A área de projeção dos sinais auditivos para o córtex cerebral é mostrada na
Figura 53-11, que demonstra que o córtex auditivo se situa em sua maior
parte no plano supratemporal do giro temporal superior, mas também se
estende à lateral do lobo temporal, sobre grande parte do córtex insular, até
a porção lateral do opérculo parietal.
A Figura 53-11 mostra duas subdivisões distintas: o córtex auditivo
primário e o córtex de associação auditiva (também chamado córtex
auditivo secundário). O córtex auditivo primário é excitado diretamente por
projeções do corpo geniculado medial, enquanto as áreas de associação
auditivas são excitadas, secundariamente, por impulsos do córtex auditivo
primário, bem como por algumas projeções das áreas de associação
talâmicas, adjacentes ao corpo geniculado medial.
Figura 53-11. Córtex auditivo.
Percepção das Frequências Sonoras no Córtex Auditivo
Primário. Pelo menos seis mapas tonotópicos foram descritos no córtex
auditivo primário e nas áreas de associação auditivas. Em cada um desses
mapas, sons de alta frequência excitam neurônios em uma extremidade do
mapa, enquanto sons com baixa frequência excitam neurônios na extremidade oposta. Na maioria dos mapas, os sons com baixa frequência
estão localizados na frente, como a Figura 53-11 mostra, e os sons com alta
frequência estão localizados posteriormente. Essa representação não é
observada para todos os mapas.
Por que o córtex auditivo tem tantos mapas tonotópicos diferentes? A
resposta presumivelmente é que cada uma das áreas distintas disseca
alguma característica específica dos sons. Por exemplo, um dos grandes
mapas do córtex auditivo primário discrimina quase inteiramente as
próprias frequências sonoras e dá à pessoa a sensação psíquica dos tons
sonoros. Outro mapa, provavelmente, é usado para detectar de qual direção
vem o som. Outras áreas corticais auditivas detectam qualidades especiais,
como o início súbito de sons ou talvez modulações especiais, como ruído
versus sons de frequências puras.
A faixa de frequências, à qual cada neurônio individual responde no
córtex auditivo é muito mais estreita do que nos núcleos cocleares e de
retransmissão no tronco cerebral. Voltando à Figura 53-6B, observe que a
membrana basilar, perto da base da cóclea, é estimulada por sons de todas
as frequências, e nos núcleos cocleares encontra-se essa mesma variedade
de representação sonora. Ainda assim, no momento em que a excitação
chega ao córtex cerebral, a maioria dos neurônios que respondem ao som
responde a apenas à faixa estreita de frequências, e não à faixa ampla.
Portanto, em algum ponto ao longo da via, mecanismos de processamento
“focalizam” a resposta às frequências. Acredita-se que esse efeito de
focalizar seja causado, em grande parte, pelo fenômeno da inibição lateral,
discutido noCapítulo 47, em relação aos mecanismos para transmitir
informações nos nervos. Isso significa que a estimulação da cóclea em
determinada frequência inibe as frequências sonoras em ambos os lados
dessa frequência primária; essa inibição é causada por fibras colaterais que
se ramificam da via primária de sinais e que exercem influências inibitórias sobre as vias adjacentes. O mesmo efeito tem sido demonstrado como
sendo importante para a focalização de padrões de imagens somestésicas,
imagens visuais e outros tipos de sensações.
Muitos dos neurônios no córtex auditivo, especialmente no córtex de
associação auditiva, não respondem apenas a frequências sonoras
específicas no ouvido. Acredita-se que esses neurônios “associem”
diferentes frequências sonoras entre si ou associem informações sonoras a
informações de outras áreas sensoriais do córtex. Na verdade, a parte
parietal do córtex de associação auditiva se sobrepõe, em parte, à área
somatossensorial II, o que poderia criar fácil oportunidade para a associação
de informações auditivas com informações somatossensoriais.
Discriminação de “Padrões” Sonoros pelo Córtex Auditivo. A
remoção bilateral completa do córtex auditivo não impede o gato ou o
macaco de detectar sons ou de reagir, de modo grosseiro, aos sons. No
entanto, reduz bastante ou algumas vezes até abole a capacidade do animal
de discriminar diferentes tons sonoros e especialmente padrões de som. Por
exemplo, o animal que tenha sido treinado para reconhecer combinação ou
sequência de tons, um após o outro, em padrão particular, perde essa
capacidade quando o córtex auditivo é destruído; além disso, o animal não
consegue reaprender esse tipo de resposta. Portanto, o córtex auditivo é
especialmente importante na discriminação dos padrões sonoros tonais e
sequenciais.
A destruição dos córtices auditivos primários, no ser humano, reduz
bastante a sensibilidade auditiva. A destruição de um dos lados apenas
reduz, discretamente, a audição no ouvido oposto; isso não causa surdez,
devido às muitas conexões cruzadas, de lado a lado, na via neural auditiva.
No entanto, afeta realmente a capacidade que se tem de localizar a fonte do
som, porque são necessários sinais comparativos em ambos os córtices,
para a função de localização.
As lesões que afetam as áreas de associação auditivas, mas não o córtex
auditivo primário, não diminuem a capaci dade da pessoa de ouvir e
diferenciar tons sonoros ou até de interpretar pelo menos padrões simples
de som. No entanto, a pessoa costuma ficar incapaz de interpretar o
significado do som ouvido. Por exemplo, lesões na parte posterior do giro
temporal superior, que é a chamada área de Wernicke e é parte do córtex de
associação auditiva, costumam tornar impossível que a pessoa interprete os
significados das palavras faladas, embora ela as escute perfeitamente bem e
possa repeti-las. Essas funções das áreas de associação auditivas e sua
relação com as funções intelectuais globais do cérebro são discutidas, com
mais detalhes, no Capítulo 58.
DETERMINAÇÃO DA DIREÇÃO DA QUAL VEM O SOM
A pessoa determina a direção horizontal da qual vem o som por dois meios
principais: (1) o intervalo de tempo entre a entrada do som em um ouvido e
sua entrada no ouvido oposto; e (2) a diferença entre as intensidades de sons
nos dois ouvidos.
O primeiro mecanismo funciona melhor nas frequências abaixo de 3.000
ciclos/s, e o segundo mecanismo opera melhor nas frequências mais altas
porque a cabeça é barreira maior ao som nessas frequências. O mecanismo
do intervalo de tempo discrimina a direção muito mais precisamente do que
o mecanismo da intensidade, por não depender de fatores alheios, mas
somente do intervalo exato de tempo entre dois sinais acústicos. Se a pessoa
estiver olhando com precisão na direção da fonte de som, ele chegará a
ambos os ouvidos exatamente no mesmo instante, enquanto, se o ouvido
direito estiver mais próximo do som que o esquerdo, os sinais sonoros do
ouvido direito entrarão no cérebro à frente dos do ouvido esquerdo.
Os dois mecanismos mencionados não podem dizer se o som está
emanando da parte da frente ou de trás da pessoa ou de cima ou de baixo. Essa discriminação é dada principalmente pelos pavilhões auditivos dos
dois ouvidos. A forma do pavilhão auditivo muda a qualidade do som que
entra na orelha, dependendo da direção de que vem o som. Acontece assim
ao enfatizar frequências sonoras específicas que chegam de diferentes
direções.
Mecanismos Neurais para Detectar a Direção do Som. A
destruição do córtex auditivo, em ambos os lados do cérebro, quer em seres
humanos quer em mamíferos inferiores, causa perda de quase toda a
capacidade de detectar a direção de onde vem o som. Ainda assim, análises
neurais para esse processo de detecção começam nos núcleos olivares
superiores do tronco cerebral, embora sejam necessárias vias neurais em
todo o trajeto destes núcleos ao córtex para a interpretação dos sinais.
Acredita-se que o mecanismo seja o seguinte.
O núcleo olivar superior se divide em duas partes: (1) núcleo olivar
superior medial; e (2) núcleo olivar superior lateral. O núcleo lateral está
relacionado com a detecção da direção da qual o som está vindo,
presumivelmente, por simples comparação da diferença de intensidades do
som que chega aos dois ouvidos e pelo envio de sinal apropriado ao córtex
auditivo, para estimativa da direção.
O núcleo olivar superior medial, contudo, tem mecanismo específico para
detectar o intervalo de tempo entre os sinais acústicos que entram nos dois
ouvidos. Esse núcleo contém grande número de neurônios que têm dois
dendritos principais, um se projetando para a direita e outro para a
esquerda. O sinal acústico do ouvido direito invade o dendrito direito, e o
sinal do ouvido esquerdo invade o dendrito esquerdo. A intensidade de
excitação de cada neurônio é muito sensível ao intervalo de tempo
específico entre os dois sinais acústicos dos dois ouvidos. Os neurônios
próximos a borda do núcleo respondem, de modo máximo, a intervalo de
tempo curto, enquanto os próximos da borda oposta respondem a intervalo de tempo longo; os intermediários respondem a intervalos de tempo
intermediários.
Desse modo, desenvolve-se padrão espacial de estimulação neuronal no
núcleo olivar superior medial, com o som diretamente à frente da cabeça
estimulando um grupo de neurônios olivares de modo máximo e sons de
ângulos laterais diferentes, estimulando outros grupos de neurônios em
lados opostos. Essa orientação espacial de sinais é, então, transmitida para o
córtex auditivo, onde a direção do som é determinada pelo local dos
neurônios estimulados de modo máximo. Acredita-se que todos esses sinais,
para determinar a direção do som, sejam transmitidos por uma via diferente
e excitem um local no córtex cerebral diferente da via de transmissão e do
local de término para padrões tonais de som.
Esse mecanismo para detecção da direção do som indica novamente como
informações específicas, nos sinais sensoriais, são dissecadas à medida que
os sinais passam por diferentes níveis de atividade neuronal. Nesse caso, a
“qualidade” da direção do som é separada da “qualidade” dos tons sonoros,
no nível dos núcleos olivares superiores.
Sinais Centrífugos do Sistema Nervoso Central para os
Centros Auditivos Inferiores
Foram demonstradas vias retrógradas em cada nível do sistema nervoso
auditivo, do córtex à cóclea, no ouvido. A via final é principalmente do núcleo
olivar superior para as células ciliadas do receptor sonoro, no órgão de Corti.
Essas fibras retrógradas são inibitórias. Na verdade, a estimulação direta de
pontos distintos, no núcleo olivar, demonstrou inibir áreas específicas do órgão de
Corti, reduzindo suas sensibilidades sonoras por 15 a 20 decibéis. Pode-se
compreender, prontamente, como isso poderia permitir a pessoa dirigir sua
atenção para sons de qualidades particulares, rejeitan do sons de outras
qualidades. Essa característica é prontamen te demonstrada quando se escuta um
só instrumento na orquestra sinfônica.
Anormalidades da Audição
Tipos de Surdez
A surdez se divide em dois tipos: (1) a causada por comprome timento da cóclea
ou do nervo auditivo, ou dos circuitos do sistema nervoso central do ouvido, em
geral, classificada como “surdez nervosa”; e (2) a causada por comprometimento
das estruturas físicas da orelha que conduzem o próprio som à cóclea, que é, em geral, chamada “surdez de condução”.
Se a cóclea ou o nervo auditivo forem destruídos, a pessoa fica
permanentemente surda. No entanto, se a cóclea e o nervo ainda ficarem intactos, mas o sistema tímpano-ossicular tiver sido destruído ou estiver anquilosado
(“congelado” no lugar por fibrose ou calcificação), as ondas sonoras ainda
poderão ser conduzidas à cóclea por meio da condução óssea de gerador de sons aplicado ao crânio sobre a orelha.
Audiômetro. Para determinar a natureza das deficiências auditivas, usa-se o
“audiômetro”. Esse instrumento é um fone de ouvido conectado a oscilador
eletrônico, capaz de emitir tons puros de baixas a altas frequência e é calibrado para que o som, com nível de intensidade zero, em cada frequência seja a
intensidade que mal possa ser ouvida pelo ouvido normal. O volume calibrado de controle pode aumentar a intensidade acima do nível zero. Se a intensidade tiver de ser aumentada para 30 decibéis acima do normal antes de ser ouvida, diz-se
que a pessoa tem perda auditiva de 30 decibéis, nessa frequên cia em particular.
Ao realizar o teste auditivo usando o audiômetro, testam-se cerca de 8 a 10
frequências cobrindo o espectro auditivo, e a perda auditiva é determinada para cada uma dessas frequências. O chamado audiograma é colocado em gráfico,
mostrado nas Figuras 53-12 e 53-13, mostrando a perda auditiva em cada uma
das frequências no espectro auditivo. O audiômetro, além de ser equipado com fone de ouvido para testar a condução aérea pela orelha, é equipado com vibrador
mecânico para testar a condução óssea do processo mastoide do crânio para a cóclea.
Figura 53-12. Audiograma do tipo de surdez nervosa na idade avançada.
Figura 53-13. Audiograma de surdez de condução aérea decorrente de esclerose do ouvido médio.
Audiograma na Surdez Nervosa. Na surdez nervosa, que inclui lesão da
cóclea, do nervo auditivo ou dos circuitos no sistema nervoso central, desde o
ouvido, a pessoa tem perda total da capacidade de ouvir o som testado, por
condução aérea e condução óssea. A Figura 53-12 mostra um audiograma retratando a surdez nervosa parcial. Nessa figura, a surdez é principalmente para
o som de altas frequências. Tal surdez poderia ser causada por lesão da base da cóclea. Esse tipo de surdez ocorre, em certo grau, em quase todas as pessoas
com mais idade.
Outros padrões de surdez nervosa ocorrem frequentemente da seguinte
maneira: (1) surdez para sons de baixa frequência, causada por exposição
excessiva e prolongada a sons muito intensos (p. ex., uma banda de rock ou motor de avião) porque os sons com baixa frequência geralmente são mais intensos e mais prejudiciais ao órgão de Corti; e (2) surdez para todas as
frequências, causada por sensibilidade do órgão de Corti a fármacos — em
particular, sensibilidade a alguns antibióticos, tais como estreptomicina, gentamicina, canamicina e cloranfenicol.
Audiograma para Surdez de Condução do Ouvido Médio. Tipo comum de
surdez é ocasionado por fibrose, no ouvido médio, após infecção repetida ou por fibrose que ocorre na doença hereditária, chamada otosclerose. Em qualquer
caso, as ondas sonoras não podem ser transmitidas facilmente pelos ossículos da
membrana timpânica à janela oval. A Figura 53-13 mostra um audiograma de
pessoa com “surdez de condução aérea do ouvido médio”. Nesse caso, a condução óssea é essencialmente normal, mas a condução pelo sistema ossicular
está bastante deprimida em todas as frequências, principalmente nas frequências
baixas. Em alguns casos de surdez de condução, a placa do estribo fica “anquilosada” por hipercrescimento ósseo até as bordas da janela oval. Nesse caso, a pessoa fica totalmente surda para condução ossicular, mas pode
readquirir audição quase normal pela remoção cirúrgica do estribo e sua
substituição por diminuta prótese de Teflon ou de metal que transmite o som da bigorna para a janela oval.
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