Tratado de Fisiologia Médica
Características Básicas da Função Simpática e Parassimpática
pós-ganglionares. Entretanto, exceto no caso de alguns nervos cranianos
parassimpáticos, as fibras pré-ganglionares passam de forma ininterrupta por todo
o caminho até o órgão que deverá ser controlado. Os neurônios pós-ganglionares
estão localizados na parede do órgão. As fibras pré-ganglionares fazem sinapse
com esses neurônios, e fibras pós-ganglionares extremamente curtas, de fração
de milímetro a diversos centímetros de extensão, deixam os neurônios para
inervar os tecidos do órgão. Essa localização dos neurônios pós-ganglionares
parassimpáticos, no órgão, é bastante diferente da disposição dos gânglios
simpáticos porque os corpos celulares dos neurônios pós-ganglionares simpáticos
estão quase sempre localizados nos gânglios da cadeia simpática ou em outros
gânglios discretos no abdome, em vez de no órgão a ser excitado.
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA FUNÇÃO SIMPÁTICA
E PARASSIMPÁTICA
FIBRAS COLINÉRGICAS E ADRENÉRGICAS —
SECREÇÃO DE ACETILCOLINA OU NOREPINEFRINA
As fibras nervosas simpáticas e parassimpáticas secretam principalmente
uma das duas substâncias transmissoras sinápticas: acetilcolina ou
norepinefrina. As fibras que secretam acetilcolina são chamadas
colinérgicas. As que secretam norepinefrina são chamadas adrenérgicas,
termo derivado de adrenalina, que é o nome alternativo para a epinefrina.
Todos os neurônios pré-ganglionares são colinérgicos, tanto no sistema
nervoso simpático quanto no parassimpático. Acetilcolina ou substâncias
tipo acetilcolina, quando aplicadas aos gânglios, irão excitar tanto os
neurônios pós-ganglionares simpáticos quanto os parassimpáticos. Todos ou
quase todos os neurônios pós-ganglionares do siste ma parassimpático
também são colinérgicos. Em vez disso, a maioria dos neurônios pós-
ganglionares simpáticos são adrenérgicos. Entretanto, as fibras nervosas‐
pós-ganglionares simpáticas para as glândulas sudoríparas e, talvez, para
um número muito escasso de vasos sanguíneos, são colinérgicas.
Então, todas ou quase todas as terminações nervosas do sistema
parassimpático secretam acetilcolina. Quase todas as terminações nervosas
simpáticas secretam norepinefrina, mas poucas secretam acetilcolina. Esses
neurotransmis sores, por sua vez, agem nos diferentes órgãos para causar,
respectivamente, os efeitos parassimpáticos ou simpáticos. Portanto, a
acetilcolina é chamada transmissor parassimpático e a norepinefrina,
transmissor simpático.
As estruturas moleculares da acetilcolina e norepinefrina são as seguintes:
Mecanismos de Secreção e Remoção do Transmissor
nas Terminações Nervosas Pós-ganglionares
Secreção de Acetilcolina e Norepinefrina pelas Termina ções
Nervosas Pós-ganglionares. Algumas das termi nações nervosas
autônomas pós-ganglionares, espe cialmente as dos nervos parassimpáticos,
são similares, mas muito menores do que as da junção neuromuscular
esquelética. Entretanto, muitas das fibras nervosas parassimpáticas e quase
todas as fibras simpáticas meramente tocam as células efetoras dos órgãos que inervam à medida que passam; ou, em alguns casos, elas terminam em
meio ao tecido conjuntivo adjacente às células que devem ser estimuladas.
Onde esses filamentos tocam ou passam por cima ou próximo das células a
serem estimuladas, eles em geral têm dilatações bulbosas, chamadas
varicosidades; são nessas varicosidades que as vesículas transmissoras de
acetilcolina ou norepinefrina são sintetizadas e armazenadas. Também nas
varicosidades existe grande número de mitocôndrias que fornecem
trifosfato de adenosina, que é necessário para fornecer energia à síntese de
acetilcolina ou norepinefrina.
Quando potencial de ação se propaga pelo terminal das fibras, a
despolarização resultante aumenta a permeabilidade da membrana da fibra
aos íons cálcio, permitindo que esses íons se difundam para as terminações
nervosas ou varicosidades. Os íons cálcio, por sua vez, fazem com que as
vesículas dos terminais ou varicosidades liberem seus conteúdos para o
exterior. Dessa forma, os neurotransmissores são liberados.
Síntese de Acetilcolina, Sua Destruição Após a Secreção e a
Sua Duração de Ação. A acetilcolina é sintetizada nas terminações
nervosas e nas varicosidades da fibra nervosa colinérgica, onde fica em alta
concentração armazenada em vesículas até sua liberação. A reação química
básica dessa síntese é a seguinte:
Uma vez secretada acetilcolina para o tecido pela terminação nervosa
colinérgica, ela persistirá no tecido só por alguns segundos enquanto realiza
sua função de transmissor do sinal. Então, ela será decomposta em íon
acetato e em colina, em reação catalisada pela enzima acetilcolinesterase,
ligada com colágeno e glicosaminoglicanos no tecido conjuntivo local. Esse
mecanismo é semelhante ao que ocorre quando da transmissão de sinal por acetilcolina e a subsequente destruição de acetilcolina nas junções
neuromusculares das fibras nervosas esqueléticas. A colina formada é então
transportada de volta para a terminação nervosa, onde é usada
repetidamente para a síntese de nova acetilcolina.
Síntese de Norepinefrina, sua Remoção e sua Duração de Ação.
A síntese de norepinefrina começa no axoplasma da terminação nervosa das
fibras nervosas adrenérgicas, mas é completada nas vesículas secretórias.
Os passos básicos são os seguintes:
1.
2.
3. Transporte da dopamina para as vesículas
4.
Na medula adrenal, essa reação prossegue até etapa adicional para
transformar aproximadamente 80% da norepinefrina em epinefrina, como a
seguir:
5.
Após a secreção de norepinefrina pela terminação nervosa, ela é removida
do local secretório por três formas: (1) recaptação para a terminação
nervosa adrenérgica, por um processo de transporte ativo — que é
responsável pela remoção de 50% a 80% da norepinefrina secretada; (2)
difusão para fora das terminações nervosas para os fluidos corporais
adjacentes e, então, para o sangue — responsável pela remoção de quase
todo o resto da norepinefrina; e (3) destruição de pequenas quantidades por
enzimas teciduais (uma dessas enzimas é a monoamina oxidase, encontrada
nas terminações nervosas, e outra é a catecol-O-metil transferase presente
difusamente pelos tecidos).
Usualmente, a norepinefrina secretada diretamente para um tecido
permanece ativa por apenas alguns segundos, demonstrando que sua recaptação e difusão para fora do tecido são rápidas. No entanto, a
norepinefrina e a epinefrina, secretadas no sangue pela medula adrenal
permanecem ativas até que elas se difundam para algum tecido, onde
poderão ser destruídas pela catecol-O-metil transferase; essa ação ocorre
principalmente no fígado. Portanto, quando secretadas no sangue, tanto a
norepinefrina quanto a epinefrina permanecem ativas por 10 a 30 segundos,
mas suas atividades declinam até se extinguirem por 1 a mais minutos.
RECEPTORES NOS ÓRGÃOS EFETORES
Antes que a acetilcolina, norepinefrina ou epinefrina secretadas por
terminação nervosa autônoma possam estimular um órgão efetor, elas
devem primeiro se ligar a receptores específicos nas células efetoras. O
receptor fica na parte exterior da membrana celular, ligado como
grupamento prostético a uma molécula proteica que atravessa toda a
membrana celular. A ligação da substância transmissora ao receptor, causa
alteração conformacional na estrutura da molécula proteica. Por sua vez, a
molécula proteica alterada excita ou inibe a célula, geralmente por (1)
causar alteração da permeabilidade da membrana celular para um ou mais
íons; ou (2) ativar ou inativar a enzima, ligada do outro lado do receptor
proteico, onde ele proemina para o interior da célula.
Excitação ou Inibição das Células Efetoras pela Mudança da
Permeabilidade de Suas Membranas. Como a proteína receptora é
parte integral da membrana celular, a alteração conformacional da estrutura
da proteína receptora em geral abre ou fecha um canal iônico pelo
interstício da molécula proteica, alterando, então, a permea bilidade da
membrana celular a diversos íons. Por exemplo, os canais iônicos de sódio
e/ou cálcio com frequência se abrem, permitindo o influxo rápido dos seus
respectivos íons para o interior da célula, em geral despolarizando a membrana celular e excitando a célula. Em outros momentos, os canais de
potássio são abertos, permitindo que os íons potássio se difundam para fora
da célula, o que, usualmente, inibe a célula porque a perda de íons potássio
eletropositivos cria hipernegatividade no interior da célula. Em algumas
células, o ambiente iônico intracelular alterado irá provocar modificações
celulares internas, por exemplo, efeito direto dos íons cálcio para promover
a contração da musculatura lisa.
Ação dos Receptores pela Alteração de Enzimas Intracelulares
Atuando como “Segundos Mensageiros”. Outra forma do receptor
funcionar é ativar ou inativar uma enzima no interior da célula (ou outra
molécula intracelular). A enzima em geral está ligada à proteína receptora,
onde o receptor se projeta para o interior da célula. Por exemplo, a ligação
da norepinefrina com seu receptor, na parte externa de muitas células,
aumenta a atividade da enzima adenilil ciclase no interior da célula, o que
causa a formação de monofosfato de adenosina cíclico (AMPc). O AMPc,
por sua vez, pode iniciar qualquer uma das diferentes ações intracelulares, e
o efeito preciso depende da célula efetora específica e da sua maquinaria
química.
É fácil entender como substância transmissora autônoma pode provocar
inibição em alguns órgãos e excitação em outros. Isso é determinado pela
natureza da proteína receptora na membrana celular e pelo efeito da ligação
do receptor sobre seu estado conformacional. Em cada órgão, os efeitos
resultantes são provavelmente diferentes dos outros órgãos.
Dois Tipos Principais de Receptores de Acetilcolina —
Receptores Muscarínicos e Nicotínicos
A acetilcolina ativa principalmente dois tipos de receptores. Eles são
chamados receptores muscarínicos e nicotínicos. As razões para esses nomes é que a muscarina, veneno de cogumelos, ativa apenas os receptores
muscarínicos, enquanto a nicotina ativa apenas os receptores nicotínicos. A
acetilcolina ativa ambos.
Os receptores muscarínicos, que utilizam proteínas G como mecanismos
de sinalização, são encontrados em todas as células efetoras estimuladas
pelos neurônios colinérgicos pós-ganglionares tanto do sistema nervoso
parassimpático quanto do simpático.
Os receptores nicotínicos são canais iônicos ativados por ligandos que se
encontram nos gânglios autônomos nas sinapses entre os neurônios pré-
ganglionares e pós-ganglionares tanto do sistema simpático quanto do
parassimpático. (Os receptores nicotínicos estão também presentes em
muitas terminações nervosas não autônomas — por exemplo, nas junções
neuromusculares, nos músculos esqueléticos [discutido no Capítulo 7].)
O entendimento dos dois tipos de receptores é especialmente importante
porque fármacos específicos são, com frequência, usados como
medicamentos para estimular ou bloquear um ou outro dos dois tipos de
receptores.
Receptores Adrenérgicos — Receptores Alfa e Beta
Existem também duas classes de receptores adrenérgicos; chamados
receptores alfa e receptores beta. Existem dois tipos principais de
receptores alfa, alfa e alfa , que se ligam a diferentes proteínas G. Os 1 2
receptores beta, são divididos em beta , beta e beta porque determinadas 1 2 3
substâncias químicas afetam apenas certos receptores beta. Os receptores
beta utilizam também proteínas G para a sinalização.
A norepinefrina e a epinefrina, secretadas no sangue pela medula adrenal,
têm efeitos ligeiramente diferentes na excitação dos receptores alfa e beta.
A norepinefrina excita principalmente os receptores alfa, mas excita os
receptores beta em menor grau. A epinefrina excita ambos os tipos de receptores de forma aproximadamente igual. Portanto, os efeitos relativos
da norepinefrina e da epinefrina nos diferentes órgãos efetores são
determinados pelos tipos de receptores existentes nesses órgãos. Se forem
todos receptores do tipo beta, a epinefrina terá ação mais eficaz.
A Tabela 61-1 mostra a distribuição dos receptores alfa e beta em alguns
órgãos e sistemas controlados pelos nervos simpáticos. Note que certas
funções alfa são excitatórias, enquanto outras são inibitórias. Da mesma
forma, certas funções beta são excitatórias e outras são inibitórias. Portanto,
os receptores alfa e beta não estão necessariamente associados à excitação
ou à inibição, mas simplesmente à afinidade do hormônio pelos receptores
do dado órgão efetor.
Uma substância sintética quimicamente semelhante à epinefrina e à
norepinefrina, a isopropil norepinefrina, tem ação extremamente forte nos
receptores beta e, em essência, nenhuma ação nos receptores alfa.
Tabela 61-1 Receptores Adrenérgicos e suas Funções
Receptor Alfa Receptor Beta
Vasoconstrição Vasodilatação (b ) 2
Dilatação da íris Cardioaceleração (b ) 1
Relaxamento intestinal Força aumentada do miocárdio (b ) 1
Contração dos esfíncteres intestinais Relaxamento intestinal (b ) 2
Relaxamento uterino (b ) 2
Contração pilomotora Broncodilatação (b ) 2
Contração do esfíncter vesical Calorigênese (b ) 2
Inibe liberação de neurotransmissor (a ) Glicogenólise (b ) 2 2
Lipólise (b ) 1
Relaxamento da parede da bexiga (b ) 2 Termogênese (b ) 3
AÇÕES EXCITATÓRIAS E INIBITÓRIAS DA
ESTIMULAÇÃO SIMPÁTICA E PARASSIMPÁTICA
A Tabela 61-2 lista os efeitos nas diferentes funções viscerais do organismo
causadas pela estimulação dos nervos parassimpáticos e dos nervos
simpáticos. Dessa tabela, pode-se ver novamente que a estimulação
simpática causa efeitos excitatórios em alguns órgãos, mas efeitos
inibitórios em outros. Da mesma forma, a estimulação parassimpática
causa excitação em alguns, mas inibição em outros. Observe que algumas
vezes quando a estimulação simpática excita um órgão em particular, a
estimulação parassimpática o inibe, demonstrando que os dois sistemas, em
alguns casos, agem antagonicamente. Entretanto, deve-se considerar que a
maioria dos órgãos é controlada dominantemente por um ou outro dos dois
sistemas.
Não existe generalização que possa ser usada para explicar se a
estimulação simpática ou parassimpática irá causar excita ção ou inibição de
órgão em particular. Portanto, para entender a função simpática ou
parassimpática, deve-se aprender todas as funções separadas desses dois
sistemas nervosos, em cada órgão como listado na Tabela 61-2. Algumas
dessas funções devem ser esclarecidas em mais detalhes como a seguir.
Tabela 61-2 Efeitos Autônomos em Vários Órgãos do Corpo
Efeito da Estimulação
Órgão Simpática Efeito da Estimulação Parassimpática
Olho Dilatada Contraída
Pupila Relaxamento leve (visão Contração (visão próxima)
Músculo ciliar longínqua)
Glândulas Vasoconstrição e Estimulação de secreção copiosa
Nasais secreção leve (contendo muitas enzimas nas glândulas
Lacrimais secretoras de enzimas)
Parótidas
Submandibulares
Gástricas
Pancreáticas
Glândulas Transpiração abundante Transpiração nas palmas das mãos
sudoríparas (colinérgica)
Glândulas Secreção espessa, Nenhum
apócrinas odorífica
Vasos Na maioria das vezes, Na maioria das vezes, pouco ou nenhum
sanguíneos vasoconstrição efeito
Coração Frequência aumentada Frequência diminuída Músculo Força de contração Força de contração diminuída Coronárias aumentada (principalmente, dos átrios)
Dilatadas (b ); Dilatadas 2
contraídas (a)
Pulmões Dilatação Constrição? Brônquios Vasoconstrição leve Dilatados Vasos
sanguíneos
Intestino Peristaltismo e tônus Peristaltismo e tônus aumentados
Lúmen diminuídos Relaxado (maioria das vezes) Esfíncter Tônus aumentado
(maioria das vezes)
Fígado Liberação de glicose Pequena síntese de glicogênio
Vesícula e Relaxados Contraídos
ductos biliares
Rim Débito de urina Nenhum
diminuído e secreção
de renina aumentado
Bexiga Relaxado (ligeiramente) Contraído Músculo detrusor Contraído Relaxado Músculo trígono
Pênis Ejaculação Ereção
Arteríolas Contraídas Nenhum
sistêmicas Contraído (a- Nenhum
Vísceras adrenérgicos) Nenhum
abdominais Dilatado (b-2
Músculo adrenérgicos)
Pele Dilatado (colinérgicos)
Contraída
Sangue Aumentada Nenhum Coagulação Aumentada Nenhum
Glicose Aumentados Nenhum
Lipídios
Metabolismo Aumentado por até Nenhum
basal 100%
Secreção Aumentada Nenhum
medular adrenal
Atividade mental Aumentada Nenhum
Músculos Contraídos Nenhum
piloeretores
Músculos Glicogenólise Nenhum
esqueléticos aumentada
Força aumentada
Células Lipólise Nenhum
gordurosas
Efeitos da Estimulação Simpática e Parassimpática em Órgãos Específicos
Olhos. Duas funções dos olhos são controladas pelo sistema nervoso
autônomo. Elas são (1) a abertura das pupilas; e (2) o foco do cristalino.
A estimulação simpática contrai as fibras meridionais da íris, provocando a
dilatação da pupila (midríase), enquanto a estimulação parassimpática contrai o
músculo circular da íris, provocando a constrição da pupila (miose).
As eferências parassimpáticas que controlam a pupila são estimuladas por via
reflexa quando luz excessiva entra nos olhos, como explicado no Capítulo 52;
esse reflexo reduz o diâmetro pupilar, diminuindo a quantidade de luz que incide
sobre a retina. Por sua vez, os eferentes simpáticos são, em particular,
estimulados durante períodos de excitação e aumentam nesses momentos o
diâmetro pupilar.
O processo de focalização do cristalino é quase inteiramente controlado pelo
sistema nervoso parassimpático. O cristalino é nas condições normais mantido no
estado achatado pela tensão elástica intrínseca dos seus ligamentos radiais. A
excitação parassimpática contrai o músculo ciliar que é corpo anular de fibras
musculares lisas que circundam as pontas exteriores dos ligamentos radiais do
cristalino. Essa contração libera a tensão nos ligamentos e permite que o cristalino
fique mais convexo, promovendo a focalização de objetos próximos. O
mecanismo detalhado da focalização é discutido nos Capítulos 50 e 52, em relação à função dos olhos.
Glândulas do Corpo. As glândulas nasais, lacrimais, salivares e muitas
glândulas gastrointestinais são intensamente estimuladas pelo sistema nervoso
parassimpático, resultando, em geral, em abundantes quantidades de secreção aquosa. As glândulas do trato digestivo mais intensamente estimuladas pelos
parassimpáticos são as do trato superior, especialmente as da boca e do
estômago. Por sua vez, as glândulas dos intestinos delgado e grosso são controladas, em sua maior parte, por fatores locais do próprio trato intestinal e pelo sistema nervoso entérico; em muito menor grau são controlados pelos nervos
autônomos.
A estimulação simpática tem efeito direto na maioria das células glandulares
digestivas, provocando a formação de secreção concentrada contendo altas
porcentagens de enzimas e muco. Entretanto, ela também causa vasoconstrição
dos vasos sanguíneos que irrigam as glândulas, e, dessa forma, às vezes diminuem suas intensidades de secreção.
As glândulas sudoríparas secretam grande quantidade de suor quando os
nervos simpáticos são estimulados, mas nenhum efeito é causado pela estimulação dos nervos parassimpáticos. Entretanto, as fibras simpáticas para a
maioria das glândulas sudoríparas são colinérgicas (com exceção de algumas
fibras adrenérgicas, nas palmas das mãos e solas dos pés), em contraste com quase todas as outras fibras simpáticas que são adrenérgicas. Além disso, as glândulas sudoríparas são estimuladas, sobretudo, por centros no hipotálamo que
em geral são considerados parassimpáticos. Portanto, a sudorese poderia ser
considerada função parassimpática, ainda que controlada por fibras nervosas que anatomicamente são distribuídas pelo sistema nervoso simpático.
As glândulas apócrinas nas axilas secretam secreção espessa, odorífera, como
resultado de estimulação simpática, mas elas não respondem à estimulação
parassimpática. Essa secreção na verdade funciona como lubrificante que permite movimentação deslizante fácil das superfícies embaixo da articulação do ombro.
As glândulas apócrinas, apesar da sua relação embriológica íntima com as glândulas sudoríparas, são ativadas por fibras adrenérgicas em vez de fibras colinérgicas e também são controladas pelos centros simpáticos do sistema
nervoso central, em vez de pelos centros parassimpáticos.
Plexo Nervoso Intramural do Sistema Gastrointestinal. O sistema
gastrointestinal tem seu próprio conjunto intrínseco de nervos, conhecido como plexo intramural ou sistema nervoso entérico, localizado nas paredes do intestino. Além disso, tanto a estimulação parassimpática como a estimulação simpática se
originando no cérebro podem afetar a atividade gastrointestinal, principalmente
pelo aumento ou pela diminuição de ações específicas no plexo intramural
gastrointestinal. A estimulação parassimpática, em geral, aumenta o grau da
atividade total do trato gastrointestinal, pela promoção do peristaltismo e
relaxamento dos esfíncteres, permitindo, assim, a rápida propulsão dos conteúdos
por esse trato. Esse efeito propulsivo é associado aos aumentos simultâneos na
intensidade da secreção por muitas das glândulas gastrointestinais, como descrito
antes.
As funções normais do trato gastrointestinal não são muito dependentes da
estimulação simpática. Entretanto, forte estimulação simpática inibe o
peristaltismo e aumenta o tônus dos esfíncteres. O resultado final é propulsão do
alimento muito retardada pelo trato e às vezes também por secreção diminuída —
até o ponto de às vezes causar constipação.
Coração. Em geral, a estimulação simpática eleva a atividade total do coração.
Esse efeito é produzido pelo aumento tanto da frequência como da força da
contração cardíaca.
A estimulação parassimpática causa efeitos opostos — frequência cardíaca e
força de contração diminuídas. Expressando esses efeitos de outra forma, a
estimulação simpática aumenta a eficácia do coração como bomba, da forma que
é necessária durante exercício pesado, enquanto a estimulação parassimpática
diminui o bombeamento do coração, permitindo que ele descanse entre períodos
de atividade exaustiva.
Vasos Sanguíneos Sistêmicos. A maioria dos vasos sanguíneos sistêmicos,
especialmente os das vísceras abdominais e da pele dos membros, é contraída
pela estimulação simpática. A estimulação parassimpática quase não tem efeitos
na maioria dos vasos sanguíneos. Em algumas condições, a função beta dos
simpáticos causa dilatação vascular, em vez da constrição vascular simpática
normal, mas essa dilatação ocorre raramente, exceto após a administração de
fármacos que bloqueiam os efeitos vasoconstritores simpáticos alfa que por sinal
são os receptores dominantes na vasculatura.
Efeito da Estimulação Simpática e Parassimpática na Pressão Arterial. A
pressão arterial é determinada por dois fatores: a propulsão do sangue pelo
coração e a resistência ao fluxo do sangue pelos vasos sanguíneos periféricos. A
estimulação simpática aumenta tanto a propulsão pelo coração, como a
resistência ao fluxo, o que em geral causa aumento agudo da pressão arterial,
mas com frequência variação muito pequena, a longo prazo, a não ser que os
efeitos simpáticos promovam também a retenção de água e sal pelos rins.
Por sua vez, estimulação parassimpática moderada, mediada pelos nervos
vagos, diminui o bombeamento cardíaco não tendo quase nenhum efeito na
resistência vascular periférica. Portanto, o efeito comum é a leve diminuição da pressão arterial. Entretanto, estimulação parassimpática vagal muito forte pode
quase parar ou, em certas ocasiões, parar completamente o coração por alguns segundos e causar perda temporária de toda ou de grande parte da pressão
arterial.
Efeitos da Estimulação Simpática e Parassimpática em Outras Funções do
Corpo. Por causa da grande importância dos sistemas de controle simpático e parassimpático, eles são discutidos neste texto muitas vezes em relação às
múltiplas funções orgânicas. Em geral, a maioria das estruturas de origem
endodérmica, tais como ductos biliares, vesícula, uretra, bexiga e brônquios, é inibida pela estimulação simpática, mas excitada pela estimulação parassimpática. A estimulação simpática também tem múltiplos efeitos metabólicos, tais como
liberação de glicose pelo fígado, elevação da concentração de glicose no sangue, elevação da glicogenólise, no fígado e no músculo, aumento da força de
contração musculoesquelética, aumento do metabolismo basal e aumento da atividade mental. Por fim, os sistemas simpático e parassimpático participam na
execução dos atos sexuais masculino e feminino, como explicado nos
Capítulos 81 e 82.
FUNÇÃO DAS MEDULAS ADRENAIS
A estimulação dos nervos simpáticos, que vão até as medulas adrenais,
causa a liberação de grande quantidade de epinefrina e norepinefrina no
sangue circulante, e esses dois hormônios são, por sua vez, levados para
todos os tecidos do corpo. Em média, cerca de 80% da secreção são de
epinefrina e 20% de norepinefrina, embora as proporções relativas possam
variar bastante em diferentes condições fisiológicas.
A epinefrina e a norepinefrina circulantes têm quase os mesmos efeitos
nos diferentes órgãos como os efeitos ocasionados pela estimulação
simpática direta, exceto que os efeitos duram 5 a 10 vezes mais tempo,
porque esses dois hormônios são removidos lentamente do sangue durante
período de 2 a 4 minutos.
A norepinefrina circulante causa constrição da maioria dos vasos
sanguíneos do corpo; acarreta também atividade aumentada do coração,
inibição do trato gastrointestinal, dilatação das pupilas etc.
A epinefrina produz quase os mesmos efeitos que os causados pela
norepinefrina, sendo diferentes nos seguintes aspectos: primeiro, a
epinefrina, por provocar sua maior ação na estimulação dos receptores beta,
tem efeito maior na estimulação cardíaca do que a norepinefrina. Segundo,
a epinefrina causa somente a fraca constrição dos vasos sanguíneos dos
músculos em comparação com a vasoconstrição muito mais forte causada
pela norepinefrina. Como os vasos do músculo representam segmento
importante dos vasos do organismo, essa diferença tem importância
especial, pois a norepinefrina aumenta muito a resistência periférica total e
eleva a pressão arterial, enquanto a epinefrina aumenta muito menos a
pressão arterial, mas aumenta mais o débito cardíaco.
Terceira diferença entre as ações da epinefrina e da norepinefrina está
relacionada a seus efeitos sobre o metabo lismo nos tecidos. A epinefrina
tem efeito metabólico 5 a 10 vezes mais forte que a norepinefrina. De fato,
a epinefrina secretada pelas medulas adrenais pode aumentar o metabolismo
do organismo, muitas vezes, por até 100% acima do normal, aumentando,
dessa forma, a atividade e a excitabilidade do organismo. Ela também eleva
a intensidade de outras atividades metabólicas, como a glicogenólise no
fígado e no músculo e a liberação de glicose para o sangue.
Resumindo, a estimulação das medulas adrenais causa a liberação dos
hormônios epinefrina e norepinefrina, que juntos têm quase os mesmos
efeitos que a estimulação simpática direta tem sobre todo o organismo,
exceto que os efeitos são muito mais prolongados, durando 2 a 4 minutos
depois do término da estimulação.
O Valor das Medulas Adrenais para a Função do Sistema
Nervoso Simpático. Epinefrina e norepinefrina são quase sempre liberadas pelas medulas adrenais, no mesmo momento em que os diferentes
órgãos são estimulados diretamente pela ativação simpática generalizada.
Portanto, os órgãos são, na verdade, estimulados duas vezes: de modo direto
pelos nervos simpáticos e indiretamente pelos hormônios da medula
adrenal. Esses dois meios de estimulação se apoiam mutuamente, e
qualquer um dos dois pode, na maioria das vezes, substituir o outro. Por
exemplo, a destruição das vias simpáticas diretas para os diferentes órgãos
do corpo não abole a estimulação simpática dos órgãos porque a
norepinefrina e a epinefrina ainda são liberadas para o sangue circulante e
causam a estimulação de forma indireta. Da mesma forma, a perda das duas
medulas adrenais em geral tem pouco efeito na operação do sistema
nervoso simpático porque as vias diretas podem ainda cumprir quase todos
os deveres necessários. Assim, o mecanismo duplo de estimulação
simpática representa fator de segurança, um mecanismo sendo substituído
pelo outro, se estiver faltando.
Outro papel importante das medulas adrenais é a capaci dade da epinefrina
e da norepinefrina estimularem estruturas do corpo que não são inervadas
por fibras simpáticas diretas. Por exemplo, o metabolismo de quase todas as
células no corpo é aumentado por esses hormônios, princi palmente pela
epinefrina, mesmo que apenas pequena proporção de todas as células no
corpo seja inervada diretamente por fibras simpáticas.
RELAÇÃO ENTRE A FREQUÊNCIA DE ESTIMULAÇÃO E
O GRAU DOS EFEITOS SIMPÁTICOS E
PARASSIMPÁTICOS
Diferença particular entre o sistema nervoso autônomo e o sistema nervoso
esquelético é que somente baixa frequên cia de estimulação é necessária
para a ativação completa dos efetores autônomos. Em geral, um só impulso
no nervo a cada poucos segundos já é o suficiente para manter os efeitos simpáticos ou parassimpáticos normais, e a ativação plena só ocorre quando
as fibras nervosas descarregam 10 a 20 vezes por segundo. Esse valor é
comparável à ativação plena do sistema nervoso esquelético, que ocorre
com 50 a 500 ou mais impulsos por segundo.
“TÔNUS” SIMPÁTICO E PARASSIMPÁTICO
Normalmente, os sistemas simpático e parassimpático estão continuamente
ativos, e a intensidade da atividade basal é conhecida como tônus simpático
e tônus parassimpático, respectivamente.
O valor do tônus é que ele permite a um só sistema nervoso aumentar ou
diminuir a atividade do órgão estimulado. Por exemplo, o tônus simpático
normalmente mantém quase todas as arteríolas sistêmicas constritas até
cerca de metade do seu diâmetro máximo. Aumentando o grau de
estimulação simpática acima da normal, esses vasos podem ser
constringidos ainda mais; por sua vez, diminuindo a estimulação abaixo do
normal, as arteríolas podem ser dilatadas. Se não fosse pelo contínuo tônus
simpático de fundo, o sistema simpático poderia causar somente
vasoconstrição, nunca vasodilatação.
Outro exemplo interessante de tônus é o “tônus” de fundo do sistema
parassimpático no trato gastrointestinal. A retirada cirúrgica da inervação
parassimpática para a maior parte do trato digestivo, cortando-se os nervos
vagos, pode causar “atonia” gástrica e intestinal grave e prolongada,
resultando no bloqueio de boa parte da propulsão gastrointestinal normal e
constipação séria, mostrando, dessa forma, que o tônus parassimpático no
trato digestivo nas condições normais é muito necessário. Esse tônus pode
ser diminuído pelo cérebro, inibindo, desse modo, a motilidade
gastrointestinal, ou pode ser aumentado, promovendo, assim, atividade
gastrointestinal aumentada.
Tônus Causado pela Secreção Basal de Epinefrina e
Norepinefrina pelas Medulas Adrenais. A secreção normal em
repouso pelas medulas adrenais é cerca de 0,2 mg/kg/min de epinefrina e
aproximadamente 0,05 mg/kg/min de norepinefrina. Essas quantidades são
consideráveis — na verdade, são suficientes para manter a pressão
sanguínea quase normal, mesmo quando todas as vias simpáticas diretas
para o sistema cardiovascular forem movidas. Portanto, é óbvio que muito
do tônus total do sistema nervoso simpático resulta da secreção basal de
epinefrina e norepinefrina, além do tônus resultante da estimulação
simpática direta.
Efeito da Perda do Tônus Simpático ou Parassimpático após
Desnervação. Imediatamente após o nervo simpático ou parassimpático
ser seccionado, o órgão inervado perde seu tônus simpático ou
parassimpático. No caso de muitos vasos sanguíneos, por exemplo, cortar
os nervos simpáticos resulta, dentro de 5 a 30 segundos, em vasodilatação
substancial. Entretanto, durante minutos, horas, dias ou semanas, o tônus
intrínseco no músculo liso dos vasos aumenta — isto é, tônus aumentado,
causado por força contrátil aumentada do músculo liso, que não é o
resultado de estimulação simpática, mas de adaptações bioquímicas das
próprias fibras musculares lisas. Esse tônus intrínseco depois de certo
tempo restaura a vasoconstrição quase ao normal.
Efeitos basicamente iguais ocorrem na maioria dos outros órgãos efetores
sempre que o tônus simpático ou parassimpático é perdido. Isso é, a
compensação intrínseca se desenvolve rapidamente para levar a função do
órgão de volta quase ao seu nível basal normal. Entretanto, no sistema
parassimpático, a compensação às vezes necessita de muitos meses. Por
exemplo, a perda do tônus parassimpático no coração depois de vagotomia
cardíaca aumenta a frequência cardíaca para 160 batimentos/min no cão, e
ela ainda estará parcialmente elevada 6 meses depois.
Supersensibilidade de Desnervação dos Órgãos Simpáticos e
Parassimpáticos após Desnervação
Durante mais ou menos a primeira semana, depois de o nervo simpático ou
parassimpático ter sido seccionado, o órgão inervado fica mais sensível à
norepinefrina ou à acetilcolina injetada, respectivamente. Esse efeito é explicado
na Figura 61-4, que mostra que o fluxo sanguíneo no antebraço antes da
remoção da inervação simpática é de cerca de 200 mL/min; dose-teste de
norepinefrina causa somente ligeira depressão do fluxo, com duração de mais ou
menos 1 minuto. Em seguida, o gânglio estelar é retirado, e o tônus simpático
normal é perdido. Primeiro, o fluxo de sangue aumenta muito por causa do tônus
vascular perdido, mas durante período de dias a semanas o fluxo de sangue volta
em boa parte ao normal, por causa de um aumento progressivo no tônus
intrínseco da própria musculatura vascular, compensando, dessa forma,
parcialmente a perda do tônus simpático. Em seguida, outra dose-teste de
norepinefrina é injetada, e o fluxo de sangue diminui muito mais do que antes,
mostrando que os vasos sanguíneos se tornaram cerca de duas a quatro vezes
mais sensíveis à norepinefrina do que antes. Esse fenômeno é chamado
supersensibilidade da desnervação. Ele ocorre nos órgãos simpáticos e nos
parassimpáticos, mas tem grandeza muito maior em alguns órgãos do que em
outros, aumentando a resposta em algumas ocasiões por mais de 10 vezes.
Figura 61-4. Efeito da simpatectomia no fluxo sanguíneo do braço e efeito de dose-teste de norepinefrina, antes e depois da simpatectomia, mostrando a supersensibilidade da vasculatura à norepinefrina.
Mecanismo da Supersensibilidade de Desnervação. A causa da
supersensibilidade de desnervação só é conhecida parcialmente. Parte da
resposta se deve ao fato de que o número de receptores nas membranas pós-sinápticas das células efetoras aumenta — às vezes, multiplica-se por várias
vezes — quando norepinefrina ou acetilcolina não é mais liberada nas sinapses, processo chamado “regulação para cima” (upregulation) dos receptores. Portanto,
quando dose do hormônio é agora injetada no sangue circulante, a reação efetora é imensamente elevada.
Reflexos Autônomos
Muitas funções viscerais do organismo são reguladas por reflexos autônomos.
Ao longo de todo este livro, as funções desses reflexos são discutidas em relação
aos sistemas de órgãos individuais; para ilustrar sua importância, alguns poucos são apresentados aqui brevemente.
Reflexos Autônomos Cardiovasculares. Vários reflexos do sistema
cardiovascular ajudam a controlar a pressão do sangue arterial e a frequência
cardíaca. Um deles é o reflexo barorreceptor, descrito no Capítulo 18, junto com outros reflexos cardiovasculares. Resumidamente, receptores de estiramento,
chamados barorreceptores, se localizam nas paredes de várias artérias principais, incluindo especialmente as artérias carótidas internas e o arco da aorta. Quando
são estirados pela alta da pressão, sinais são transmitidos ao tronco cerebral, onde inibem os impulsos simpáticos para o coração e para os vasos sanguíneos e
excitam os parassimpáticos; isso permite que a pressão arterial caia de volta ao normal.
Reflexos Autônomos Gastrointestinais. A parte mais superior do trato
gastrointestinal e o reto são controlados, principalmente, por reflexos autônomos.
Por exemplo, o cheiro de comida saborosa ou a presença de comida na boca
iniciam sinais da boca e do nariz para os núcleos vagais, glossofaríngeos e salivatórios do tronco cerebral. Esses núcleos por sua vez transmitem sinais pelos nervos parassimpáticos para as glândulas secretoras da boca e do estômago,
causando a secreção de fluidos digestivos às vezes antes mesmo que a comida entre na boca.
Quando o material fecal preenche o reto, na outra ponta do trato digestivo,
impulsos sensoriais, iniciados pelo estiramento do reto, são transmitidos à porção
sacral da medula espinal, e o sinal de reflexo é transmitido de volta pelos parassimpáticos sacrais até as partes distais do cólon; esses sinais provocando
fortes contrações peristálticas que ocasionam a defecação.
Outros Reflexos Autônomos. O esvaziamento da bexiga é controlado da
mesma forma que o esvaziamento do reto; o estiramento da bexiga transmite