Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 134 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Controle da Osmolaridade e da Concentração de Sódio do Líquido Extracelular

Contudo, no caso da restrição de água, como ocorre no ambiente hospitalar, quando a ingestão de

líquidos é limitada ou o paciente se encontra inconsciente (p. ex., em virtude de traumatismo

craniano), poderá rapidamente ocorrer desidratação.

O tratamento do diabetes insípido central consiste na administração de análogo sintético do

ADH, a desmopressina que atua seletivamente sobre os receptores V2, de modo a elevar a

permeabilidade da parte final dos túbulos distais e dos túbulos coletores à água. A desmopressina

pode ser aplicada de diversos modos: por meio de injeção, na forma de spray nasal ou por via oral,

normalizando rapidamente a eliminação de urina.

Inabilidade dos Rins em Responder ao ADH: Diabetes Insípido “Nefrogênico”. Existem

casos em que se tem a presença de níveis normais ou elevados do ADH, mas os segmentos

tubulares renais não respondem a esse hormônio de forma apropriada. Essa condição recebe o

nome de diabetes insípido “nefrogênico”, já que a anormalidade reside nos rins. Tal alteração pode

ser decorrente tanto da falha do mecanismo de contracorrente em formar interstício medular renal

hiperosmótico como da falha dos túbulos distais e coletores e dos ductos coletores de responder ao

ADH. Em ambos os casos, ocorrerá a formação de grande volume de urina diluída, com tendência

à desidratação, a menos que ocorra aumento da ingestão hídrica equivalente à elevação do volume

urinário.

Muitos tipos de doenças renais podem prejudicar o mecanis mo de concentração, particularmente

as que lesionam a medula renal (consulte o Capítulo 32 para discussão mais aprofundada). Além

disso, a diminuição da função da alça de Henle, como ocorre quando se usam diuréticos que

inibem a reabsorção de eletrólitos por esse segmento, como a furosemida, pode comprometer a

capacidade de concentração urinária. Por outro lado, certos fármacos, como o lítio (utilizado para

tratar os distúrbios maníaco-depressivos) e as tetraciclinas (agentes empregados como

antibióticos), podem diminuir a capacidade dos segmentos distais do néfron de responder ao

ADH.

O diabetes insípido nefrogênico pode ser diferenciado do tipo central por meio da administração

da desmopressina, o análogo sintético do ADH. A falta de diminuição imediata do volume

urinário e do aumento na osmolaridade urinária dentro de duas horas, após a injeção de

desmopressina, são altamente sugestivos de diabetes insípido nefrogênico. O tratamento para o

diabetes insípido nefrogênico consiste na correção, se possível, do distúrbio renal subjacente. A

hipernatremia também pode ser atenuada por dieta com baixo teor de sódio e pelo tratamento com

diuréticos capazes de aumentar a excreção renal de sódio, como os tiazídicos.

 

CONTROLE DA OSMOLARIDADE E DA

CONCENTRAÇÃO DE SÓDIO DO LÍQUIDO

EXTRACELULAR

A regulação da osmolaridade e a concentração de sódio do líquido

extracelular estão intimamente relacionadas, já que o sódio é o íon mais

abundante no compartimento extracelular. A concentração plasmática de

sódio é normalmente regulada dentro de limites estritos de 140 a 145

mEq/L, com concentração média em torno de 142 mEq/L. A osmolaridade

média gira em torno de 300 mOsm/L (cerca de 282 mOsm/L quando

corrigida pela atração interiônica) e raramente se altera por mais do que

±2% a 3%. Como discutido no Capítulo 25, essas variáveis devem ser

precisamente controladas, pois elas determinam a distribuição do líquido

entre os compartimentos intracelular e extracelular.

 

ESTIMATIVA DA OSMOLARIDADE PLASMÁTICA A

PARTIR DA CONCENTRAÇÃO DE SÓDIO NO PLASMA

Na maioria dos laboratórios clínicos, a osmolaridade plasmá tica não é

rotineiramente medida. No entanto, como o sódio e seus ânions associados

respondem por, aproximadamente, 94% dos solutos do compartimento

extracelular, a osmolaridade plasmática (P ) pode ser estimada, em geral, osm

a partir da concentração plasmática de sódio (P +) como Na

 

P + = 2,1 × P (mmol/L) osm Na

 

Por exemplo, com concentração plasmática de sódio de 142 mEq/L, a

osmolaridade plasmática seria estimada, segundo a fórmula dada, em

aproximadamente 298 mOsm/L. Para ser mais exato, em especial em

condições associadas à doença renal, a contribuição da concentração

plasmática de outros dois solutos, glicose e ureia, deve ser incluída:

 

P + + + = 2 × [P , mmol/L] [P , mmol/L] [P , mmol/L] osm Na glicose ureia

 

Tais estimativas da osmolaridade plasmática costumam ser precisas,

estando dentro do limite de alguns pontos percentuais dos valores medidos diretamente.