Tratado de Fisiologia Médica
Princípios Básicos da Função Circulatória
pressão diastólica, de 8 mmHg, com pressão arterial pulmonar média de 16
mmHg. A pressão capilar pulmonar média é de apenas 7 mmHg. Ainda
assim, o fluxo sanguíneo total, que passa pelos pulmões a cada minuto, é o
mesmo que o da circulação sistêmica. As baixas pressões do sistema
pulmonar estão de acordo com as necessidades dos pulmões, que consistem,
basicamente, em expor o sangue dos capilares pulmonares ao oxigênio e
aos outros gases alveolares.
Figura 14-2. Pressões sanguíneas normais nas diferentes partes do sistema circulatório, quando a pessoa está na posição horizontal.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA FUNÇÃO CIRCULATÓRIA
Embora os detalhes da circulação sejam complexos, existem três princípios
básicos subjacentes a todas as suas funções.
1. O fluxo sanguíneo na maioria dos tecidos é controlado segundo a
necessidade dos tecidos. Quando os tecidos estão ativos, precisam de
grande incremento do suprimento de nutrientes e, portanto, de fluxo
sanguíneo muito maior — ocasionalmente até 20 a 30 vezes o de
repouso. Ainda assim, o coração nas condições normais não pode
aumentar seu débito por mais que quatro a sete vezes maior que os dos
valores de repouso. Assim, não é possível simplesmente elevar o fluxo
sanguíneo em todas as partes do corpo, quando um tecido particular
demanda fluxo aumentado. Em vez disso, os microvasos em cada tecido
monitoram, de modo contínuo, as necessidades teciduais, tais como a
disponibilidade de oxigênio e de outros nutrientes e o acúmulo de
dióxido de carbono e outros produtos do metabolismo; esses microvasos,
por sua vez, agem diretamente sobre os vasos sanguíneos locais,
dilatando-os ou contraindo-os para controlar o fluxo sanguíneo local de
forma precisa e até o nível necessário para a atividade do tecido. Além
disso, o controle neural da circulação pelo sistema nervoso central e os
hormônios age como mais um mecanismo para a regulação do fluxo
sanguíneo tecidual.
2. O débito cardíaco é a soma de todos os fluxos locais dos tecidos.
Depois de fluir por um tecido, o sangue retorna, de imediato, pelas veias
para o coração. Este responde, de forma automática, ao aumento da
chegada de sangue, bombeando-o imediatamente de volta para as
artérias. Assim, o coração age como autômato, respondendo às
demandas dos tecidos; entretanto, com frequência precisa de auxílio na
forma de sinais nervosos especiais que o fazem bombear a quantidade
necessária de fluxo sanguíneo.
3. A regulação da pressão arterial é geralmente independente do fluxo
sanguíneo local ou do débito cardíaco. O sistema circulatório tem
sistema extensivo de controle da pressão sanguínea arterial. Por
exemplo, se em qualquer momento a pressão cair significativamente
abaixo do nível normal de cerca de 100 mmHg, conjunto de reflexos
nervosos desencadeia em poucos segundos diversas alterações