Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 65 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Princípios Básicos da Função Circulatória

pressão diastólica, de 8 mmHg, com pressão arterial pulmonar média de 16

mmHg. A pressão capilar pulmonar média é de apenas 7 mmHg. Ainda

assim, o fluxo sanguíneo total, que passa pelos pulmões a cada minuto, é o

mesmo que o da circulação sistêmica. As baixas pressões do sistema

pulmonar estão de acordo com as necessidades dos pulmões, que consistem,

basicamente, em expor o sangue dos capilares pulmonares ao oxigênio e

aos outros gases alveolares.

 

Figura 14-2. Pressões sanguíneas normais nas diferentes partes do sistema circulatório, quando a pessoa está na posição horizontal.

 

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA FUNÇÃO CIRCULATÓRIA

 

Embora os detalhes da circulação sejam complexos, existem três princípios

básicos subjacentes a todas as suas funções.

1. O fluxo sanguíneo na maioria dos tecidos é controlado segundo a

necessidade dos tecidos. Quando os tecidos estão ativos, precisam de

grande incremento do suprimento de nutrientes e, portanto, de fluxo

sanguíneo muito maior — ocasionalmente até 20 a 30 vezes o de

repouso. Ainda assim, o coração nas condições normais não pode

aumentar seu débito por mais que quatro a sete vezes maior que os dos

valores de repouso. Assim, não é possível simplesmente elevar o fluxo

sanguíneo em todas as partes do corpo, quando um tecido particular

demanda fluxo aumentado. Em vez disso, os microvasos em cada tecido

monitoram, de modo contínuo, as necessidades teciduais, tais como a

disponibilidade de oxigênio e de outros nutrientes e o acúmulo de

dióxido de carbono e outros produtos do metabolismo; esses microvasos,

por sua vez, agem diretamente sobre os vasos sanguíneos locais,

dilatando-os ou contraindo-os para controlar o fluxo sanguíneo local de

forma precisa e até o nível necessário para a atividade do tecido. Além

disso, o controle neural da circulação pelo sistema nervoso central e os

hormônios age como mais um mecanismo para a regulação do fluxo

sanguíneo tecidual.

2. O débito cardíaco é a soma de todos os fluxos locais dos tecidos.

Depois de fluir por um tecido, o sangue retorna, de imediato, pelas veias

para o coração. Este responde, de forma automática, ao aumento da

chegada de sangue, bombeando-o imediatamente de volta para as

artérias. Assim, o coração age como autômato, respondendo às

demandas dos tecidos; entretanto, com frequência precisa de auxílio na

forma de sinais nervosos especiais que o fazem bombear a quantidade

necessária de fluxo sanguíneo.

3. A regulação da pressão arterial é geralmente independente do fluxo

sanguíneo local ou do débito cardíaco. O sistema circulatório tem

sistema extensivo de controle da pressão sanguínea arterial. Por

exemplo, se em qualquer momento a pressão cair significativamente

abaixo do nível normal de cerca de 100 mmHg, conjunto de reflexos

nervosos desencadeia em poucos segundos diversas alterações