Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 230 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Vias Sensoriais para a Transmissão dos Sinais Somáticos Até o Sistema

corpúsculos de Pacini.

 

Detecção de Cócegas e Prurido pelas Terminações Nervosas

Livres Mecanorreceptivas. Estudos neurofisiológicos demonstraram a

existência de terminações nervosas livres mecanorreceptivas muito

sensíveis e de adaptação rápida que desencadeiam apenas as sensações de

cócegas (comichão) e prurido (coceira). Além disso, essas terminações são

encontradas, quase exclusivamente, nas camadas superficiais da pele, que é

o único tecido do qual podem ser desencadeadas as sensações de cócegas e

prurido. Essas sensações são transmitidas por fibras amielínicas muito finas

do tipo C, semelhantes às que transmitem a dor em queimação contínua.

A sensação de coceira tem como propósito alertar para os estímulos

superficiais leves, como uma pulga se arrastando sobre a pele ou inseto

prestes a picar, e os sinais desencadeados ativam o reflexo de coçar ou

outras manobras que livram o hospedeiro do estímulo irritante. A coceira

pode ser aliviada pelo coçar, se esse efeito remover o estímulo irritante ou

se o coçar é forte o suficiente para desencadear dor. Acredita-se que os

sinais de dor suprimam os sinais da coceira na medula espinal por inibição

lateral, como descrito noCapítulo 49.

 

VIAS SENSORIAIS PARA A TRANSMISSÃO DOS SINAIS

SOMÁTICOS ATÉ O SISTEMA NERVOSO CENTRAL

 

Quase todas as informações sensoriais dos segmentos somáti cos do corpo

entram na medula espinal pelas raízes dorsais dos nervos espinais.

Entretanto, do ponto de entrada na medula até o encéfalo, os sinais

sensoriais são conduzidos por uma de duas vias sensoriais alternativas: (1) o

sistema da coluna dorsal–lemnisco medial; ou (2) o sistema anterolateral.‐

Esses dois sistemas se juntam de novo, parcialmente, no tálamo.

O sistema da coluna dorsal–lemnisco medial, como seu nome indica,

transmite os sinais ascendentes até o bulbo, principalmente pelas colunas

dorsais da medula espinal. Em seguida, depois que as vias fazem sinapse e

cruzam para o lado oposto no bulbo, seguem pelo tronco cerebral até o

tálamo, pelo lemnisco medial.

Por sua vez, as vias componentes do sistema anterolateral, imediatamente

após entrarem na medula pelas raízes nervosas dorsais, fazem sinapse nos

cornos dorsais da substância cinzenta medular, cruzando, em seguida, para

o lado oposto da medula e ascendendo pelas colunas anterior e lateral da

medula espinal. Elas terminam em todos os níveis do tronco cerebral e no

tálamo.

O sistema da coluna dorsal–lemnisco medial é composto por fibras

nervosas grossas e mielinizadas que transmitem os sinais para o encéfalo

com velocidades de 30 a 110 m/s, enquanto o sistema anterolateral é

composto por fibras mielinizadas mais finas, que transmitem sinais com

velocidades variando de alguns metros por segundo até 40 m/s.

Outra diferença entre os dois sistemas é que o sistema da coluna dorsal–

lemnisco medial apresenta alto grau de organização espacial das fibras

nervosas, em relação à sua origem, enquanto o sistema anterolateral tem a

organização espacial muito menor. Essas diferenças caracterizam

imediatamente os tipos de informações sensoriais que podem ser

transmitidas pelos dois sistemas. Isto é, a informação sensorial que tem de

ser transmitida rapidamente e com fidelidade temporal e espacial é

transmitida, sobretudo, pelo sistema da coluna dorsal–lemnisco medial; a

que não precisa ser transmitida com rapidez ou com grande fidelidade

espacial é transmitida principalmente pelo sistema anterolateral.

O sistema anterolateral apresenta capacidade especial que o sistema dorsal

não tem, que é a capacidade de transmitir amplo espectro de modalidades

sensoriais como dor, calor, frio e as sensações táteis não discriminativas