Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 167 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Neutrófilos e Macrófagos Defendem Contra as Infecções

Os monócitos têm também curto tempo de trânsito, de 10 a 20 horas no

sangue, antes de atravessar as membranas capilares em direção aos tecidos.

Uma vez nos tecidos, essas células aumentam seu volume para se

transformar em macrófagos teciduais e, nessa forma, podem viver por

meses, a menos que sejam destruídos durante a execução de suas funções

fagocíticas. Os macrófagos teciduais são a base do sistema dos macrófagos

teciduais, discutido em mais detalhes adiante, que é responsável pela defesa

contínua contra as infecções.

Os linfócitos entram de forma contínua no sistema circulatório, junto com

a drenagem da linfa dos linfonodos e de outros tecidos linfoides. Depois de

algumas horas, passam do sangue de volta para os tecidos por diapedese.

Então, passado algum tempo, eles reentram na linfa e retornam várias vezes

para o sangue; assim, existe circulação contínua de linfócitos por todo o

corpo. Os linfócitos têm sobrevida que varia de semanas a meses,

dependendo da necessidade pelo corpo dessas células.

As plaquetas no sangue são substituídas a cada 10 dias; em outras

palavras, aproximadamente 30.000 plaquetas são formadas a cada dia para

cada microlitro de sangue.

 

NEUTRÓFILOS E MACRÓFAGOS DEFENDEM CONTRA

AS INFECÇÕES

 

São sobretudo os neutrófilos e os macrófagos teciduais que atacam e

destroem as bactérias, os vírus e outros agentes invasores. Os neutrófilos

são células maduras que podem atacar e destruir bactérias, mesmo no

sangue circulante. De modo inverso, os macrófagos teciduais começam sua

vida como monócitos no sangue, os quais são células imaturas que, ainda

no sangue, têm pouca capacidade de combater os agentes infecciosos.

Entretanto, assim que essas células entram nos tecidos, elas começam a

aumentar de volume — algumas vezes, seus diâmetros aumentam por cinco vezes — podendo atingir 60 a 80 micrômetros, tamanho que pode ser visto

a olho nu. Essas células são agora denominadas macrófagos e são

extremamente capazes de combater os agentes patológicos intrateciduais.

 

Os Leucócitos Entram nos Espaços Teciduais por Diapedese.

Os neutrófilos e os monócitos podem se espremer através dos poros dos

capilares sanguíneos por diapedese. Ou seja, mesmo que um poro seja

muito menor do que a célula, pequena porção da célula desliza pelo poro a

cada vez; a porção que desliza pelo poro fica, momentaneamente, limita da

ao tamanho do poro, como mostrado nas Figuras 34-2 e 34-3.

 

Figura 34-2. Movimento dos neutrófilos por diapedese pelos poros capilares e por quimiotaxia, pela área da lesão tecidual.

Figura 34-3. Diagrama funcional de linfonodo.

 

 

Os Leucócitos se Movem pelos Espaços Teciduais por

Movimento Ameboide. Os neutrófilos e os macrófagos podem se

deslocar através dos tecidos por movimento ameboide, descrito no Capítulo

2. Algumas células se movem com velocidade de até 40 mm/min, distância

correspondente a seu comprimento a cada minuto.

 

Os Leucócitos São Atraídos para as Áreas do Tecido Inflamado

por Quimiotaxia. Várias substâncias químicas diferentes nos tecidos

fazem com que os neutrófilos e macrófagos se movam na direção da fonte

dessa substância. Esse fenômeno, mostrado na Figura 34-2, é designado

como quimiotaxia. Quando o tecido fica inflamado, é formada pelo menos

uma dúzia de diferentes produtos que causam quimiotaxia na direção da

área inflamada. Essas substâncias incluem (1) algumas das toxinas

bacterianas e virais; (2) produtos degenerativos dos tecidos inflamados propriamente ditos; (3) vários produtos das reações do “complexo do

complemento” (discutido noCapítulo 35) ativado nos tecidos inflamados; e

(4) vários produtos das reações causadas pela coagulação sanguínea na área

inflamada, bem como outras substâncias.

Como mostrado na Figura 34-2, a quimiotaxia depende do gradiente de

concentração da substância quimiotáxica. A concentração é maior próximo

à sua fonte, o que determi na o movimento unidirecional dos leucócitos. A

quimiotaxia age por distâncias de até 100 micrômetros do tecido inflamado.

Por conseguinte, como nenhuma área tecidual está à distância acima de 50

micrômetros de um capilar, o sinal quimiotáxico pode promover com

facilidade o deslocamento de hordas de leucócitos dos capilares para a área

inflamada.

 

FAGOCITOSE

 

A função mais importante dos neutrófilos e dos macrófagos é a fagocitose,

que significa ingestão celular do agente agressor. Os fagócitos devem ser

seletivos quanto ao material que é fagocitado; caso contrário, células e

estruturas normais do corpo poderiam ser ingeridas. A ocorrência de

fagocitose depende de três procedimentos seletivos.

Primeiro, a maioria das estruturas naturais nos tecidos tem superfícies

lisas que resistem à fagocitose. Entretanto, se a superfície é áspera, a

probabilidade de fagocitose aumenta.

Segundo, a maioria das substâncias naturais do corpo tem revestimentos

proteicos protetores que repelem os fagócitos. De forma inversa, a maioria

dos tecidos mortos e das partículas estranhas ao corpo não apresenta esse

revestimento protetor, o que os faz sujeitos à fagocitose.

Terceiro, o sistema imune do corpo (descrito no Capítulo 35) desenvolve

anticorpos contra os agentes infecciosos, como as bactérias. Os anticorpos

aderem às membranas bac terianas tornando-as especialmente suscetíveis à fagocitose. Para isso, a molécula do anticorpo também se combina com o

produto C3 da cascata de complemento, que é a parte adicional do sistema

imune, discutida no próximo Capítulo. As moléculas C3, por sua vez, se

prendem a receptores da membrana do fagócito, iniciando o processo de

fagocitose. Esse processo pelo patógeno selecionado para fagocitose e

destruição é referido como opsonização.

 

A Fagocitose pelos Neutrófilos. Os neutrófilos que penetram nos

tecidos já são células maduras, capazes de iniciar, imediatamente, a

fagocitose. Ao se aproximar da partícula a ser fagocitada, o neutrófilo

primeiro se prende à partícula, e, em seguida, emite pseudópodos em todas

as direções ao redor da partícula. Os pseudópodos se encontram no outro

lado e se fundem. Essa ação cria uma câmara fechada contendo a partícula

fagocitada. A seguir, a câmara se invagina para a cavidade citoplasmática e

rompe suas conexões com a membrana externa da célula, para formar

vesícula fa gocítica (também chamada fagossomo) que flutua livremente no

citoplasma. Um só neutrófilo pode, em geral, fagocitar cerca de 3 a 20

bactérias, antes de ser inativado e morrer.

 

A Fagocitose pelos Macrófagos. Os macrófagos são o produto final

dos monócitos que penetram nos tecidos vindos do sangue. Quando

ativados pelo sistema imune, como descrito no Capítulo 35, eles são

fagócitos muito mais potentes que os neutrófilos, capazes, em geral, de

fagocitar até 100 bactérias. Têm também a capacidade de envolver

partículas muito maiores, até mesmo hemácias inteiras ou, ocasionalmente,

parasitas da malária, enquanto os neutrófilos não são capazes de fagocitar

partículas muito maiores do que bactérias. Além disso, após a digestão das

partículas, os macrófagos podem eliminar os produtos residuais e, com

frequência, sobrevivem e funcionam por muitos mais meses.

Uma Vez Fagocitadas, a Maioria das Partículas É Digerida pelas

Enzimas Intracelulares. Quando a partícula estranha é fagocitada,

lisossomos e outros grânulos citoplasmáticos no neutrófilo ou no macrófago

entram em contato imediatamente com a vesícula fagocítica e suas

membranas se fundem, esvaziando muitas enzimas digestivas e agentes

bactericidas nessa vesícula. Assim, a vesícula fagocítica passa a ser uma

vesícula digestiva, e a digestão das partículas fagocitadas começa

imediatamente.

Os neutrófilos e os macrófagos contêm grande número de lisossomos

repletos de enzimas proteolíticas, especificamente voltadas para a digestão

de bactérias e de outras matérias proteicas estranhas. Os lisossomos dos

macrófagos (mas não dos neutrófilos) contêm também grande quantidade

de lipases, que digerem as espessas membranas lipídicas de bactérias como

o bacilo da tuberculose.

 

Neutrófilos e Macrófagos Podem Matar Bactérias. Além da

digestão das bactérias ingeridas nos fagossomos, os neutrófilos e

macrófagos contêm agentes bactericidas que destroem a maioria das

bactérias, mesmo quando as enzimas lisossômicas não conseguem digeri-

las. Essa característica é especialmente importante, porque algumas

bactérias têm revestimentos protetores ou outros fatores que impedem sua

destruição pelas enzimas digestivas. Grande parte desse efeito mortal

resulta de diversos agentes oxidantes potentes formados por enzimas nas

membranas do fagossomo ou por organela especial chamada peroxissomo.

Esses agentes oxidantes incluem grande quantidade de − super óxido (O), 2

peróxido de hidrogênio − (H O ) e íons hidroxila (OH), que são letais para a 2 2

maioria das bactérias, mesmo em pequena quantidade. Além disso, uma das

enzimas lisossômicas, a mieloperoxidase, catalisa a reação entre o H O e 2 2

os íons cloreto para formar hipoclorito, que é extre mamen te bactericida.