Tratado de Fisiologia Médica
Neutrófilos e Macrófagos Defendem Contra as Infecções
Os monócitos têm também curto tempo de trânsito, de 10 a 20 horas no
sangue, antes de atravessar as membranas capilares em direção aos tecidos.
Uma vez nos tecidos, essas células aumentam seu volume para se
transformar em macrófagos teciduais e, nessa forma, podem viver por
meses, a menos que sejam destruídos durante a execução de suas funções
fagocíticas. Os macrófagos teciduais são a base do sistema dos macrófagos
teciduais, discutido em mais detalhes adiante, que é responsável pela defesa
contínua contra as infecções.
Os linfócitos entram de forma contínua no sistema circulatório, junto com
a drenagem da linfa dos linfonodos e de outros tecidos linfoides. Depois de
algumas horas, passam do sangue de volta para os tecidos por diapedese.
Então, passado algum tempo, eles reentram na linfa e retornam várias vezes
para o sangue; assim, existe circulação contínua de linfócitos por todo o
corpo. Os linfócitos têm sobrevida que varia de semanas a meses,
dependendo da necessidade pelo corpo dessas células.
As plaquetas no sangue são substituídas a cada 10 dias; em outras
palavras, aproximadamente 30.000 plaquetas são formadas a cada dia para
cada microlitro de sangue.
NEUTRÓFILOS E MACRÓFAGOS DEFENDEM CONTRA
AS INFECÇÕES
São sobretudo os neutrófilos e os macrófagos teciduais que atacam e
destroem as bactérias, os vírus e outros agentes invasores. Os neutrófilos
são células maduras que podem atacar e destruir bactérias, mesmo no
sangue circulante. De modo inverso, os macrófagos teciduais começam sua
vida como monócitos no sangue, os quais são células imaturas que, ainda
no sangue, têm pouca capacidade de combater os agentes infecciosos.
Entretanto, assim que essas células entram nos tecidos, elas começam a
aumentar de volume — algumas vezes, seus diâmetros aumentam por cinco vezes — podendo atingir 60 a 80 micrômetros, tamanho que pode ser visto
a olho nu. Essas células são agora denominadas macrófagos e são
extremamente capazes de combater os agentes patológicos intrateciduais.
Os Leucócitos Entram nos Espaços Teciduais por Diapedese.
Os neutrófilos e os monócitos podem se espremer através dos poros dos
capilares sanguíneos por diapedese. Ou seja, mesmo que um poro seja
muito menor do que a célula, pequena porção da célula desliza pelo poro a
cada vez; a porção que desliza pelo poro fica, momentaneamente, limita da
ao tamanho do poro, como mostrado nas Figuras 34-2 e 34-3.
Figura 34-2. Movimento dos neutrófilos por diapedese pelos poros capilares e por quimiotaxia, pela área da lesão tecidual.
Figura 34-3. Diagrama funcional de linfonodo.
Os Leucócitos se Movem pelos Espaços Teciduais por
Movimento Ameboide. Os neutrófilos e os macrófagos podem se
deslocar através dos tecidos por movimento ameboide, descrito no Capítulo
2. Algumas células se movem com velocidade de até 40 mm/min, distância
correspondente a seu comprimento a cada minuto.
Os Leucócitos São Atraídos para as Áreas do Tecido Inflamado
por Quimiotaxia. Várias substâncias químicas diferentes nos tecidos
fazem com que os neutrófilos e macrófagos se movam na direção da fonte
dessa substância. Esse fenômeno, mostrado na Figura 34-2, é designado
como quimiotaxia. Quando o tecido fica inflamado, é formada pelo menos
uma dúzia de diferentes produtos que causam quimiotaxia na direção da
área inflamada. Essas substâncias incluem (1) algumas das toxinas
bacterianas e virais; (2) produtos degenerativos dos tecidos inflamados propriamente ditos; (3) vários produtos das reações do “complexo do
complemento” (discutido noCapítulo 35) ativado nos tecidos inflamados; e
(4) vários produtos das reações causadas pela coagulação sanguínea na área
inflamada, bem como outras substâncias.
Como mostrado na Figura 34-2, a quimiotaxia depende do gradiente de
concentração da substância quimiotáxica. A concentração é maior próximo
à sua fonte, o que determi na o movimento unidirecional dos leucócitos. A
quimiotaxia age por distâncias de até 100 micrômetros do tecido inflamado.
Por conseguinte, como nenhuma área tecidual está à distância acima de 50
micrômetros de um capilar, o sinal quimiotáxico pode promover com
facilidade o deslocamento de hordas de leucócitos dos capilares para a área
inflamada.
FAGOCITOSE
A função mais importante dos neutrófilos e dos macrófagos é a fagocitose,
que significa ingestão celular do agente agressor. Os fagócitos devem ser
seletivos quanto ao material que é fagocitado; caso contrário, células e
estruturas normais do corpo poderiam ser ingeridas. A ocorrência de
fagocitose depende de três procedimentos seletivos.
Primeiro, a maioria das estruturas naturais nos tecidos tem superfícies
lisas que resistem à fagocitose. Entretanto, se a superfície é áspera, a
probabilidade de fagocitose aumenta.
Segundo, a maioria das substâncias naturais do corpo tem revestimentos
proteicos protetores que repelem os fagócitos. De forma inversa, a maioria
dos tecidos mortos e das partículas estranhas ao corpo não apresenta esse
revestimento protetor, o que os faz sujeitos à fagocitose.
Terceiro, o sistema imune do corpo (descrito no Capítulo 35) desenvolve
anticorpos contra os agentes infecciosos, como as bactérias. Os anticorpos
aderem às membranas bac terianas tornando-as especialmente suscetíveis à fagocitose. Para isso, a molécula do anticorpo também se combina com o
produto C3 da cascata de complemento, que é a parte adicional do sistema
imune, discutida no próximo Capítulo. As moléculas C3, por sua vez, se
prendem a receptores da membrana do fagócito, iniciando o processo de
fagocitose. Esse processo pelo patógeno selecionado para fagocitose e
destruição é referido como opsonização.
A Fagocitose pelos Neutrófilos. Os neutrófilos que penetram nos
tecidos já são células maduras, capazes de iniciar, imediatamente, a
fagocitose. Ao se aproximar da partícula a ser fagocitada, o neutrófilo
primeiro se prende à partícula, e, em seguida, emite pseudópodos em todas
as direções ao redor da partícula. Os pseudópodos se encontram no outro
lado e se fundem. Essa ação cria uma câmara fechada contendo a partícula
fagocitada. A seguir, a câmara se invagina para a cavidade citoplasmática e
rompe suas conexões com a membrana externa da célula, para formar
vesícula fa gocítica (também chamada fagossomo) que flutua livremente no
citoplasma. Um só neutrófilo pode, em geral, fagocitar cerca de 3 a 20
bactérias, antes de ser inativado e morrer.
A Fagocitose pelos Macrófagos. Os macrófagos são o produto final
dos monócitos que penetram nos tecidos vindos do sangue. Quando
ativados pelo sistema imune, como descrito no Capítulo 35, eles são
fagócitos muito mais potentes que os neutrófilos, capazes, em geral, de
fagocitar até 100 bactérias. Têm também a capacidade de envolver
partículas muito maiores, até mesmo hemácias inteiras ou, ocasionalmente,
parasitas da malária, enquanto os neutrófilos não são capazes de fagocitar
partículas muito maiores do que bactérias. Além disso, após a digestão das
partículas, os macrófagos podem eliminar os produtos residuais e, com
frequência, sobrevivem e funcionam por muitos mais meses.
Uma Vez Fagocitadas, a Maioria das Partículas É Digerida pelas
Enzimas Intracelulares. Quando a partícula estranha é fagocitada,
lisossomos e outros grânulos citoplasmáticos no neutrófilo ou no macrófago
entram em contato imediatamente com a vesícula fagocítica e suas
membranas se fundem, esvaziando muitas enzimas digestivas e agentes
bactericidas nessa vesícula. Assim, a vesícula fagocítica passa a ser uma
vesícula digestiva, e a digestão das partículas fagocitadas começa
imediatamente.
Os neutrófilos e os macrófagos contêm grande número de lisossomos
repletos de enzimas proteolíticas, especificamente voltadas para a digestão
de bactérias e de outras matérias proteicas estranhas. Os lisossomos dos
macrófagos (mas não dos neutrófilos) contêm também grande quantidade
de lipases, que digerem as espessas membranas lipídicas de bactérias como
o bacilo da tuberculose.
Neutrófilos e Macrófagos Podem Matar Bactérias. Além da
digestão das bactérias ingeridas nos fagossomos, os neutrófilos e
macrófagos contêm agentes bactericidas que destroem a maioria das
bactérias, mesmo quando as enzimas lisossômicas não conseguem digeri-
las. Essa característica é especialmente importante, porque algumas
bactérias têm revestimentos protetores ou outros fatores que impedem sua
destruição pelas enzimas digestivas. Grande parte desse efeito mortal
resulta de diversos agentes oxidantes potentes formados por enzimas nas
membranas do fagossomo ou por organela especial chamada peroxissomo.
Esses agentes oxidantes incluem grande quantidade de − super óxido (O), 2
peróxido de hidrogênio − (H O ) e íons hidroxila (OH), que são letais para a 2 2
maioria das bactérias, mesmo em pequena quantidade. Além disso, uma das
enzimas lisossômicas, a mieloperoxidase, catalisa a reação entre o H O e 2 2
os íons cloreto para formar hipoclorito, que é extre mamen te bactericida.