Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 70 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Estrutura da Microcirculação e do Sistema Capilar

os tecidos e o sangue circulante.

A circulação periférica em todo o corpo contém aproximadamente 10

bilhões de capilares, com superfície total estimada entre 500 e 700 metros

quadrados (cerca de um oitavo da área de um campo de futebol). De fato, só

muito raramente alguma célula funcional do organismo se encontra a mais

de 20 a 30 micrômetros de um capilar.

 

ESTRUTURA DA MICROCIRCULAÇÃO E DO SISTEMA

CAPILAR

 

A microcirculação de cada órgão está organizada para atender às suas

necessidades específicas. Em geral, cada artéria nutriente que penetra em

um órgão se ramifica por seis e oito vezes antes que seus ramos fiquem

suficientemente pequenos para serem chamados arteríolas que, em geral,

têm diâmetros internos de apenas 10 a 15 micrômetros. As arteríolas, então,

se ramificam de novo por mais duas a cinco vezes, atingindo diâmetros de 5

a 9 micrômetros em suas porções terminais, de onde suprem o sangue para

os capilares.

As arteríolas são muito musculares, podendo alterar por muitas vezes seu

diâmetro. As metarteríolas (as arteríolas terminais) não têm revestimento

muscular contínuo; ao contrário, as fibras musculares lisas circundam os

vasos em pontos intermitentes, como mostrado na Figura 16-1.

No ponto onde cada capilar verdadeiro se origina da metarteríola, uma

fibra muscular lisa costuma circundar o capilar. Essa estrutura é chamada

esfíncter pré-capilar, que pode abrir e fechar a entrada do capilar.

As vênulas são maiores que as arteríolas e têm revestimento muscular

muito mais fraco. Contudo, a pressão nas vênulas é muito menor que nas

arteríolas, assim as primeiras ainda podem se contrair de forma

considerável, apesar da fraca musculatura.

Essa estrutura típica do leito capilar não é encontrada em todas as partes

do corpo; embora disposição semelhante possa servir para os mesmos

propósitos. O mais importante é o fato de que as metarteríolas e os

esfíncteres pré-capilares estão em contato íntimo com os tecidos que

irrigam. Por conseguinte, as condições locais dos tecidos — as

concentrações de nutrientes, produtos finais do metabolismo, íons

hidrogênio e assim por diante — podem causar efeitos diretos sobre os

vasos, no controle do fluxo sanguíneo local, em cada pequena região

tecidual.

Figura 16-1. Componentes da microcirculação.

 

Estrutura da Parede Capilar. A Figura 16-2 mostra a estrutura

ultramicroscópica de células endoteliais típicas, na parede capilar,

encontradas na maioria dos órgãos do corpo, especialmente nos músculos e

no tecido conjuntivo. Note que a parede é composta por camada unicelular

de células endoteliais e é circundada por membrana basal fina no lado

externo do capilar. A espessura total da parede capilar consiste em apenas

cerca de 0,5 micrômetro. O diâmetro interno do capilar é de 4 a 9 micrômetros, justo o necessário para que os eritrócitos e outras células

sanguíneas possam passar por ele.

 

Figura 16-2. Estrutura da parede capilar. Note especialmente a fenda intercelular na junção entre células endoteliais adjacentes; acredita-se que a maior parte das substâncias hidrossolúveis se difunda através da membrana capilar por essas fendas. Acredita-se que pequenas invaginações membranares, denominadas cavéolas, têm papel no transporte de macromoléculas através da membrana celular. As cavéolas contêm caveolinas, que são proteínas que interagem com colesterol e polimerizam para formar as cavéolas.

 

“Poros” na Membrana Capilar. A Figura 16-2 mostra duas pequenas

vias de passagem ligando o interior do capilar ao exterior. Uma dessas vias

de passagem é a fenda intercelular, um fino canal curvado na parte superior da figura entre células endoteliais adjacentes. Cada fenda é interrompida,

periodicamente, por curtas cadeias de proteínas aderidas que mantêm as

células endoteliais unidas, mas entre essas cadeias o líquido pode se

difundir livremente pela fenda. A fenda nas condições normais apresenta

largura uniforme de cerca de 6 a 7 nanômetros (60 a 70 ângstrons), que é

pouco menor que o diâmetro da molécula da proteína albumina.

Como as fendas intercelulares se localizam somente nas margens das

células endoteliais, elas representam nada mais que 1/1.000 da superfície

total da parede capilar. Entretanto, a velocidade/intensidade da

movimentação térmica das moléculas de água, de outros íons hidrossolúveis

e dos pequenos solutos é tão rápida que todas essas substâncias podem se

difundir facilmente entre o interior e o exterior dos capilares através das

fendas intercelulares.

Nas células endoteliais, existem muitas vesículas plasmalêmicas

diminutas, também chamadas cavéolas (pequenas cavidades). Essas

vesículas plasmalêmicas são formadas a partir de oligômeros de proteínas

chamadas caveolinas, que estão associadas às moléculas de colesterol e

esfingolipídios. Apesar de a função precisa das cavéolas ainda não ser clara,

acredita-se que elas desempenham papel na endocitose (o processo no qual

a célula engolfa material de fora da célula) e transcitose de macromoléculas

através do interior das células endoteliais. As cavéolas na superfície celular

parecem captar pequenas porções de plasma ou de líquido extracelular,

contendo proteínas plasmáticas. Essas vesículas podem se mover lentamente

através da célula endotelial. Algumas dessas vesículas podem coalescer,

formando canais vesiculares por toda a espessura da célula endotelial, como

mostrado na Figura 16-2.

 

Existem Tipos Especiais de “Poros” nos Capilares de Certos

Órgãos. Os “poros” nos capilares de alguns órgãos apresentam características especiais que se adaptam às necessidades peculiares desses