Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 223 de 351

Páginas do PDF

Tratado de Fisiologia Médica

Tipos de Receptores Sensoriais e os Estímulos que Detectam

CAPÍTULO 47

 

Receptores Sensoriais e Circuitos

 

Neuronais para o Processamento

 

da Informação

 

Nossas percepções dos sinais dentro do nosso corpo e do mundo que nos

rodeia são mediadas por um complexo sistema de receptores sensoriais, que

detectam estímulos como tato, som, luz, dor, frio e calor. O propósito deste

Capítulo é discutir os mecanismos básicos pelos quais esses receptores

transformam os estímulos sensoriais em sinais neurais que são, então,

conduzidos para o sistema nervoso central onde são processados.

 

TIPOS DE RECEPTORES SENSORIAIS E OS ESTÍMULOS

QUE DETECTAM

A Tabela 47-1 lista e classifica cinco tipos básicos de receptores sensoriais:

(1) mecanorreceptores, que detectam a compressão mecânica ou o

estiramento do receptor ou dos tecidos adjacentes ao receptor; (2)

termorreceptores, que detectam alterações da temperatura, alguns

receptores detectam o frio, outros detectando calor; (3) nociceptores

(receptores da dor), que detectam danos físicos ou químicos que ocorrem

nos tecidos; (4) receptores eletromagnéticos, que detectam a luz que incide

na retina dos olhos; e (5) quimiorreceptores, que detectam o gosto na boca,

o cheiro no nariz, o nível de oxigênio no sangue arterial, a osmolalidade dos

líquidos corpóreos, a concentração de dióxido de carbono e outros fatores

que compõem a química do corpo.

Neste Capítulo, discutimos a função de alguns tipos específicos de

receptores, principalmente dos mecanorreceptores periféricos, para ilustrar

alguns dos princípios pelos quais os receptores operam. Os outros

receptores são discutidos nos Capítulos que descrevem os sistemas

sensoriais a que esses receptores estão associados. A Figura 47-1 mostra

alguns dos tipos de mecanorreceptores encontrados na pele ou nos tecidos

profundos do corpo.

 

Tabela 47-1 Classificação dos Receptores Sensoriais

I. Mecanorreceptores

Sensibilidades táteis da pele (epiderme e derme)

Terminações nervosas livres

Terminações expandidas

Discos de Merkel

Mais muitas outras variações

Terminações espraiadas

Terminações de Ruffini

Terminações encapsuladas

Corpúsculos de Meissner

Corpúsculos de Krause

Órgãos do folículo capilar

Sensibilidades do tecido profundo

Terminações nervosas livres

Terminações expandidas

Terminações espraiadas

Terminações de Ruffini

Terminações encapsuladas

Corpúsculos de Pacini

Mais algumas outras variações

Terminações musculares

Fusos musculares

Receptores tendinosos de Golgi

Audição

Receptores auditivos da cóclea

Equilíbrio

Receptores vestibulares

Pressão arterial

Barorreceptores dos seios carotídeos e da aorta

II. Termorreceptores

Frio

Receptores para o frio

Calor

Receptores para o calor

III. Nociceptores

Dor

Terminações nervosas livres

IV. Receptores eletromagnéticos

Visão

Bastonetes

Cones

V. Quimiorreceptores

Paladar

Receptores dos botões gustatórios

Olfato

Receptores do epitélio olfatório

Oxigênio arterial

Receptores dos corpos aórtico e carotídeo

Osmolalidade

Neurônios dos núcleos supraópticos ou próximos deles

CO plasmático 2

Receptores do ou próximos do bulbo, ou dos corpos aórtico e carotídeo

Glicose, aminoácidos, ácidos graxos plasmáticos

Receptores do hipotálamo

Figura 47-1. Vários tipos de terminações nervosas sensoriais somáticas.

 

SENSIBILIDADE DIFERENCIAL DOS RECEPTORES

 

Como dois tipos de receptores sensoriais detectam tipos diferentes de

estímulos? A resposta é: por sensibilidades diferenciadas, isto é, cada tipo

de receptor é muito sensível a tipo de estímulo para o qual ele é

especializado e, ao mesmo tempo, é praticamente insensível a outros tipos de estímulos sensoriais. Assim, os bastonetes e os cones na retina

respondem muito à luz, porém não respondem quase completamente aos

limites normais de calor, frio, pressão nos globos oculares ou alterações

químicas do sangue. Os osmorreceptores dos núcleos supraópticos no

hipotálamo detectam alterações mínimas da osmolalidade dos líquidos

corporais, porém nunca se soube que respondam ao som. Finalmente, os

receptores para dor, na pele, quase nunca são estimulados pelos estímulos

habituais de tato ou pressão, porém ficam muito ativos no momento em que

os estímulos táteis se tornam intensos o suficiente para lesar os tecidos.

 

Modalidade de Sensação — O Princípio das “Vias

Rotuladas”

 

Cada um dos principais tipos de sensibilidade que podemos experimentar

— dor, tato, visão, som e assim por diante — é chamado modalidade

sensorial. Assim, a despeito do fato de que experienciamos essas diferentes

modalidades de sensação, as fibras nervosas transmitem apenas impulsos.

Portanto, como as diferentes fibras nervosas transmitem as diferentes

modalidades sensoriais?

A resposta é que cada trato nervoso termina em área específica no sistema

nervoso central e o tipo de sensação percebida, quando a fibra nervosa é

estimulada, é determinado pela região no sistema nervoso para onde as

fibras se dirigem. Por exemplo, se fibra de dor for estimulada, o indivíduo

percebe dor, a despeito do tipo de estímulo que excita a fibra. O estímulo

pode ser elétrico, o superaquecimento da fibra, a compressão da fibra, ou

estimulação da terminação nervosa dolorosa, por lesão das células dos

tecidos. Em todos esses casos, a pessoa percebe dor. Da mesma forma, se

fibra para tato for estimulada pela excitação elétrica de receptor tátil ou de

qualquer outra maneira, o indivíduo percebe o tato porque as fibras táteis se

dirigem a áreas encefálicas específicas para o tato. De maneira semelhante, as fibras provenientes da retina dos olhos terminam nas áreas visuais