Tratado de Fisiologia Médica
Fibrilação Atrial
manuais intermitentes) preliminar, para desfibrilá-lo mais tarde. Por esse
método, pequenas quantidades de sangue são lançadas na aorta, com
reinstalação da irrigação coronariana. Depois de alguns minutos de
bombeamento manual, muitas vezes pode-se fazer a desfibrilação elétrica.
Na verdade, corações em fibrilação têm sido bombeados manualmente por
até 90 minutos, seguidos por desfibrilação elétrica bem-sucedida.
A técnica para bombear o coração sem abrir o peito consiste em golpes
intermitentes de pressão sobre a parede torácica, junto com respiração
artificial. Esse processo e mais a desfibrilação é designado como
ressuscitação cardiorrespiratória ou RCR.
A falta de fluxo sanguíneo para o cérebro por mais de 5 a 8 minutos
provoca geralmente comprometimento mental permanente ou até destruição
de tecido cerebral. Mesmo que o coração seja revivido, a pessoa pode
morrer dos efeitos da lesão cerebral ou pode viver com permanente
comprometimento mental.
FIBRILAÇÃO ATRIAL
Lembre-se de que, exceto para a via de condução pelo feixe AV, a massa
muscular atrial é separada da massa muscular ventricular por tecido fibroso.
Portanto, a fibrilação ventricular costuma ocorrer sem fibrilação atrial. Da
mesma forma, em geral acontece fibrilação nos átrios sem fibrilação
ventricular (o que é mostrado à direita, na Fig. 13-20).
O mecanismo da fibrilação atrial é idêntico ao da fibrilação ventricular,
exceto que o processo ocorre somente na massa muscular atrial, em lugar de
na massa ventricular. Causa frequente de fibrilação atrial é o aumento do
volume atrial, que pode se dever, por exemplo, a lesões valvares cardíacas
que impedem os átrios de se esvaziarem adequadamente nos ventrículos ou
de insuficiência ventricular com acúmulo excessivo de sangue no átrio. As paredes atriais dilatadas criam condições ideais de via de condução longa,
bem como de condução lenta, ambas predisponentes da fibrilação atrial.
Bombeamento Atrial Prejudicado durante a Fibrilação Atrial.
Pelas mesmas razões por que os ventrículos não bombearão sangue durante
a fibrilação ventricular, também os átrios não bombeiam sangue na
fibrilação atrial. Portanto, os átrios passam a ser inúteis como bombas de
escorva para os ventrículos. Ainda assim, o sangue flui passivamente dos
átrios e vai para os ventrículos, e a eficiência do bombeamento ventricular
diminui apenas por 20% a 30%. Por conseguinte, em comparação com a
letalidade da fibrilação ventricular, a pessoa pode viver anos com fibrilação
atrial, embora com redução da eficiência do bombea mento global do
coração.
Eletrocardiograma na Fibrilação Atrial
A Figura 13-19 mostra o ECG durante a fibrilação atrial. Numerosas ondas
pequenas de despolarização se propagam em todas as direções pelos átrios
durante a fibrilação atrial. Como as ondas são fracas, e muitas delas têm
polaridade oposta em qualquer momento dado, quase se neutralizam
eletricamente de maneira completa nos casos usuais. Assim, no ECG pode-
se não ver as ondas P dos átrios, ou apenas ver um registro ondulado fino de
voltagem muito baixa com alta frequência. Inversamente, os complexos
QRS-T são normais, a menos que exista alguma patologia dos ventrículos,
mas seu ritmo é irregular, como será explicado a seguir.
Irregularidade do Ritmo Ventricular durante a Fibrilação Atrial.
Quando os átrios estão em fibrilação, os impulsos chegam vindos do
músculo atrial ao nodo AV com alta frequência, mas também de forma
irregular. Como o nodo AV não transmitirá um segundo impulso por cerca
de 0,35 segundo depois do anterior, deverá decorrer, pelo menos, 0,35 segundo entre a contração ventricular e a seguinte. Então ocorre intervalo