Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 61 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Fibrilação Atrial

manuais intermitentes) preliminar, para desfibrilá-lo mais tarde. Por esse

método, pequenas quantidades de sangue são lançadas na aorta, com

reinstalação da irrigação coronariana. Depois de alguns minutos de

bombeamento manual, muitas vezes pode-se fazer a desfibrilação elétrica.

Na verdade, corações em fibrilação têm sido bombeados manualmente por

até 90 minutos, seguidos por desfibrilação elétrica bem-sucedida.

A técnica para bombear o coração sem abrir o peito consiste em golpes

intermitentes de pressão sobre a parede torácica, junto com respiração

artificial. Esse processo e mais a desfibrilação é designado como

ressuscitação cardiorrespiratória ou RCR.

A falta de fluxo sanguíneo para o cérebro por mais de 5 a 8 minutos

provoca geralmente comprometimento mental permanente ou até destruição

de tecido cerebral. Mesmo que o coração seja revivido, a pessoa pode

morrer dos efeitos da lesão cerebral ou pode viver com permanente

comprometimento mental.

 

FIBRILAÇÃO ATRIAL

 

Lembre-se de que, exceto para a via de condução pelo feixe AV, a massa

muscular atrial é separada da massa muscular ventricular por tecido fibroso.

Portanto, a fibrilação ventricular costuma ocorrer sem fibrilação atrial. Da

mesma forma, em geral acontece fibrilação nos átrios sem fibrilação

ventricular (o que é mostrado à direita, na Fig. 13-20).

O mecanismo da fibrilação atrial é idêntico ao da fibrilação ventricular,

exceto que o processo ocorre somente na massa muscular atrial, em lugar de

na massa ventricular. Causa frequente de fibrilação atrial é o aumento do

volume atrial, que pode se dever, por exemplo, a lesões valvares cardíacas

que impedem os átrios de se esvaziarem adequadamente nos ventrículos ou

de insuficiência ventricular com acúmulo excessivo de sangue no átrio. As paredes atriais dilatadas criam condições ideais de via de condução longa,

bem como de condução lenta, ambas predisponentes da fibrilação atrial.

 

Bombeamento Atrial Prejudicado durante a Fibrilação Atrial.

Pelas mesmas razões por que os ventrículos não bombearão sangue durante

a fibrilação ventricular, também os átrios não bombeiam sangue na

fibrilação atrial. Portanto, os átrios passam a ser inúteis como bombas de

escorva para os ventrículos. Ainda assim, o sangue flui passivamente dos

átrios e vai para os ventrículos, e a eficiência do bombeamento ventricular

diminui apenas por 20% a 30%. Por conseguinte, em comparação com a

letalidade da fibrilação ventricular, a pessoa pode viver anos com fibrilação

atrial, embora com redução da eficiência do bombea mento global do

coração.

 

Eletrocardiograma na Fibrilação Atrial

A Figura 13-19 mostra o ECG durante a fibrilação atrial. Numerosas ondas

pequenas de despolarização se propagam em todas as direções pelos átrios

durante a fibrilação atrial. Como as ondas são fracas, e muitas delas têm

polaridade oposta em qualquer momento dado, quase se neutralizam

eletricamente de maneira completa nos casos usuais. Assim, no ECG pode-

se não ver as ondas P dos átrios, ou apenas ver um registro ondulado fino de

voltagem muito baixa com alta frequência. Inversamente, os complexos

QRS-T são normais, a menos que exista alguma patologia dos ventrículos,

mas seu ritmo é irregular, como será explicado a seguir.

 

Irregularidade do Ritmo Ventricular durante a Fibrilação Atrial.

Quando os átrios estão em fibrilação, os impulsos chegam vindos do

músculo atrial ao nodo AV com alta frequência, mas também de forma

irregular. Como o nodo AV não transmitirá um segundo impulso por cerca

de 0,35 segundo depois do anterior, deverá decorrer, pelo menos, 0,35 segundo entre a contração ventricular e a seguinte. Então ocorre intervalo