Tratado de Fisiologia Médica

John E. Hall · Capítulo 238 de 351

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Tratado de Fisiologia Médica

Sensações Térmicas

que são referidas para trás dos olhos ou, no caso de infecção do seio frontal, nas

superfícies frontais da testa e do couro cabeludo, como mostrado na Figura 49-9.

Além disso, a dor oriunda dos seios inferiores, como os seios maxilares, pode ser

sentida na face.

Cefaleias Causadas por Distúrbios Visuais. A dificuldade em focalizar uma

imagem nitidamente pode causar contração excessiva dos músculos ciliares dos

olhos, com o intuito de conseguir visão com nitidez. Embora esses músculos

sejam extremamente pequenos, acredita-se que sua contração tônica possa

causar a cefaleia retro-orbital. Ainda, as tentativas excessivas de focalização

podem resultar em espasmo reflexo de vários músculos faciais e extraoculares, o

que pode ser causa possível da cefaleia.

Segundo tipo de cefaleia, com origem nos olhos, ocorre quando estes são

expostos à irradiação excessiva oriunda dos raios solares, especialmente a luz

ultravioleta. Olhar para o sol ou para o arco de uma solda, mesmo durante alguns

segundos, pode resultar em cefaleia que dura de 24 a 48 horas. A cefaleia

algumas vezes resulta da irritação “actínica” da conjuntiva e a dor é referida para

a superfície da cabeça ou para a região retro-orbital. Entretanto, a focalização de

luz intensa de um arco de solda ou do sol sobre a retina também pode levar à sua

queimadura, o que pode ser a causa da cefaleia.

 

SENSAÇÕES TÉRMICAS

 

RECEPTORES TÉRMICOS E SUA EXCITAÇÃO

 

O ser humano pode perceber diferentes graduações de frio e calor: frio

congelante, gelado, frio, indiferente, morno, quente e muito quente.

As graduações térmicas são discriminadas por pelo menos três tipos de

receptores sensoriais: receptores para frio, receptores para calor e receptores

para dor. Os receptores para dor só são estimulados pelos graus extremos de

calor ou de frio e, portanto, são responsáveis, junto com os receptores para

frio e calor, pelas sensações de “frio congelante” e “calor extremo”.

Os receptores para frio e para calor se localizam imediatamente abaixo da

pele em pontos separados discretos. Na maioria das áreas do corpo, existem

entre 3 e 10 vezes mais pontos para frio que pontos para calor; o número dos pontos para frio, nas diferentes áreas do corpo, varia de 15 a 25 por

centímetro quadrado nos lábios, de 3 a 5 por centímetro quadrado nos dedos

da mão, a menos de um ponto por centímetro quadrado em algumas amplas

áreas da superfície do tronco.

Embora os testes psicológicos revelem a existência de terminações

nervosas distintas para o calor, essas terminações ainda não foram

identificadas histologicamente. Supõe-se que sejam terminações nervosas

livres, pois os sinais de calor são transmitidos, sobretudo, pelas fibras

nervosas do tipo C, com velocidades de transmissão de somente 0,4 a 2 m/s.

Já foi identificado o receptor definitivo para o frio. Ele é tipo especial de

terminação nervosa mielinizada fina do tipo Ad que se ramifica diversas

vezes, com suas pontas fazendo protrusão para as superfícies inferiores das

células epidérmicas basais. Os sinais são transmitidos desses receptores por

meio de fibras nervosas do tipo A d com velocidades de aproximadamente

20 m/s. Acredita-se que algumas sensações de frio sejam também

transmitidas por fibras nervosas do tipo C, o que sugere que algumas

terminações nervosas livres também possam funcionar como receptores

para o frio.

 

Estimulação dos Receptores Térmicos — Sensações de

Gelado, Frio, Indiferente, Morno e Quente. A Figura 49-10 mostra

os efeitos de diferentes temperaturas sobre as respostas dos quatro tipos de

fibras nervosas: (1) a fibra para dor, estimulada pelo frio; (2) a fibra para o

frio; (3) a fibra para o calor; e (4) a fibra para a dor, estimulada pelo calor.

Observe, especificamente, que essas fibras respondem diferentemente a

níveis distintos de temperatura. Por exemplo, na região muito fria, somente

as fibras para dor-frio são estimuladas (se a pele esfria ainda mais, quase

congelando ou realmente congelando, essas fibras não podem mais ser

estimuladas). Conforme as temperaturas se elevam para +10° ou 15°C, os

impulsos para dor-frio são interrompidos, mas os receptores para frio começam a ser estimulados, atingindo pico de estimulação em 24°C e

diminuindo levemente acima de 40°C. Acima dos 30°C, os receptores para

calor começam a ser estimulados, mas eles também deixam de ser

estimulados por volta dos 49°C. Finalmente, ao redor dos 45°C, as fibras

para dor-calor começam a ser estimu ladas pelo calor e, paradoxalmente,

algumas das fibras para frio começam a ser outra vez estimuladas, talvez

por causa de lesões das terminações para o frio, ocasionadas pelo calor

excessivo.

Pode-se compreender, pela Figura 49-10, que a pessoa determina as

diferentes graduações das sensações térmicas pelos graus relativos de

estimulação das diferentes terminações. Também, pode-se compreender

porque os graus extremos, tanto de frio quanto de calor, podem ser

dolorosos e porque ambas as sensações, quando intensas o suficiente, geram

quase a mesma qualidade de sensação, — isto é, as sensações de frio

congelante ou de calor abrasador são muito parecidas.

 

Figura 49-10. Frequências de descarga em diferentes temperaturas cutâneas de fibra de frio-dor, fibra de frio, fibra de calor e fibra de calor-dor.

Efeitos Estimulatórios da Elevação e da Queda da Temperatura

— Adaptação dos Receptores Térmicos. Quando o receptor para

frio é, de súbito, submetido à queda abrupta na temperatura, inicialmente,

ele é fortemente estimulado, mas essa estimulação diminui, com muita

rapidez, durante os primeiros segundos e de modo progressivamente mais

lento durante os próximos 30 minutos ou mais. Em outras palavras, o

receptor “se adapta” em grande parte, mas nunca em 100%.

Assim, é evidente que as sensações térmicas respondem acentuadamente

às alterações da temperatura, além de serem capazes de responder a

estados constantes de temperatura. Isso significa que quando a temperatura

da pele está ativamente caindo, a pessoa sente muito mais frio do que

quando a temperatura permanece fria, no mesmo nível. Inversamente, se a

temperatura está aumentando, a pessoa sente muito mais calor do que

sentiria na mesma temperatura, se ela fosse constante. A resposta às

alterações de temperatura explica o extremo grau de calor que se sente

quando se entra em banheira de água quente e o frio extremo quando se sai

de sala aquecida para fora de casa em dia frio.

 

MECANISMOS DA ESTIMULAÇÃO DOS RECEPTORES

TÉRMICOS

 

Acredita-se que os receptores para frio e para calor sejam estimulados pelas

alterações de suas intensidades metabólicas e que estas resultam do fato de

que a temperatura altera a velocidade das reações químicas intracelulares,

por mais de duas vezes, a cada alteração de 10°C. Em outras palavras, a

detecção térmica provavelmente resulta não dos efeitos físicos diretos do

calor ou do frio sobre as terminações nervosas, mas sim da estimulação

química das terminações modificadas pela temperatura.

Somação Espacial das Sensações Térmicas. Como o número de

terminações para frio ou para calor em qualquer área da superfície do corpo

é pequeno, é difícil avaliar as graduações de temperatura quando pequenas

áreas da pele são estimuladas. Entretanto, quando grande área da pele é

estimulada, os sinais térmicos de toda a área se somam. Por exemplo,

mudanças rápidas da temperatura de apenas 0,01°C podem ser detectadas se

afetarem toda a superfície do corpo de forma simultânea. Inversamente,

alterações de temperatura 100 vezes maiores podem não ser detectadas

quando a área da pele afetada for de apenas um centímetro quadrado.

 

TRANSMISSÃO DOS SINAIS TÉRMICOS NO SISTEMA

NERVOSO

 

Em geral, os sinais térmicos são transmitidos por vias paralelas às vias da

dor. Ao entrar na medula espinal, os sinais cursam por alguns segmentos de

modo ascendente ou descendente no trato de Lissauer, terminando,

principalmente, nas lâminas I, II e III dos cornos dorsais — como para a

dor. Após certo processamento por um ou mais neurônios da medula

espinal, os sinais cursam por longas fibras térmicas ascendentes que cruzam

para o trato sensorial anterolateral oposto e terminam (1) em áreas

reticulares do tronco cerebral; e (2) no complexo ventrobasal do tálamo.

Alguns sinais térmicos são também retransmitidos para o córtex

somatossensorial do complexo ventrobasal. Ocasionalmente, verifica-se, em

estudos utilizando microeletró dios, que um neurônio da área

somatossensorial primária é diretamente responsivo a estímulo de frio ou de

calor, em área específica da pele. Entretanto, a remoção de todo o giro

cortical pós-central, no ser humano reduz, mas não abole a capacidade de

distinguir as graduações da temperatura.

 

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UNIDADE X 

 

 

O Sistema Nervoso: B. Os Órgãos

 

Especiais dos Sentidos

 

RESUMO DA UNIDADE

 

CAPÍTULO 50 - O Olho: I. Óptica da Visão

Princípios Físicos da Óptica

Óptica do Olho

Sistema de Líquidos do Olho — Líquido Intraocular

CAPÍTULO 51 - O Olho: II. Funções Receptora e Neural

da Retina

Anatomia e Função dos Elementos Estruturais da Retina

Fotoquímica da Visão

Visão em Cores

Função Neural da Retina

CAPÍTULO 52 - O Olho: III. Neurofisiologia Central da

Visão

Vias Visuais

Organização e Função do Córtex Visual

Padrões Neuronais de Estimulação durante Análise da

Imagem Visual

Movimentos Oculares e seu Controle

Crontrole Autônomo da Acomodação e da Abertura Pupilar

CAPÍTULO 53 - O Sentido da Audição

Membrana Timpânica e o Sistema Ossicular

Cóclea

Mecanismos Auditivos Centrais

CAPÍTULO 54 - Os Sentidos Químicos — Gustação e

Olfação

Sentido da Gustação

Sentido da Olfação

 

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